Feira de tecidos ao ar livre, demais!!!

Já comentei sobre isso e grande parte das velejadores tem máquina de costura a bordo. É super útil para fazer as diversas capas que são necessárias em um veleiro.  Já fiz várias capas aqui, roda de leme, catracas, balsa salva-vidas pois quanto maior a proteção para os equipamentos, melhor será sua conservação. Diferente dos países que passamos, Croácia, Montenegro, Grécia e Itália… Onde não tinhamos muita opção de ir a uma loja escolher e achar algo com bom preço… Aqui há grande oferta de tecidos, tanto de produção local como vindos da Turquia. Ótimos tecidos, a bom preço e o melhor lugar aqui por perto é a cidade de Ksar Hellal, que possuiu uma inacreditável feira de tecidos ao ar livre, como se fosse uma feira de frutas, só que tem tecidos para todas as finalidades, inclusive tecidos finos para roupas de festa, decoração e tudo que imaginar.

A feira é bem grande, os rolos de tecidos ficam expostos e é possível andar entre eles, uma verdadeira diversão. Adoro passar o dia na feira e entrar nas lojas para ver os enfeites, fitas, rendas e muitos acessórios para costura, pois as roupas típicas tunisianas geralmente são mais enfeitadas e destacam-se os bordados.

Bem diferente das roupas ocidentais. Sempre é muito divertido ir a grande feira de tecidos junto com as amigas velejadoras, trocamos  ideias, escolhemos juntas os tecidos… Na última ida a feira, antes do isolamento em função do Corona Vírus, tive a companhia da Caroline, minha amiga canadense. Pura diversão, amo!!! Namastê 🙏🏻

Dia 1.336,  18 de fevereiro de 2020. Morando a bordo na Tunísia, inverno 2020.

 

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Tunísia 🇹🇳, um lugar para conhecer.

Ontem o Google homenageou  a Tunísia, colocando sua bandeira na logo.

20 de março é comemorada a data de independência da Tunísia do protetorado da França.
Chegamos aqui sabendo muito pouco sobre este curioso país que tem nos surpreendido a cada dia.

Compartilho este texto que trás um olhar positivo com certeza resultante de sua transição democrática, após a onda de manifestacoes revolucionárias,  que ocorreram no Oriente Médio e no Norte da África entre 2010 e 2012, conhecium

da mundialmente como Primavera Árabe.

TUNÍSIA, OÁSIS DE SERENIDADE

Uma viagem a Tunísia é uma viagem por uma história de mais de três mil anos. As pegadas de fenícios, cartaginenses, romanos, bizantinos, turcos ou espanhóis, vão aparecendo conforme se percorrem as diferentes zonas do país. Nesses passeios se descobre também um povo hospitaleiro.
De raízes berberes, os tunisianos sempre souberam que uma xícara de chá reconforta e alivia ao viajante mais cansado, procedente do deserto ou de qualquer outra zona do mundo.
Mas não é sua história e hospitalidade o que caracteriza a Tunísia pois, embora possa parecer uma miragem, o país oferece também excelentes praias de areias brancas e águas transparentes, clima moderado, verdes vales cheios de flores, encantadores oásis com refrescantes palmeiras, douradas dunas, deliciosos dátiles, cativador artesanato ou travessias por um incomensurável deserto no qual podem-se ouvir a voz do silencio.
Entre os souks barulhentos de suas cidades, onde abundam fios tanto para criar tapetes como para tecer amizades, também se cinzela com precisão o bronze igualmente que se cria e molda uma rica vida cultural. As inumeráveis mesquitas disseminadas por todo o país, centros da vida religiosa com seus minaretes que se erguem dominando o vasto horizonte, escondem rincões de recolhimento nos que se concentra o espírito de todo um povo.
Quando o aroma do jasmim e da flor de limão envolve os entretenidos cafés, entre uma festa de cores, os sentidos do visitante são vítimas de uma mágica miragem. Mas as inconfundíveis paisagens, as notas da música malouf, a sedução de suas tradições, o vapor dos banhos hammam e a grandeza de seu passado e presente, confirmam que o que se vive não é uma ilusão ótica. Aqui, as miragens já não existem, o fantástico converte-se em realidade.
E embora as dunas se movam de um lugar a outro, no grande Erg Oriental, a essência da Tunísia, oásis de serenidade, permanece sempre inalterável.
Fonte: https://www.portalsaofrancisco.com.br/amp

Inverno 2020. Morando a bordo em Monastir, Norte da África.

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Impactos do Corona Vírus

Já estávamos em contagem regressiva esperando minha irmã e meu cunhado para nos visitar no fim de março, mas o coronavírus está cada vez mais difuso por diferentes cidades e países e isso fez com que cancelassem a viagem. Ficamos muito tristes mas por outro lado entendemos a preocupação deles e realmente agora não é uma boa época para viajar pois, além da possível quarentena no lugar que chegar ainda há o risco de estar num local onde transitam várias pessoas vindas de vários lugares do mundo e o melhor a fazer é mesmo esperar tudo isso passar.
Acompanhamos as notícias da Itália principalmente onde há voos diretos para a Tunísia e tanto lá quanto aqui as ações preventivas já estão sendo implantadas.
Vários países da Europa estão literalmente “fechados” e aqui na Tunísia medidas proativas também estão sendo tomadas. O Presidente da Tunísia, Kais Saied, determinou no último dia 17, toque de recolher das 6 da tarde às 6 da manhã, numa tentativa de evitar a propagação do coronavírus. Ele pediu que os tunisianos fiquem em casa, evitem se deslocar e que considerem doar metade de seus salários na luta contra a doença. Disse que para aqueles que têm melhores condições, não é irracional doar metade de seus salários e que ele será o primeiro a fazê-lo em benefício de todos. Medidas foram tomadas no tocante à suspensão de voos internacionais, fechamento de fronteira, escolas, mesquitas, mercados, bares e foi limitado o funcionamento dos cafés, extremamente comum e parte do cotidiano dos tunisianos, somente ao período da manhã. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde o total de casos ultrapassou 190 mil em 140 países.

A orientação é o auto isolamento, não sair às ruas, somente para o estritamente necessário, usar máscara, álcool gel, higienizar as mãos várias vezes ao longo do dia, limpar as patas dos pets  após as caminhadas, não participar de eventos, reuniões ou qualquer outra ocasião onde várias pessoas se reúnam.

Aqui na Marina, tivemos um caso de um veleiro que chegou de Malta e precisou ficar em quarentena, mas recebeu assistência do staff da Marina para obter suprimentos, etc… Outro caso foi de estrangeiro que retornou ao barco e permanece isolado no barco pelo período de quarentena e assim qualquer barco que der entrada na Marina deverá passar pela quarentena.

E nós? Estamos aqui nos cuidando, eu já entrei em auto quarentena no começo desta semana como medida preventiva e o Rentao está saindo na Marina apenas para andar com a Bella e ir ao mercado ou farmácia quando necessário. Nossos planos para o verão provavelmente não vão se efetivar, acreditamos que teremos que ficar por aqui mais tempo, pois agora muitos países do Mediterrâneo já estão fechados e não há muita opção de onde ir…. Nossos planos era velejar pela Itália, Grécia e Turquia mas acreditamos que não será possível neste verão.

O Renato tem acompanhado diariamente as notícias, os números crescem e aumenta o número de locais com vítimas. Agora o planejamento da navegação não depende somente da previsão do tempo ou da gente… Há algo sobre o qual não temos controle e assim algo a nos preocupar. Namastê 🙏🏻

Inverno 2020. Morando a bordo em Monastir, Norte da África.

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Da série: conhecendo novos lugares, Tunísia

 

Hoje fizemos um passeio bem legal com os amigos velejadores da Marina, fomos conhecer a cidade de Mahdya, fica há uns 50 km de Monastir e fizemos o percurso de trem.
O primeiro impacto que sentimos ao sair do trem e andar pela cidade foi a limpeza das ruas, não que estivessem totalmente limpas, mas em comparação a Monastir e outras cidades que estivemos até agora, sem dúvida Mahdya é a mais limpa.
Viemos conhecê-la por ter um grande porto, o antigo porto fenício que no século IX foi a primeira capital de uma dinastia islâmica que alcançaria a grandeza, a dos fatímidas. Posteriormente, permaneceu um porto estratégico cobiçado por muitas potências, tem também um belo farol e uma das praias mais badaladas da Tunísia 🇹🇳.
 O visual é bem bonito, caminhamos a pé contornando um antigo forte, a Mesquita e passamos pelo Cemitério Marinho em frente ao mar, todo pintado de branco, compondo uma diferente paisagem.
Passamos pelas ruínas do  século IX, entramos na Medina, construída pelos Árabes e que abriga a velha cidade murada com suas ruelas estreitas e casas brancas com portas verdes, vimos tecelões, casas de banho turco, os souks coloridos, com as suas diversas lojas, padeiros, ervanários, ourives, especiarias e roupas típicas… Tudo muito interessante é curioso.
Fomos também ao mercado do peixe, onde também há aves vivas para abate e a venda de muitas especiarias. Aqui a comida é bem apimentada, o costume é usar uma pasta vermelha de pimenta, chamada harissa, que vai em quase todos os pratos, alguns dá para pedir sem pimenta, mas o que já é pronto, como o cuscuz, por exemplo, já vem com harissa na água do preparo.


Mahdya por sua louca localização costeira foi bastante disputada pelos povos antigos, é uma antiga é importante cidade da Tunísia 🇹🇳. Hoje tem desenvolvido o turismo com uma grande rede de hotéis e resorts que atraem muitos turistas, principalmente europeus.
Taí mais um lugar bem legal que conhecemos e em companhia dos outros velejadores tivemos um dia adorável. Só a agradecer, Namastê 🙏🏻

Dia 1318. 31 de janeiro de 2020. Morando a bordo, inverno no norte da África, Monastir, Tunísia 🇹🇳

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Dia a dia na Tunísia 🇹🇳

O mês de dezembro trouxe o início dos ventos, que geralmente sopram mais fortes de norte ou de sul. A temperatura caiu e fica entre 13 e 18 graus, com pouca chuva. Assim podemos aproveitar bem os dias ensolarados e nos recolhemos quando o sol se põe, pois nesta hora o vento é gelado e o melhor lugar é ficar dentro do barco, fazendo alguma atividade, lendo, vendo um filme e pertinho do aquecedor. Temos um Aquecedor elétrico a óleo e ele aquece o barco todo, tudo de bom!
Aos domingos, acredito que em quase todas as marinas, os residentes de inverno se reúnem para o “Barbecue” . Cada um leva o que vai por na grelha, mais um prato doce ou salgado para dividir. A grelha é realmente democrática… Carne vermelha, linguiça de carneiro uma especialidade daqui, atum fresco, espetinho ou papelote de camarão, hambúrguer, linguiça para cachorro-quente e por aí vai… Cada qual com seus hábitos alimentares. O estilo do churrasco é muito diferente daquilo que fizemos no Brasil, mas as companhias são ótimas e passamos bons momentos trocando informações sobre lugares que já fomos, pegando dicas dos lugares que queremos ir e também combinamos passeios em grupo aqui por perto, já que o transporte é super bom.
A Marina fica bem próxima da Medina e geralmente o Renato vai comprar a carne no domingo de manhã, às vezes carne de gado, outras carneiro, camarão ou ainda atum fresco, que na grelha também fica uma delícia.
A maior parte dos residentes de inverno da Marina são franceses, até porque a segunda língua aqui é o francês e com certeza isso facilita muito para eles, mas tem australianos, ingleses, americanos, italianos e canadenses.
Temos o grupo das mulheres que juntas vamos às compras e geralmente falamos francês, inglês e espanhol e às vezes os três idiomas na mesma frase, muito bacana curtir essa “amizade de inverno”. Em Roccella Ionica, na Itália 🇮🇹, onde passamos o inverno anterior, fizemos bons amigos e nos comunicamos com frequência.
Na Medina, onde vamos às compras, há grande variedade de produtos, comidas, temperos, biscoitos e muita roupa, calçado e bolsas fake… Há também várias lojas que vendem roupas típicas usadas aqui e em cerimônias especiais. Eu adoro o movimento das ruelas, dar uma volta no mercado do peixe, escolher frutas e legumes nas bancas… Descobrir novos sabores, ver os produtos que usam na cozinha, aqui tem muitas especiárias, só não temos encontrado curry. Aqui usam muito, além de pimenta forte, vermelha e verde, a cúrcuma, em pó ou em raiz.

Outro hábito forte é o chá, nos cafés geralmente as pessoas tomam “teá de menta”, servido num bule tradicional, uma gracinha… Tem também chá com amêndoas dentro, chá de verbena que é bem gostoso e outros sabores… mas nos cafés daqui só os homens frequentam… quando há alguma mulher num café  certamente é estrangeira. Bem não gostamos do café daqui, ainda temos café italiano mas está acabando… Afinal isso trouxemos do Brasil, o hábito de tomar um bom café, quente e saboroso. Namastê! 🙏🏻

Dia 1307, 20 de janeiro de 2020. Morando a bordo, inverno no norte da África, Monastir, Tunísia 🇹🇳

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