“Pare o mundo que eu quero descer…”

Essa frase cantada por Raul Seixas reflete uma vontade de não vivenciar o duro momento atual…

Neste ano que estamos na Turquia planejavamos navegar em direção ao norte, passando pelo canal de Dardanelles até o Mar Negro e assim conhecer Istanbul, uma das mais importantes cidades do mundo e depois descer toda a grande costa da Turquia em direção ao sul no verão, quando os ventos são favoráveis para fazer este itinerário. Porém a guerra que se instalou na Ucrânia torna esta ideia impraticável por enquanto.

Acompanhamos com tristeza a situação do povo Ucraniano e é inaceitável que neste século uma guerra assim ainda aconteça. Temos novamente alguém tão terrível, nos lembrando horrores como nos tempos do Hitler, impondo o poder bélico e tirando a vida de milhares de jovens, de ambos os lados.

Os Ucranianos estão vivendo uma devastação em seus direitos e o povo Russo sendo alimentado com uma versão totalmente fora da realidade dos fatos. Junto com toda a perda, a dor, a tristeza e a destruição resultante da guerra, se espalham os impactos econômicos que elevam os preços em todo o mundo, fazendo com que paguemos mais caro por tudo que consumimos. Assim, vamos refazer os planos, esperar novamente o reagendamento da visita dos familiares, que tentam nos visitar desde quando o Covid 19 chegou em 2020 e esperar para que a Russia pare com essa insanidade de não respeitar a soberania e atacar a Ucrania.

Por hora nós continuamos ancorados em Marmaris, numa baía protegida, mas o frio ainda é intenso e todo tempo penso nos soldados lutando com temperaturas abaixo de zero, nas famílias que precisam deixar suas casas, no corte de água e energia dificultando a sobrevivência e no longo caminho que precisam andar para chegar à fronteira, levando crianças e idosos e deixando parte da família para trás. Externamos todo o nosso horror a este desgoverno Russo que envergonha a humanidade, tentando destruir uma nação, fragilizando as pessoas e matando tantos inocentes.

Por um mundo sem guerra. Namastê 🙏🏻🇹🇷

05 de março de 2022. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Marmaris, Turquia. 🇹🇷

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Ventos fortes na ancoragem, Turquia 🇹🇷

Tivemos uma semana de muito vento por aqui. Mesmo tendo mudado de ancoragem para estarmos mais protegidos, o vento foi contínuo e as rajadas próximas de 55 knots, mais de 100 quilometros por hora.

Todos os outros barcos também vieram para esta ancoragem para se proteger e o que tivemos foi um vento que entrou de todos os quadrantes, o que tornou impossível estar totalmente protegidos. Ancoramos para ficarmos protegidos dos ventos que viriam de sul e sudoeste e assim quando o vento começou a rodar já era noite e as rajadas com mais de 40 knots, o Renato precisou reposicionar o barco e fizemos isto encarando a chuva forte e o vento que adernava o barco e dificultava para subir a corrente da âncora, sem falar da escuridão e das chicotadas de água trazidas pelo vento.

O Renato tem um conhecimento técnico e prático incrível, sabe dar as respostas certas nas manobras necessárias para manter o barco nas condições difíceis de ventos fortes mas para mim foi uma experiência e tanto. Quando estava na proa recolhendo a corrente para reancorar o visual era assustador, via os outros barcos rodando com o vento, mudando de posição rapidamente e havia um barco amarrado a uma poita que quando a rajada pegava de través (na lateral) dava para ver o fundo do casco de tanto que adernava.

Precisamos reancorar três vezes até finalmente nos sentirmos seguros. Mas em meio aquela chuva e ventania e com o esforço do guincho, decorrente da dificuldade de manter a proa do barco alinhada com o vento, devido as fortes rajadas, a peça que direciona a corrente para descer na caixa de ancora se soltou, tornando mais difícil a operação, pois as vezes a corrente não descia e eu precisava ficar num movimento de vai e vem para poder fazê-la descer. Agora relatando fica bem mais fácil, mas, naquela hora, com chuva e o vento que não dava trégua nos empurrando, o Renato precisou deixar o leme e vir até a proa para identificar o que havia acontecido e me orientar como proceder. Enquanto estávamos reancorando o barco, o bote de apoio que estava amarrado na popa, virou duas vezes, ficando com o motor embaixo da água. O trabalho para desvirar o bote cheio de água e com as rajadas de vento foi exaustivo.

Esta foi minha experiência mais assustadora, mais do que uma noite que passamos ancorados numa pequena enseada na Croácia, cuidando para que o vento não nos arremessasse contra as rochas. O lado bom dessa noite aterrorrizante é que agora me sinto muito mais experiente e menos assustada e vi que ao contrario do que pensava, consigo manter a calma e me manter segura para ajudar o Renato a realizar os procedimentos necessários.

Ficamos na ancoragem quase uma semana, como a chuva era constante não saímos do barco e depois com a previsão indicando a mudança de vento, voltamos para a ancoragem em frente a cidade de Marmaris, ficando mais alguns dias sem sair em função do vento. Felizmente tínhamos suprimento para todos estes dias e achamos algumas atividades para fazer dentro do barco. Eu costurando algumas coisas o Renato fazendo algumas manutenções e assim passamos até podermos sair e ir pra terra.

Nestes dias ficamos muito tristes acompanhando os acontecimentos decorrentes do efeito “la ninã” em vários estados do Brasil, começando pelas chuvas na Bahia e avançando para outros estados. A quantidade de chuva foi surpreendente e evidência que ainda há muito a ser feito para realocar a população para áreas sem risco. Esperamos que haja vontade política para efetivar as ações necessárias quanto à população que está nas áreas de risco. Namastê 🙏🏻🇹🇷

20 de fevereiro de 2022. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Marmaris, Turquia. 🇹🇷

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Ancorados com neve na Turquia 🇹🇷

Neste inverno aqui na Turquia estamos experimentando novas descobertas e agora, pela primeira vez, desde que moramos a bordo, temos neve ao redor das montanhas que protegem a baía de Marmaris.

A previsão era de 13 cm de neve e quando acordarmos, às 9 horas da manhã, vimos um visual incrível, as montanhas delineadas lindamente pela cor branca da neve.

Creio que estamos passando pelos dias mais frios deste inverno. A temperatura interna no barco chegou a cair a 3 graus celsius e externamente com certeza ficou negativa.

A medida para encarar o frio é nos agasalharmos muito bem, com várias camadas de roupa e o uso de touca, luvas e cachecol tornou-se rotineiro para nos mantermos aquecidos e protegidos do frio. Durante o dia a bebida preferida é o chá quentinho e quando estamos em terra na cidade, vimos que todos nos bares e cafés, buscam por algo quente para beber também e aqui o chá ou café turco são as melhores opções.

A neve durou alguns dias nas montanhas e desfrutamos de uma vista incrível, além de uma sensação diferente de “Uau… estamos passando o inverno ancorados e com neve…” com certeza esse inverno está nos deixando mais experientes e resistentes ao frio, ao vento, as tempestades e estamos felizes por nos mantermos seguros e protegidos. A Pharea, nossa casa itinerante está ótima, o Renato não descuida das manutenções de rotina, temos acesso a água e combustível na marina próxima de onde estamos ancorados. Nos dias em que não há sol suficiente para carregar as baterias através dos painéis solares, o Renato liga o motor, por cerca de uma hora e assim já temos água quente nas torneiras e para o banho.

Temos mantido roupas na Bella neste período todo e diariamente ela fica pegando sol em seu lugar favorito embaixo do doghouse, onde fica abrigada do vento e nos parece que não está sendo difícil para ela encarar este tempo mais frio.

E assim vamos passando o inverno por aqui, esperando ansiosos pela chegada do verão, minha estação do ano preferida!Namastê 🙏🏻🇹🇷

25 de janeiro de 2022. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Marmaris, Turquia. 🇹🇷

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Como é Marmaris, cidade da Costa Turquesa 🇹🇷

A Turquia é conhecida pelos seus movimentados bazares, como o Grande Bazar e o Bazar de Especiarias, em Istambul e aqui em Marmaris temos Bazar também, que são várias ruas que cortam o centro da cidade e são somente para pedestres e com lojas dos dois lados.

Aqui pode-se encontrar muitas lojas de especiarias, tapetes, comidas rápidas de rua, lojas de doces incríveis, pashminas, scarfs, roupa de cama de algodão, toalhas de praia tecidas em teares manuais, arte em madeira e também muitas lojas de roupas sendo que uma parte delas oferecem marcas “fake”. Nesta época do ano a maioria delas está fechada e fico só imaginando o burburinho nestas ruas no verão.

Um dos nossos passeios favoritos é caminhar pela orla da baía, quase 10 quilômetros de calçada, com banheiros públicos bem limpos, bancos para sentar e contemplar a vista, pista para bike e patinete com vários pontos de locação no caminho.

Há palmeiras em toda a via e elas são numeradas, acreditamos que para monitoramento delas e felizmente, de modo geral, não se vê lixo no chão, uma vez que há inúmeras lixeiras nas ruas, sempre com sacos plásticos e com reposição diária. Ponto para o povo daTurquia

Algo que nos encanta são as estátuas representando a cultura local e dando um ar bem moderno à cidade. Há estátuas de pescadores, pensadores, músicos, turistas, crianças brincando, sereias e também há uma bem grande e imponente em lugar de destaque na beira mar do primeiro presidente da República Turca (1923), conhecido como Ataturk. Deu para perceber o respeito devotado a figura dele, através de sua foto colocada na parede do comércio e nas instituições.

Na cidade há muitos bares e restaurantea e com certeza no verão deve ficar tudo lotado. Além disso há muitos hotéis e resorts que recebem visitantes do mundo todo, principalmente europeus.

Na parte antiga tem o Castelo de Marmaris que foi construido pelos ionianos e reparado mais tarde, durante a era de Alexandre o Grande, rei da Macedônia (século IV a.C.). Infelizmente, durante a primeira Guerra Mundial, o castelo foi atingido por canhões da frota francesa e foi seriamente danificado.

Neste castelo, há 18 casas, uma fonte e um arco na área interna. Após a sua restauração em 1980 e 1990, o castelo transformou-se num museu em 1991. Ele está localizado de frente para o mar, defronte a Marina de Marmaris.

Marmaris é um grande centro náutico, com várias marinas em sua baía, reunindo muitas embarcações particulares e de charter e ficamos admirados com a quantidade de lojas vendendo todo o tipo de materiais e equipamentos náuticos.

São várias ruas com lojas especializadas onde pode-se encontrar tudo para uma embarcação. Mas, o inconveniente é o preço, cobrado em euros e aí fica bem salgado.

A baia de Marmaris é grande e abriga duas grandes marinas e outras menores e para nós cruzeiristas o ponto mais importante é a sua conformação, que oferece abrigo do vento proveniente de diferentes quadrantes.

Assim, mudamos de ancoragem com frequência sempre que o vento muda de direção, pois frequentemente ele chega forte com rajadas de 100 km por hora.

Aqui temos enfrentado muito vento, como já estava previsto pela época que estamos, mas estamos dando conta e com isso nos preparando melhor. Namastê 🙏🏻🇹🇷

20 de janeiro de 2022. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Marmaris, Turquia. 🇹🇷

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Como está sendo passar o inverno ancorados na Turquia 🇹🇷

Marmaris é uma cidade da chamada Costa Turquesa, com relevo montanhoso e uma estreita faixa de terra plana onde está a cidade de frente para o mar. Sua baía é bem peculiar pois contém várias marinas e pontos de ancoragem em todo seu redor, sendo uma das principais ancoragens a que fica em frente à cidade, onde também há argolas e cunhos no píer para amarrarmos o bote quando vamos para a cidade.

Estamos no inverno e aqui, praticamente todos os dias, há movimentação de embarcações, algumas para aula de vela e outras para passeios, o que difere em muito dos lugares que estivemos anteriormente, onde a vida náutica para e espera o inverno passar.

A cidade tem uma conformação bem diferente de Bodrum e Yalikavak, onde estávamos antes de vir para cá, não há condomínios subindo e descendo as montanhas, somente edifícios de 3 a 5 andares contornando toda a baía.

Aqui raramente vimos muçulmanos tradicionais (mulheres com a cabeça coberta e os homens usando túnicas) e cada vez mais percebemos que as cidades litorâneas são bem turísticas e modernas e as pessoas que seguem os costumes tradicionais e religiosos tendem a viver mais no interior da Turquia.

As condições de clima aqui são suportáveis para ancoragem, geralmente venta bem, já tivemos ventos de quase 90 quilômetros por hora, às vezes temos muitos dias de chuva seguidos, depois alguns dias mais secos e ensolarados e as temperaturas mais frias se dão pela manhã e à noite. Vimos o termômetro ir baixando a cada dia, estávamos com 14 graus celsius pela manhã e agora já chegamos a 6 graus celsius dentro do barco. Nos dias chuvosos ou com pouco sol o Renato aciona o motor para completar a carga das baterias e fizemos o abastecimento de água a cada duas ou três semanas na Marina, onde aproveitamos para esvaziar o holding Tank (águas negras) e repor o combustível. Nos dias de sol e com vento ameno aproveito para lavar nossa roupa e assim vamos enfrentando este desafio que nos propomos: passar o inverno ancorados!

Temos a companhia de nossos amigos do veleiro Tartuga e vamos seguindo juntos, desfrutando a companhia para mudar de ancoragens, fazer um churrasco e passear pela cidade.

A Bella está muito bem de saúde, temos cuidado para que não passe frio mas agora está muito mimada e só quer colo o tempo todo, uma graça!

Nós não pegamos resfriado e estamos bem também, muito agasalhados, várias camadas e usando touca direto.

Há três barcos de amigos vindos de Monastir que estão na Marina neste inverno e nos encontramos às vezes para um passeio na cidade ou para curtir uma deliciosa refeição turca em algum dos vários restaurantes daqui.

Enfim, está sendo uma boa experiência, possível por haver inúmeras boas ancoragens e lugares como este, que podemos em meia hora nos mudarmos para outra ancoragem, ficando abrigados de ventos de quadrante diferente.

À medida que entramos no inverno o tempo vai esfriando e nós vamos nos adaptando ao frio e as condições mais severas, mas estamos animados e curtindo muito esta experiência. Namastê 🙏🏻🇹🇷

10 de janeiro de 2022. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Marmaris, Turquia. 🇹🇷
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