Kythnos – num casamento grego 💙🇬🇷

Deixamos Ágia Marina na manhã do dia 22 e seguimos para a Ilha de Kythnos, pertencente ao arquipélago das Ilhas Cyclades. No caminho vento em torno dos 20 knots e alguns sprays de água na tripulação. Próximo a chegada enfrentamos uma correnteza contra de cerca de 4 knots, já informada no Navionics. Contornamos a Ilha que no lado de fora parecia inóspita e desabitada e na chegada, após 35,2 mil has náuticas, apesar de que não avistávamos a entrada… mais próximos vimos uma pequena marina pública e nos dirigimos para lá. Ancoramos no pier da orla (37°26.575’N /24°25.586’E) e ao redor dele novamente uma bela e pequena cidade, com suas casas subindo a montanha espalhadas, todas pintadas de branco com portas e janelas azuis, esta é a norma a ser seguida em todas as ilhas que compõem o arquipélago das Ilhas Cyclades. Li que isto gerava uma unidade, uma identifição que fortalecia o poder.
A Ilha é inteira de rocha exposta, possui várias igrejinhas espalhadas, artesanato de barro, inúmeros hotéis e pousadas espalhadas pela Ilha, restaurantes, praias e aldeias pitorescas, tem transporte para outras ilhas, vestígios de abrigos usados na segunda guerra mundial, como a caverna Katafiki e grandes festas religiosas. Uma pena pararmos tão pouco com tanta coisa para conhecer.
Comemos algo no barco, nos arrumamos e descemos para conhecer a cidade e nos deparamos com um casamento grego cuja festa era num dos restaurantes da orla.  Pessoas arrumadas e felizes, cantavam e dançavam sem parar, sentamos no restaurante um pouco mais afastados mas no fim já estávamos dançando também no meio da rua. No restaurante ao lado houve a quebra pratos, apenas dois. Hoje a legislação não permite mais a quebra de pratos em restaurantes e locais públicos, ao invés disto eles jogam flores para afastar a má sorte e trazer bons presságios.
A navegada foi longa e cansativa mas quando chegamos todos estavam novamente animados. Em um dia só saber tanta história e presenciar a alegria contagiante do casamento que se realizava foi algo encantador, depois disso que venha uma boa noite de sono, sem marolas, paradinhos em nosso pier. Só a agradecer. Namastê 🙏🏼

Dia 654. Morando a bordo, Ilha Kythnos, Arquipélago das Ilhas Cyclades, Mar Egeu, Grécia. Dia 22 de setembro de 2018.

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Na Ilha produtora de pistache – Aígina, Grécia 🇬🇷 💙

Inicialmente não tínhamos planos de conhecer Aígina, mas a previsão do tempo nos trouxe para cá.
Em Aígina (19/09) atracamos na marina pública, jogamos âncora e depois amarramos os dois cabos de popa no pier. Havia um pouco de vento e várias embarcações circulando na área da marina, além dos ferry boats que levantavam marolas, na terceira tentativa ancoramos (37°44.762’N / 23°25.682’E) o Pedron jogou os cabos de popa e o Israel, comandante do veleiro ao lado, desceu e nos ajudou na amarração. Ele também está dando a volta ao mundo com Iael, sua esposa, e os três filhos, eles são israelenses, muito simpáticos e atenciosos.
A Ilha de Aígina tem vestígio de habitação em 3.500 a.C, na época do cobre. No alto está Kolona, a Acrópole de Aígina (cidade alta) da época onde havia o Templo de Apólo, construído em torno do século VI a.C., em nossos dias a ruína tem um só dos 11 pilares. A cidade alta era protegida com muralhas que datam 3.000 a.C. e que ao longo do tempo foram destruídas cerca de 10 vezes. Hoje ainda restam ruínas de edificações bizantinas da época.
A cidade hoje é uma graça, o pier é em frente aos restaurantes, sorveterias e muitas lojas que vendem pistache, inclusive citando a safra. O sabor é irresistível e ele é usado em muitas receitas além daquela torrada e salgada que conhecemos. Tem em barras com mel, em conserva, molho pesto, biscoitos…. todos maravilhosos… aproveitamos para andar pelas ruelas da cidade e conhecer seus encantos. 
Noite tranquila, na manhã seguinte (20/09) entrou um catamarã para atracar no nosso lado e estava levando nosso bote junto. O Renato pediu que aguardasse que ele mudaria o bote para o outro bordo mas o piloto da embarcação continuou avançando e acabaram por se desentender. O piloto saiu xingando e o Renato deu um chega pra lá nele e foi até o escritório da marina informar do ocorrido.

Depois disso saímos e fomos conhecer o templo e museu de Apolo. Andamos pelas ruínas da cidade velha e fotografamos nossos Apólos kkk o museu é bem interessante mostra vasilhames e peças de uso da época.
Ficamos sabendo que hoje, dia 20, é uma data especial para a Simone e o Pedron, comemoram 22 anos de casamento. Eu e a Stela saímos de fininho e fomos comprar duas tiaras de flores e um buquê para entregar a eles que estão de bodas. Foi um linda surpresa, não podíamos deixar passar em branco!
  Para comemorar fomos para a Praia de Marathon, paramos num ótimo restaurante com espreguiçadeiras à beira mar e passamos lá o restante deste dia especial.
Quando retornamos no fim do dia lá estava o piloto do catamarã ainda querendo encrenca, dois guardas do Porto passaram e ele os chamou e sugeriu que estávamos irregulares que deviam ver nossos documentos, o Renato mostrou e tudo estava ok. O Grego não parava de implicar e então os guardas deram um chega pra lá nele… disseram ao Renato que abrisse um boletim de ocorrência contra ele, por ter atropelado o bote e batido boca… conclusão ele era o piloto de um barco de charter, muito prepotente e mal educado, deste embrulho todo acabamos tendo o apoio do Israel, do barco ao lado e depois os meninos foram tomar uma vodka com ele e levaram um vinho para retribuir sua ajuda. Em todos estes meses foi o primeira pessoal mal educada e sem nenhum senso de coletivo que encontramos. Totalmente fora do clima de camaradagem que existe entre os velejadores, uma pena. Vamos informar a companhia de charter sobre seu comportamento agressivo e antiprofissional.
Dia 21 pela manhã, deixamos a marina de Aígina e rumamos para um ponto de ancoragem do outro lado da ilha, uma enseadinha chamada Ágia Marina, jogamos âncora (37°44.471’N / 23°32.350’E), os meninos desceram de bote até a cidade e trouxeram um belo pernil de carneiro para um churrasco no almoço. O Pedron preparou com sal grosso e depois pincelou com um molho a base de azeite e ervas, ficou divino.                   Tomamos banho de mar e mergulhando dava para ver muito lixo no fundo do mar, garrafas pet, vidros, latinhas etc… uma pena.
A tarde todos nós descemos para conhecer a pequena cidade, que tinha uma rua cheia de lojas de roupas, artesanatos, bijoux, souvenirs, etc… No retorno o mar estava com muita marola e a noite foi horrível, balançou o tempo todo, resultado do vento que havia entrado. Todos aguardavam ansiosos a saída daquele chato balanço. Como a expectativa era ir para Mikonos, o comandante, em função da previsão para os próximos dias, harmonizou para seguirmos para a Ilha de Kythnos, uma antes de Mikonos. Os dias estão passando muito rápido. Em cada parada há muito a conhecer.        A Grécia 🇬🇷 é riquíssima de histórias envolvendo seus deuses e as vezes nem dá tempo para ver e se aprofundar um pouco mais. No barco nossa rotina já está instalada, todos mantém suas coisas no lugar, ajudam nas tarefas e assim tudo fica em ordem rapidinho, optamos por tomar o café da manhã e fazer uma das refeições a bordo e na outra aproveitamos para conhecer a culinária local… sempre regada a muito azeite, tomate, pepinos e pimentões. Estamos em família com muita alegria e harmonia! Namastê 🙏🏼

Dias 652 a 653. Morando a bordo, Ilha Aígina, Mar Egeu, Grécia 🇬🇷. Dia 19 a 21 de setembro de 2018.

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Atenas – a cidade dos deuses 💙🇬🇷

Estamos agora no Mar Egeu e Atenas é uma megalópole, mais de 5 milhões de pessoas vivem aqui.

Na chegada pudemos ver a cidade esparramada por toda a costa e avançando internamente. Atenas é o “berço da civilização ocidental” e reúne muita história e mitologia.
Optamos por ficar na Zea Marina (37°56.212’N / 23°38.783’E) pois há previsão de ventos fortes nesta semana e assim ficamos abrigados para receberemos nossas visitas.

Aliás, no Brasil eles já estão se preparando para vir e começaram um esquenta de quebra pratos kkk
A Marina fica em Piraeus, onde também há o Porto bem próximo e com muito movimento em função dos grandes navios de passageiros que param aqui. Nestes dias ficamos preparando e adoçando o barco e conhecemos um pouco do bairro de Piraeus.
Na sexta (14) fomos até a embaixada do Brasil 🇧🇷 encaminhar uns documentos e vimos Acrópole de longe, lá no alto, rodeada pela cidade de Atenas.
No sábado preparamos as mochilas e fomos para o bairro de Plaka, ficar com nossos convidados, meu irmão Ilson e cunhada Stela e os amigos Pedron e Simone, todos de Sinop-MT. Eles alugaram um apartamento para dois dias, facilitando assim o deslocamento para os pontos turísticos de Atenas.

Chegaram entusiasmados e bem… só uma ducha… um brinde e saímos passear. A Stela se encarregou de ver os pontos turísticos para visitarmos e optamos por conhecer:
Plaka – conhecido como o bairro dos deuses, por sua proximidade com a cidade antiga de Acrópole. É o bairro mais antigo e tem ruelas com lojas de suvenirs, inclusive made in Grece, dos quais eles muito se orgulham: sabonetes, adereços, produtos gastronômicos, roupas gregas, e ao lado ruas com cafés e restaurantes servindo frutos do mar e comida típica grega, como o Gyros, Moussaka, Souvlaki, Yemista, salada grega, Kebab, iogurte grego e Ouzo, uma bebida típica feita de anis, tudo muito gostoso e com porções gulosas, digo, enormes! Nas ruas as calçadas são arborizadas com cítricos, pés carregados de laranja e limão na cidade toda.
Praça Sintagma – fica no coração geográfico de Atenas e abriga o prédio do Parlamento Grego. Em frente ao edifício do Parlamento está a tumba do “soldado desconhecido” vigiado noite e dia pelos “Evzoni” dois guardas vestidos com um uniforme curioso e tradicional.  Diariamente ocorre a troca de guarda e no domingo as 11 horas a troca é acompanhada por uma bela banda musical.

Praça Monastiraki – é um ponto de encontro no centro de Atenas com muitos cafés e lugares para sentar entre uma caminhada e outra. Nos arredores há o mercado de pulgas com muitas lojas de artesanato, roupas e souvenirs. Seu nome origina do fato de que no século XVII o local era um mosteiro.
National Garden – um grande parque com 160.000m2 e mais de 500 tipos de plantas procedentes do mundo todo. Um lugar para relaxar, caminhar e tomar um bom café.
Kolonati – um dos bairros mais elegantes de Atenas, com edifícios neoclássicos e modernistas, boutiques de luxo, adegas (onde compramos bons vinhos) e lojas com produtos de designers gregos.
Compramos ticket para visitar os pontos turísticos, que se localizam no alto da cidade antiga de Atenas e reúne várias ruínas e sítios arqueológicos.
Acrópole de Atenas – a maior atração de Atenas, tão famosa como o Coliseu e a Torre Eiffel, foi construída em 450 a.C. e suas ruínas sobreviveram a inúmeras guerras ao longo do tempo. A palavra Acrópole significa cidade alta, que eram construídas para proteger as cidades. No caminho passamos por uma feira de artesanato e antiguidades, que enchem os olhos dos turistas, como as tiaras douradas de ramos de louro, uma graça. O Ilson curtiu as ferramentas antigas!
Templo de Zeus – um grande templo dedicado a Zeus, sua construção começou em 512 a.C. e só foi concluído 600 anos depois, pelo Imperador Romano Adriano. Das 104 colunas do templo original restam ainda 15 delas para visitação.
Arco de Adriano – localiza-se próximo ao Tempo de Zeus e foi construído em 130 d.C.
Partenon – Templo construído no século V a.C. e dedicado a padroeira da cidade, Atenas. É o símbolo duradouro da Grécia e da democracia, e é visto como um dos maiores monumentos culturais da história da humanidade.
Templo de Atena Nike – templo em estilo jônico para a deusa Atena, deusa alada da vitória, também localizado na Acrópole de Atenas. Aqui os atenienses adoravam a deusa, na esperança de que ela os ajudasse na longa guerra contra a cidade-estado rival, Esparta. Este templo foi a expressão máxima da ambição de Atenas de se tornar a pólis mais importante da Grécia.

Odeão de Herodes Ático – um antigo teatro localizado na vertente sul da Acrópole de Atenas. As obras começaram possivelmente em torno de 174. O Odeão era uma estrutura coberta, e podia receber até 5 mil espectadores. Após as restaurações, desde 1957 voltou a ser usado para apresentações e festivais

Estádio Panatenaico – um dos mais antigos do mundo, 566 a.C. com capacidade para até 50 mil pessoas. No final do século XIX, a estrutura foi escavada e restaurada para o renascimento dos jogos em 1870 e 1875. O estádio também foi usado em 1896, naquela conhecida como os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna.

Museu de Acrópole – um belo museu, inaugurado em 2007, reúne peças, esculturas e outros objetos relativos à Acrópole, inclusive apresenta réplicas de vários monumentos, muito bonito e organizado ajuda a entender a história local.
Andamos muito e ainda ficaram alguns pontos que não visitamos.

A cidade é alegre, movimentada e os restaurantes convidativos para fazer uma boa refeição e apreciar a o vai e vem de pessoas que não pára. Há poucos shopping e o comércio forte é de lojas de rua, uma ao lado da outra, nos pareceu que esta dinâmica tem a ver com a segurança nas ruas, no Brasil 🇧🇷 as lojas migraram das ruas para o Shopping.

Atenas impressionou a todos pelo seu tamanho, boa comida e pelo seu estilo de museu a céu aberto, com ruínas expostas em vários pontos da cidade, uma cidade que é habitada continuamente a 3.400 anos. Nós que estamos acostumados a parar em pequenas cidades até estranhamos a correria da cidade grande, já os demais acostumados e com convivência mais próxima a São Paulo, nem estranharam tanto.
O Renato tem acompanhado a previsão do tempo e haverá ventos fortes, vindos do Norte, terça e quarta, assim ao invés de irmos para leste (Mikonos) onde há a ocorrência dos ventos, desceremos no sentido oeste para ficarmos abrigados e depois retomamos o percurso.
Na terça (17) voltamos para o barco e todos se instalaram, lotação completa das cabines. Todos reagiram bem ao pouco espaço e fiquei por vezes me perguntando…. qual o motivo de deixarem suas ótimas e confortáveis casas para passar férias a bordo… mas creio que o que vale é a nova experiência e isso é muito válido, podemos sempre fazer e experimentar coisas novas, isso nos enriquece!

Depois das explicações do comandante e da mostra sobre segurança a bordo todos ficaram safos bem rapidinho kkk. Fizemos as últimas compras de mercado e na manhã seguinte fomos para Salamina, uma Ilha bem próxima de Atenas, que inclusive foi seu primeiro porto.
Ancoramos numa enseadinha em frente a um pequena cidade (37°54.666’N / 23°30.824’E) e fizemos um churrasco maravilhoso, o Pedron pilotou a churrasqueira. Final do dia descemos para caminhar e paramos num restaurante que serviu um prato típico que o Ilson adorou: queijo feta, cogumelos frescos e tomate tudo assado com muito azeite, uma verdadeira delícia!
Estamos curtindo muito a companhia e a Bella já está a vontade com todos recebendo carinho e atenção. Muito bom estar a bordo e poder compartilhar com familiares e amigos os novos e interessantes lugares que estamos conhecendo na Grécia. Gratidão. Namastê 🙏🏼
Dias 643 a 651. Morando a bordo, Atenas e Ilha Salamina, Mar Egeu, Grécia 🇬🇷. Dia 10 a 18 de setembro de 2018.

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Rumo ao fantástico Canal Corintos, Grécia 🇬🇷💙

Saímos as 4 horas da madrugada de Astakós, pretendemos fazer duas pernas até Atenas. Passamos pela grande ponte estaiada de Patras e logo depois, das 14 às 18h enfrentamos ventos fortes com rajadas chegando aos 40 knots. O Renato avançou um pouco do ponto onde havia planejado parar, pois estamos numa espécie de canal e a ancoragem seria do lado oposto e assim gastaríamos umas três horas a mais de navegação. Cansados de tanto vento, entramos num Porto com marina para pernoitar, pois não era abrigado ficar para o lado de fora do molhe. Atracamos e o Renato foi até o escritório da marina (24h) e voltou feliz em saber que a Marina é free. Ela não dispõe de água e energia no pier mas felizmente essa não era a nossa necessidade.
Buscávamos um lugar para uma boa noite de descanso. O Renato voltou do escritório e disse que viu vários barzinhos e restaurantes na beira da marina de Kaitos e lá fomos nós em busca da boa mesa Grega. Música ao vivo, comida gostosa e clima super agradável, dormimos como anjos kkk. Na manhã seguinte saímos às 9 horas, após o café e com muita expectativa rumamos para o Canal de Corintos.

Nos aproximamos do canal e já havia uma lancha parada esperando, o Renato acionou o canal via rádio e na sequência já nos dirigimos para a entrada, a lancha se foi e ficamos sozinhos no canal, muito show, paredões de rochas, água verde esmeralda, forte correnteza e a Pharea foi avançando pouco a pouco as três milhas náuticas do canal. Foi uma experiência incrível, uma travessia belíssima. O sonho dos gregos de construir esse canal começou muito tempo antes dele ser efetivamente feito, pois há indícios de que as primeiras ideias datem do século 7 Antes de Cristo. O primeiro a iniciar as obras foi o imperador Nero, no ano de 67 Depois de Cristo. Ele chegou a mandar 6000 escravos para o local, mas com a sua morte, o projeto parou. A construção efetiva do Canal de Corinto teve inicio somente em 1881, mas por conta de problemas financeiros e geológicos ele só foi finalizado em julho de 1893. Quando finalmente ficou pronto, pelo fato de ser muito estreito e ocorrerem muitos deslizamentos, o canal não atraiu muito os grandes navios de navegação internacional, por isso a maior parte dos barcos que passam por lá (cerca de 11 mil por ano) são de cruzeiro e turismo. Este canal liga o golfo de Corintos ao mar Egeu, tem 6 metros de profundidade e 21 metros de largura, facilita muito por cortar um caminho de 400 quilômetros em torno do Peloponeso.
Quando entramos vimos uma ponte que se abre para o canal e quando saímos a outra ponte estava submersa. Bem, na saída há um pier onde ancoramos para descer até o escritório e pagar a travessia, nada mais nada menos que 194,00 euros…, como dissemos, se falarmos em “dinheiros” não é caro, mas convertendo reais… fica caro.
Passamos no canal às 11 horas e rumamos para Atenas, já no mar Egeu. O dia estava lindo, ensolarado e com pouco vento, abrimos as velas mas não por muito tempo, depois navegamos só com a grande aberta.
Na proa vimos Athenas e antes muitos navios aguardando acesso ao Porto e muitos ferry  boats e também os Dolfins, barcos velozes de passageiros que deslizam sobre a água e andam a mais de 30 knots. Athenas dispõe de transporte marítimo de passageiro para praticamente todas as ilhas e também entre ilhas.
De longe pareciam blocos de pedra clara, mas já era a grande Atenas, espalhada contornando boa parte da Costa que podíamos avistar. Passamos o Porto e rumamos para a Zea Marina, onde o Renato havia feito nossa reserva, localizada em Piraeus.  Às 17 horas o Renato acionou a marina via rádio e ela nos passou as informações para entrada no pier para atracarmos. Finalmente em Atenas, o coração bate forte por estarmos aqui, eu, Renato e nossa Bellinha. Só tenho a agradecer, ao capitão que nos leva para tantos lugares e por esta jornada incrível que escolhemos! Namastê 🙏🏼

Dias 641 a 642. Morando a bordo, Canal Corintos, Grécia 🇬🇷. Dias 08 e 09 de setembro de 2018.

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Procurando abrigo de fortes ventos, encontramos Astakós 💙🇬🇷

Na noite anterior (02/09) ancoramos na baía, mas um pouco afastados da cidade de Astakós (lagosta). Pela manhã descemos o bote do convés e fomos caminhar com a Bella, vimos que a cidade se espalha umas quatro ou seis quadras, entre o mar e o monte Veloutsa e na horizontal por uns 6 quilômetros. Na rua da praia há piers para os pescadores locais, para a parada do ferry boat e em frente aos restaurantes há um lugar reservado para receber os navegadores que por ali passam, tanto para se proteger do vento de fora, como para aproveitar as comodidades de água e energia disponíveis num conceito de marina pública, ou seja, tudo free… o Renato conversou com o pessoal de dois barcos que já estavam lá e como ainda havia vaga, retornamos ao barco e o trouxemos para essa pequena marina super abrigada o que foi um alívio para nós, já que a previsão do tempo desta semana é de vento constante, com rajadas de mais de 40 knots.
Chegamos na marina, o suíço de um veleiro próximo auxiliou com os cabos, jogamos a âncora em frente e entramos de popa.

O Renato instalou o gangway, abriu o holding tank para usarmos (algo que fazemos quando estamos ancorados próximos ou em áreas de banho) e tudo pronto… saímos novamente para passear na cidade.
Reparamos muitas senhoras de idade usando preto, que a estatura deles é bem menor que a dos altos Croatas, que os homens andam com o terço grego na mão (tipo um pequeno rosário, que vai passando as bolinhas com o dedo com o intuito de distrair, aliviar o stress, que o horário do comércio tem uma pausa das 14:30 às 17:00 horas e que a frota de carros é bem antiga.
No retorno fomos abordados por um simpático senhor chamado Yani, de um dos restaurantes em frente a marina. Nos convidou para sentar, pedimos chopp e ele nos trouxe o chopp e de cortesia uma entrada de fritas com calabresa… uma simpatia, queria saber de onde éramos, para onde íamos, o que já tínhamos conhecido, enfim passamos lá algumas horas e foi super agradável.
Na terça (04) fomos a frutaria e o Renato saiu em busca de arruelas para reforçar a plataforma do guincho, pois na ancoragem anterior puxei demais a âncora que chegou a soltar um pouco o guincho 😬😬😬.
O Renato pegou o endereço de um veterinário na internet e foi lá agendar a vacina da Bella. Como não estava localizando o endereço (em grego, literalmente) pediu informação numa loja de sementes e artigos agrícolas, o dono que estava cuidando da loja não falava inglês e assim não se entenderam, mas… ele pegou as chaves de seu velho carro, fechou a loja e fez sinal para o Renato entrar… ele o levou até a porta do veterinário!
Também no restaurante onde trabalha o Yani e que estivemos
lá quase todas as noites, fomos nos despedir e ele saiu e pediu que esperássemos, quando voltou trouxe envelopes com sementes de favas, páprica, letuga e tomate graúdo, coisas que havíamos comido e que elogiamos, dizendo que era para nós plantarmos quando voltássemos ao Brasil 🇧🇷. Nossa, essas atitudes nos impressionaram.
Na quarta levamos a Bella tomar vacina e retornamos para o barco pois a tarde entrou vento forte, lá na marina 34 knots.
Acho que vamos sair gordinhos da Grécia 🇬🇷 pois aqui come-se muito bem! Hoje almoçamos noutro restaurante e tudo estava ótimo, molhos maravilhosos a base de iogurte grego (divino!), queijo feta, pães rústicos, carnes bem temperadas, polvo grelhado, uau… adoramos tudo o que comemos aqui, uma fartura 😋😋😋
Na quinta a marina estava lotada, muitos vieram se abrigar, conhecemos rapidamente até um brasileiro que estava de tripulante num dos veleiros. Franceses, suíços, ingleses, alemães, italianos… alguns casais, alguns sozinhos, famílias com crianças… bem variadas as tripulações.
Na sexta a noitinha passamos no restaurante nos despedir do Yani e depois fizemos um happy hour, no veleiro vizinho ao nosso, de um marroquino que mora na frança desde criança e nos contou um pouco mais da Grécia e dos lugares por onde passaremos em nossa rota, dos muitos lugares por onde ele já passou e nos disse que vem a Astakós há 15 anos e que adora este lugar!
Mas quem nos conhece sabe que nem tudo foi só curtição, estar na marina significa também aproveitar a água e energia para deixar tudo em ordem, lavar tudo o que precisa ser lavado e o Renato dar um bom trato no barco, mas foi ótimo, nos cansamos com o calor mas cada tarefa realizada foi uma alegria.
Na vida a bordo tem pouco espaço para a tristeza ou desanimo, nos empolgamos com coisas simples, saboreamos uma boa comida como se fosse um manjar, andamos por pequenas cidades e nelas conseguimos descobrir coisas e pessoas incríveis, esperamos e o vento chegar e ir embora e geralmente estamos ancorados num lugar único e com muitos significados para nós e como diz a canção… o que se leva dessa vida amor…a vida que a gente leva! Namastê 🙏🏼

Dias 636 a 641. Morando a bordo, Astakós, Grécia 🇬🇷. Dia 03 a 08 de setembro de 2018.

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