Só alegria, chegada dos amigos Pádua e Lili 😍

Na próxima semana chegam nossos amigos e dindos da Bella, Lili e Pádua, moram em Curitiba e deixam seu belo Veleiro Austral em Antonina, PR, onde começou nossa vida náutica a bordo do Relax. Eles nos visitaram na Croácia em 2018 (foto) e agora chegam para conhecermos juntos um pouco do sul da Itália, a Calábria e a Sicília 🇮🇹 As distâncias são grandes, a Itália com sua forma de bota é bem comprida… E estamos aqui na sola e vamos até sua pontinha onde fica a Sicília. No domingo pegamos o trem para Lamezia, onde fica o aeroporto mais próximo daqui, fomos lá pegar o carro que locamos para o passeio e na segunda-feira eles chegaram no fim do dia. Que maravilha vê-los desembarcando do trem… Já estávamos ansiosos pela chegada e a Bella reconheceu a dinda assim que a viu. Eles curtiram a vinda de trem e a paisagem desde Roma até aqui. Chegando,  já subiram a nova bandeira do Brasil, indicando a nacionalidade da tripulação. Felizmente a previsão do tempo se confirmou e os dias foram ensolarados e sem chuva. Como o tempo deles é curto, pensamos em conhecer o máximo de lugares nestes dias…
Na terça feira (05) fomos para Gerace, aqui próximo, uma vila histórica fortificada, com várias igrejas, ruínas de um castelo e vários palácios que eram as grandes casas onde os senhores da época moravam. A paisagem é belíssima e do alto vimos o vale no entorno, pequenas cidades, plantação de cítricos, a rodovia que passa pelos diversos túneis que cortam as montanhas.
Como era cedo aproveitamos para ir até Tropea, cidade litorânea que chama atenção pelo seu centro histórico e também pelas construções sobre as rochas da encosta, conferindo um belo visual. Passeamos a pé e descemos contornando a beira mar e chegando ao antigo e hoje preservado monastério, que foi uma ilha e hoje está integrada ao continente. Como estamos no inverno os restaurantes estavam fechados e então comemos um sanduíche italiano super gostoso numa mercearia típica local.
No dia seguinte rumamos em direção ao Estreito de Messina, que separa a Calábria da Sicília e faz o encontro do Mar Jônico com o Mar Tirreno. Fizemos a travessia do canal com o ferry boat que leva, carros e pessoas e é bem rápido. A menor distância do canal é de 3.300 metros e existe um projeto para unir a Sicília com o continente através de uma ponte, porém há uma polêmica em torno deste assunto, uma vez que a execução tem dificuldades técnicas em função de tratar-se de uma área com intensa atividade sísmica além de fortes e constantes ventos. Descemos na cidade de Messina e rumamos para nosso primeiro ponto de parada, a cidade de Taormina localizada no topo de uma colina, na costa leste da Sicília. Ao fundo fica o Monte Etna, vulcão em atividade que causou o fechamento do Aeroporto de Catânia, em dezembro passado.

A cidade é muito antiga, de 735 a.C. e palco de inúmeros conflitos, invasões e domínios. Está entre os pontos turísticos mais visitados na Europa no século XIX e realmente o lugar é fantástico, as vistas do mar, do vulcão e do vale são surpreendentemente belas, adoramos o lugar e além das construções históricas, a beleza natural que preserva de forma irretocável.
Vimos na baia duas pequenas enseadas que parecem ser bom lugar de ancoragem.

Seguimos para Catânia onde pernoitamos, uma antiga cidade portuária na costa leste da Sicília, no sopé do Monte Etna, com mais de 300 mil habitantes é a segunda maior cidade da Sicília após a capital Palermo. A antiga cidade foi fundada em 729 a.C. e conserva uma rica história do patrimônio cultural das eras Grega, Romana, Bizantina, Árabe, Normanda entre outras, representadas nas construções e monumentos espalhados pela cidade. A cidade que vimos agora é resultado da reconstrução feita após forte terremoto sofrido no ano de 1.693, foi reconstruída no estilo Barroco Siciliano e declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco. No centro histórico caminhamos pela grande praça, rodeadas pelos grandes palácios reconstruídos e no centro um monumento com um elefante que suporta um obelisco egípcio, símbolo da cidade, que conforme narra a lenda, tratava-se de um elefante mágico, construído com a lava do Monte Etna quanto Catânia era ainda uma província bizantina do Império Romano. Gostamos muito de Catânia e ficamos  impressionados com as construções, possivelmente pelo fato de serem reconstruídas e estarem com um bom aspecto. Mas há muitos espaços com edificações dos séculos XVIII e XVX em estado precário, precisando de manutenção e revitalização.
Dia seguinte, nosso destino: Siracusa, terra da máfia italiana ou como chamam: “cosa nostra” e a gente vai relembrando os filmes do Poderoso Chefão (Godfather, Il Padrino), que conta a história da família mafiosa Corleone, durante os anos de 1945 a 1955, filme norte-americano de 1972, considerado o melhor filme de gângster de todos os tempos e o segundo melhor filme estadunidense da história. É muito legal ver filmes dos lugares que conhecemos pois temos um novo olhar para todas as cenas, passear pelas ruas imaginando o passado e sabendo que cada rua, cada edificação constitui uma história. Estacionamos o carro na pequena ilha de Ortigia, velho centro histórico de Siracusa que concentra algumas marinas, a baía é bem linda e grande. O centro histórico com suas vielas estreitas e antigas construções, hoje viraram restaurantes e lojas e comparado a Catânia, parece estar bem menos preservado e limpo. Tempo curto para vermos tantas coisas, começamos a retornar em direção ao Estreito de Messina. Cruzamos de ferry boat e paramos na beira mar de Régio Calábria, a maior cidade da Calábria que nos pareceu ter um clima ótimo e animado.

 

 

Hora de retornar para Roccella Ionica e no dia seguinte nos despedirmos deles, nossos bons amigos que estão sempre próximos da gente. Antes da visita aquela ansiedade para programar tudo para aproveitar o máximo, durante a estadia os dias passam voando e logo está na hora de voltar… Mas o importante é que nos divertimos muito estes dias, adoramos a companhia deles e a Bella aproveitou toda a atenção dos dindos também.

Somente a agradecer a vocês, Lili e Padua, pelos ótimos dias que passamos juntos e agora esperar para que nos encontrem novamente em outro destino, que ainda não sabemos onde e em qual continente será 🌍. Namastê 🙏🏻.

Dias 804 a 815. Morando a bordo, invernando em Roccella Iônica, Calábria, sul da Itália 🇮🇹 Dias 26 de fevereiro a 09 de março de 2019.

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Rotinas e trabalhos a bordo ⛵️🇮🇹

Tivemos alguns dias de sol e pouco vento e o Renato começou a fazer as manutenções de marcenaria, lixar e envernizar a mesa do cockpit e também o madeiramento da entrada para o salão. Depois de muito lixar começaram as inúmeras demãos de verniz que foram dadas dentro da cabine de popa, para que não entrasse pó durante a secagem, mas valeu a pena, o trabalho ficou muito bom e estamos com a mesa bem bacana agora 😀.
Temos uma vizinha de Marina, a Sue, que leva sobremesas deliciosas no Barbecue e pedimos que nos ensinasse uma receita de um rocambole de coco delicioso. Nos reunimos no club house e aprendemos a receita, foi bem divertido, ela realmente tem a mão boa para doces, tudo o que faz é delicioso 😀.
A Bella tem ficado bastante no barco, colocamos a caminha dela embaixo do dog house, onde fica abrigado do vento e faz uma “estufinha” com o sol. Ela fica horas por ali e todos que passam no píer em frente ao barco recebem umas latidas e quando param para conversar próximo do barco, ela corre e late sem parar… uma verdadeira guardiã. Fora isso andamos com ela diariamente pela Marina e quando vamos para a cidade a levamos… Ela vai bem feliz andando e correndo atrás das lagartixas pelo caminho e na volta pede colinho, uma graça.
Nossa bandeira do Brasil puiu… também com tanto vento que já pegamos e também ela completou 11 meses panejando nos ventos daqui, mas a Heloísa me emprestou um tecido verde e consegui restituí-la, agora já está içada novamente 🇧🇷.
Já iniciei o desafio da confecção da capa do bote. Comecei fazendo um molde em plástico, costurei e experimentamos e achamos que ficou muito franzido, com sobra de tecido. Agora já iniciei um segundo molde e ele se adaptou bem melhor as formas do bote. Fizemos um intervalo pois o bote acabou abrindo uma aba de colagem e aí paramos para o Renato fazer o conserto do bote. E depois um outro intervalo em função do vento que bateu forte nestes dias todos, uma semana de ventos fortes e contínuos com rajadas na casa dos 50 knots. Bem, vamos indo, temos tempo e assim que der concluímos isto. Estou acompanhando uns vídeos no YouTube bem legais sobre costuras náuticas, é ” sailrite”, tem muita coisa bacana lá, inclusive sobre a capa do bote, costura de estofados e muito mais.
Bem, novidades no ar… na próxima semana nossos amigos e padrinhos da Bella, Pádua e Lili, vem nos visitar. São nossos amigos de vela de Curitiba, eles já nos visitaram na Croácia e agora estamos esperando-os aqui na Itália. Já estamos na contagem regressiva! Namastê 🙏🏻

Dias 786 a 803 Morando a bordo, invernando em Roccella Iônica, Calábria, sul da Itália 🇮🇹 Dias 9 a 25 de fevereiro de 2019.

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Tropea e Soriano, duas belas cidades do sul da Itália 🇮🇹

Nesta semana nossos amigos velejadores italianos, Stefano e Paula, nos convidaram para um passeio em duas cidades históricas e de quebra, contornando as montanhas apreciamos na Serra de San Bruno, os belos vales daqui.
Fomos em direção à Serra San Bruno localizada nas montanhas da Calábria, é uma estância alpina com densas florestas de pinheiros e belos vales cultivados, a paisagem é lindíssima. Antes de chegar ao nosso primeiro destino, Soriano, tivemos que parar o carro para um rebanho de ovelhas passar, com elas estava o pastor e os cães que auxiliavam na lida. Foi maravilhosa esta cena das ovelhas passando por nós.
Soriano é uma pequena cidade e suas origens estão ligadas à fundação do convento dos Padres Dominicanos, em 1510, foi destruído pelo terremoto de 1659, depois reconstruído no período Barroco, foi um dos mais ricos e famosos conventos dominicanos na Europa. Novo terremoto em 1783 destruiu o mosteiro que foi reconstruído, mais modestamente, no início do século XIX.
Visitamos as ruínas e um senhor gentilmente nos abordou para nos mostrar o Museu que reúne as peças de mármore branco que estavam no convento e foi extraordinário conhecer o belíssimo acervo de peças ali reunidas. Há inclusive um busto de Santa Caterina feito pelo conhecido Bernini, que tem muitas de suas obras em Roma. O passeio foi super bacana e paramos para um café.
Depois descemos a serra e fomos para Tropea, um lugar bem peculiar com construções erguidas sobre as rochas, proporcionando uma paisagem única. Algumas ruínas e construções barrocas, testemunham a história que se passou ali. Ela está localizada na chamada Costa dos Deuses, voltada para o Mar Tirreno com água azul cristalina e areia branca e penso que deve ter suas praias invadidas pelos turistas no verão.
Passeamos pelo centro da cidade, apreciando as vielas compostas de ruas estreitas e praças com igrejas, palácios barrocos e ruínas. No caminho vimos pomares cítricos, vinhas e muitos olivais que dão um charme especial à região que também é conhecida pela produção de cebola vermelha (roxa).
Tivemos um dia intenso e maravilhoso, visitamos as duas cidades, falamos e nos entendemos somente em italiano, rimos, brincamos e nos divertimos muito! Obrigada Paula e Stefano pelo ótimo dia. Namastê🙏🏻

Dia 785. Morando a bordo, invernando em Roccella Iônica, Calábria, sul da Itália 🇮🇹 Dia 8 de fevereiro de 2019.

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Fritolle, comida típica da Calabria 🇮🇹

Começamos o mês com um evento oferecido pelo staf da Marina para os residentes de inverno. Um jantar com um prato tradicional chamado “Fritolle”. Para este prato, o porco é cozido em grandes pedaços num grande caldeirão e consome quase um dia todo para o preparo. A Marina trouxe alguns italianos especializados em fazer este típico prato da Calabria e seus acompanhamentos e foi uma grande festa, com muita comida e animação. Sou descendente de italianos, e isso recordou minha infância… Que por vezes um porco era comprado e abatido para se fazer salame e havia também o hábito de cozer a carne em sua própria gordura e guardá-la em latas, o que a mantinha conservada por longo tempo. Mas bom mesmo foi ver a animação da equipe, alguns experientes senhores italianos e reparei que não havia nenhuma mulher no time dos cozinheiros e eles mandaram muito bem 👏🏻👏🏻👏🏻.
Tenho sempre registrado a grande produção de cítricos da região e o Renato aprendeu a fazer o tão falado e amado por todos… Licor de Limoncelo. Nosso vizinho de Marina Guido, que faz o licor com maestria nos passou a receita e agora não pode mais faltar uma dose de licor “para abrir o apetite” assim que vou para a cozinha preparar o almoço 😀.
Dia desses a Daniela, uma italiana que conhecemos, que mora aqui próximo e sempre vem andar na Marina, nos trouxe uma sacolada de frutas cítricas… Muitas e eu me arrisquei a preparar uma geleia de laranja e olha que deu muito certo, ficou bem saborosa e fiquei orgulhosa de minha produção.
E assim o tempo vai passando e mês que vem acaba o inverno e começa a primavera, apesar de ainda estar frio e com o vento sempre gelado… Tem muitas flores amarelas de trevo, aquela bem comum que tem também no Brasil e os caminhos ficam lindos e estão por toda a parte, na ciclovia, à beira mar, nas plantações… É muito lindo de ver e anuncia que a primavera não vai demorar 😀.
Ah! O tempo vai passando, em abril deixamos Roccella e já vai dando um apertinho no coração… Aqui é muito amigável, as pessoas gentis e alegres, a cidade pequena é pouco turística e as comidas maravilhosas… Mas é mesmo assim, em cada lugar que passamos nossa bagagem interna vai aumen

tando, o coração vai apertando até conhecermos novos lugares e nos depararmos com outras coisas que prenderão a nossa atenção. Viajar sempre junto com a casa é incrível, estar em tantos lugares sem nunca precisar fazer mala, nem esquecer de nada… Tudo está a mão. Namastê 🙏🏻

Dias 778 a 784 Morando a bordo, invernando em Roccella Iônica, Calábria, sul da Itália 🇮🇹 Dias 1 a 7 de fevereiro de 2019.

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Na Itália, como os italianos 🇮🇹

Estamos invernando aqui no sul da Itália e aproveitando para conhecer as redondezas e já temos uma rotina, como por exemplo, ir a feira todo sábado pela manhã. A feira é grande, tem muitas hortaliças, algumas diferentes das que temos no Brasil, é o caso do brócolis, tem o verde, o amarelo, o roxo e ainda outros tipos. As frutas são uma delícia, aqui é região de plantio de cítricos e assim… Muito limão siciliano, muita laranja, mandarim (a nossa mexerica) e também tem os grãos e cereais e ainda os milhões de tipos de queijos (ilustrado no mapa), e carnes refrigeradas. Na feira tem também ferramentas e utilidades domésticas e uma grande parte dela vende roupas, calçados e artigos de cama, mesa e banho, tudo em bancas e araras… Dá para gastar um bom tempo andando por toda a feira. Agora é época de alcachofra e na feira encosta um caminhão lotado de alcachofras, tudo muito fresco e gostoso!
O caminho da feira é a parte preferida, vamos de bike por uma ciclovia que liga Roccella Ionica a Caulônia, onde acontece a feira. A ciclovia passa por áreas de pinheiros, depois margeia o mar, passa por uma plantação de cítricos e para cruzar a linha do trem e chegar na feira, passamos por um condomínio fechado para ter acesso.
Esse também é o programa dos outros velejadores residentes de inverno, que acabamos encontrando por lá! Todo o domingo é dia de barbecue e praticamente todos se reúnem e passamos algumas horas juntos. Pouco churrasco no sentido brasileiro da palavra, mas muitos e diferentes assados.
Neste mês tivemos uma ótima surpresa, a chegada dos tripulantes do veleiro Vento Macio, que já estava atracado no mesmo píer que estamos. A Heloísa e o Marco. Casal carioca super querido que também está invernando aqui. Eles saíram de barco do Brasil, foram ao Caribe e cruzaram para o Mediterrâneo. Muitas conversas, ótima companhia, troca de visitas e passeios… Tem sido ótima a companhia deles!
Como comentamos no post anterior, no barco há sempre muito o que fazer, desde uma simples limpeza, para tirar o respingo diário do sal, uma manutenção em equipamento ou um reparo que necessite de uma boa costura.
Por isso, em janeiro compramos nossa máquina de costura e vamos começar a fazer algumas capas… Do motor do bote, troca da capa dos estofados externos e a capa do bote também… Teremos muito o que fazer em termos de costura, bom para mim que adoro costurar 😀.
Estava pensando que quando morava em terra estava sempre em busca de uma boa diarista e interessada sempre em comprar muitas coisas… Agora tudo mudou, tomamos conta de tudo e as necessidades de consumo são imensamente menores, assim como de fato pensamos que deve ser. A vida no barco é simples, prática e tudo é funcional, tudo de bom pois isso economiza muita energia e sobra tempo para viver a vida! Namastê 🙏🏻

Dias 761 a 777 Morando a bordo, invernando em Roccella Iônica, Calábria, sul da Itália 🇮🇹 Dias 16 a 31 de janeiro de 2019.

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