A vida é cheia de bons momentos

Sentir a vida acontecendo, os anos passando e viver intensamente uma nova vida, morando a bordo do veleiro Pharea, me faz sentir muito feliz!

Ao realizarmos este sonho que o Renato idealizou, transformamos nossa vida totalmente, deixamos muitas coisas e pessoas queridas mas agora aprendemos a viver com menos, continuamos próximos das pessoas queridas através das redes sociais e temos tempo de conhecer muitos lugares por onde vamos passando e também fazer novos amigos, aumentando nossa bagagem e enriquecendo nossa percepção sobre  o mundo. Já moramos a bordo há 1.437 dias e ontem comemoramos meu aniversário, 54 anos, já tenho mais tempo vivido do que há viver… Mas sinto que iniciei uma nova jornada aos 50 anos, quando fomos morar à bordo e então me sinto uma criança ainda… 4 anos de vida nova e sei que há muito o que viver.

Aqui na marina onde estamos em Monastir, Tunísia, há um grupo de velejadores muito legal e de várias nacionalidades… americana, canadense, francesa, mexicana, alemã, theca, slovaka, holandesa, italiana….

E ontem recebi uma linda festa surpresa… Churrasco com praticamente todos presentes, o

Renato e as mulheres velejadoras organizaram tudo e eu nem desconfiei que teria um dia tão especial, recebendo o carinho e a atenção de tantos novos amigos… Foi maravilhoso…bom astral e muita música. Me senti grata, muito especial e feliz por este dia tão alegre e cheio de boas energias.

Agradeço muito ao Renato por me trazer para esta nova vida e por corresponder todo o amor que sinto por ele, aos amigos daqui, tão especiais e gentis em me proporcionar um aniversário tão feliz e a família e amigos que mesmo distantes estão sempre em nossos pensamentos. Só a agradecer. Namastê 🙏🏻

Dia 1.437 morando a bordo, 29 de maio de 2020. Monastir, Tunísia, África.

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Vivendo as diferentes estações do ano.

Quando vivemos em terra sentimos a mudança de estações de forma diferente daquela que sentimos vivendo a bordo de um veleiro. Aqui tudo é mais impactante e mais intenso. O clima interfere em tudo, no que vamos fazer ou onde queremos ir, influi no conforto, nas possibilidades e planejamento. Se estiver chovendo, certamente você não sairá para ir ao mercado pegar suprimentos, pois indo com o dingue ficará literalmente enxarcado; se planejou uma ancoragem e o vento mudou pode ser que fique desabrigado e não seja seguro ir para lá, melhor mudar a rota ou ficar onde está; se estiver na marina num verão quente sentirá muito calor no barco, diferente de estar numa ancoragem onde normalmente o barco fica aproado para o vento; lógico que há muitas soluções, no último caso o ar condicionado seria uma delas. Enfim, morando a bordo nos sentimos dentro da natureza e somos atingidos por seus fenômenos diariamente, por isso, meu Comandante anota todos os dias os dados em seu diário de bordo e acompanha os padrões do clima do lugar, pois sem dúvida é um dos fatores mais relevantes na vida dos velejadores.
As mudanças de estação são esperadas, desejadas. Algo que nos encanta na primavera, além das flores que enfeitam as cidades e lugares é que o verão é a próxima estação. Ah tão esperado esse verão. Nosso último verão foi na Grécia em 2018 pois em 2019 estávamos no Brasil e assim emendamos 3 estações de invernos, pois voltamos para a Europa um mês antes do começo do terceiro inverno.
Quando pensamos em velejar é automático pensarmos num clima quente e ensolarado, no nosso caso é claro, pois temos amigos queridos que curtem baixas temperaturas e para eles velejar em baixas temperaturas é tão interessante como para nós que preferimos o calor.
Mas como no hemisfério norte a navegação é curta e geralmente de novembro a abril os barcos ficam nas marinas, abrigados do tempo, surge aí uma ótima oportunidade para viajar e conhecer os lugares próximos em terra.
Nosso primeiro inverno na Europa foi na Croácia, em março quando chegamos estava bem frio e nevando e depois no começo da primavera vimos ruas enfeitadas com tulipas de todas as cores. Incrível ver a cidade toda colorida com uma flor tão frágil como a tulipa.

Depois, passamos um período na Itália onde o seu inverno é também bem frio, víamos as montanhas nevadas da marina onde estávamos e nos encantamos na primavera com as flores amarelas das azedinhas… Cobrindo o solo das plantações de cítricos e das oliveiras… A forma da beleza encontrada na simplicidade.
Agora aqui na Tunísia, quando chegamos em novembro/19 não vimos flores… O solo é bem rochoso e arenoso e por isso menos flores…. Mas na primavera encontramos muitas flores rasteiras ou de suculentas, que aliás há muitas aqui e soube também que a tão conhecida e usada Aloe Vera, a nossa Babosa, é proveniente da África. Sentimos muito a diferença dos ventos aqui, quando entra vento sul traz areia vermelha do Deserto do Saara e o barco fica coberto dessa poeira e areia muito fina… O Comandante já está conhecido na Marina por lavar o barco praticamente um dia sim e outro não… Mas não dá para deixar sujo pois a Bella fica praticamente o dia todo andando pelo cockpit! Mas mesmo assim, o importante é que gostamos muito do clima daqui no inverno, raramente frio… Poucas vezes tivemos temperatura abaixo de 10 graus celsius… Clima super bom e com pouca chuva. Soubemos através dos velejadores que já estiveram aqui em outras temporadas, que no verão faz muito calor e que a sensação térmica é altíssima.
Bem, como ainda não sabemos ao certo como será e onde iremos no verão, provavelmente pegaremos este calor todo daqui, possivelmente velejaremos pela costa da Tunísia e com certeza será uma ótima experiência e ainda continuaremos mais protegidos do Corona Vírus por aqui, visto que com as ações proativas do governo o número de mortes foi baixíssimo, considerando que o país tem cerca de 12 milhões de habitantes. Sem dúvida, para nós está sendo muito bom estar aqui nesta fase de pandemia mundial. A ordem mundial agora é “Cuide-se! De você e dos outros, não se exponha sem necessidade.
Namastê!

Dia 1.418 morando a bordo. 10 de maio de 2020. Monastir, Tunísia 🇹🇳

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Algumas regras de boa convivência na Marina

Quando compramos nosso veleiro na Croácia, em março de 2018,  passamos o inverno lá e sentimos que realmente não é possível navegar o ano todo no Mediterrâneo, ou seja, seis meses o barco fica parado na marina, em função das condiçoes climáticas, frio e vento mais rigorosos.

É necessário o uso de aquecedor e normalmente ele fica ligado direto mantendo o ambiente interno quente e seco e na Marina contamos com a segurança de estar abrigados dos fortes ventos do hemisfério norte.

Assim…são seis meses convivendo com os outros  “residentes de inverno” que estiverem na marina.
Esta é uma parte fantástica da vida a bordo na marina, conhecer muitas pessoas de diferentes nacionalidades e compartilhar alguns momentos como o “churrasco de domingo” quando a maioria participa, também os  passeios às cidades próximas e as idas aos cafés e restaurantes… além é claro dos “happy hours on board” no fim do dia.

Nossa listinha de amigos estrangeiros cresceu muito nestes anos… começamos com amigos canadenses, israelenses e depois vieram os italianos, holandeses, alemães, ingleses, gregos,  poloneses, franceses, suiços, uma chinesa, americanos, australianos, espanhóis, uma mexicana, ….

Estes novos amigos nos troxeram um novo olhar sobre muitas coisas, muitos sorrisos, muitas conversas e muita troca de gentileza… como ganhar um pão quentinho, um limoncelo, uma sobremesa, uma sopa quentinha quando se está resfriado… ou um pequeno mimo para guardar de lembrança.

Pensando nesta convivência tão próxima que acabamos tendo me deparei com as regras abaixo, publicadas por Kevin Falvey, em 7 de março de 2013, porém bem atuais e focadas na camaradagem entre marinheiros:

1. Ao abastecer ou carregar, mova seu barco da doca de combustível ou da bóia de carregamento assim que terminar; Não exceda o tempo sem a permissão do mestre da doca.

2. Mantenha a velocidade baixa ao entrar na Marina. Não perturbar seus novos vizinhos os manterá felizes.

3. Ao usar o banheiro do barco, use o holding tanque e não despeje diretamente no mar, pode ser desagradável para seu vizinho. Descarregue à noite se for o caso.

4. Arrume suas linhas, cabos e mangueiras ordenadamente e não as deixe atravessar o pier se puder evitar. Eles podem oferecer perigo, alguém pode tropeçar, principalmente à noite.

5. Verifique se há espaço no pier, caso queira fazer algum trabalho ou conserto. Considere não obstruir a passagem de pessoas e carrinhos devido a suprimentos/materiais deixados no pier.

6. Se possível, não deixe sua proa muito próxima do pier. É um perigo, principalmente se a âncora estiver saliente.

7. Não deixe comida ou lixo no cockpit ou no pier em frente ao barco ou qualquer outro lugar: atrai gatos, ratos, baratas e moscas.

8. Não embarque em outro barco sem permissão. Espere ser convidado.

9. Muitos podem não gostar da sua coletânea musical, não deixe o som tão alto que possa aborrecer seu vizinho.

10. Desligue os equipamentos eletrônicos ao sair do barco. Ninguém quer ouvir um rádio VHF chiando a noite.

Eu ainda acrescentaria mais essas:

– Se ancorar muito próximo a outro barco, o barulho do seu gerador pode aborrecer seu vizinho, fique mais distante e desfrute do seu gerador;
– Se constatar algo errado em um barco sem tripulação, comunique o staff da Marina a respeito;
– Ao chegar na Marina informe-se sobre as regras a serem respeitadas.
– Caso seu acesso a água seja compartilhado, assim que usar retire sua mangueira da torneira do píer;
– Seja gentil e auxilie na amarração dos cabos da embarcação que está chegando.

Este tempo de convivencia é bem intenso e próximo e sempre temos algumas pessoas que nos identificamos mais e ao partirmos fica a saudade, porém mantemos contato via redes sociais e assim vamos acompanhando seus deslocamentos e conhecendo lugares interessantes que visitaram.

Agora podemos dizer que temos amigos pelo mundo, pessoas simples, gentis que como nós optaram por uma vida descomplicada e itinerante.

A todos estes amigos novos e aos anteriores a eles, que já faziam parte de nossa história, só a agradecer pelos bons momentos que passamos juntos e que possamos nos encontar novamente. Bons ventos. Namastê.

Dia 1.408, morando a bordo. 30 de abril de 2020. Monastir, 🇹🇳.

 

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Ancoragem com Posidonia Sea Grass

Durante o tempo que moramos a bordo no Brasil, entre os litorais do Paraná e do Rio de Janeiro, não lembro de ter encontrado colônias de Sea Grass, a “grama do mar”. O fundo variava entre lama, areia, cascalho e pedra, mas vimos que nos mares Adriático e Mediterrâneo, onde estivemos, é bastante comum a ancoragem com fundo coberto de um longo “capim” com forte trama no solo de areia o que dificulta a unhagem da âncora. Fizemos inúmeras ancoragem em locais cobertos por Sea Grass na Croácia, Grécia e Montenegro onde tivemos nossa primeira garrada ao fundear sobre uma colônia de Sea Grass.
Realmente a unhagem da âncora fica comprometida e alguns dos velejadores que conhecemos desenvolveram sua própria técnica para fundeio evitando o Sea Grass e isso vai desde um tripulante no púlpito de proa orientando o timoneiro até a instalação de câmara no mastro para visualizar o ponto exato para ancoragem na areia, se livrando de fundear no Sea Grass.
Na internet há estudos na área de conservação marinha, abordando sobre o Sea Grass e os impactos que esse tipo de vegetação marinha sofre, sendo um deles a ancoragem (com baixo peso).
Quando estamos ancorados o barco fica girando, comandado pela direção do vento ou da corrente, o que estiver mais forte, pois bem, esse movimento abre nichos retirando pedaços de Sea Grass e acaba abrindo verdadeiros buracos… “Aqueles” que sempre são procurados para fundear neste tipo de fundo e quando os encontramos acabamos por aumentar ainda mais o seu tamanho.
Mas, para nós velejadores é um incômodo, já para uma série de animais marinhos é um verdadeiro berçário que oferece proteção e alimento e nele muitas espécies se desenvolvem enriquecendo a fauna marinha e o ambiente aquático, como por exemplo as tartarugas marinhas e as aves aquáticas. Muitas outras espécies de peixes e invertebrados, incluindo cavalos-marinhos e camarões utilizam o Sea Grass para sua reprodução e permanência na fase juvenil. Achei muito interessante as informações que encontrei e assim podemos ter um outro olhar sobre isso, entendendo sobretudo, que somos parte de um grande sistema. Caminhando nos arredores da Marina onde estamos há uma bela praia e metade da areia está coberta de Sea Grass seco. A onda trás e vai depositando e fica como se fosse um grande tapete de grama seca. Há um grande e bonito hotel que usa esta praia e acredito que haverá alguma corrente marítima que até o verão vai levar tudo embora… Caso contrário terão que tirar… Acho que lembramos disso tamanha é a vontade de estarmos novamente no mar, procurando ancoragens, conhecendo lugares… Mas, agora permanecemos na marina até que está situação do Covid 19 seja amenizada. Namastê 🙏🏻
Dia 1358 morando a bordo. 11 de março de 2020. Invernando em Monastir, Tunísia.

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Vida a bordo, amamos muito!!!

Chegar em um novo país pelo mar é algo incrível, você entra por um lado diferente daquele que a grande maioria das pessoas vê, seja via aeroporto ou rodovias. Você não passa pela via normal, faz um grande atalho e geralmente chega num lugar interessante.
Depois de chegar, encaminhar a papelada, por o barco em ordem… É hora de descer para conhecer seu novo quintal. Mas antes disso já procuramos ler algo na internet a respeito da história do lugar… E os países do velho mundo onde já passamos são riquíssimos de história pois são habitados há vários séculos… E o primeiro contato é algo sensacional.

Na Croácia, onde compramos o barco em março de 2018,  tivemos a oportunidade de conhecer o país de norte a sul, ficamos admirados com sua infraestrutura rodoviária, sua logística entre continente e ilhas  e ao velejar e conhecer algumas de suas ilhas maravilhosas descobrimos paisagens incríveis e trazemos conosco imagens inesquecíveis.

Montenegro foi uma surpresa, pequeno e rodeado de montanhas enormes e baías protegidas, adoramos o litoral desse país. Peculiar e acolhedor. Subimos montanhas como só víamos em filmes, ancoramos junto de grandes navios de passageiros, foi um verão muito quente e uma experiencia maravilhosa.  Nos surpreendemos com tantas igrejas católicas, muitas, uma ao lado da outra em vários locais que passamos. Povo diferente e país ainda em recuperação de seu desmembramento da antiga Ioguslávia.

Na Grécia chegamos com muitas expectativas, lugares lindos, comida mediterrânea e também ventos e correntes fortes. Tivemos nossa primeira experiência com o furacão Zorba, momento em que arrumamos o barco e saímos para um hotel, mas felizmente sua força chegou em Mikonos de forma mais amena. Conhecemos Athenas e muitas outras ilhas, vimos um casamento grego em Kytinos, com direito a quebra de pratos e nos deliciamos com os pistaches de Aegina. Fomos e voltamos pelo canal de Corinto e adoramos Corfu.

Chegamos na Itália para passarmos o inverno de 2019 e aproveitamos para passear bastante em terra e conhecer a Costa Amalfitana, Pompeia e Herculano, que ainda não conhecíamos. Comida maravilhosa… o paraíso da pizza, das massas, queijos e vinhos.

Nossa primeira experiencia invernando na Europa e tivemos a felicidade de ficar na marina de Roccella Ionica, na Calábria e lá passar um ótimo tempo fazendo muitos e inesquecíveis amigos do mar, além de contar com o sttaf absolutamente simpático e competente da marina.

Neste período que estávamos na Itália, fomos para o Brasil por quase 5 meses e o  barco ficou na marina.

Chegamos na Tunísia em novembro de 2019 e encontramos um grupo ótimo de velejadores residentes de inverno, americanos, alemães, canadenses, australianos, ingleses, franceses… Fizemos juntos viagens a lugares próximos e conhecemos um pouco desta cultura tão interessante dos Árabes. Nossa primeira vez em um país de religião muçulmana, porém já mais ocidentalizado e amigável.

Deste tempo que passamos em diversos países, sempre há algo que sentimos em deixar… mas logo encontramos outra coisa inesperada que acaba preenchendo aquela falta e assim é a vida de país em país… Descobrindo novas coisas, deixando alguns hábitos para trás e criando outros novos. Aprender é a questão mais presente todos os dias, às vezes aprendendo com os outros, às vezes com novas experiências e assim a bagagem fica cada vez maior e cada vez mais rica.

Somos uma tripulação bem feliz realizando o que planejamos e temos a Bella, nossa Yorshaire de cinco anos, é uma alegria, conquista toda a vizinhança. Ela adora ficar o tempo todo no cockpit, controlando todos os que passam em frente do barco e quanto está dentro do barco, sempre seguindo o Renato pedindo colinho, uma fofura, super querida e além de tudo ainda é a nossa pequena guardiã… Ninguém se aproxima do barco sem que ela nos avise primeiro, tanto de dia quanto a noite  ela está sempre alerta.  Felizmente para nós, ela não gosta de água e assim toma sempre o maior cuidado para não escorregar e cair no mar.

https://youtu.be/hpBLh8V5oHA

É isso. Essa água salgada faz a nossa vida ficar doce!  Namastê 🙏🏻

Dia 1358 morando a bordo, 11 de março de 2020. Invernando em Monastir Tunísia.

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