Na ilha dos coelhos, Turquia 🇹🇷

Chegamos em Bozburun após 5 horas velejando e encontramos uma pequena e charmosa cidade litorânea, banhada pelo mar Egeu, no sudoeste da Turquia, com população permanente de cerca de 2.000 habitantes e que no verão recebe uma grande quantidade de turistas em busca dos passeios de Goulet. No pier da cidade há muitas destas embarcações, uma construção típica em madeira que também é encontrada em Bodrum, local que demos entrada na Turquia em 2021.
Desde o século passado, após registros de historiadores a região é procurada para as chamadas “Blue Trips” termo cunhado pelos escritores do século passado, se referindo aos passeios proporcionados pelas lindas Goulets, tradicionais escunas de dois mastros, que se deslocam mostrando as belezas naturais das enseadas, formadas pelas elevadas montanhas e as água claras de cor turquesa.
Além do turismo os habitantes daqui subsistem com a pesca e a apicultura, que se destaca pelo mel produzido com a florada de tomilho, que é abundante nas montanhas áridas daqui. Neste tempo por aqui não precisamos comprar tomilho, pois sempre apanhamos durante nossas caminhadas e tem um sabor incrível.
Aqui estamos bem próximos de uma das ilhas gregas, a ilha de Symi, que pode ser visitada via ferry boat saindo das ilhas turcas. Mesmo estando a tão poucas milhas de Symi, não podemos ir lá com nosso veleiro, pois não temos permissão de sair com nosso barco do país sem fazer todos  os trâmites legais antes.
A pequena cidade tem uma Mesquita central e uma rua que contorna a beira-mar, às vezes com uma pequena calçada e às vezes mais estreita fazendo com que pedestres e motoristas estejam atentos para evitar acidentes. Há também um longo pier que abriga as inúmeras Goulets e o mais interessante são as trilhas nas montanhas que nos fazem chegar a diferentes lugares nos proporcionando vistas incríveis.

Saímos  para uma trilha com os amigos do Tartuga e do Osprey e nos encantamos com as belezas naturais pelo caminho. Passamos dias super agradáveis andando pela cidade, nos reunindo para um churrasco no Osprey e aqui no Pharea os recebemos para o almoço e preparamos um kibe  de beringela acompanhado de salada de batatas com ovos cozidos.
Aqui nos encontramos novamente com a Joana e o Marcel, do veleiro Chulugi e a Joana nos deu a dica de visitarmos uma ilha, na entrada da baía, onde há coelhos selvagens. Fomos conferir e nos encantamos com tantos coelhos, de repente ao nos aproximarmos da ilha vimos um, depois outro, depois outro e assim dezenas deles chegaram quando atracamos o bote e felizmente a Karina havia levado alface e cenouras e distribuímos para eles…
Foi emocionante . Depois atravessamos para outra ilha que tinha um bom lugar para um piquenique e  assim estendemos as toalhas e fizemos um perfeito piquenique.
No dia seguinte a  Karina, do Veleiro Tartuga convidou a mim e a Sevgi, do veleiro Osprey, para retornarmos a ilha no dia seguinte para levar mais comida aos coelhos. E  assim, passamos no mercado antes de ir, pegamos cenouras, repolho, pepinos, alface e maçãs e fomos para a ilha com a Karina e novamente os coelhos começaram a aparecer logo que atracamos o bote. Distribuímos muita comida a eles, que vinham comer na mão e depois que se satisfizeram começaram a se distanciar e neste momento havia ainda muitas cenouras espalhadas pelo chão e chegaram as cabras, que também são criadas lá soltas e que alguém traz ração e água para elas…
E começaram a comer as cenouras e os outros vegetais que os coelhos deixaram… Bem mansas, podíamos chegar bem perto e passar a mão… Isso não tem preço, foi adorável.
Bem depois de tantas coisas boas e positivas encontradas aqui, fiquei triste quando o Renato falou que iríamos trocar de ancoragem em função da mudança da direção do vento… Por mim ficaria aqui por muito tempo, realmente amei este lugar… Super especial, me fez sentir muito próximo da natureza, da nossa essência. Só a agradecer! Namastê!
15 de novembro de 2022. Morando a bordo do Veleiro Pharea, na Turquia 🇹🇷.
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Novos lugares pra lá de especiais!

As estações do ano aqui na Turquia são bem definidas. Dia 20 de setembro, um dia antes da primavera sentimos que o verão chegava ao fim, o vento norte chegou frio, trazendo o ar gelado das montanhas. Acabou o período seco, desde abril não chovia aqui na região mais ao sul do país. Os dias já estão mais curtos e frios pela manhã e a noite e já anuncia que mais um mês e o inverno chega por aqui.
Decidimos conhecer algumas ancoragens enquanto as condições de tempo ainda permitem e levantamos âncora de Marmaris e velejamos para Ciflik, junto com os amigos do veleiro Tartuga, Osprey (veleiro em que o Renato participou da regata) e o Belvedere, de um casal de ingleses.
Jogamos ancora em frente à praia da pequena vila, água transparente, podíamos ver o fundo do mar olhando do convés. Descemos para caminhar com a Bella e no passeio o Renato quase pisou numa cobra que estava no caminho, ela se assustou e deu o bote mas o Renato tirou a perna e felizmente a Bella estava no meu colo. Seguimos caminhando mais atentos, lembrei que a Joana, do veleiro Chulugi (barco em que o Renato cruzou o Atlântico, do Rio de Janeiro a Cape Town) havia nos alertado para ter cuidado com as cobras por aqui.
A vila é composta por algumas casas de veraneio, dois restaurantes com mercadinho e um Pier onde estão atracados alguns veleiros, possivelmente de empresa de charter.
A baía é linda, a água muito limpa e com certeza no verão deve ser bastante frequentada, saímos para uma volta de dingue e depois nos encontramos com os amigos para uma uma cerveja num dos bares em frente à praia.
Na previsão do tempo havia mudança de vento e precisamos seguir em busca de uma ancoragem mais segura para o vento nordeste. Velejamos rumo à Dirsek, onde a transparência da água nos surpreendeu ainda mais. Ancoramos e podíamos ver o fundo do mar há quinze metros de profundidade, até que vimos que nossa corrente estava enrolada em um rocha e precisamos reancorar. O Renato mergulhou para avaliar (a água já está fria agora) e depois o Andy, do Tartuga, mergulhou também para procurar outro spot para jogar a âncora pois aqui, há lajes e muitas rochas se mesclando com a areia do fundo. É uma boa ancoragem mas tem que jogar a âncora no lugar certo!
Ao fundo da baía há um restaurante mais seletivo, com preços mais caros, já havíamos visto comentários a respeito e assim nem fomos em terra conferir. No fim do dia fomos para um happy hour no veleiro Tartuga e curtimos a companhia dos amigos entre drinks e jogo de cartas.
No dia seguinte, final do dia o vento chegou, com ele veio a chuva forte e granizo. O Renato estava acompanhando a movimentação da chuva no aplicativo e ela estava sobre uma área enorme e vinha da direção de Creta, Rhodes, pegando uma grande porção da Grécia antes de chegar por aqui. As rajadas chegaram perto de 80 quilômetros por hora e o vento só acalmou perto do amanhecer.
Em dias assim, o Renato coloca sua roupa de tempo e fica acompanhando a movimentação do barco. Eu fico dentro com a Bella, que às vezes se assusta com o barulho da tempestade. Mas nada como um dia atrás do outro…  Na manhã seguinte o tempo estava bom, saímos com o dingue do Tartuga para passear na baía e fizemos planos para mudar de ancoragem.

Esta liberdade que temos de mudar de lugar em lugar é muito boa, podemos só experimentar um lugar ou podemos nos demorar para curtir as coisas boas que o lugar oferece, temos nossa casa com a gente, os amigos por perto e muitos novos lugares para descobrir e assim lá vamos nós em busca de uma nova ancoragem.

Namastê 🙏🏻🇹🇷

10 de  Novembro  de 2022. Morando a bordo do veleiro SV Pharea na Turquia  🇹🇷

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Conhecendo Finike, Turquia 🇹🇷

Hoje vou contar de nossa ida a Finike, onde fizemos a renovação do “transit log”, um documento com validade anual, que autoriza a permanência do barco no país, onde também é declarada a sua tripulação.
Consultamos alguns agentes sobre a possibilidade de fazermos em Kas, Fethyie, Marmaris ou Bodrum, mas está havendo algumas mudanças nas regras e no momento a única opção era Finike.
Não tínhamos planos de ir para lá de barco, pois apesar de ter uma Marina, a área de ancoragem em frente à praia é totalmente desprotegida. Mas, fomos assim mesmo pois não havia outra opção.
No caminho entre Kekova e Finike ficamos muito impresssionados com o elevado número de estufas agrícolas, são milhares de estufas produzindo vegetais como tomates, pimentão, pepino, etc. por vezes em áreas planas nos vales entre as montanhas e noutras vezes em elevada altitude, aproveitando todos os espaços onde se pode colocar uma estufa e a infraestrutura necessária par fazê-la produzir, como água, eletricidade e acesso. Na imagem podemos identificar as estufas fazendo uma grande cobertura branca.
Vimos também que a antiga cidade de Demre, onde já havia ido de ônibus com o Teixeira (pai do Renato) e a Eliana, está literalmente cercada de estufas por todos os lados, havendo algumas delas que já ficam dentro da cidade. É uma paisagem muito impressionante.
Nos chamou a atenção que no logotipo da cidade de Finike tem o desenho de uma laranja, pois é uma grande e importante produtora de cítricos e no plano diretor da cidade, eles optaram pela expansão da área agrícola e redução da área turística. Assim a cidade se transformou num lugar charmoso e recebe muitas pessoas aposentadas que preferem ficar longe do barulho e da agitação do verão, como o som alto nos barcos de passeios e nos “night clubs”.
Quando chegamos fizemos a ancoragem em frente à praia e o Renato e o Andy (do veleiro Tartuga) foram para a terra procurar o agente para os procedimentos de renovação do trânsit log e eu fiquei no veleiro pois estava com vento e rajadas chegando a 21 knots. A renovação foi possível e quando o Renato retornou o vento já havia diminuído e assim fomos juntos conhecer a cidade e passamos para tirar uma foto com o agente.
Há vários canais que vem da montanha e desembocam no mar e passam enfeitando a cidade, há bares e restaurante ao longo do canal e lindas passarelas para pedestres, enfeitadas com flores, geralmente Buganvílias, que dão um toque muito especial. Nesta região também é extraído um tipo de calcário Um tipo de calcário que é vendido como material de construção decorativo, de cor creme com uma estrutura homogênea, densidade média  e extremamente leve, o que a torna ideal para uso na construção e também de ruelas por onde passam apenas veículos leves.
Finike chamava-se Phoenix e foi fundada pelos fenícios no século 5 A.C. Tendo por aqui passado muito povos, porém segundo os arqueólogos a área foi habitada por muito mais tempo do que isso, eles encontraram evidências que a área era ocupada desde 3.000 A.C.
É fantástico imaginar tantos impérios como os Fenícios, os Romanos, os Gregos, os Bizantinos e os anteriores a eles, vivendo nestas altas montanhas e aproveitando a costa para o comércio e a navegação. Tantas guerras foram travadas aqui e agora fazem parte de um passado remoto que pouco nós pouco conhecemos.
Valeu conhecer, bem tranquila, pequena e muito agradável passear entre os canais, com suas pontes floridas e uma beira mar passando pela Marina onde se concentram bares e restaurantes.

Namastê 🙏🏻🇹🇷

15 de setembro de 2022. Morando a bordo do veleiro SV Pharea na Turquia. 🇹🇷

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Participando de regata na Turquia 🇹🇷

Estamos em Marmaris, na Turquia, onde existem duas grandes marinas e mais umas duas ou três menores e há um fluxo grande de veleiros, super iates russos e outras grandes embarcações e aqui, como em outras cidades da costa turca acontece a regatta de outono e o Renato teve a oportunidade de participar da 33° Marmaris International Race Week.
O convite veio através de um amigo que possui um lindíssimo veleiro de 60 pés, fabricado na França, pelo estaleiro CNB.
O evento ocorreu durante toda a semana de 22 de outubro a 28 de outubro, com as diversas classes iniciando pela manhã e encerrando a tarde, exceto em um dia que a regata inicialmente tinha o prazo de 30 horas e depois foi reduzida para quinze horas.
O vento não foi aquele que era esperado, foi uma semana com manhãs tranquilas e com entrada de vento no período da tarde, mas isso também faz parte das dificuldades que cada uma das tripulações teve que enfrentar.

Tripulação esperando o vento 😂😂😂

A regata teve 124 barcos inscritos em 9 categorias e a baía de Marmaris naquela semana se vestiu com inúmeras cores das velas de balão formando uma paisagem belíssima. Checando o site oficial da regata vimos que massivamente o maior número de participantes eram russos, aliás nestes tempos de guerra com a Ucrânia, muitos russos têm vindo para a Turquia por conta da facilidade e da proximidade.

No barco onde o Renato estava eram 9 tripulantes (o dono australiano, sua namorada turca, um canadense, um russo, um búlgaro, um jamaicano, outro turco, o Renato brasileiro e outro Ingles). O barco era equipado com recursos elétricos nas catracas e abertura de velas, facilitando muito o trabalho da tripulação. O Renato, curtiu muito participar da regata.
Sem dúvida valeu super a pena esta experiência e eu e a Karina do Veleiro Tartuga aproveitamos para praticar com o bote, indo e vindo para a cidade todos os dias para passear e levar a Bella caminhar.
Todas as noites na semana da regata houve o fechamento com os resultados diários, muita música, drinks e confraternização, valeu muito!
Só a agradecer pela oportunidade de participar da 33° Marmaris International Race Week, que foi a primeira regata aqui fora que o Renato participou e garantiu assim a bandeira brasileira no evento!

Namastê 🙏🏻🇹🇷

28 de outubro 2022. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Marmaris, Turquia. 🇹🇷

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De Portugal 🇵🇹 para a Turquia 🇹🇷: recebendo amigos!

Por vezes quando estamos ancorados há muito tempo em algum lugar e já conhecemos o bastante, a rotina começa a se instalar e os dias passam mais lentamente… Porém isso se alterou completamente com a ideia da vinda dos amigos Luiz e Luíza… Estávamos em Kas e precisávamos nos deslocar mais a noroeste, ir para uma cidade mais próxima de Dalaman, que é o aeroporto da região e depois organizar o barco e pensar no que poderíamos fazer para aproveitar ao máximo a vinda deles para cá e em meio a isso controlar a expectativa e uma pontinha de ansiedade… Pois ainda não nos conhecíamos pessoalmente.
Esse foi o cenário de nosso encontro, eles vieram de Portugal e passaram dois dias com a gente e depois seguiram para “descobrir” Istambul.
Relembrando, nosso primeiro contato foi em função do blog, que o Luiz lendo nossos relatos tomou a iniciativa de nos contatar, isso em 2020… E as conversas entre ele e o Renato se tornaram cada vez mais frequentes e o assunto escolhido era praticamente infinito… conversavam sobre vela, navegação, equipamentos e um arsenal de temas ligados ao mundo náutico e no caminho dessas frequentes conversas foi nascendo um laço de amizade… Passou o Covid, viemos para a Turquia, começou a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, passou o verão de 2022 e no começo desta primavera o Luiz e sua esposa Luíza vieram nos conhecer pessoalmente.
É incrível quando nos identificamos com alguém, é algo maravilhoso, a amizade flui naturalmente, e quanto mais conversamos, mais nos entendemos e trocamos experiências e conhecimento sobre os mais variados assuntos.
E aqueles dias que estavam passando lentamente de repente voaram com a chegada deles. Queríamos ter mais tempo para mostrar um pouco da cultura local, as comidas típicas, as especiarias, a arte em cerâmica e a riqueza das luminárias feitas à mão, usando espelho, miçangas coloridas e harmonizadas em desenhos incríveis.
Aproveitamos para passear pelas ruas de Fethyie, apreciando sua beira mar repleta de embarcações, eu e a Luíza entramos em algumas lojas, depois passamos por muitos bares e restaurantes lotados de turistas e assim eles puderam sentir o “clima” da cidade.
E é claro que no dia seguinte saímos para velejar. O dia estava lindo, ensolarado, quente, com vento de 10 a 17 knots, abrimos as velas, o Renato revezou o comando do barco com o Luiz.
Rumamos em direção a Göcek e depois retornamos a Fethyie, almoçamos sem pressa, conversamos sobre os planos futuros, a simplicidade que podemos trazer para a vida, a tranquilidade que podemos nos permitir ter e a essência de tudo isso, o que realmente importa, que são as escolhas, capazes de nos conduzir para aquilo que nos traz alegria e tranquilidade.
Passamos dois dias maravilhosos, curtindo muito a companhia deles, que só fizeram comprovar o que já sabíamos, que são um casal muito especial, muito unidos, generosos e com certeza faremos acontecer muitos outros encontros, assim como eles fizeram desta vez.
Só a agradecer pela vinda de vocês.  Namastê!
“Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.”
                                    Fernando Pessoa.

10 de outubro de 2022. Morando a bordo do veleiro  SV Pharea em Fethiye, Turquia. 🇹🇷

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