Observando o Ribat da minha “janela”, Monastir, Tunísia 🇹🇳

Em Monastir, praticamente ao lado da Marina onde estamos, tem uma importante construção do ano de 796, denominada Ribat. É a estrutura defensiva mais antiga e mais importante erguida ao longo da costa do Magrebe (que engloba os países da Costa Africana desde Marrocos até a Tunisia) pelos conquistadores árabes, no início do Islã.
Ao longo do tempo passou por várias reformas e acréscimos e o que vimos hoje é uma belíssima edificação, com muitos cômodos, salas, arcos, escadarias, portais, inúmeros corredores e ao centro dois pátios internos, tudo muito bem conservado.  Consta que antigamente havia também uma Mesquita (local de oração) e celas dos “monges guerreiros” que, enquanto  asseguram suas funções militares, se dedicavam à oração e à contemplação.
A edificação de 4.200 m2 foi usada por longo tempo como ponto de parada para reabastecimento e também local de segurança contendo peças de artilharia.
Localizado em frente ao mar, o Ribat se destaca por suas torres, na época usadas para vigília e também para a troca de mensagens de luz à noite com as torres das Ribats vizinhas. Hoje podemos desfrutar de uma vista lindíssima do mar e também de toda a cidade, vimos também uma Mesquita ao lado e o grande e antigo cemitério. 
Aproveitamos para visitar o museu que mostra uma pequena e rara coleção de objetos de culto e artesanato dos tempos medievais e ficamos sabendo que o Ribat recebe vários eventos do festival internacional de Monastir no verão, o que deve ser bem interessante… Ah… E quem assistir ao antigo filme “Jesus de Nazaré” poderá ver o Ribat como cenário. Passeio bem legal, amamos! Namastê 🙏🏻

Dia 1294, 07 de janeiro de 2020. Morando a bordo, inverno no norte da África, Monastir, Tunísia 🇹🇳

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2020, que venha um ótimo ano! Tunísia 🇹🇳

Você sabia que festas de fim de ano a bordo podem ser muito diferentes das que temos quando moramos em terra. Acho que principalmente por não ter aquele corre-corre para a compra de presentes, não há aquela série de compromissos e confraternizações… Não há ansiedade. O dia vai chegar, a comemoração geralmente tem uma refeição caprichada, alguns drinks, encontro com os amigos da Marina ou ancoragem onde estamos, aproveita-se aquele momento compartilhado, celebra-se a amizade… Enfim… É possível desmistificar aqueles 10 dias de corre-corre absoluto e transformá-los em dias comuns. Para nós o ponto alto destas comemorações sempre foi compartilhar com a família e com os amigos e já tivemos muitos natais maravilhosos.
Este ano, pela primeira vez passamos a dois o natal e ano novo. Os amigos se reuniram num restaurante local mas passamos o dia com eles e a noite nos recolhemos. Tivemos um ano difícil, perdemos à Aurea (minha sogra), não velejamos e a vontade é mesmo despedir-se de 2019 e deixá-lo para trás. Claro que muitas coisas boas aconteceram também, mas a dor é algo que mexeu muito com a gente.
Vale então deixar nosso carinho e desejar que 2020 seja um bom ano e falando de nós, que a gente possa velejar muito, conhecer novos lugares e continuar pertinho da família e dos amigos e se encantar com tanta beleza que temos visto por onde andamos. 2020 cheio de luz e vida! Namastê 🙏🏻

Dia 1289, 02 de janeiro de 2020. Morando a bordo, inverno no norte da África, Monastir, Tunísia 🇹🇳

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Sem velejar… vamos passear pela Tunísia 🇹🇳

Em Monastir é super fácil se deslocar para as inúmeras pequenas cidades próximas daqui… Em todas elas há algo interessante para conhecer. Hoje cedo o Paul, nosso vizinho de píer, nos chamou avisando que uma de nossas bikes tinha “mergulhado”, como a água é bem clara dava para ver ela lá embaixo com os peixinhos na volta. O Renato jogou a âncora do bote e retirou a bike, que talvez tenha caído com o vento ou algum esbarrão… Depois desta função logo cedo fomos pegar o metrô para Sousse, com os vizinhos velejadores Lori e Paul (EUA). A ideia era perambular pela Medina, pelo mercado de hortifruti, onde se encontra de tudo e os produtos são frescos e a preço bem acessível e o Paul também falou das lojas de doces, biscoitos típicos super gostosos, feitos geralmente com farinha de amêndoa, nozes, amendoim… O Renato e Paul também queriam procurar uma loja de produtos náuticos, mas andamos bastante e não encontramos. Passamos por vários hotéis à beira mar, alguns em manutenção e alguns de alto padrão super bonitos, acreditamos que no verão deve bombar por aqui, pois tem praia na cidade e a água é bem limpa.

Andando pelas ruelas estreitas dentro da Medina (antiga cidade murada onde hoje existem os souks (mercados, pequenas lojas, artesãos…) um senhor cumprimentou o Renato e começaram a conversar e ele nos conduziu por algumas ruelas estreitas e contou a histórias das mesquitas, das diferentes portas e da cultura Árabe.

Depois quando fomos ao mercado de hortifruti, logo na entrada, ficamos impressionados de ver exposto a cabeça de dois bois no balcão… Já vimos várias cabeças de carneiro expostas em outros açougues, mas de boi foi a primeira vez. Aliás “todas” as partes do animal estão à venda. Dentro do mercado frutas e legumes em grande quantidade, além de peixes e os donos das bancas falam alto para chamar a atenção e vender seu produto.

De volta às ruelas da Medina acompanhamos o vaivém constante dos residentes, turistas, comerciantes, ambulantes e vimos muitas barracas de lanche típico rápido, “street food”, são bem apetitosos e enormes… Os lanches são feitos com pães redondos ou massas mais finas, tipo panquecas e dentro vai muita pimenta “harissa”, verduras cruas e carne vermelha ou frango. Passamos por uma lojinha e vi um rapaz cortando romãs e fazendo suco… Claro que quiz entrar e provar. Eu tomei suco de romã pela primeira vez e é uma delícia, a ideia de fazer suco é excelente pois aqui há uma grande produção.

Há também por todos os lugares, muitos gatos, você percebe um e quando olha novamente já vê vários outros. Os muçulmanos aceitam os gatos e quase não vimos cachorros de locais… Os que vimos geralmente são de estrangeiros.

O passeio foi bem divertido, olhamos lojas com roupas típicas, bugigangas, cerâmicas muito bonitas de produção local e artefatos feitos com madeira de oliveiras, já que a Tunisia é grande exportador de azeite de oliva.
Em Sousse há também um grande Porto e uma Marina praticamente com a mesma estrutura da de Monastir mas de tamanho menor. As marinas constituem um importante ponto turístico da cidade, geralmente são rodeadas de hotéis e restaurantes, e tem pessoas circulando, fotografando ou nos cafés o dia todo. É um arranjo interessante e bem diferente das que estivemos até agora na Europa. Em outra oportunidade visitamos a Marina e almoçamos em um dos restaurantes, preço justo e bebida alcoólica no cardápio, o que geralmente não acontece, as bebidas alcoólicas devem ser pedidas diretamente ao garçom e ele informará se tem disponível ou não.
Na cidade tem mercado Carrefour e lembro da minha amiga Claudia Portela, que em seu livro “Bravo, três anos, três oceanos”, relata a alegria de chegar num lugar desconhecido e encontrar um Carrefour 😍😍😍. Nada de especial com a marca mas… A gente sabe que lá encontraremos alguns produtos que gostamos e usamos e que não encontramos nos mercados locais!
Assim é a vida por aqui… Às vezes encontramos algo, noutras vezes abrimos, importante é mantermos um equilíbrio positivo e aproveitar o que cada lugar pode nos mostrar ou oferecer, penso que é relevante estar atendo a isto! Namastê 🙏🏻

Dia 1278, 20 de dezembro de 2019. Morando a bordo, inverno no norte da África, Monastir, Tunísia 🇹🇳

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Aqui também tem Coliseu romano, El Jem, Tunísia 🇹🇳

Hoje nos juntamos a outros casais de velejadores que estão na mesma marina que nós e fomos conhecer a cidade de El Jem, conhecida por abrigar um segundo Coliseu, isso mesmo, uma réplica muito bem conservada do Coliseu de Roma. Foi construído pelos romanos na período que dominaram este território. Compramos o ticket com direito a entrar no Coliseu e visitar um Museu de Mosaicos.
O Coliseu é fascinante, sua estrutura está mantida e é possível andar no subterrâneo onde ficavam os gladiadores e as feras e também andar pelas galerias e arquibancadas onde ficavam os observadores. Soubemos que acontece um importante festival de música e ficamos imaginando a maravilha que deve ser a realização de um grande show neste espaço. Quando visitamos Athenas, vimos o anfiteatro onde o Yanni gravou um show, que gostamos muito.
A pequena cidade se espalha ao redor do Coliseu e vimos as pessoas vestidas com roupas típicas em sua maioria, ou seja, mulheres com véu e homens com um longo casaco até os pés e com grande capuz. Seguimos e visitamos o Museu de Mosaicos, ficamos pasmos, de boca aberta com os mosaicos que encontramos lá. Paredes inteiras com mosaicos que mais pareciam tapetes de tantos detalhes, cores e formas. Muitos mosaicos preservados em sua totalidade, alguns com partes quebradas… Mas foi magnífico poder observar e registrar um pouco desta atividade cultural que os romanos deixaram por aqui.
Almoçamos um lanche típico daqui, pedido na beira da calçada e montado rapidamente pelo atendente, um pão tipo pita com frango assado, molhos apimentados e batatas fritas… Bem gostoso.
Saímos de Monastir com uma Van e na volta resolvemos pegar o trem… Bem barato o ticket, mas pensa num trem sujo com muita poeira… Depois descemos em Sousse e pegamos o metrô até Monastir. O metrô é bem legal e igualmente barato e dá pra dizer que é bem limpo. Já conhecíamos o Coliseu de Roma mas foi ótimo ver o Coliseu daqui, um pouco menor, acho que para 30 mil pessoas, mas sem filas, sem empurra empurra, sem stress e podendo circular por toda a área, valeu o passeio.
Isto é uma das coisas que adoro na vida de morar a bordo. A facilidade de estar em tantos lugares, inclusive em lugares que nunca nem havia imaginado conhecer e simplesmente desfrutar o que o lugar tem a oferecer, tendo surpresas tão agradáveis como a de hoje, a visita a um Coliseu Romano é a um Museu de Mosaicos realmente incrível. viva a vida a bordo. Namastê 🙏🏻

Dia 1270, 12 de dezembro de 2019. Morando a bordo, inverno no norte da África, Monastir, Tunísia 🇹🇳

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Conhecendo uma Cidade Sagrada, Kairouan, Tunísia 🇹🇳

Conhecemos um casal de brasileiros que moram em Tunis, capital da Tunísia e que gentilmente nos levaram conhecer a cidade de Kairouan, distante 73 quilômetros de onde estamos, Monastir.
Kairouan foi construída pelos árabes por volta do ano 675 e foi a primeira base árabe no norte da África. Desde o período medieval é conhecida como centro da fé Islâmica e considerada a quarta cidade sagrada do Islã, atrás de Meca, Medina e Jerusalém. Ela desempenha o papel de capital espiritual do Magrebe, a “cidade das cinquenta mesquitas” e acumula mais de treze séculos de cultura islâmica.
O destaque é a Grande Mesquita, patrimônio arquitetônico juntamente com a Almedina, ou Medina.
A Grande Mesquita tem suas portas talhadas de madeira com arabescos de estuque e internamente abriga 400 colunas de mármore e inscrições fenícias, romanas e árabes. A cidade recebe muitos visitantes por ser considerada uma cidade sagrada e tal é sua importância que dizem que: “cinco idas para Kairouan equivale a uma ida a Meca”.
A Medina é toda murada, uma verdadeira fortaleza com grandes portões de entrada e abriga o comércio local, os chamados souks, com suas centenas de lojas distribuídas pelas estreitas ruelas, que desenham um verdadeiro labirinto dentro das muralhas da Medina. Vimos vários tecelões produzindo mantas, pashiminas e tapetes, tal qual se fazia a séculos atrás… Parece que o tempo não avançou e muitas coisas são feitas de forma rústica e rudimentar. Passamos por um antigo poço que é uma atração turística pois há um camelo que gira a roda para puxar a água do poço e as pessoas em visita esperam para beber a água da cidade sagrada.
Na Medina e fora dela encontram-se várias lojas dos famosos tapetes produzidos com lã pura. Cada tamanho tem um nome específico e um tapete pode demorar meses para ficar pronto. Muitas famílias fabricam o mesmo desenho no tapete há anos, tradição passada através das gerações. Os tapetes são mesmo belíssimos e os vendedores os mostram como se fosse um troféu, demonstrando respeito e orgulho pelo trabalho agregado em cada tapete.

No lado da Medina vimos um grande cemitério muçulmano, com todos os túmulos de cor branca e soubemos que aquele grande cemitério pertencia a uma só família, cujo marido tinha cem mulheres, quase não dá para acreditar, né?! Vestígios da época em que um homem podia casar com quantas mulheres pudesse sustentar. Hoje não é mais assim, vale a monogamia.
Gostamos muito de conhecer este lugar, muito interessante e com certeza um lugar para voltar e explorar ainda mais. Obrigada Tânia e Weber pelo dia maravilhoso que passamos na companhia de vocês! Namastê 🇹🇳

Dia 1265, 07 de dezembro de 2019. Morando a bordo, inverno no norte da África, Monastir, Tunísia 🇹🇳

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