Galvanizando a corrente e a âncora, afff….

Nossos amigos de píer localizaram em Sfax, uma cidade mais ou menos próxima daqui, uma oficina que faz galvanização e assim 4 barcos se reuniram para mandar suas correntes e âncora juntos, aproveitando o mesmo frete.
Quando a corrente e a âncora retornaram o Renato viu que o trabalho na âncora foi perfeito mas na corrente não ficou bom, pois a oficina não possuí a esteira vibratória que tira o excesso de galvanização dos elos da corrente. Vimos que as correntes com elos maiores ficaram boas, mas a nossa de 8 mm e a de outro barco com o mesmo diâmetro que a nossa não ficaram boas.
O que fazer? Poderíamos levar de volta, mas… Se eles não têm a esteira vibratória não iria alterar muito o resultado, então o Renato tirou o excesso de galvanização entre os elos com o martelo de borracha…. 2 metros por dia… Em 60 metros de corrente… o resultado foi muita dor nas costas.

20210114_130352Depois de limpa pelo Renato eu pintei a marcação de 10 em 10 metros e aproveitamos para pintar a âncora de amarelo. Nas águas claras do Mediterrâneo é bem útil pintar de uma cor viva, assim você enxerga rapidamente a âncora no fundo. Para colocar a corrente na caixa de âncora, nosso vizinho de píer, o Dani, nos ajudou com seu bote, levando do píer até a proa.
20210219_092707 O custo da galvanização foi relativamente barata, era o que havia disponível para fazer aqui, então agora é monitorar o grau de deteriorização e quando for o tempo certo, substituir por uma nova.

Dia 1822, 22 de março de 2021. Morando a bordo em Monastir, Tunísia, Norte da África.

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Desenvolvendo habilidades

Viver a bordo sem dúvida é mais movimentado do que residir em uma casa ou apartamento. A vida a bordo flui mais rapidamente, seja porque você encontra novas pessoas ou por que está sempre em novos lugares com novas experiências.
Engana-se quem pensa que o dia passa sem nenhum esforço, pois sempre tem o que fazer, o que manter, o que renovar e o que melhorar no barco.
Nossa casa fica na água e exposta a todas as intempéries da natureza, então acredite, sempre estamos fazendo algo e no tempo que sobra é claro, aproveitando do local e da companhia dos novos  amigos, seja para uma caminhada ou um drink no final do dia.
Eu adoro manualidades, já que não consigo ficar simplesmente parada ou passar horas acessando as mídias virtuais. Às vezes o Renato fala: Caci, pára!!! Kkkk Mas, preciso ocupar meu tempo produzindo algo…. Mesmo que seja um bracelete para minha coleção kkk (e agora estou encantada com as possibilidades do macrame).
Bem, o Renato pediu que refizesse algumas partes da costura da roda de leme que não estavam muito firmes e lá fui eu buscar na internet como fazer. Não tinhamos a agulha curva, mas nossos amigos canadenses gentilmente nos emprestaram e “Voila!”Descobri que há diversas formas de fazer costuras em couro e não é difícil, basta ter paciência para ir construindo a união das duas partes e na segunda tentativa já ficou pronto.
Nestes dias também substitui todo o cabo que segura a rede lateral que temos no convés. Estava um tanto gasto pelo sol e achamos melhor refazer com novo cabo e realmente o visual ficou bem melhor.
Sabemos que geralmente as pessoas não dissociam a imagem glamurosa de viver a bordo, da realidade do dia a dia numa embarcação, mas acredite, temos muitas atividades e às vezes não sobra muito tempo vago, ainda mais agora que estamos na Marina e queremos aproveitar para deixar tudo pronto para curtir o próximo verão.
Ás vezes pergunto para o Renato onde ele aprendeu a fazer tal coisa e ele diz… “Ah, li os manuais na internet”  e realmente ele conserta tudo, às vezes fico admirada por que lembro quando estávamos em terra e estragava algo em casa ele chamava sempre alguém para consertar…. Mas agora não!Cuidamos de tudo o que podemos dar conta e isso é muito prazeroso. Claro que minhas tarefas são bem mais tranquilas que as do Renato, mas ele é super empenhado e vai atrás das informações até aprender como fazer, como consertar, como fazer de novo, enfim… Para poucas coisas precisamos chamar terceiros para fazer. Sim tudo isso é trabalho…. Mas para nós é um trabalho prazeroso, é a construção dos dias que estamos vivendo, da nossa história, da superação dos obstáculos que por vezes se apresentam e logo são deixados para trás. Namastê 🙏🏻

Dia 1815, 15 de março de 2021. Morando a bordo em Monastir, Tunísia, norte da África.

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Tamareiras da Tunísia

A Tunísia é um grande produtor e exportador de tâmaras. Segundo a ANBA – Agência de Notícias Brasil-Árabe, a safra de tâmaras na Tunísia em 2020 foi de aproximadamente 330 mil toneladas, sendo que cerca de 140 mil para exportação.
Curioso saber que em 2019 o Brasil importou o equivalente a US$ 3,1 milhões em tâmaras da Tunísia, sendo 17% a mais que 2018.
Muitos brasileiros, como nós, já provaram essa delícia que pode ser consumida crua, ela vai desidratando e concentrando seu açúcar e também é usada  em muitas outras receitas de biscoitos, tortas e diversos doces árabes que usam a tâmara em sua composição.
Na estação de tâmaras são muitas as barracas espalhadas pela cidade e nos mercados tipo feira livre. Um quilo varia de 12,00 a 25,00 reais e tem cerca de 100 unidades.
Mas o que eu não sabia é que,  além de serem lavadas para higienizá-las, é recomendavel que você abra uma a uma para retirar o caroço e possíveis “invasores”.  Hoje preparei um kilo de tâmaras e fiz exatamente isso, lavei e depois abri para tirar a semente e separar as que não estavam boas (cerca de 10%). Depois deste processo, mantenho-as na geladeira prontas para serem consumidas.
Além das tâmaras serem uma delicia (o Renato não concorda com isso kkk) as palmeiras dão uma identidade visual a esta região. São também usadas em espaços públicos abertos, como praças e ruas, dando um charme todo especial ao ambiente.
Delícias da Tunísia. Namastê 🙏🏻

Dia 1800, 28 de fevereiro de 2021. Morando a bordo da Svpharea em Monastir, Tunísia, norte da África.

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Continuamos aqui na África e não está ruim!!!

Em momento algum havíamos planejado morar a bordo por tanto tempo aqui na Tunísia, já se passaram um ano e três meses, nem dá para acreditar. Mas também não podemos reclamar, pois aqui o clima é muito bom, o inverno não é rigoroso e tem pouca chuva, muito embora o vento seja constante, principalmente vindo do sul e trazendo a areia do Deserto do Saara, que deixa o barco muito sujo.

A cidade tem cerca de um milhão de habitantes, as pessoas são bastante amigáveis, falam árabe e francês  e culturalmente é bem interessante.  Mas, vIvendo a bordo fora de nosso país sempre há a preocupação com o tempo de permanência em cada país.

Na Europa seguíamos o Tratado de Schengen que permite ficar 90 dias a cada 180 e quando completávamos os 90 dias saímos da área de Schengen e íamos para um país fora do tratado (por exemplo Croácia, Montenegro, Albânia) onde ficávamos por 3 meses, podendo então retornar a um dos países do Tratado.
Mas agora estamos no norte da África, tempos de Covid e temos duas opções para estender nossa permanência por mais 3 meses, ou um pagamento de taxa semanal e aí pode-se permanecer o tempo que for necessário, ou saímos com o barco por 24 horas (até alcançar águas internacionais) e aí retornamos para a Marina em Monastir.
Fomos convidados pelos amigos canadenses Caroline e Dani para sairmos com eles e com mais um casal de amigos Karina e Andy. Nos preparamos e zarpamos na quinta feira (dia 11) e retornamos 24 horas depois. A Bella ficou na Marina com um casal de amigos russos Sasha e Tony, que estão no mesmo píer e eu confesso que até fiquei com um pouquinho de ciúmes quando vi a Bella dando muitos beijinhos na Sasha kkk.
A janela de tempo foi ótima, velejamos com ventos fracos, mas com boa velocidade já que o barco é regateiro e se desloca super bem. Estamos no inverno e curtimos a velejada no cockpit, com direito a um lindo por do sol e um cobertor para nos aquecer do vento gelado… Só a agradecer a esses amigos queridos pela velejada e tão boa companhia!
Dos países que já estivemos, aqui é o mais rigoroso nas saídas e chegadas de barcos, eles fazem vistoria interna, geralmente duas ou três pessoas sobem a bordo e verificam aleatoriamente armários e dão uma olhada geral na embarcação.
Cumprimos todos os protocolos e deu tudo certo, agora já estamos com passaporte carimbado e temos mais três meses para permanência… Muito embora nossa vontade é zarpar final de abril rumo a Malta, onde tentaremos ter acesso à vacina, e depois passar o verão na Turquia. Que assim seja!  Namastê 🙏🏻🙏🏻🙏🏻

Dia 1784, 12 de fevereiro de 2020. Morando a bordo em Monastir, Tunisia, Norte da África.

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Fim de ano – manualidades Sv Pharea- Diy 3

O dia a dia morando na Marina torna as amizades mais fortes e próximas, pois são com os amigos que compartilhamos encontros, conversas, caminhadas, yoga, churrascos, manutenções e outras atividades do dia dia.
Muito bom receber um bolo quentinho quando menos se espera, poder emprestar algo que alguém precise, enfim, curtir essa troca de afetividade, que ajuda a segurar a saudade daqueles que amamos e estão longe.
Com o Natal se aproximando, pensamos em fazer algo para dar de lembrança aos amigos e optei por fazer pequenos bowls, empregando a técnica de papietagem, que usa somente cola e jornal. Eu comprei alguns jornais mas escritos em francês e achei que seria mais legal se fosse com escrita árabe, pois estamos num país Árabe, assim o Renato procurou e encontrou alguns com que eu pude trabalhar produzindo o resultado desejado.
Demorei para começar a fazer e quase faltou tempo para fazer todos, pois precisa de tempo para secar a cola e assim dar firmeza para a peça. Fiz questão de colocar o nome dos barcos para ficar mais personalizado!
Com todos prontos entregamos aos amigos e assim deixamos nossa lembrança em cada um dos barcos. Aqui no barco temos no cockpit um porta copos em madeira, que nos foi dado por um casal de Belgas que conhecemos na Itália. Eles haviam usado no barco em sua volta ao mundo, adoro ter objetos que trazem recordações,

Para a Marina, fizemos um pequeno veleiro, usando uma rocha que achamos num passeio numa ilha próxima daqui e Se encaixou muito bem para o casco e com a ajuda do Renato montei as velas. Entregamos ao Capitão junto com docinhos (beijinhos de coco e leite condensado) para compartilhar com a equipe dele que sempre nos atende quando precisamos de algo.

Em tempos de Covid não foi possível juntar muitas pessoas e assim comemoramos aqui mesmo no píer onde estamos, no barco de amigos canadenses, com boa comida, bom astral e muita alegria!


Nos reunimos também num almoço para celebrar o fim do ano, e que ano de planos desfeitos, refeitos, ansiedade e expectativas… Que venha 2021 com mais abraços e liberdade para podermos sair e velejar, conhecer a Turquia, que é nosso objetivo.
Obrigado a todos que estiveram com a gente, perto ou longe, o importante é estar em nossos corações. Feliz Ano Novo. Namastê.

Dia 1741, 31 de dezembro de 2020. Morando a bordo em Monastir, Tunisia, Norte da África.

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