Vivendo o presente e planejando o futuro!

Setembro chegou trazendo com ele o início do outono e na nova estação já  estamos sentindo a mudança no padrão dos ventos, mais chuva e temperatura com maior oscilação.
Tivemos um verão daqueles, encerrados na Marina passando muito calor, pois o barco quando não aproa para o vento não ventila e assim o recurso foi comprar ventiladores para amenizar o calor.
Sim, o calor do verão no continente africano, mesmo estando no norte, é constante e com poucas chuvas. Às vezes até compreendo que o uso das roupas longas, mangas longas e lenço na cabeça ajuda a isolar o corpo, pois o sol não atinge a pele diretamente.
Chegamos aqui no fim do outono de 2019, daqui a dois meses completará um ano morando aqui. De lá para cá foram muitas amizades, muitas descobertas relativas ao mundo Árabe, conhecemos muitos lugares e depois se instalou no estado de pandemia do Covid e tudo ficou estagnado, planos e mais planos desfeitos e definimos esperar passar, afinal estamos em casa onde estivermos, está é uma das partes que realmente amo da vida a bordo, quando saio levo tudo e quando fico, tudo está comigo. Nossos planos são completamente mutáveis, primeiramente pelo regime dos ventos, depois pelas condições de mar ou por situações atípicas como o Covid. Sim, prefiro crer que seja atípico e que logo tenhamos acesso a uma vacina que nos libere para acessar o mundo novamente.
Percorrer lugares, diferentes mares, achar recantos e encantos, buscar abrigo, se proteger nas tempestades é a vida do velejador e quando se está longe disso o coração sente falta, o corpo reclama e a mente viaja mesmo sem as velas.
Neste período ficaremos curtindo os amigos queridos que fizemos aqui, curtindo a Bellinha, cada dia mais fofa, fazendo atividades conjuntas no “Clube House”, local que a marina disponibiliza para encontro e atividades dos velejadores. E também aproveitar este tempo para etudarmos e nos aprofundarmos sobre a Turquia, para onde pretendemos rumar em 2021. Namastê 🙏🏻
Dia 1636, 15 de setembro de 2020. Morando a bordo em Monastir, Tunísia, Norte da África.
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Entre tantas coisas boas, uma surpresa desagradável.

Este post é o relato do Comandante sobre a ocorrência de eletrólise galvânica  aqui na Marina em Monastir.
“Quando partimos de Siracusa, Itália 🇮🇹, em direção à Monastir, Tunísia 🇹🇳, em novembro de 2019, no través de Portopalo  pegamos uma rede de pesca ou algo parecido na quilha e rabeta do barco. Senti a velocidade do barco cair de 6,5 para 2 knots. Rumamos para Portopalo onde ancorei e mergulhei para verificar se havia algo preso ou algum dano. Nada, tudo certo. Com a proa novamente para Monastir partimos. Após nossa chegada em Monastir, era hora das manutenções preventivas e entre elas a troca de óleo do motor e check do óleo da rabeta. Para minha surpresa o óleo da rabeta estava “leitoso” com aspecto esbranquiçado, o que significava que havia água misturada com o óleo. Imaginei que a suposta linha de pesca pudesse ter entrado no eixo da rabeta e danificado os selos de vedação. Como não iríamos navegar pelos próximos meses decidi tirar o barco da água somente no final do inverno para substituir os selos. Bem, no final do inverno veio o Covid-19 e o lockdown. Então após a abertura das fronteiras pela Tunísia, no final de junho, fomos tirar o barco da água para substituir os selos de vedação. Tudo acertado com o estaleiro para subir o barco e deixar ele no travel lift enquanto trocaria os selos, serviço de no máximo uma hora. Para minha surpresa, quando tiramos o barco da água, o problema era muito maior que os selos de vedação. Nos meses em que ficamos parados no pier da Marina, nossa rabeta foi atacada, ou melhor, destruída por um processo chamado eletrolise galvânica. Vejam abaixo as fotos da rabeta em novembro de 2019, quando substituí a borracha interna de vedação e as fotos da rabeta em julho de 2020 aqui na Tunísia.

Novembro 2019, Itália.

Novembro 2019, Itália.

Julho, 2020, Tunísia.

Julho, 2020, Tunísia.

Julho, 2020, Tunísia.

Julho, 2020, Tunísia.

É muito parecido com a corrosão galvânica, que é causada pelo contato de dois diferentes metais, mas no nosso caso, originado por corrente elétrica. Foi um choque ver o estado em que se encontrava a rabeta após apenas sete meses parado na Marina. Um estrago que certamente nos custaria muito tempo para reparo, já que a disponibilidade de peças de reposição aqui na Tunísia não é tão fácil, além de uma boa quantidade de Euros…. Muita pesquisa na internet para tentar entender o que e porquê aconteceu, pesquisa para tentar encontrar peças a um custo razoável….tudo com a ajuda de amigos velejadores que passaram o inverno junto conosco, pois eles também estavam curiosos para saber a causa do problema, pois ninguém nunca tinha visto um processo deste acontecer tão rápido. Bem, no próximo post o conto o desfecho desta história de terror.” Namastê 🙏🏼

Dia 1.606 morando a bordo na Tunísia 🇹🇳. 15 de agosto de 2020. Monastir, Tunísia, Norte da África.

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Uma das grandes alegrias, rever os amigos!

Entre as melhores coisas de um velejador, certamente está presente um grande número de amigos. Encontrar e conhecer pessoas, saber sobre suas viagens e aventuras é realmente fantástico. Nossos amigos desta temporada saíram e nós ficamos por aqui um pouco tristes… mas tivemos a boa surpresa de receber amigos da temporada passada que conhecemos quando estávamos na Itália.
JJ e Sara, ele inglês e ela italiana,  saíram da Itália e estavam em Lampedusa, uma ilha no Mediterrâneo, próxima da Tunísia e resolveram vir passar uma semana aqui. Passamos muito tempo juntos, desfrutando a agradável companhia deles.
Fomos à Sousse, cidade maior e próxima daqui e pela primeira vez, desde março, usamos o transporte público…. Pois até então não havíamos saído mais para viagens em função do Corona vírus.
No caminho, direção norte, passamos pelo aeroporto e por diversas lagoas de produção de sal em diferentes estágios. Nelas sempre há Flamingos e a medida que forem se alimentando nas lagoas de sal sua plumagem ganhará a cor rosa, característica dos flamingos. No inverno passado vimos muitos é bem coloridos, mas os de agora ainda estão brancos. Monastir é produtora de sal assim como outras cidades da Tunísia. A materia-prima das Salinas é o mar, que contém apenas cerca de 3% de cloreto de sódio (NaCl); O trabalho a ser feito em um lago salgado consiste em evaporar grandes volumes para concentrar essa água do mar pela ação exclusiva do sol e do vento. É um longo trabalho e os salineiros cuidam de todo o processo, desde que a água do mar é bombeada para dentro dos lagos, onde percorrerá de 50 a 100 km e levando mais de 6 meses para se concentrar antes de se cristalizar em superfícies chamadas tábuas de sal. Então chega a época da colheita e como na agricultura, uma vez por ano, geralmente no outono-inverno, os salineiros recolhem esse sal que pacientemente fizeram crescer em suas bacias de cristalização, depois falando muito resumidamente…o lavam e o armazenam para distribuição. A paisagem chama a atenção pelas diferentes cores das lagoas e pela presença dos flamingos que agora já  se reproduziram e há muitos filhotes.
Continuamos nosso caminho para Sousse, que tem uma Medina bem maior que a daqui de Monastir. Assim que entramos já  nos deparamos com o movimento, estava bem agitada e os vendedores de todos os artigos que possa imaginar… ávidos por clientes, pois o turismo é uma grande e importante ocupação de muitos tunisianos. Sara comprou alguns itens e o JJ super negociou por um bom preço… O preço começa lá em cima e você pode jogar na metade ou ainda menos… E um item de 200 “dinheiros” pode ser comprado por 50 “dinheiros” e eles são muito gentis é claro e fazem “qualquer negócio” para atrair a atenção para seus produtos.
O colorido das ruas, os recantos e lugares simples da Medina proporcionam uma experiência única, o tempo voa quando passeamos pela Medina… Há muitas coisas típicas e também os mercados de frutas, verduras e carnes… Que pode ser bizarro às vezes… Tudo exposto para venda… Cabeça, patas, intestino, testículos… O que para nós culturalmente é um pouco impactante, pois nas cidades cada vez mais a produção se distancia do consumidor e a prateleira do supermercado traz com ela uma visão reduzida de todo o processo.
Com a vinda do JJ que nos trouxe “proscciutto crudo” e linguiça, matamos nossa vontade… Pois aqui em função da religião adotada, não há carne ou derivados suínos. Uma verdade é que neste tempo todo fora do Brasil, temos reduzido o consumo de carne vermelha, pois não é saborosa como a nossa da terrinha.
E lá se foi a semana, curtimos muito a companhia deles e então retornaram para Lampedusa e tiveram a notícia que teriam que ficar em quarentena… E agora as regras estão mudando e a segunda onda do Corona Vírus está se anunciando.
No decorrer deste ano decidimos não fazer muitos planos e ficarmos seguros até que a vida volte a uma normalidade. A Tunísia foi uma ótima descoberta, super amigável, tranquila, interessante culturalmente, custo de vida barato e com baixo número de casos e mortos, assim nos sentimos bem por estarmos aqui e os planos virão com segurança e muita água vai passar debaixo da quilha da Pharea rumo a lindos e novos lugares! Namastê 🙏🏻

Dia 1597, 06 de agosto de 2020. Monastir, Tunísia, Norte da África.

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Coisas simples que as vezes se tornam difíceis

Precisávamos imprimir alguns documentos e fomos numa lan house, o atendente nos indicou o computador e quando o Renato ia começar a transferir os arquivos deparou-se com um teclado bem diferente, sim era o teclado usado por eles, Árabes,  e não deu outra… Precisou chamar o atendente que o ajudou durante todo o processo.
Impossível achar o ponto, o hífen, além do que, a disposição das letras segue outra ordem… Muito engraçado, algo tão corriqueiro que de repente ficou complicado de fazer sem ajuda.

O público da lan house era somente de meninos que ficavam focados na tela do computador, com fones de ouvido, jogando algum game.
Tudo pronto e impresso, agradecemos a ajuda do atendente pois sem sua cooperação ficaria difícil realizar a nossa tarefa.
Encontramos alguma dificuldade em lojas ou quando o Renato procura por algo mais específico para o barco, pois às vezes nenhum atendente fala inglês e para tudo o que não encontramos eles nos olham e dizem “demain” que em francês significa: amanhã! No comércio em geral são bem amigáveis e gostam de comercializar.

Nas feiras falam bem alto os preços, competindo pela atenção de quem passa. Sempre há novidade na feira… agora tem o fruto das amendoas in natura, melancias e melões de vários tipos. Tudo fresco e com preço super acessível. Namastê🙏🏼.

Dia 1.578 morando a bordo. 19 de julho de 2020. Monastir, Norte da África.

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Há 8 meses na Tunísia 🇹🇳, Norte da África

Quando estávamos na Europa seguíamos o estabelecido no chamado “espaço Shengen”, ou seja, trânsito livre entre os países da União Européia sendo que em cada 6 meses é possível ficar 3 meses dentro deste espaço. Aqui na Tunísia podemos ficar 3 meses e tem a facilidade de ir estendendo este prazo de estadia através da compra de selos.
Nossos primeiros 3 meses venceram em 22 de fevereiro e o Renato providenciou a compra de selos por mais 2 meses, o tempo que tínhamos contratado na Marina para passar o inverno.
Porém em março começou lockdown e ficamos aqui aguardando o avanço e os desdobramentos sobre o Corona Vírus, já que a entrada nos outros países do Mediterrâneo estava fechada.
A Tunísia encerrou o lockdown em 27 de junho e novamente precisávamos estender nosso visto, pois já havia transcorrido o tempo de validade dos mesmos. Com isto para resolver fomos surpreendidos com o convite de um casal de amigos Canadenses, Caroline e Dany, para sairmos junto com eles para zerar nosso tempo na Tunísia. Depois de três horas e meia aguardando a liberação para a saída do barco soltamos as amarras do Zebulon, um Dufour 44 con bandeira Canadense, onde eles moram a bordo. Seguimos cerca de trinta milhas, rumo à ilha italiana de Lampedusa e chegamos às águas internacionais, demos um bordo e retornamos para Kuriat, pequena ilha com um farol e um navio encalhado que compõem o visual e fica a mais ou menos 08 milhas da marina de Monastir, onde estamos. Velejamos durante todo o percurso de ida, vento entre 7 e 15 knots, com velocidade média em torno de 7 knots. Há muito tempo não velejávamos e tivemos um dia maravilhoso. O dia foi também muito especial pois comemoramos aniversário do Capitão Dany e a Caroline preparou um jantar caprichado. Pernoitamos ancorados em Kuriat e cedinho ouvi um barulho e era o Renato que acordou e foi ver o nascer do sol no cockpit o que há muito tempo não fazia, já que estamos na Marina. Levantamos, o dia estava ensolarado e o mar super limpo… Dava para acompanhar o balanço do seagrass no fundo do mar e a âncora estava visível, pois a água estava realmente transparente.
Fomos todos para a água aproveitar aquele presente da natureza para nós! Mais tarde retornamos para a Marina e demos entrada novamente e assim conseguimos zerar nosso tempo passado e iniciar a nova contagem.

Fim de semana muito bacana na companhia dos amigos super queridos! Não imaginávamos passar tanto tempo aqui na África, mas realmente foi uma surpresa maravilhosa e culturalmente muito interessante. Só a agradecer. Namastê 🙏🏻

Dia 1.568 morando a bordo. 09 de julho de 2020. Monastir, Tunísia 🇹🇳, Norte da África.

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