Cores e perfumes da primavera 🇮🇹

Já ouviu a expressão: “Depois da tempestade vem a bonança”? Estamos nos sentindo assim… O inverno ficou para trás e a primavera chegou para deixar tudo mais bonito, colorido e perfumado.
A caminho da feira livre nos deparamos com um visual novo e diferente…. As flores estão chegando e deixando tudo colorido, os caminhos ficam mais lindos e parece que voltamos a ser crianças… Passeando em dias ensolarados e com tempo de parar e reparar em cada tipo de flor e sentir seu perfume.

O Renato que tem alergia ao pólen começa a sofrer com a renite…. Mas mesmo assim não deixa de pedalar por esse lindo caminho.

Diferentemente do inverno a primavera surge trazendo alegria, dias mais longos e com mais sol e consequentemente o astral também fica melhor.
Vimos alguns veleiros chegarem e outros saírem mas… O período de invernar aqui vai até maio, daí sim todos os barcos saem e alguns retornam para cá para o próximo inverno. O ano aqui é curto, se veleja por no máximo seis meses e depois é necessário invernar e aí uma opção é levantar o barco e deixá-lo no seco e a outra é procurar alguma Marina para ficar nestes meses e o bom é que é elas têm uma estrutura bem acolhedora e dispõem de área de convívio comum aos velejadores, o que é bem agradável e com o passar do tempo a amizade se intensifica e formamos um grande e diverso grupo.
Mas agora com a primavera chegando tudo fica mais agradável, o frio vai indo embora aos poucos e isso é ótimo, logo daremos adeus ao aquecedor que compramos aqui para nos manter aquecidos no inverno.
Percebemos que a pequena cidade de Roccella também começa a se movimentar com a abertura de um ou outro bar ou restaurante e na beira da praia a infraestrutura começa a ser refeita, pois como vimos nas fotos, aqui bomba no verão e a areia da praia fica super disputada.
As plantações de cítricos estão praticamente finalizando a colheita e nas ruas e plantações sentimos aquele aroma incrível de flor de limoeiro, de laranjeira…. A vontade é embalar todo este perfume e trazer com a gente. Esta é outra coisa que não sentia desde criança, quando brincava embaixo dos pés de frutas no sítio dos meus avós.
Morando a bordo passamos a conhecer mais o mar, seus movimentos e sua força e ao parar em terra temos tempo de voltar a nos sentir como quando éramos crianças e que nada passava desapercebido…
Sentiremos muitas saudades daqui, um lugar super especial que nos oportunizou ótimos momentos. E eu que já gostava da Itália passei a gostar ainda mais depois de conhecer várias cidades e suas histórias do mundo antigo. A Croácia me encantou com sua beleza natural e a Itália com sua história preservada em muitos locais. Namastê🙏🏻

1.013 dias morando a bordo, invernando em Roccella Iônica, Calábria, sul da Itália 🇮🇹 Dias 19 a 31 de março de 2019.

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1.000 dias morando a bordo!

Em 18 de março de 2019 completamos 1.000 dias morando a bordo. Antes de termos nosso primeiro veleiro, comprado em 2011, sempre pensava em uma vida tranquila que estava ligada ao equilíbrio financeiro. Poder adquirir coisas, ter coisas e passei 30 anos trabalhando, que é o que todos fazem… Minha mãe dizia: o trabalho dignifica o homem! E eu cresci pensando assim, me empenhando e valorizando este espaço que o trabalho ocupa na vida da gente e que em diversos momentos ele está no topo de nosso rol de preocupações diárias e muitas vezes em detrimento da família e amigos. Mas a vida é assim, temos que crescer, estudar, trabalhar, casar (para aqueles que gostam e estão dispostos a compartilhar sua vida com outra pessoa), ter um bom carro, uma boa casa e grana para fazer as coisas que as pessoas do seu círculo de amizade fazem.
Nunca havia imaginado que romperia tão fortemente todas estas variáveis, que por muito tempo foram meu estilo de vida. Mas… Quando o Renato me levou para velejar pela primeira vez e depois compramos o veleiro… Começamos a curtir uma paz e uma tranquilidade diferente, o contato com a natureza, a simplicidade da vida a bordo e junto a isso começamos a ouvir amigos relatando sobre a vida a bordo, como a Claudia e o Portela, do veleiro Bravo. Fomos a uma palestra deles e ficamos encantados com tudo o que relataram.
Começamos a cultivar a ideia de um dia sair… Morar no veleiro e eis que no dia 21 de junho de 2016, depois de muito planejamento, saímos para realizar este sonho.
Tivemos uma ótima experiência de vida a bordo em Paraty e Angra dos Reis, muitos lugares encantadores, ótimos amigos, clima maravilhoso, quente o ano todo… Mas pensamos em prosseguir com nossos planos e então vendemos o barco no Brasil e viajamos com 4 bolsas de 23 quilos para a Croácia, onde encontramos e compramos nosso barco atual, a Pharea.
Pensar que estamos a bordo há 1.000 dias ainda me surpreende de alguma forma e me espanto com a fácil adaptação para esta vida nova. O mar é ainda um local bastante seguro (como tudo tem suas exceções), meu comandante é bastante competente e isso me deixa muito segura. A vida ficou extremamente simples e ao mesmo tempo complexa, no sentido de que nunca estamos no mesmo lugar, estamos sempre conhecendo novos lugares, a natureza é exuberante e se apresenta de diversas formas, como por exemplo a beleza de uma ilha rochosa e de outra verdejante; um mar com muita fauna e um mar com águas claríssimas; o bom sono embalado pela água do mar (e é claro que as vezes o balanço é insuportável, mas faz parte das exceções), enfim temos uma casa andante, com um quintal sem fim e no caminho encontramos diferentes pessoas, com diferentes hábitos e tudo isso vai nos enriquecendo, vai entrando em nossa bagagem.
Já estamos na Europa há mais de 1 ano e tem sido muito legal e nossa meta é prosseguir neste caminho, conhecendo um pouco mais desse planeta lindo que habitamos. Só gratidão!
Um brinde a todos os velejadores e que venham muitos anos mais. Namastê 🙏🏻

1.000* dias morando a bordo, invernando em Roccella Iônica, Calábria, sul da Itália 🇮🇹 Dias 10 a 18 março de 2019.

*Fiz a correção nos dias de vida a bordo, pois anteriormente havia excluído os seis meses que ficamos parados com o barco na Marina de Itajaí, um tempo de passamos com os pais do Renato.

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Só alegria, chegada dos amigos Pádua e Lili 😍

Na próxima semana chegam nossos amigos e dindos da Bella, Lili e Pádua, moram em Curitiba e deixam seu belo Veleiro Austral em Antonina, PR, onde começou nossa vida náutica a bordo do Relax. Eles nos visitaram na Croácia em 2018 (foto) e agora chegam para conhecermos juntos um pouco do sul da Itália, a Calábria e a Sicília 🇮🇹 As distâncias são grandes, a Itália com sua forma de bota é bem comprida… E estamos aqui na sola e vamos até sua pontinha onde fica a Sicília. No domingo pegamos o trem para Lamezia, onde fica o aeroporto mais próximo daqui, fomos lá pegar o carro que locamos para o passeio e na segunda-feira eles chegaram no fim do dia. Que maravilha vê-los desembarcando do trem… Já estávamos ansiosos pela chegada e a Bella reconheceu a dinda assim que a viu. Eles curtiram a vinda de trem e a paisagem desde Roma até aqui. Chegando,  já subiram a nova bandeira do Brasil, indicando a nacionalidade da tripulação. Felizmente a previsão do tempo se confirmou e os dias foram ensolarados e sem chuva. Como o tempo deles é curto, pensamos em conhecer o máximo de lugares nestes dias…
Na terça feira (05) fomos para Gerace, aqui próximo, uma vila histórica fortificada, com várias igrejas, ruínas de um castelo e vários palácios que eram as grandes casas onde os senhores da época moravam. A paisagem é belíssima e do alto vimos o vale no entorno, pequenas cidades, plantação de cítricos, a rodovia que passa pelos diversos túneis que cortam as montanhas.
Como era cedo aproveitamos para ir até Tropea, cidade litorânea que chama atenção pelo seu centro histórico e também pelas construções sobre as rochas da encosta, conferindo um belo visual. Passeamos a pé e descemos contornando a beira mar e chegando ao antigo e hoje preservado monastério, que foi uma ilha e hoje está integrada ao continente. Como estamos no inverno os restaurantes estavam fechados e então comemos um sanduíche italiano super gostoso numa mercearia típica local.
No dia seguinte rumamos em direção ao Estreito de Messina, que separa a Calábria da Sicília e faz o encontro do Mar Jônico com o Mar Tirreno. Fizemos a travessia do canal com o ferry boat que leva, carros e pessoas e é bem rápido. A menor distância do canal é de 3.300 metros e existe um projeto para unir a Sicília com o continente através de uma ponte, porém há uma polêmica em torno deste assunto, uma vez que a execução tem dificuldades técnicas em função de tratar-se de uma área com intensa atividade sísmica além de fortes e constantes ventos. Descemos na cidade de Messina e rumamos para nosso primeiro ponto de parada, a cidade de Taormina localizada no topo de uma colina, na costa leste da Sicília. Ao fundo fica o Monte Etna, vulcão em atividade que causou o fechamento do Aeroporto de Catânia, em dezembro passado.

A cidade é muito antiga, de 735 a.C. e palco de inúmeros conflitos, invasões e domínios. Está entre os pontos turísticos mais visitados na Europa no século XIX e realmente o lugar é fantástico, as vistas do mar, do vulcão e do vale são surpreendentemente belas, adoramos o lugar e além das construções históricas, a beleza natural que preserva de forma irretocável.
Vimos na baia duas pequenas enseadas que parecem ser bom lugar de ancoragem.

Seguimos para Catânia onde pernoitamos, uma antiga cidade portuária na costa leste da Sicília, no sopé do Monte Etna, com mais de 300 mil habitantes é a segunda maior cidade da Sicília após a capital Palermo. A antiga cidade foi fundada em 729 a.C. e conserva uma rica história do patrimônio cultural das eras Grega, Romana, Bizantina, Árabe, Normanda entre outras, representadas nas construções e monumentos espalhados pela cidade. A cidade que vimos agora é resultado da reconstrução feita após forte terremoto sofrido no ano de 1.693, foi reconstruída no estilo Barroco Siciliano e declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco. No centro histórico caminhamos pela grande praça, rodeadas pelos grandes palácios reconstruídos e no centro um monumento com um elefante que suporta um obelisco egípcio, símbolo da cidade, que conforme narra a lenda, tratava-se de um elefante mágico, construído com a lava do Monte Etna quanto Catânia era ainda uma província bizantina do Império Romano. Gostamos muito de Catânia e ficamos  impressionados com as construções, possivelmente pelo fato de serem reconstruídas e estarem com um bom aspecto. Mas há muitos espaços com edificações dos séculos XVIII e XVX em estado precário, precisando de manutenção e revitalização.
Dia seguinte, nosso destino: Siracusa, terra da máfia italiana ou como chamam: “cosa nostra” e a gente vai relembrando os filmes do Poderoso Chefão (Godfather, Il Padrino), que conta a história da família mafiosa Corleone, durante os anos de 1945 a 1955, filme norte-americano de 1972, considerado o melhor filme de gângster de todos os tempos e o segundo melhor filme estadunidense da história. É muito legal ver filmes dos lugares que conhecemos pois temos um novo olhar para todas as cenas, passear pelas ruas imaginando o passado e sabendo que cada rua, cada edificação constitui uma história. Estacionamos o carro na pequena ilha de Ortigia, velho centro histórico de Siracusa que concentra algumas marinas, a baía é bem linda e grande. O centro histórico com suas vielas estreitas e antigas construções, hoje viraram restaurantes e lojas e comparado a Catânia, parece estar bem menos preservado e limpo. Tempo curto para vermos tantas coisas, começamos a retornar em direção ao Estreito de Messina. Cruzamos de ferry boat e paramos na beira mar de Régio Calábria, a maior cidade da Calábria que nos pareceu ter um clima ótimo e animado.

 

 

Hora de retornar para Roccella Ionica e no dia seguinte nos despedirmos deles, nossos bons amigos que estão sempre próximos da gente. Antes da visita aquela ansiedade para programar tudo para aproveitar o máximo, durante a estadia os dias passam voando e logo está na hora de voltar… Mas o importante é que nos divertimos muito estes dias, adoramos a companhia deles e a Bella aproveitou toda a atenção dos dindos também.

Somente a agradecer a vocês, Lili e Padua, pelos ótimos dias que passamos juntos e agora esperar para que nos encontrem novamente em outro destino, que ainda não sabemos onde e em qual continente será 🌍. Namastê 🙏🏻.

Dias 804 a 815. Morando a bordo, invernando em Roccella Iônica, Calábria, sul da Itália 🇮🇹 Dias 26 de fevereiro a 09 de março de 2019.

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Rotinas e trabalhos a bordo ⛵️🇮🇹

Tivemos alguns dias de sol e pouco vento e o Renato começou a fazer as manutenções de marcenaria, lixar e envernizar a mesa do cockpit e também o madeiramento da entrada para o salão. Depois de muito lixar começaram as inúmeras demãos de verniz que foram dadas dentro da cabine de popa, para que não entrasse pó durante a secagem, mas valeu a pena, o trabalho ficou muito bom e estamos com a mesa bem bacana agora 😀.
Temos uma vizinha de Marina, a Sue, que leva sobremesas deliciosas no Barbecue e pedimos que nos ensinasse uma receita de um rocambole de coco delicioso. Nos reunimos no club house e aprendemos a receita, foi bem divertido, ela realmente tem a mão boa para doces, tudo o que faz é delicioso 😀.
A Bella tem ficado bastante no barco, colocamos a caminha dela embaixo do dog house, onde fica abrigado do vento e faz uma “estufinha” com o sol. Ela fica horas por ali e todos que passam no píer em frente ao barco recebem umas latidas e quando param para conversar próximo do barco, ela corre e late sem parar… uma verdadeira guardiã. Fora isso andamos com ela diariamente pela Marina e quando vamos para a cidade a levamos… Ela vai bem feliz andando e correndo atrás das lagartixas pelo caminho e na volta pede colinho, uma graça.
Nossa bandeira do Brasil puiu… também com tanto vento que já pegamos e também ela completou 11 meses panejando nos ventos daqui, mas a Heloísa me emprestou um tecido verde e consegui restituí-la, agora já está içada novamente 🇧🇷.
Já iniciei o desafio da confecção da capa do bote. Comecei fazendo um molde em plástico, costurei e experimentamos e achamos que ficou muito franzido, com sobra de tecido. Agora já iniciei um segundo molde e ele se adaptou bem melhor as formas do bote. Fizemos um intervalo pois o bote acabou abrindo uma aba de colagem e aí paramos para o Renato fazer o conserto do bote. E depois um outro intervalo em função do vento que bateu forte nestes dias todos, uma semana de ventos fortes e contínuos com rajadas na casa dos 50 knots. Bem, vamos indo, temos tempo e assim que der concluímos isto. Estou acompanhando uns vídeos no YouTube bem legais sobre costuras náuticas, é ” sailrite”, tem muita coisa bacana lá, inclusive sobre a capa do bote, costura de estofados e muito mais.
Bem, novidades no ar… na próxima semana nossos amigos e padrinhos da Bella, Pádua e Lili, vem nos visitar. São nossos amigos de vela de Curitiba, eles já nos visitaram na Croácia e agora estamos esperando-os aqui na Itália. Já estamos na contagem regressiva! Namastê 🙏🏻

Dias 786 a 803 Morando a bordo, invernando em Roccella Iônica, Calábria, sul da Itália 🇮🇹 Dias 9 a 25 de fevereiro de 2019.

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Tropea e Soriano, duas belas cidades do sul da Itália 🇮🇹

Nesta semana nossos amigos velejadores italianos, Stefano e Paula, nos convidaram para um passeio em duas cidades históricas e de quebra, contornando as montanhas apreciamos na Serra de San Bruno, os belos vales daqui.
Fomos em direção à Serra San Bruno localizada nas montanhas da Calábria, é uma estância alpina com densas florestas de pinheiros e belos vales cultivados, a paisagem é lindíssima. Antes de chegar ao nosso primeiro destino, Soriano, tivemos que parar o carro para um rebanho de ovelhas passar, com elas estava o pastor e os cães que auxiliavam na lida. Foi maravilhosa esta cena das ovelhas passando por nós.
Soriano é uma pequena cidade e suas origens estão ligadas à fundação do convento dos Padres Dominicanos, em 1510, foi destruído pelo terremoto de 1659, depois reconstruído no período Barroco, foi um dos mais ricos e famosos conventos dominicanos na Europa. Novo terremoto em 1783 destruiu o mosteiro que foi reconstruído, mais modestamente, no início do século XIX.
Visitamos as ruínas e um senhor gentilmente nos abordou para nos mostrar o Museu que reúne as peças de mármore branco que estavam no convento e foi extraordinário conhecer o belíssimo acervo de peças ali reunidas. Há inclusive um busto de Santa Caterina feito pelo conhecido Bernini, que tem muitas de suas obras em Roma. O passeio foi super bacana e paramos para um café.
Depois descemos a serra e fomos para Tropea, um lugar bem peculiar com construções erguidas sobre as rochas, proporcionando uma paisagem única. Algumas ruínas e construções barrocas, testemunham a história que se passou ali. Ela está localizada na chamada Costa dos Deuses, voltada para o Mar Tirreno com água azul cristalina e areia branca e penso que deve ter suas praias invadidas pelos turistas no verão.
Passeamos pelo centro da cidade, apreciando as vielas compostas de ruas estreitas e praças com igrejas, palácios barrocos e ruínas. No caminho vimos pomares cítricos, vinhas e muitos olivais que dão um charme especial à região que também é conhecida pela produção de cebola vermelha (roxa).
Tivemos um dia intenso e maravilhoso, visitamos as duas cidades, falamos e nos entendemos somente em italiano, rimos, brincamos e nos divertimos muito! Obrigada Paula e Stefano pelo ótimo dia. Namastê🙏🏻

Dia 785. Morando a bordo, invernando em Roccella Iônica, Calábria, sul da Itália 🇮🇹 Dia 8 de fevereiro de 2019.

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