Manualidades SvPharea – DIY (1)

Em tempos de Covid e mais recolhidos ainda ao barco, há tempo para fazer várias coisas para a Pharea. Quando procuramos utensílios para o barco, nem sempre encontramos aquilo que gostamos ou da cor ou tamanho que precisamos, assim, para mim que adoro manualidades, penso sempre em fazer “tudo”, e neste post vou mostrar alguns projetos que realizei nos últimos meses usando um cabo de 3 milímetros que encontrei aqui e há variedade de cores, muito embora eu preferi trabalhar com tons de azul. Andar pela Medina é inspirador,  muitas coisas legais, principalmente pashiminas,  toalhas de praia e chales feitos no tear.
Precisava de porta copos e achei por aqui alguns modelos em plástico, madeira, silicone mas preferi fazer os meus próprios porta copos, usando cabo e costurando a mão dando o formato circular. A vantagem sobre os outros é que o cabo absorve a umidade, assim, diferente dos outros a mesa, que é de madeira fica sempre seca, não deixando marcas.
Com a mesma ideia fiz alguns maiores que uso para colocar sob nossa cafeteira French Press, garrafa térmica e outros objetos com circunferência maior que um copo.

Gostei muito de trabalhar com este tipo de cabo e acabei resolvendo mais duas outras necessidades que ainda não havia solucionado.
Pequeno tapete para o primeiro degrau da escada. Este tapete ajuda deixar o barco mais limpo, pois retém a poeira ou areia dos pés; Já havia feito um com toalha com textura mais incorporpada, mas com o cabo o resultado foi muito melhor. Para executá-lo cortei um tecido para a parte de baixo no tamanho exato do degrau e depois fui preenchendo o tecido com o cabo e o fixando com cola quente até cobri-lo por completo. Eu não o lavo na água, passo aspirador e quando há alguma sujeira, retiro com lencinho umidecido. É muito comum na Itália e Grécia o uso de uns prendedores laterais, para segurar a toalha nas mesas de restaurante e temos um par de inox, que segura perfeitamente o tapete no lugar.
Tapetes para a Bella. O piso do barco é muito liso e a Bella não conseguia dar o impulso para subir no sofá. Eu já havia tentado várias soluções, tapetes de borracha, de tecido… Mas esteticamente não estava bem resolvido, então usei o mesmo cabo e criei tapetes circulares, do tamanho adequado para o espaço disponível e ficou super bem resolvido. Embaixo do tecido costurei uma tela emborrachada que garante a fixação do tapete no piso.
Quem tem um pet de estimação se dedica à limpeza do local onde ficam a ração e água, pensando nisso fiz um tapete pequeno, no mesmo estilo dos outros e com a vantagem que quando a Bella bebe água os pingos não caem no piso, mantendo o local limpo e sequinho.
Realmente foi um achado este cabo, é possível fazer muitas coisas e a grande vantagem é que posso dar o formato que preciso a qualquer peça que vou fazer. No próximo post vou mostrar o tapete do cockpit e o centro de mesa, feitos com nós de marinharia. Muito bom aproveitar o tempo fazendo manualidades e suprindo as necessidades da Pharea. Namastê 🙏🏻🌍🇹🇳

Dia 1646, 25 de setembro de 2020. Morando a bordo na Tunísia, Norte da África.

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Vivendo o presente e planejando o futuro!

Setembro chegou trazendo com ele o início do outono e na nova estação já  estamos sentindo a mudança no padrão dos ventos, mais chuva e temperatura com maior oscilação.
Tivemos um verão daqueles, encerrados na Marina passando muito calor, pois o barco quando não aproa para o vento não ventila e assim o recurso foi comprar ventiladores para amenizar o calor.
Sim, o calor do verão no continente africano, mesmo estando no norte, é constante e com poucas chuvas. Às vezes até compreendo que o uso das roupas longas, mangas longas e lenço na cabeça ajuda a isolar o corpo, pois o sol não atinge a pele diretamente.
Chegamos aqui no fim do outono de 2019, daqui a dois meses completará um ano morando aqui. De lá para cá foram muitas amizades, muitas descobertas relativas ao mundo Árabe, conhecemos muitos lugares e depois se instalou no estado de pandemia do Covid e tudo ficou estagnado, planos e mais planos desfeitos e definimos esperar passar, afinal estamos em casa onde estivermos, está é uma das partes que realmente amo da vida a bordo, quando saio levo tudo e quando fico, tudo está comigo. Nossos planos são completamente mutáveis, primeiramente pelo regime dos ventos, depois pelas condições de mar ou por situações atípicas como o Covid. Sim, prefiro crer que seja atípico e que logo tenhamos acesso a uma vacina que nos libere para acessar o mundo novamente.
Percorrer lugares, diferentes mares, achar recantos e encantos, buscar abrigo, se proteger nas tempestades é a vida do velejador e quando se está longe disso o coração sente falta, o corpo reclama e a mente viaja mesmo sem as velas.
Neste período ficaremos curtindo os amigos queridos que fizemos aqui, curtindo a Bellinha, cada dia mais fofa, fazendo atividades conjuntas no “Clube House”, local que a marina disponibiliza para encontro e atividades dos velejadores. E também aproveitar este tempo para etudarmos e nos aprofundarmos sobre a Turquia, para onde pretendemos rumar em 2021. Namastê 🙏🏻
Dia 1636, 15 de setembro de 2020. Morando a bordo em Monastir, Tunísia, Norte da África.
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Entre tantas coisas boas, uma surpresa desagradável.

Este post é o relato do Comandante sobre a ocorrência de eletrólise galvânica  aqui na Marina em Monastir.
“Quando partimos de Siracusa, Itália 🇮🇹, em direção à Monastir, Tunísia 🇹🇳, em novembro de 2019, no través de Portopalo  pegamos uma rede de pesca ou algo parecido na quilha e rabeta do barco. Senti a velocidade do barco cair de 6,5 para 2 knots. Rumamos para Portopalo onde ancorei e mergulhei para verificar se havia algo preso ou algum dano. Nada, tudo certo. Com a proa novamente para Monastir partimos. Após nossa chegada em Monastir, era hora das manutenções preventivas e entre elas a troca de óleo do motor e check do óleo da rabeta. Para minha surpresa o óleo da rabeta estava “leitoso” com aspecto esbranquiçado, o que significava que havia água misturada com o óleo. Imaginei que a suposta linha de pesca pudesse ter entrado no eixo da rabeta e danificado os selos de vedação. Como não iríamos navegar pelos próximos meses decidi tirar o barco da água somente no final do inverno para substituir os selos. Bem, no final do inverno veio o Covid-19 e o lockdown. Então após a abertura das fronteiras pela Tunísia, no final de junho, fomos tirar o barco da água para substituir os selos de vedação. Tudo acertado com o estaleiro para subir o barco e deixar ele no travel lift enquanto trocaria os selos, serviço de no máximo uma hora. Para minha surpresa, quando tiramos o barco da água, o problema era muito maior que os selos de vedação. Nos meses em que ficamos parados no pier da Marina, nossa rabeta foi atacada, ou melhor, destruída por um processo chamado eletrolise galvânica. Vejam abaixo as fotos da rabeta em novembro de 2019, quando substituí a borracha interna de vedação e as fotos da rabeta em julho de 2020 aqui na Tunísia.

Novembro 2019, Itália.

Novembro 2019, Itália.

Julho, 2020, Tunísia.

Julho, 2020, Tunísia.

Julho, 2020, Tunísia.

Julho, 2020, Tunísia.

É muito parecido com a corrosão galvânica, que é causada pelo contato de dois diferentes metais, mas no nosso caso, originado por corrente elétrica. Foi um choque ver o estado em que se encontrava a rabeta após apenas sete meses parado na Marina. Um estrago que certamente nos custaria muito tempo para reparo, já que a disponibilidade de peças de reposição aqui na Tunísia não é tão fácil, além de uma boa quantidade de Euros…. Muita pesquisa na internet para tentar entender o que e porquê aconteceu, pesquisa para tentar encontrar peças a um custo razoável….tudo com a ajuda de amigos velejadores que passaram o inverno junto conosco, pois eles também estavam curiosos para saber a causa do problema, pois ninguém nunca tinha visto um processo deste acontecer tão rápido. Bem, no próximo post o conto o desfecho desta história de terror.” Namastê 🙏🏼

Dia 1.606 morando a bordo na Tunísia 🇹🇳. 15 de agosto de 2020. Monastir, Tunísia, Norte da África.

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Uma das grandes alegrias, rever os amigos!

Entre as melhores coisas de um velejador, certamente está presente um grande número de amigos. Encontrar e conhecer pessoas, saber sobre suas viagens e aventuras é realmente fantástico. Nossos amigos desta temporada saíram e nós ficamos por aqui um pouco tristes… mas tivemos a boa surpresa de receber amigos da temporada passada que conhecemos quando estávamos na Itália.
JJ e Sara, ele inglês e ela italiana,  saíram da Itália e estavam em Lampedusa, uma ilha no Mediterrâneo, próxima da Tunísia e resolveram vir passar uma semana aqui. Passamos muito tempo juntos, desfrutando a agradável companhia deles.
Fomos à Sousse, cidade maior e próxima daqui e pela primeira vez, desde março, usamos o transporte público…. Pois até então não havíamos saído mais para viagens em função do Corona vírus.
No caminho, direção norte, passamos pelo aeroporto e por diversas lagoas de produção de sal em diferentes estágios. Nelas sempre há Flamingos e a medida que forem se alimentando nas lagoas de sal sua plumagem ganhará a cor rosa, característica dos flamingos. No inverno passado vimos muitos é bem coloridos, mas os de agora ainda estão brancos. Monastir é produtora de sal assim como outras cidades da Tunísia. A materia-prima das Salinas é o mar, que contém apenas cerca de 3% de cloreto de sódio (NaCl); O trabalho a ser feito em um lago salgado consiste em evaporar grandes volumes para concentrar essa água do mar pela ação exclusiva do sol e do vento. É um longo trabalho e os salineiros cuidam de todo o processo, desde que a água do mar é bombeada para dentro dos lagos, onde percorrerá de 50 a 100 km e levando mais de 6 meses para se concentrar antes de se cristalizar em superfícies chamadas tábuas de sal. Então chega a época da colheita e como na agricultura, uma vez por ano, geralmente no outono-inverno, os salineiros recolhem esse sal que pacientemente fizeram crescer em suas bacias de cristalização, depois falando muito resumidamente…o lavam e o armazenam para distribuição. A paisagem chama a atenção pelas diferentes cores das lagoas e pela presença dos flamingos que agora já  se reproduziram e há muitos filhotes.
Continuamos nosso caminho para Sousse, que tem uma Medina bem maior que a daqui de Monastir. Assim que entramos já  nos deparamos com o movimento, estava bem agitada e os vendedores de todos os artigos que possa imaginar… ávidos por clientes, pois o turismo é uma grande e importante ocupação de muitos tunisianos. Sara comprou alguns itens e o JJ super negociou por um bom preço… O preço começa lá em cima e você pode jogar na metade ou ainda menos… E um item de 200 “dinheiros” pode ser comprado por 50 “dinheiros” e eles são muito gentis é claro e fazem “qualquer negócio” para atrair a atenção para seus produtos.
O colorido das ruas, os recantos e lugares simples da Medina proporcionam uma experiência única, o tempo voa quando passeamos pela Medina… Há muitas coisas típicas e também os mercados de frutas, verduras e carnes… Que pode ser bizarro às vezes… Tudo exposto para venda… Cabeça, patas, intestino, testículos… O que para nós culturalmente é um pouco impactante, pois nas cidades cada vez mais a produção se distancia do consumidor e a prateleira do supermercado traz com ela uma visão reduzida de todo o processo.
Com a vinda do JJ que nos trouxe “proscciutto crudo” e linguiça, matamos nossa vontade… Pois aqui em função da religião adotada, não há carne ou derivados suínos. Uma verdade é que neste tempo todo fora do Brasil, temos reduzido o consumo de carne vermelha, pois não é saborosa como a nossa da terrinha.
E lá se foi a semana, curtimos muito a companhia deles e então retornaram para Lampedusa e tiveram a notícia que teriam que ficar em quarentena… E agora as regras estão mudando e a segunda onda do Corona Vírus está se anunciando.
No decorrer deste ano decidimos não fazer muitos planos e ficarmos seguros até que a vida volte a uma normalidade. A Tunísia foi uma ótima descoberta, super amigável, tranquila, interessante culturalmente, custo de vida barato e com baixo número de casos e mortos, assim nos sentimos bem por estarmos aqui e os planos virão com segurança e muita água vai passar debaixo da quilha da Pharea rumo a lindos e novos lugares! Namastê 🙏🏻

Dia 1597, 06 de agosto de 2020. Monastir, Tunísia, Norte da África.

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Coisas simples que as vezes se tornam difíceis

Precisávamos imprimir alguns documentos e fomos numa lan house, o atendente nos indicou o computador e quando o Renato ia começar a transferir os arquivos deparou-se com um teclado bem diferente, sim era o teclado usado por eles, Árabes,  e não deu outra… Precisou chamar o atendente que o ajudou durante todo o processo.
Impossível achar o ponto, o hífen, além do que, a disposição das letras segue outra ordem… Muito engraçado, algo tão corriqueiro que de repente ficou complicado de fazer sem ajuda.

O público da lan house era somente de meninos que ficavam focados na tela do computador, com fones de ouvido, jogando algum game.
Tudo pronto e impresso, agradecemos a ajuda do atendente pois sem sua cooperação ficaria difícil realizar a nossa tarefa.
Encontramos alguma dificuldade em lojas ou quando o Renato procura por algo mais específico para o barco, pois às vezes nenhum atendente fala inglês e para tudo o que não encontramos eles nos olham e dizem “demain” que em francês significa: amanhã! No comércio em geral são bem amigáveis e gostam de comercializar.

Nas feiras falam bem alto os preços, competindo pela atenção de quem passa. Sempre há novidade na feira… agora tem o fruto das amendoas in natura, melancias e melões de vários tipos. Tudo fresco e com preço super acessível. Namastê🙏🏼.

Dia 1.578 morando a bordo. 19 de julho de 2020. Monastir, Norte da África.

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