Movimento intenso de embarcações em Goček, Turquia 🇹🇷

Ainda não conhecíamos Goček, apesar de nossos amigos velejadores terem comentado que é um lugar único. Goček é conhecida pelo turismo de iates, super iates e veleiros e na região há seis marinas que oferecem infraestrutura e sua localização próxima do aeroporto internacional de Dalaman contribui para o grande número de turistas.
Com paisagens espetaculares Goček fica em uma grande baía, na qual ilhas e enseadas criam um ambiente muito bonito dentro e fora da água.
Em 1988 foi declarada área de proteção especial o que corroborou para a não permissão de construção de grandes edifícios na região, conservando seu ar de pequena cidade, muito embora abrigue luxuosos resorts.
São várias enseadas e 12 ilhas que cercam Goček e proporcionam a visão de um Mediterrâneo intocado com águas cristalinas, belas praias e florestas de pinheiros.
Quando chegamos na pequena cidade de Goček a baía estava tomada por muitas embarcações e havia um vai e vem intenso de dingues buscando e levando pessoas da terra para o mar e vice-versa. Não houve espaço para a ancoragem e assim seguimos adiante para uma das inúmeras enseadas onde ancoramos bem próximos das rochas jogando a âncora na proa e amarrando dois cabos na popa, típica ancoragem do Mediterrâneo. O Renato desceu de dingue procurar o melhor lugar para atar os cabos na rocha e ajudou os amigos a ancorar e enquanto isso fiquei pilotando a Pharea no entorno da baía até que ele retornasse para fazermos nossa ancoragem.
O tempo estava ótimo e cada dia mais quente, desfrutamos bons momentos com os amigos portugueses do Mister Blue, Alexandra e Mário, a Lori e o Pool do Imagine Square (que já passaram um inverno ancorados na Turquia também) e a tripulação do Tartuga e do Sweetie.
Com a mudança da direção do vento fomos para outra ancoragem bem movimentada mas não nos demoramos pois a baía era em forma de “U” e vimos a âncora de um barco subir a de outro barco, inclusive subiu a nossa e a do Tartuga. Algo comum de acontecer neste tipo de baía.
Dia seguinte buscamos nova ancoragem próxima da praia Cleópatra Bay, onde estão as ruínas dos antigos banhos construídos para a Cleópatra por seu esposo.
Aqui em Goček há muitas embarcações e há barcos-mercado que oferecem todos os produtos, frutas, legumes e verduras fresquinhas todos os dias. Basta acompanhar no AIS o rumo do barco-mercado e quando chegar próximo da ancoragem a gente pega o dingue e atraca no barco-mercado para as compras, bem bacana!
Outra facilidade que encontramos aqui é um barco que faz a retirada das águas negras do holding tank. É só ligar e o barco vem, encosta no seu e faz a retirada com uma bomba de sucção à vácuo.

É comum nas ancoragens nesta região o vendo rodar, mudando rapidamente de quadrante e requerendo maior atenção quanto ao entorno… nestas situações melhor é ficar no barco até que o vento acalme, evitando stress ou eventual dano.

Namastê 🙏🏻🇹🇷

30 de maio de 2022. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Goček, Turquia. 🇹🇷

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Velejando e explorando novos lugares na Turquia 🇹🇷

A Turquia continua nos surpreendendo positivamente, sendo muito mais do que esperávamos.
Quer pelas condições climáticas, ou por sua costa extremamente recortada proporcionando ancoragens incríveis e seguras e ainda por sua riqueza cultural e culinária.
A região que estamos agora é muito antiga e já foi ocupada pelo Império Persa, Grécia Antiga, depois foi controlada pela Roma Antiga, Império Bizantino, Império Seljúcida e finalmente pelo Império Otomano.
Todas essas ocupações deixaram suas marcas e muitas delas ainda podem ser vistas no “Caminho da Lícia”, usado pelos Lícios e suas mulas no transporte de cargas. São mais de 500 quilômetros de trilhas para caminhada contornando a costa desde Fethiye até Antalia (mapa), havendo casas e pousadas para a acolhida daqueles que se dispõem a percorrer o caminho ou alguns de seus trechos.
Entre muitas ruínas ainda encontradas por aqui, destacam-se os túmulos escavados na rocha em paredes de penhascos e os sarcófagos espalhados pelas montanhas e cidades testemunhando a existência do povo Lício que são conhecidos por seus hábitos funerários únicos, havendo sarcófagos de 2.500 anos nas ruas de Fethiye e maravilhosos túmulos de pedra nos penhascos no entorno da cidade.

Estamos conhecendo a região de Kekova, uma baía muito abrigada e protegida dos ventos. Fizemos um pedaço da trilha dos Lícios e conhecemos Aperlai, onde encontramos inúmeros sarcófagos espalhados pela montanha, cisternas esculpidas na rocha, ruínas de casas e estábulos e um visual incrível para se apreciar.
No caminho encontramos algumas pessoas que já estavam fazendo o caminho havia alguns dias e tinham saído de Fethyie.
Ancoramos próximos de uma pequena vila que tem cerca de 100 habitantes durante o inverno, porém no verão esse número se multiplica e há muitos turistas que chegam de carro ou em vans para fazer passeios de barco pela região. Também há vários restaurantes, pousadas e mercados pequenos.
Numa das noites de ancoragem vimos um veleiro de charter garrar e passear no entorno da baía, até que seus tripulantes, aparentemente um pouco perdidos, conseguiram ancorar o barco novamente. Não era questão de vento forte, provavelmente a âncora não unhou no fundo.
Passeamos de dingue pela baía e chegamos até outra vila que tem um castelo na montanha e mais além em Simena, vimos um dos famosos sarcófagos na beira do mar.
A região toda é bonita, tudo simples, mas com muitos lugares para ir de dingue, muitas ancoragens e muitas trilhas interessantes.

Adoramos visitar esta região e compartilhamos da hospitalidade turca, quando ao passarmos numa pousada, as mulheres usando seus lenços coloridos cobrindo os cabelos, faziam pão turco no lado de fora, e gentilmente nos ofereceram um pão quentinho para comer ali na hora, na rua. Depois que peguei o pão, o Renato foi pagar e não aceitaram, era simplesmente para dividir com o próximo.
Esse ato nos encantou. Nunca nos viram antes, provavelmente não nos veriam depois, mas mesmo assim ofereceram o que estavam fazendo de melhor! Todo o nosso respeito por estas pessoas. Namastê 🙏🏼

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Visitando a Ilha por onde andou o Papai Noel 🎄🎄🎄

Hoje mudamos de ancoragem, saímos de Fethiye e rumamos para Saint Nicholas Island.

O nome ‘São Nicolau’ surgiu quando os pesquisadores se depararam com um centro de peregrinação cristão primitivo que abrigava os restos mortais do próprio São Nicolau, que hoje estão num Museu em Bari, Itália.

Diz-se que o santo, que muitas vezes é chamado de Papai Noel, nasceu na vila vizinha de Patara mas passava muito tempo nesta ilha.

Aqui visitamos as ruínas de cinco igrejas, cerca de quarenta outros edifícios religiosos, um cemitério cristão e um caminho processional, datados entre os séculos IV e VI.

A água é azul cristalina e a vista do mediterrâneo é incrível. Adoramos a caminhada na ilha e pernoitamos três noites estando bem abrigados.
Aqui também entrei na água pela primeira vez neste ano, estava fria, cerca de 18 °C, mas foi ótimo

Como a ilha forma um canal entre ela e o continente, ancoramos jogando a âncora e prendendo a popa com cabos às pedras, o que otimiza o espaço ocupado pelo barco, podendo assim vários outros barcos usar da mesma ancoragem.

Como é comum por aqui, encontramos um pequeno rebanho de caprinos andando pela ilha e subindo nas ruinas para buscar as folhas mais altas para se alimentar.

Namastê 🙏🏻🇹🇷

“A verdadeira história do Papai Noel começa com Nicholas, que nasceu durante o século III na vila de Patara na Ásia Menor. Na época, a área era grega e agora está na costa sul da Turquia. Seus pais ricos, que o criaram para ser um cristão devoto, morreram em uma epidemia enquanto Nicholas ainda era jovem. Obedecendo às palavras de Jesus de “vender o que você possui e dar o dinheiro aos pobres”, Nicolau usou toda a sua herança para ajudar os necessitados, os doentes e os sofredores. Ele dedicou sua vida a servir a Deus e foi feito Bispo de Myra quando ainda era jovem. O bispo Nicholas tornou-se conhecido em todo o país por sua generosidade para com os necessitados, seu amor pelas crianças e sua preocupação com marinheiros e navios.

Sob o imperador romano Diocleciano, que perseguia impiedosamente os cristãos, o bispo Nicolau sofreu por sua fé, foi exilado e preso. As prisões estavam tão cheias de bispos, padres e diáconos que não havia espaço para outros criminosos — assassinos, ladrões e ladrões. Após sua libertação, Nicholas participou do Concílio de Nicéia em 325 d.C. Ele morreu em 6 de dezembro de 343 d.C. em Mira e foi enterrado em sua igreja catedral, onde uma relíquia única, chamada maná, se formou em seu túmulo. Esta substância líquida, que se diz ter poderes curativos, promoveu o crescimento da devoção a Nicolau. O aniversário de sua morte tornou-se um dia de celebração, Dia de São Nicolau, 6 de dezembro (19 de dezembro no calendário juliano).

Ao longo dos séculos, muitas histórias e lendas foram contadas sobre a vida e os feitos de São Nicolau. Esses relatos nos ajudam a entender seu caráter extraordinário e por que ele é tão amado e reverenciado como protetor e ajudante dos necessitados.

Várias histórias falam de Nicholas e do mar. Quando jovem, Nicholas buscou o sagrado fazendo uma peregrinação à Terra Santa. Lá, enquanto andava por onde Jesus andava, ele procurava experimentar mais profundamente a vida, paixão e ressurreição de Jesus. Voltando pelo mar, uma forte tempestade ameaçou destruir o navio. Nicholas rezou calmamente. Os marinheiros aterrorizados ficaram surpresos quando o vento e as ondas se acalmaram de repente, poupando a todos. E assim São Nicolau é o patrono dos marinheiros e viajantes.”

Fonte: https://www.stnicholascenter.org/who-is-st-nicholas

21 de abril de 2022. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Saint Nicholas Island, Turquia. 🇹🇷

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Alguns dias “em família” 💖

Continuamos conhecendo novos lugares e revisitando aqueles que mais gostamos e nos últimos quinze dias fizemos isso na companhia de minha irmã, a Edilsa. Ela veio nos visitar aqui na Turquia e passamos ótimos dias juntos. 

Ela chegou no aeroporto de Dalaman onde fui buscá-la e fomos para Fethyie, a cidade onde há numerosos túmulos rochosos esculpidos nas encostas íngremes das colinas voltadas para o norte e facilmente vistos do vale abaixo, o mais famoso é o de Amintas, filho de Hermagios, datado do século IV aC e é talvez um dos túmulos mais espetaculares da Turquia.

A cidade é bem turística, conta com um extenso calçadão por toda a orla, muitos bares, restaurantes, lojas de especiarias e souvenirs. Andar pelas ruelas do centro antigo é uma delícia, nos distraímos vendo os produtos artesanais, as lojas de “Turkish delight” os maravilhosos e saborosos doces da Turquia 🇹🇷.

Não podíamos deixar de pegar o ferry boat e em cerca de duas horas estar na Grécia, fomos para a ilha de Rhodes.

Uma cidade muito antiga e impregnada de história, conhecida pelo Colosso de Rhodes, considerado uma das 7 maravilhas do mundo antigo. Passamos um dia maravilhoso, andamos muito para conhecer o máximo possível e aproveitamos cada instante. O Renato ficou cuidando do barco e fomos na companhia dos tripulantes do Bossa Nova e do Tartuga.

Dia seguinte, levantamos ancora da baía de Fethyie seguimos para uns dias de praia em Goček, onde descansamos passando o dia na espreguiçadeira da praia a poucos metros do veleiro e a Edi aproveitou para nadar. Nosso próximo destino foi Kaş, uma pequena e charmosa cidade, onde andando pelas ruelas estreitas e cheias de turistas, podemos nos deparar com pesados sarcófagos, esculpidos em rochas maciças que trazem à tona um registro da cultura dos Lycians.

Os sarcófagos podem ser encontrados nas montanhas, nas ruas e envolta de toda a cidade, já que eles não tinham o costume de fazer um cemitério, como nós, e sim escolhiam um lugar que fosse aprazível para colocar seus entes queridos.

As ruelas são um encanto, no chão, em alguns lugares ainda há pedaços de calçada do tempo em que pertencia à Grécia. Aproveitamos a água e o stand up para ir no entorno de nossa ancoragem.

Depois de passarmos alguns dias na cidade de Kaş, fomos para a região de Kekova, onde há também muitas montanhas, ainda verdes e muitos sítios históricos para visitar, com antigas vilas, ruínas de castelos e também de cidades que foram submersas pela água do mar. Há várias ilhas próximas e todas com ruínas de antigas construções, rochas escavadas fazendo escadas… provavelmente antes de o mar subir alguns metros até o nível que encontramos agora, não eram ilhas e sim terra contígua, que foi separada com a subida da água. Fizemos um longo percurso de bote seguindo a costa das ilhas e vendo mais ruínas e sarcófagos espalhadas nas montanhas, muito verde nas montanhas contrastando com a água azul turquesa e muito clara. 

Enfim, queríamos mostrar um pouco deste pedacinho do sul da Turquia 🇹🇷, onde há boas ancoragens e uma natureza exuberante com suas altas montanhas e água clara.

Passamos dias muito felizes curtindo a companhia de minha querida irmã, que já queria nos visitar a primeira vez na Itália e acabou não dando certo, depois quando estávamos na Tunísia 🇹🇳 e ela já com a passagem comprada não pode ir em função do início da pandemia do Covid 19, mas agora deu certo, se encheu de coragem e veio sozinha do Rio Grande do Sul para a Turquia 🇹🇷.

Ficamos impressionados pela forma como ela se adaptou bem ao barco, ao espaço reduzido e ao uso racional dos recursos de água e energia. Além disso provou que pode ser uma boa marinheira, pois não enjoou nenhuma vez, mesmo nos percursos mais longo que fizemos em alto mar, com mais ou menos 10 horas de navegação.

As duas semanas que passou com a gente “voaram” e já era hora dela voltar e voltar com uma bagagem maior do que aquela que veio, com mais conhecimento, com as lembranças das coisas que viu por aqui, com os aromas e cores das especiarias, com os sabores das comidas turcas, com a sensação de que mundos e pessoas tão diferentes coexistem num mesmo espaço em harmonia, que a natureza é acolhedora e que o mar pode ser um lar para um barco que navega e aproveita sua costa para se proteger e avançar na descoberta de novos caminhos.

Para nós ficou o coração ❤️ cheio de alegria e a memória das gargalhadas, das boas conversas, dos bons momentos que desfrutamos em família e a saudade que já está presente novamente. Obrigada maninha por ter vindo nos visitar, amamos este tempo juntos. 

Namastê!

03 de julho de 2022. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Ma, Turquia. 🇹🇷

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Visitando tumbas escavadas nas rochas, Fethiye, Turquia 🇹🇷

Barco preparado, levantamos âncora em direção a cidade de Fethiye mais ao sudeste da Turquia. Saímos às 7 da manhã e com ventos fracos soprando de norte, seguimos à motor. Ficamos em Marmaris por quase 4 meses e já era hora de partir.

(Clique para ver a rota)

Fomos contornando o continente e encontramos várias outras embarcações no caminho, inclusive um návio de querra, que saiu de uma base próxima e passou a nosso bombordo.

A surpresa dessa navegada ficou por conta das montanhas com seus picos nevados, que realmente não esperávamos mais ver e nos surpreenderam com sua beleza.

Chegamos! A baía de Fethyie é grande, há uma Marina e um grande pier contornando toda a orla, onde ficam as escunas, aqui chamadas de Gullets, e os barcos de passeios turisticos.

Ancoramos a aproximadamente 1 milha do pier ficando mais protegidos e tivemos uma ótima noite, sem vento e com mar tranquilo. Na manhã seguinte colocamos o bote na água e saímos para explorar a cidade que é bem turística e com muitas lojas, restaurantes, mercado público de peixes, frutas, vegetais e muitas especiarias.

Aqui tivemos a alegria de encontrar o veleiro Luma (foto), que havia feito contato com o Renato, via aplicativo do Navily, em setembro quando chegamos na Turquia e agora nos conhecemos pessoalmente. Um casal super querido, ele do Uzbequistão e ela de Belarus. Também reencontramos a tripulação do Sweetie e do Imagine square e saímos juntos para passearmos na cidade.

Mas o que nos chamou a atenção em Fethyie foi a visita as tumbas escavadas nas rochas (rock tumbs) a maior e mais vistosa é a chamada Tumba de Amynthas. Elas tem lindos detalhes arquitetônicos que recriam a fachada e janelas de uma casa e são datadas de quatro séculos antes de Cristo. Entrar neste museu a céu aberto foi fantástico.

Adorando a Turquia 🇹🇷. Namastê 🙏🏻

16 de abril de 2022. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Fethiye, Turquia. 🇹🇷

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