Saímos de Monastir ás 17 horas do dia 19 de abril de 2021. Horário definido em função da liberação do teste do PCR, pois após apanhar o resultado ele tem validade por 72 horas.

A saída foi emocionante, muitos amigos no píer para ajudar a soltar os cabos, ganhamos cookies deliciosos, doces árabes e pão fresquinho para a viagem e fotos e vídeos registrando nossa partida!
Saímos com vento contra, como era previsto nas primeiras horas da travessia e motoramos 12 das 34 horas. Foram aproximadamente 200 milhas de Monastir até Malta (linha amarela). Os planos eram de revezamento a cada três horas no cockpit e só o Comandante cumpriu, pois quanto dava no máximo duas horas do meu turno, o Renato aparecia no cockpit para assumir novo turno… Coisas de comandante acredito eu… Enfim, durante a travessia sempre um de nós estava com a Bella, pois o balanço do mar e o barulho das ondas ainda a assustam um pouco.
A muito tempo não víamos o por do sol no mar, estava lindo e na primeira noite, no meu turno, vi o por da lua por volta das duas horas, mesmo sendo lua crescente estava linda e se pôs com tons avermelhados. A noite estava muito fria, estávamos super agasalhados com roupas de tempo e muitas outras por baixo, o mais difícil foi enfrentar o frio da noite e madrugada.
Depois que o Renato abriu as velas seguimos no mesmo bordo o restante das 22 horas numa boa velejada.
Bem, no caminho pegamos uma sacola plástica no hélice. Deu aquele primeiro tranco e depois sentimos como se o motor estivesse vibrando. No primeiro momento o Renato achou que fosse preciso apertar is suportes motor, fez alguns apertos mas o que descobrimos, depois que chegamos, era que havia uma sacola plástica bem grande enrolada no eixo do hélice, que após tanta rotação tinha virado uma cinta de uns cinco centímetros de espessura ao redor do eixo.
Sem outra alternativa, o Renato preparou o compressor para mergulhar e ficou na água por um bom tempo, até conseguir tirar aquela cinta que se formou com a sacola plástica.
A travessia foi boa, apesar do frio intenso, mas estávamos tomados por tanta ansiedade de enfim sairmos da Marina e velejar que a alegria superou qualquer desconforto que passamos e agora estamos de volta ao mar, após um longo inverno na Marina e as restrições decorrentes do Covid 19.
Agora esperamos por novos quintais, novos lugares, mais amigos e muitas navegadas. Namastê 🙏🏻
Dia 1853, 22 de abril de 2021. Travessia África do Norte até Malta. Morando a bordo em Malta
Permanecemos tanto tempo aqui na Tunísia, que já nos sentimos um pouco locais. Já temos uma rede de amigos, frequentamos os mesmos lugares, já sabemos onde tem o melhor doce, o melhor sorvete, os pontos turísticos…
Fizemos muitos amigos também e convivemos por longo tempo. Agora alguns seguem no mesmo rumo que nós e outros vão para diferentes caminhos, mas levamos todos no coração, lembrando dos churrascos que fizemos juntos, das tardes de costura e artesanato, das viagens que fizemos juntos, das comidas que experimentamos em cada barco, das caminhadas diárias que fizemos juntos, dos dias de feira….



Estamos nos preparando para sair da Marina neste mês de abril e a ideia é passarmos ancorados entre Malta, Grécia e Turquia nos próximos seis meses. A ansiedade e a expectativa já estão a mil. Eu estou empenhada em armazenar tudo o que for possível de mantimentos (comidas, bebidas) e material de higiene. Como estaremos na âncora, quanto menos precisarmos transportar coisas no bote melhor. Nossa ideia é depender apenas de buscar alimentos frescos, frutas, verduras e carnes.


Bem as bikes ficam onde? Quando estamos ancorados ficam numa das cabines de popa que usamos para depósito. Quando estamos na Marina elas ficam no píer e sofrem com as condições do tempo, chuva, sol, vento, maresia…. e uma vez o vento forte ou algum esbarrão, fez com que a encontrássemos caída na água do mar.
Aqui na Tunísia a Marina é muito perto da Medina e raramente usamos as bikes. Guardamos uma e outra ficou no píer e agora que estamos nos preparando para sair da Marina, chegou a hora de dar um trato nela. O Renato olhou para ela e disse: acho melhor jogar no lixo…. Mas eu não gostaria de deixá-la, então coloquei a mão na massa, lixei toda ela, exceto os pneus kkk, passei anticorrosivo e por ultimo pintei. O Renato recolocou os freios, a corrente, uns parafusos que haviam se perdido e levou numa loja fazer os ajustes que faltaram.