Uma Marina super enxuta Porto Delle Grazie, Itália

Já na Croácia, depois Montenegro, na Grécia e Itália fomos nos acostumando com os poucos funcionários nos estabelecimentos comerciais. Não há e está muito longe de ter a mão de obra exuberante, sim este é o termo “exuberante” que temos aqui no Brasil.
Lá fora a mão de obra é mais restrita, às vezes um só garçom atende todo o restaurante e por isso você faz seu pedido quando ele passar na mesa, pois se ficar naquele nhe-nhe-nhe da indecisão, pode demorar bastante para ser atendido.

Mas de tudo o que vimos e presenciamos nos chamou muita atenção e mesmo admiração o staff da Marina Porto Delle Grazie. Uma ótima Marina com mais de 450 vagas, que funciona com apenas 5 funcionários. E que funcionários!!! Pessoas extremamente gentis, dedicadas e que gostam do que fazem e tornam o nosso tempo de espera quando invernamos aqui, muito mais agradável.
Ficamos impressionados quando soubemos que tudo era realizado somente pelos 5 funcionários, o gerente Francesco, a administrativa Alessandra e os marinheiros Rocco, David e Geovanni.

Eles cuidam de toda a estrutura e do funcionamento da Marina, desde a mobilidade na chegada e saída dos barcos, documentação de entrada e saída, cuidado com as instalações, toalete, club house, descarte do lixo, programas ambientais, dicas e orientações sobre a cidade e cuidado com os barcos atracados dentre várias outras coisas…
Lembro que numa noite de mau tempo, com ventos de mais de 50 knots, o funcionário David, durante sua ronda, chamou o Renato e sugeriu a colocação de mais um cabo de través e ajudou a colocá-lo mesmo com a chuva forte e frio que fazia la fora.
Realmente é fantástica a atenção e os cuidados prestados por esta reduzida equipe atendendo tantas embarcações e o que é ainda mais melindroso, as pessoas de todas estas embarcações. Eles tratam a todos com cortesia e até de forma personalizada e isso colabora para que formemos uma grande comunidade durante o tempo que permanecemos lá.

Resumindo, só a agradecer a este staff nota 1000 que nos recebeu e é claro… indicar esta excelente Marina a todos os velejadores que passarem pela Calábria, no sul da Itália, para que não deixem de usufruir deste lugar maravilhoso.
Para quem cruza o Mar Jônico vindo da Grécia para a Itália, este é um ótimo Porto de chegada, no nosso caso fizemos a travessia saindo de Corfu-Grécia e em 33 horas já estávamos aqui. A Marina fica a 2 km de Roccella Iônica, uma cidade histórica que  já foi habitada por gregos e muitos outros povos em seu passado e que aqui deixaram sua história e perto dela, muitas outras pequenas cidades históricas, seculares e muito interessantes para se conhecer. Amigos, fica a dica, esse lugar é tudo de bom!

https://www.portodellegrazie.com/mete-turistiche-e-territorio-1/

Amamos este lugar, super indicamos. Namastê amigos 🙏🏻

1.055 dias morando a bordo, invernando em Roccella Iônica, Calábria, sul da Itália 🇮🇹 Dias 06 a 12 de maio de 2019.

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Máquina de costura a bordo, você vai precisar!

Para quem mora a bordo é super útil ter uma máquina de costura mesmo que não seja uma pesada para costura de velas (ter também um conjunto de costura a mão com luva de couro, linha e agulhas específicas ajuda muito) pois tem muitas coisas que ficam expostas e podemos proteger com capas.

Compramos nossa máquina de costura na Itália, modelo Singer Have Duty, via Internet, e já fizemos várias coisas para o barco:
– Capa da balsa salva-vidas, que fica no convés;
– Capa para a churrasqueira;
– Lixeira externa para cockpit;
– Capas para as catracas;
– Capa para as bikes;
– Capa para os estofados do cockpit;
– Capa para almofadas do cockpit;
– Capa para o motor de popa;
– Capa do bote e
– Substituição da faixa de reforço do bimini.
        As capas mais difíceis foram as dos estofados externos, que formam um “U” no cockpit e por isso tem muitos cantos arredondados e também a terrível capa do bote, esta sim foi a mais complicada, acertar todas as partes com a curvatura acentuada das bananas não foi fácil. Inicialmente fixaríamos com velcro, depois optamos por prendê-la com um cabo em toda a volta do bote, o que deu muito certo.

Agora sei que na próxima vez será mais fácil e acredito mesmo que será, pois fazer pela primeira vez parece impossível, mas… Indo devagar, tendo muita paciência, muito “costura/descostura” e muito sobe e desce… Acabamos por concluir os trabalhos. Eu conto com o Comandante para avaliar o trabalho e olha que só fica pronto quando ele dá o ok!
A brasileira Valéria, do veleiro Windpendent, me adicionou num grupo do facebook bem legal, que é só sobre costura, chamado “Sewing on boats” onde postamos os trabalhos feitos e assim trocamos figurinhas e ideias sobre capas, etc… muito legal, sugestivo e criativo!
Aqui na Europa a mão de obra é bem cara, para ter uma ideia, orçamos o custo para fazer a capa dos estofados externos e do bote e sairia por 1.000 Euros.
Assim, fica a dica, ter uma máquina de costura pode quebrar um galhão e você ainda faz tudo do jeito que gosta, dá trabalho? Dá sim, mas é prazeroso quanto fica pronto.
Me sinto confortável em costurar pois gosto muito e tenho habilidade para trabalhos manuais como artesanato, bijoux e ainda fazer geléias, conservas e sei que tudo isso requer tempo e concentração e no barco o tempo não é um problema.

Aqui os limões constantemente viram limonadas é assim segue a vida. Namastê 🙏🏻

1.048 dias morando a bordo, invernando em Roccella Iônica, Calábria, sul da Itália 🇮🇹 Dias 1 a 5 de maio de 2019.

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Visita Pombo-correio de Malta

Por três semanas tivemos a companhia de um pombo correio que chegou e ficou andando no píer onde estávamos atracados. Estava cozinhando e de repente ele surgiu e colocou a cabeça para dentro da gaiuta… Levei um baita susto. Achamos que poderia estar com fome e o Renato o alimentou com milho de pipoca e água e ele se esbaldou.
Depois foi também no barco do Bert e da Ute, nossos amigos alemães e lá também entrou na gaiuta e os escolheu para fazer seu breakfest diário. Acabou sendo também batizado… Seu nome é Ema.
Todos os dias víamos a Ema com seus passinhos curtos andando pra lá e pra cá. O Renato verificou na anilha dela (local, ano, código) e soubemos que era de Malta, uma ilha acerca de uns 200 quilômetros daqui. O Bert, nosso amigo alemão, buscou na internet e avisou um site sobre a presença do pombo correio e eu achei um site Português e também escrevi a eles mandando os dados da Ema, mas em nenhum dos casos tivemos retorno.
Estávamos já falando da Ema nas conversas entre os velejadores, acostumados com a presença dela e eis que um belo dia, o Bert e a Ute já haviam saído da Marina rumo à Grécia, o Renato foi colocar a comida e água e vimos que ela não comeu e ficamos esperando nos dias seguintes e ela se foi… Não sabemos se para um voo perto ou se retornou ao seu dono.
Nunca havia visto um pombo correio de perto e pesquisando vi que eles são muito bem treinados, tem  ótimo senso de orientação, quando estão cansados ou desorientados costumam parar para se reestabelecer em até quatro dias mais ou menos e depois retomam seu caminho de volta para casa. No Brasil não tenho conhecimento, mas aqui na Europa há várias competições e associações dos criadores de pombos-correio.
Com essa história lembrei de uma música que você já deve ter ouvido…chamada Pombo-correio, não sei direito se de autoria do Alceu Valença ou do Morais Moreira, que diz assim:

Pombo-correio voa depressa
E essa carta leva para o meu amor
Leva no bico que eu aqui fico esperando
Pela reposta que é pra saber
Se ela ainda gosta de mim

Pombo-correio se acaso um desencontro
Acontecer não perca nem um só segundo
Voar o mundo se preciso for
O mundo voa mas me traga uma notícia boa

Pombo-correio voa ligeiro
Meu mensageiro e esta mensagem de amor
Leva no bico que eu aqui fico cantando
Que é pra espantar essa tristeza
Que a incerteza do amor traz

Pombo-correio nesse caso eu lhe conto
Por essas linhas a que ponto quer chegar
Meu coração o que mais gosta
Voltar pra mim seria assim a melhor resposta

1.043 dias morando a bordo, invernando em Roccella Iônica, Calábria, sul da Itália 🇮🇹 Dias 21 a 30 de abril de 2019.

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Viver a bordo, um eterno despedir-se!

Nossa convivência na Marina Porto Delle Grazie não podia ter sido mais especial. Aqui encontramos um ambiente acolhedor, velejadores raiz e não raiz… O staf da Marina super atencioso e esbanjando simpatia…. Como aquela que esperamos da conhecida alegria do povo italiano.
A língua latina soa bem aos ouvidos e poder sair à rua e entender o que estão falando, ler as placas para identificar os locais, encontrar comidas conhecidas no mercado e na feira… E o passeio à beira mar cumprimentando todos que passam pela gente, seja com o usual “salve”, o “Ciao” que tem a pronúncia parecida como o nosso “tchau” ou ainda o “Buongiorno”, torna a estadia muito agradável comparando com a dificuldade que tivemos com a língua falada pelos Croatas, Montenegrinos e Gregos com seu alfabeto tão diferente do nosso, que não dava para entender praticamente nada.
Mas o melhor de tudo é ter tido esta oportunidade de conhecer tantos velejadores, homens e mulheres, conviver com seus costumes, compartilhar o churrasco de todo o domingo, experimentar suas comidas e sobremesas, participar do jogo de boccia, do campeonato de ping-pong, dos fins de tarde jogando “trem mexicano”… Um jogo que lembra o dominó.
Abril se vai e a temporada de inverno acaba e aos poucos um a um dos velejadores saem da Marina para curtir o verão, alguns em novos lugares e outros repetindo os mesmos do ano anterior… E ao final da temporada alguns vão estar aqui novamente par invernar.

O Dico, um holandês (terceira foto), nos disse que para ele é perfeito passar seis meses na ancora em vários lugares e depois ter um tempo de calmaria e ficar paradinho na Marina descansando e esperando a próxima temporada. Diferente do que fazíamos no Brasil, que não parávamos de velejar ao longo do ano, mesmo no litoral sul do Brasil nunca ficávamos sem ir para o barco durante o inverno e no litoral do Rio de Janeiro… Ah… Que lugar incrível… Lá o verão é o ano todo.
No aniversário da Sue, uma velejadora inglesa, fizemos uma foto com a presença de cinco brasileiros. O Marco e a Heloísa, do Vento Macio, a Valéria do Windpendent e nós ainda   temos um amigo alemão, do Early Bird, que fala português em função de ter 
trabalhado um bom tempo no Brasil. Não faltou conversa e animação. E assim vamos nos despedindo dos amigos que fizemos e quem sabe um dia nos encontraremos em outros mares. Esta experiência de “invernar”, ficar na Marina com energia, água e um bom aquecedor foi muito bacana, nos oportunizou conhecer vários lugares, cidadezinhas seculares cheias de charme e história… Por este motivo estamos repensando nossa saída do Mediterrâneo, dois anos já nos parece pouco para tantos lugares que há aqui para conhecer… Acho que estenderemos nossa estadia para conhecer estes tantos lugares e suas histórias, sem pressa pois a vida é o momento presente, como disse o sábio: ontem é passado, amanhã é futuro é hoje é o dia de fazer aquilo que se quer. Namastê 🙏🏻

1.033 dias morando a bordo, invernando em Roccella Iônica, Calábria, sul da Itália 🇮🇹 Dias 01 a 20 de abril de 2019.

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Cores e perfumes da primavera 🇮🇹

Já ouviu a expressão: “Depois da tempestade vem a bonança”? Estamos nos sentindo assim… O inverno ficou para trás e a primavera chegou para deixar tudo mais bonito, colorido e perfumado.
A caminho da feira livre nos deparamos com um visual novo e diferente…. As flores estão chegando e deixando tudo colorido, os caminhos ficam mais lindos e parece que voltamos a ser crianças… Passeando em dias ensolarados e com tempo de parar e reparar em cada tipo de flor e sentir seu perfume.

O Renato que tem alergia ao pólen começa a sofrer com a renite…. Mas mesmo assim não deixa de pedalar por esse lindo caminho.

Diferentemente do inverno a primavera surge trazendo alegria, dias mais longos e com mais sol e consequentemente o astral também fica melhor.
Vimos alguns veleiros chegarem e outros saírem mas… O período de invernar aqui vai até maio, daí sim todos os barcos saem e alguns retornam para cá para o próximo inverno. O ano aqui é curto, se veleja por no máximo seis meses e depois é necessário invernar e aí uma opção é levantar o barco e deixá-lo no seco e a outra é procurar alguma Marina para ficar nestes meses e o bom é que é elas têm uma estrutura bem acolhedora e dispõem de área de convívio comum aos velejadores, o que é bem agradável e com o passar do tempo a amizade se intensifica e formamos um grande e diverso grupo.
Mas agora com a primavera chegando tudo fica mais agradável, o frio vai indo embora aos poucos e isso é ótimo, logo daremos adeus ao aquecedor que compramos aqui para nos manter aquecidos no inverno.
Percebemos que a pequena cidade de Roccella também começa a se movimentar com a abertura de um ou outro bar ou restaurante e na beira da praia a infraestrutura começa a ser refeita, pois como vimos nas fotos, aqui bomba no verão e a areia da praia fica super disputada.
As plantações de cítricos estão praticamente finalizando a colheita e nas ruas e plantações sentimos aquele aroma incrível de flor de limoeiro, de laranjeira…. A vontade é embalar todo este perfume e trazer com a gente. Esta é outra coisa que não sentia desde criança, quando brincava embaixo dos pés de frutas no sítio dos meus avós.
Morando a bordo passamos a conhecer mais o mar, seus movimentos e sua força e ao parar em terra temos tempo de voltar a nos sentir como quando éramos crianças e que nada passava desapercebido…
Sentiremos muitas saudades daqui, um lugar super especial que nos oportunizou ótimos momentos. E eu que já gostava da Itália passei a gostar ainda mais depois de conhecer várias cidades e suas histórias do mundo antigo. A Croácia me encantou com sua beleza natural e a Itália com sua história preservada em muitos locais. Namastê🙏🏻

1.013 dias morando a bordo, invernando em Roccella Iônica, Calábria, sul da Itália 🇮🇹 Dias 19 a 31 de março de 2019.

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