
Ao andar pelas ruas aqui da Turquia, nos deparamos com o “olho” nas portas, na calçada e em vários lugares pregando bons presságios e contra o mau-olhado.

Este amuleto surgiu a milhares de anos e teve sua forma alterada inúmeras vezes, porém o conceito continua o mesmo, combater o mau-olhado, que vem da crença de que alguém que obtém um grande sucesso ou reconhecimento também atrai a inveja daqueles ao seu redor e essa inveja, por sua vez, se manifesta como uma maldição que acaba com a boa sorte.

A crença abrange diversas culturas e gerações desde 3.300 a.c. quando foi encontrado na Mesopotâmia e de lá para cá continua atual e é usado em casas, acessórios pessoais, portas e janelas de casas e comércios, barcos, estampado em aviões, roupas e souvenirs.

Segundo estudiosos, a versão de vidro, como conhecemos hoje, teria origem no uso da argila acetinada egípcia, cheia de óxidos, que quando aquecidos, ganham a tonalidade azul. Os estudos levam a crer que os vários Olhos de Hórus, escavados no Egito, podem ser vistos como os principais antecessores do olho turco moderno.

Passear em Bodrum e Yalikavak e se deparar repetidamente com este amuleto por todos os lugares, reflete o quanto e como pessoas acreditam nele.

O que nos surpreendeu é que conhecíamos como “Olho Grego” mas conhecendo agora um pouco da história entendemos sua presença em vários países. Lembro de Marsaxlokk, em Malta, onde todos os barcos de pescadores tinham na proa o “Olho de Hórus”, ou seja, este é o terceiro país onde vimos isto e aqui de forma contundente.

Isso nos remete a pensar que o importante é termos bons sentimentos, estarmos em harmonia com todos os que nos cercam e com a natureza, onde é o nosso habitat agora, pois somos

cruzeiristas, moramos a bordo de um veleiro, andamos com a força do vento e dormimos serenamente (as vezes nem tanto) sobre as águas do mar, todos os dias, faça chuva ou sol, frio ou calor, vento ou calmaria, seja ancorados em frente a uma cidade ou a uma ilha deserta, seja de manhã, a tarde ou a noite! Não vislumbro outro lugar senão este para estar. Namastê 🙏🏻🇹🇷
10 de Outubro de 2021. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Bodrum, Turquia. 🇹🇷

A travessia de Kos, na Grécia, até Bodrum, na Turquia, é cerca de duas horas, estamos praticamente na fronteira e rapidamente avançamos e jogamos nossa âncora na baía em frente ao antigo Castelo de Bodrum, ponto turístico local.
Ouvimos nos chamarem no rádio e era o agente que contratamos para fazer a entrada no país e ele nos orientou para que entrássemos na Marina para os procedimentos. Esta foi a primeira vez que tivemos um agente, geralmente o Renato faz todos os procedimentos, mas aqui via de regra a entrada é feita pelos agentes.
Apreendendo um pouco sobre a Turquia, vimos que sua população é hoje cerca de 85 milhões, sendo a maioria muçulmana, porém é um estado laico e assim, as práticas associadas à religião não são obrigatórias no país, ou seja, governo e religião não se misturam.
No centrinho as ruas são só para pedestres e tem uma cobertura com lonas para dar sombra tornando o passeio mais agradável.
No entorno da grande baía passamos por algumas áreas com restaurantes, outras com praias e píeres do Porto e da Marina, que é enorme e o número de barcos também, porém aqui há uma peculiaridade, tem muitas escunas grandes e belíssimas, creio que mais escunas do que barcos de linha como o Bavaria, Jenneau e Bennetau.
A cidade recebe muitos turistas europeus, é um centro náutico e turístico, tem uma vida noturna bem agitada e parece muito mais nova do que realmente é, são poucas as casas antigas de pedra que sobraram. Hoje há muitos condomínios ao redor do centro e a paisagem lembra a Grécia com as casas caiadas, muito embora as construções sejam diferentes. Alguns condomínios são de concreto, cor de cimento e ficam meio camuflados não impactando a paisagem.
No passeio pelo centrinho nos encantamos com as luminárias em vidro colorido, um visual lindo que também usam para enfeitar as ruas e restaurantes.
Nos deparamos também com grande número de cachorros em todos os lugares, geralmente de grande porte, bem alimentados com coleira e alguns com brinco na orelha. O Renato observou que todos têm idade avançada e que possivelmente fizeram alguma esterilização para não procriar mais, porém achamos bem bacana este cuidado com os cachorros de rua.
Visitamos o Castelo que estamos ancorados em seu quintal e conhecemos um pouco da história local, do acervo de esculturas, mosaicos, colunas entalhadas de mármore e vimos os faisões andando livremente pelo castelo, como era nos tempos antigos.
Vimos também a escultura de Heródotos, o pai da História e experimentamos o café turco e algumas comidas típicas e é tudo muito gostoso e muito limpo, de forma geral.
O tempo está bom, um pouco mais fresco pois já estamos no outono e geralmente temos vento a tarde, depois diminui e a noite é tranquila, com exceção do barulho da música alta dos restaurantes e dos muitos barcos que saem para passeios noturnos.
É uma sensação única acordar as 5:30 hs da manhã ouvindo a primeira das cinco chamadas para as preces, depois voltar a dormir embalados no balanço do mar e despertar com a chegada do sol. Só a agradecer. Namastê 🙏🏻🇹🇷
Deixamos a Ilha de Ios, nas Cyclades e rumamos para a Ilha de Astipaleia, nossa última parada nas Ilhas Cyclades, onde pernoitamos e ficamos admirando a bela paisagem vendo novamente o mesmo arranjo da cidade antiga no topo do morro.
A noite entrou um vento mais forte, com rajadas de mais de 30 nós e o Renato levantou para checar e dar mais corrente. O vento não estava na previsão e acabou nos acordado… logo nestes dias que queremos tanto descansar,
Todas essas intervenções ao longo dos anos deixaram suas marcas na arquitetura e no arranjo das cidades da ilha.
Supõe-se também que Hipócrates, o pai da medicina tenha nascido e ensinado aqui, havendo monumentos em reverência a ele na cidade.
A cidade é alegre, muitas escunas oferecem passeios turísticos pela ilha e também para outras próximas, há um belo mercado com especiarias, frutas, doces e bebidas típicas feitas com aniz, muitos e belos restaurantes e uma infinidade de lojas de souvenirs que atraem os turistas em busca de presentes e objetos típicos.



Temos navegado umas 10 horas por dia, cerca de 50 milhas náuticas e a noite paramos para descansar.
Quando o Renato foi pagar a marina foi surpreendido com a cobrança de duas diárias, muito embora chegamos fim de tarde e sairíamos cedindo pela manhã, mas a atendente nos disse: a diária começa a meia noite e vence na mesma hora no dia seguinte… uau! Quem se programa para chegar numa marina a meia noite? Ninguém. Mas são as regras, pagamos e tudo bem.
Na pequena baía há o pier público, outro grande pier para o ferry boat que é bem bem movimentado, um chega e outro saí e vão para os mais variados destinos das ilhas Cyclades: Naxos, Paros, Mikonos, Santorini… ao redor do pier público algumas lojas e restaurantes e lá no topo da colina fica a cidade antiga, toda caiada de branco, ruelas estreitas, só de pedestres, calçada de pedra pintada de branco no rejunte, restaurantes, bares, lojas de souvenirs… nos sentimos em Mikonos, que tem a mesma identidade visual e arranjo da cidade.
Andamos um pouco, paramos num Pub para um drink e depois fechamos a noite saboreando um gostoso Pita Gyros com batata frita à moda canadense com queijo e molho quente por cima!