Continuamos aqui na África e não está ruim!!!

Em momento algum havíamos planejado morar a bordo por tanto tempo aqui na Tunísia, já se passaram um ano e três meses, nem dá para acreditar. Mas também não podemos reclamar, pois aqui o clima é muito bom, o inverno não é rigoroso e tem pouca chuva, muito embora o vento seja constante, principalmente vindo do sul e trazendo a areia do Deserto do Saara, que deixa o barco muito sujo.

A cidade tem cerca de um milhão de habitantes, as pessoas são bastante amigáveis, falam árabe e francês  e culturalmente é bem interessante.  Mas, vIvendo a bordo fora de nosso país sempre há a preocupação com o tempo de permanência em cada país.

Na Europa seguíamos o Tratado de Schengen que permite ficar 90 dias a cada 180 e quando completávamos os 90 dias saímos da área de Schengen e íamos para um país fora do tratado (por exemplo Croácia, Montenegro, Albânia) onde ficávamos por 3 meses, podendo então retornar a um dos países do Tratado.
Mas agora estamos no norte da África, tempos de Covid e temos duas opções para estender nossa permanência por mais 3 meses, ou um pagamento de taxa semanal e aí pode-se permanecer o tempo que for necessário, ou saímos com o barco por 24 horas (até alcançar águas internacionais) e aí retornamos para a Marina em Monastir.
Fomos convidados pelos amigos canadenses Caroline e Dani para sairmos com eles e com mais um casal de amigos Karina e Andy. Nos preparamos e zarpamos na quinta feira (dia 11) e retornamos 24 horas depois. A Bella ficou na Marina com um casal de amigos russos Sasha e Tony, que estão no mesmo píer e eu confesso que até fiquei com um pouquinho de ciúmes quando vi a Bella dando muitos beijinhos na Sasha kkk.
A janela de tempo foi ótima, velejamos com ventos fracos, mas com boa velocidade já que o barco é regateiro e se desloca super bem. Estamos no inverno e curtimos a velejada no cockpit, com direito a um lindo por do sol e um cobertor para nos aquecer do vento gelado… Só a agradecer a esses amigos queridos pela velejada e tão boa companhia!
Dos países que já estivemos, aqui é o mais rigoroso nas saídas e chegadas de barcos, eles fazem vistoria interna, geralmente duas ou três pessoas sobem a bordo e verificam aleatoriamente armários e dão uma olhada geral na embarcação.
Cumprimos todos os protocolos e deu tudo certo, agora já estamos com passaporte carimbado e temos mais três meses para permanência… Muito embora nossa vontade é zarpar final de abril rumo a Malta, onde tentaremos ter acesso à vacina, e depois passar o verão na Turquia. Que assim seja!  Namastê 🙏🏻🙏🏻🙏🏻

Dia 1784, 12 de fevereiro de 2020. Morando a bordo em Monastir, Tunisia, Norte da África.

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Fim de ano – manualidades Sv Pharea- Diy 3

O dia a dia morando na Marina torna as amizades mais fortes e próximas, pois são com os amigos que compartilhamos encontros, conversas, caminhadas, yoga, churrascos, manutenções e outras atividades do dia dia.
Muito bom receber um bolo quentinho quando menos se espera, poder emprestar algo que alguém precise, enfim, curtir essa troca de afetividade, que ajuda a segurar a saudade daqueles que amamos e estão longe.
Com o Natal se aproximando, pensamos em fazer algo para dar de lembrança aos amigos e optei por fazer pequenos bowls, empregando a técnica de papietagem, que usa somente cola e jornal. Eu comprei alguns jornais mas escritos em francês e achei que seria mais legal se fosse com escrita árabe, pois estamos num país Árabe, assim o Renato procurou e encontrou alguns com que eu pude trabalhar produzindo o resultado desejado.
Demorei para começar a fazer e quase faltou tempo para fazer todos, pois precisa de tempo para secar a cola e assim dar firmeza para a peça. Fiz questão de colocar o nome dos barcos para ficar mais personalizado!
Com todos prontos entregamos aos amigos e assim deixamos nossa lembrança em cada um dos barcos. Aqui no barco temos no cockpit um porta copos em madeira, que nos foi dado por um casal de Belgas que conhecemos na Itália. Eles haviam usado no barco em sua volta ao mundo, adoro ter objetos que trazem recordações,

Para a Marina, fizemos um pequeno veleiro, usando uma rocha que achamos num passeio numa ilha próxima daqui e Se encaixou muito bem para o casco e com a ajuda do Renato montei as velas. Entregamos ao Capitão junto com docinhos (beijinhos de coco e leite condensado) para compartilhar com a equipe dele que sempre nos atende quando precisamos de algo.

Em tempos de Covid não foi possível juntar muitas pessoas e assim comemoramos aqui mesmo no píer onde estamos, no barco de amigos canadenses, com boa comida, bom astral e muita alegria!


Nos reunimos também num almoço para celebrar o fim do ano, e que ano de planos desfeitos, refeitos, ansiedade e expectativas… Que venha 2021 com mais abraços e liberdade para podermos sair e velejar, conhecer a Turquia, que é nosso objetivo.
Obrigado a todos que estiveram com a gente, perto ou longe, o importante é estar em nossos corações. Feliz Ano Novo. Namastê.

Dia 1741, 31 de dezembro de 2020. Morando a bordo em Monastir, Tunisia, Norte da África.

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Cão a bordo, aqui só alegria!

Há seis anos atrás a Bellinha chegou, pequenina e muito carinhosa. O Renato já estava pensando há algum tempo e eu não estava totalmente convencida dessa ideia, nos trabalhávamos e ela ficaria sozinha durante todo o dia. E como não temos filhos, sempre tivemos muita liberdade para sair, viajar, passar finais de semana fora e com um pet pensei que estaríamos mais limitados nas atividades…. Mas, como tudo na vida, as coisas vão se ajeitando e a Bella se mostrou a melhor companhia que poderíamos ter escolhido.
Nos fins de semana íamos para o veleiro que ficava em Antonina, Paraná, e na viagem ela se comportava super bem em sua cadeirinha e no barco não estranhava e adorava ficar com o focinho voltado para o vento.
Numa viagem para São Francisco do Sul, Santa Catarina, descobrimos que ela não gostava de nadar, saímos com ela de bote e fomos até a praia e lá entramos no mar e ela odiou… Nadava muito rápido, sempre em direção a areia. Agora, já achamos que isso é providencial, pois não corremos o risco de que se jogue na água.
Quando nos preparamos para sair do Brasil rumo à Croácia, encaminhamos a documentação de viagem dela e acabamos por vir dois meses antes que a documentação ficasse pronta e assim a Bella veio depois, trazida pela Lili e o Pádua, seus dindos, que super cuidaram dela nesse tempo.Temos mantido sua vacinação em dia e nos países que estivemos no Mediterrâneo, nos últimos dois anos, nunca nos pediram sobre pet a bordo, a primeira vez foi aqui na Tunísia, que verificaram sua carteira de vacinação; Temos encontrado nos diferentes países a ração Royal Canin para Yorkshire Adulto, tapetes higiênicos e vacinas. De modo geral as coisas para cães aqui na Tunísia são mais caras, tudo vem de fora e o forte aqui são os gatos, que tomam conta das casas, ruas, praças… São muitos e estão em todos os lugares!
A Bella se comporta muito bem no veleiro, saímos para andar pela manhã e à tarde e durante o dia ela adora ficar no cockpit, tomando sol e vendo o movimento do vai e vem das pessoas. Quando vê outro cachorro, mesmo à distância, late e também crianças que chegam perto querendo por a mão ou pegá-la, leva latido… É muito importante o seu senso de vigilância, qualquer hora do dia ou da noite, se houver algum barulho no veleiro ela acorda e corre para a escada nos avisando.
Na rotina do dia a dia, quando precisamos sair para compras ou um happy hour ela fica no barco sem problemas, não tem o hábito de mexer em nada. A alimentação é somente ração e não teve nenhuma doença ao longo desses seis anos e aqui no barco eu dou banho e faço sua tosa, claro que com menos frequência do que quando estávamos em terra.
Um fato que gostamos é que ela não pede “a nossa” comida, podemos colocar uma tábua de petiscos ao lado dela e ela nem toma conhecimento.
Mas o que a Bella mais gosta mesmo é de ficar no colinho do Comandante! Quando estamos velejando e o Renato está no leme ela pede colinho o tempo todo e se ele estiver sentado também… Às vezes fico com ciúmes kkk. Aqui na Marina ela já conhece os amigos e quando se aproximam ela já corre para brincar.
Bem, há muito já me convenci que ela é uma companhia maravilhosa, nos trouxe um ambiente mais alegre, pois sempre estamos rindo dela ou para ela!
Muito a celebrar por seus seis anos passados todos juntinho com a gente. Namastê 🙏🏻

Dia 1717, 07 de dezembro de 2020. morando a bordo em Monastir, Tunisia, Norte da África.

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Prorrogando nosso visto de turismo 🇹🇳🌍

Fora do Brasil há quase 3 anos, uma preocupação constante é a questão do visto. Alguns países exigem visto prévio, como é o caso dos EUA, outros cedem visto de turismo por 30 dias, outros por 60 dias e outros por até 90 dias. Aqui na Tunísia o visto de turismo é de 90 dias aos brasileiros, porém  já completamos 365 dias aqui. Como fizemos?
Chegamos aqui na Tunísia em 22/11/19, em 22/02/20 (3 meses após) pagamos uma taxa para permanência, sim eles possibilitam estender seu tempo de permanência, desde que você pague uma taxa semanal, que não é dispendiosa, cerca de 5 euros por semana, por pessoa.
Estávamos aqui quando foi decretado o lockdown em função do Corona Vírus e então este tempo de lockdown ficou suspenso em relação ao tempo de visto de turismo uma vez que não poderíamos sair, mesmo que quiséssemos. Mas agora, sem lockdown, pudemos sair até atingir águas internacionais e voltar para o mesmo Porto e assim carimbamos o passaporte dando saída e ao retornarmos carimbamos novamente dando entrada e tendo mais 90 dias de permanência.
Convidamos para sair com a gente um casal de Holandeses que também estava na mesma situação com o visto de turismo vencendo, a Annelise e o Jos. O Comandante definiu a data, uma janela de dois dias entre duas semanas de ventos e chuvas fortes e lá fomos nós rumo às águas internacionais. Aqui na Tunísia em 20 milhas já atingimos as águas internacionais, porém avançamos quase 50 milhas em direção à Itália e depois retornamos.
Velejada muito boa, ventos não muito fortes e a boa companhia de nossos novos amigos. Agora temos mais três meses liberados para ficar por aqui. Em fevereiro próximo, quando expirar o visto de turismo novamente, possivelmente teremos que pagar a taxa de permanência, pois o tempo ainda não estará em boas condições para navegar e nosso plano é ficar aqui até abril, e se o Covid permitir, sair em maio rumo a Turquia. Esta prática de sair até as águas internacionais para zerar o visto e depois retornar na sequência é muito conveniente aos velejadores, já no Brasil, os velejadores estrangeiros tem visto de turismo de 90 dias e a possibilidade de estender pelo mesmo tempo, porém o Brasil, diferentemente dos países que estivemos até agora, possui vasta costa e 6 meses é pouco para descer a costa brasileira em seus mais de 8.500 km, passando por 17 estados e mais de 400 municípios.
Passamos por situação diferente quando estávamos na Europa, nos dois primeiros anos, com visto de turismo de 90 dias em cada país, Croácia, Montenegro, Grécia e Itália. Porém na Itália permanecemos mais tempo, ao todo ficamos por 7 meses e não foi necessário pagamento de taxa ou saída fora da área coberta pelo Tratado de Schengen, neste caso em específico estávamos em uma marina invernando e por nosso barco ter bandeira europeia, tivemos tolerância em permanecer mais tempo.
Alguns países permitem um visto de residente e provavelmente em algum momento, aqui no Mediterrâneo precisaremos recorrer a ele, pois quando passarmos pela Itália em direção a Gibraltar, por exemplo, três meses não serão suficientes para velejar pela França, Espanha, Portugal e conhecer as várias ilhas do Mediterrâneo  que ficam neste caminho. Por isso vamos nos preparando para os novas situações que nos esperam e estudando todas as possibilidades. Namastê 🙏🏻

Dia 1711, 30 de novembro de 2020. Morando a bordo em Monastir, Tunísia, Norte da África.

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Hoje, um ano na África 🌍🇹🇳🙏🏻

Em 22 de novembro de 2019 chegávamos em Monastir, Tunísia 🇹🇳. Os dados anotados pelo Comandante: Norte da África, 22/11/19, tempo nublado, pressão atmosférica 1012, temperatura 16 C, umidade 80%, coordenadas 35°47’0″ North 10°50’0″ East.A ideia era passar o inverno e zarpar em abril para aproveitar o verão na Turquia. Mas… De lá para cá vimos o mundo mudar na medida que nossos planos também mudaram. Felizmente, neste estranho tempo estávamos aqui. Um país seguro, interessante culturalmente, com câmbio mais favorável que na Europa e com baixo índice de infectados e mortes pelo Covid 19.
Jamais pensamos que iríamos ficar um ano na África 🌍 e já estamos indo para um ano e meio, pois renovamos nosso contrato na marina até abril/2021.
Tivemos aqui nosso segundo inverno a bordo em uma Marina. O primeiro passamos na Calábria, sul da Itália, mais frio, ventos mais fortes e mais chuva do que aqui.
Aqui o clima é bem mais agradável, fizemos muitos amigos e conhecemos lugares interessantes e muito diferente do que vimos nos quase dois anos que passamos na Europa.
As vezes pensamos: Que outra possibilidade teríamos para levar a vida assim?
De porto em porto, como diz o poeta. Chegar sem precisar pensar logo em partir, não fazer ou desfazer malas, conhecer, sentir a rotina do dia a dia das pessoas, e principalmente aqui, que é muito diferente pois estamos num país árabe muçulmano e felizmente, não radical.
Monastir fica na região central da Tunísia. Ao norte conhecemos Tunis e Sidi Bousaid e mais ao sul conhecemos Sousse, Madya, Kairouan, Sfax, El Jem..

E agora começa a melhor temporada para visitar o Deserto do Saara e esperamos que as restrições diminuam para que possamos locar um carro e ir para lá conhecer os Oásis e o cenário de gravação do Star Wars.

Bem, a ordem é esperar para que em abril possamos ir para a Grécia novamente e depois passar o verão na Turquia.

Para inspirar, um pouco de Fernando Pessoa (1888-1935) que tão bem compreendia o mar e a vida, que nada é totalmente fácil ou perfeito, que a felicidade é a junção de todos os bons momentos. Namastê🙏🏻

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
– Valeu a pena?
Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Dia 1703, 22 de novembro de 2020. Morando a bordo em Monastir, África do Sul 🌍🇹🇳.

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