Algumas regras de boa convivência na Marina

Quando compramos nosso veleiro na Croácia, em março de 2018,  passamos o inverno lá e sentimos que realmente não é possível navegar o ano todo no Mediterrâneo, ou seja, seis meses o barco fica parado na marina, em função das condiçoes climáticas, frio e vento mais rigorosos.

É necessário o uso de aquecedor e normalmente ele fica ligado direto mantendo o ambiente interno quente e seco e na Marina contamos com a segurança de estar abrigados dos fortes ventos do hemisfério norte.

Assim…são seis meses convivendo com os outros  “residentes de inverno” que estiverem na marina.
Esta é uma parte fantástica da vida a bordo na marina, conhecer muitas pessoas de diferentes nacionalidades e compartilhar alguns momentos como o “churrasco de domingo” quando a maioria participa, também os  passeios às cidades próximas e as idas aos cafés e restaurantes… além é claro dos “happy hours on board” no fim do dia.

Nossa listinha de amigos estrangeiros cresceu muito nestes anos… começamos com amigos canadenses, israelenses e depois vieram os italianos, holandeses, alemães, ingleses, gregos,  poloneses, franceses, suiços, uma chinesa, americanos, australianos, espanhóis, uma mexicana, ….

Estes novos amigos nos troxeram um novo olhar sobre muitas coisas, muitos sorrisos, muitas conversas e muita troca de gentileza… como ganhar um pão quentinho, um limoncelo, uma sobremesa, uma sopa quentinha quando se está resfriado… ou um pequeno mimo para guardar de lembrança.

Pensando nesta convivência tão próxima que acabamos tendo me deparei com as regras abaixo, publicadas por Kevin Falvey, em 7 de março de 2013, porém bem atuais e focadas na camaradagem entre marinheiros:

1. Ao abastecer ou carregar, mova seu barco da doca de combustível ou da bóia de carregamento assim que terminar; Não exceda o tempo sem a permissão do mestre da doca.

2. Mantenha a velocidade baixa ao entrar na Marina. Não perturbar seus novos vizinhos os manterá felizes.

3. Ao usar o banheiro do barco, use o holding tanque e não despeje diretamente no mar, pode ser desagradável para seu vizinho. Descarregue à noite se for o caso.

4. Arrume suas linhas, cabos e mangueiras ordenadamente e não as deixe atravessar o pier se puder evitar. Eles podem oferecer perigo, alguém pode tropeçar, principalmente à noite.

5. Verifique se há espaço no pier, caso queira fazer algum trabalho ou conserto. Considere não obstruir a passagem de pessoas e carrinhos devido a suprimentos/materiais deixados no pier.

6. Se possível, não deixe sua proa muito próxima do pier. É um perigo, principalmente se a âncora estiver saliente.

7. Não deixe comida ou lixo no cockpit ou no pier em frente ao barco ou qualquer outro lugar: atrai gatos, ratos, baratas e moscas.

8. Não embarque em outro barco sem permissão. Espere ser convidado.

9. Muitos podem não gostar da sua coletânea musical, não deixe o som tão alto que possa aborrecer seu vizinho.

10. Desligue os equipamentos eletrônicos ao sair do barco. Ninguém quer ouvir um rádio VHF chiando a noite.

Eu ainda acrescentaria mais essas:

– Se ancorar muito próximo a outro barco, o barulho do seu gerador pode aborrecer seu vizinho, fique mais distante e desfrute do seu gerador;
– Se constatar algo errado em um barco sem tripulação, comunique o staff da Marina a respeito;
– Ao chegar na Marina informe-se sobre as regras a serem respeitadas.
– Caso seu acesso a água seja compartilhado, assim que usar retire sua mangueira da torneira do píer;
– Seja gentil e auxilie na amarração dos cabos da embarcação que está chegando.

Este tempo de convivencia é bem intenso e próximo e sempre temos algumas pessoas que nos identificamos mais e ao partirmos fica a saudade, porém mantemos contato via redes sociais e assim vamos acompanhando seus deslocamentos e conhecendo lugares interessantes que visitaram.

Agora podemos dizer que temos amigos pelo mundo, pessoas simples, gentis que como nós optaram por uma vida descomplicada e itinerante.

A todos estes amigos novos e aos anteriores a eles, que já faziam parte de nossa história, só a agradecer pelos bons momentos que passamos juntos e que possamos nos encontar novamente. Bons ventos. Namastê.

Dia 1.408, morando a bordo. 30 de abril de 2020. Monastir, 🇹🇳.

 

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Ancoragem com Posidonia Sea Grass

Durante o tempo que moramos a bordo no Brasil, entre os litorais do Paraná e do Rio de Janeiro, não lembro de ter encontrado colônias de Sea Grass, a “grama do mar”. O fundo variava entre lama, areia, cascalho e pedra, mas vimos que nos mares Adriático e Mediterrâneo, onde estivemos, é bastante comum a ancoragem com fundo coberto de um longo “capim” com forte trama no solo de areia o que dificulta a unhagem da âncora. Fizemos inúmeras ancoragem em locais cobertos por Sea Grass na Croácia, Grécia e Montenegro onde tivemos nossa primeira garrada ao fundear sobre uma colônia de Sea Grass.
Realmente a unhagem da âncora fica comprometida e alguns dos velejadores que conhecemos desenvolveram sua própria técnica para fundeio evitando o Sea Grass e isso vai desde um tripulante no púlpito de proa orientando o timoneiro até a instalação de câmara no mastro para visualizar o ponto exato para ancoragem na areia, se livrando de fundear no Sea Grass.
Na internet há estudos na área de conservação marinha, abordando sobre o Sea Grass e os impactos que esse tipo de vegetação marinha sofre, sendo um deles a ancoragem (com baixo peso).
Quando estamos ancorados o barco fica girando, comandado pela direção do vento ou da corrente, o que estiver mais forte, pois bem, esse movimento abre nichos retirando pedaços de Sea Grass e acaba abrindo verdadeiros buracos… “Aqueles” que sempre são procurados para fundear neste tipo de fundo e quando os encontramos acabamos por aumentar ainda mais o seu tamanho.
Mas, para nós velejadores é um incômodo, já para uma série de animais marinhos é um verdadeiro berçário que oferece proteção e alimento e nele muitas espécies se desenvolvem enriquecendo a fauna marinha e o ambiente aquático, como por exemplo as tartarugas marinhas e as aves aquáticas. Muitas outras espécies de peixes e invertebrados, incluindo cavalos-marinhos e camarões utilizam o Sea Grass para sua reprodução e permanência na fase juvenil. Achei muito interessante as informações que encontrei e assim podemos ter um outro olhar sobre isso, entendendo sobretudo, que somos parte de um grande sistema. Caminhando nos arredores da Marina onde estamos há uma bela praia e metade da areia está coberta de Sea Grass seco. A onda trás e vai depositando e fica como se fosse um grande tapete de grama seca. Há um grande e bonito hotel que usa esta praia e acredito que haverá alguma corrente marítima que até o verão vai levar tudo embora… Caso contrário terão que tirar… Acho que lembramos disso tamanha é a vontade de estarmos novamente no mar, procurando ancoragens, conhecendo lugares… Mas, agora permanecemos na marina até que está situação do Covid 19 seja amenizada. Namastê 🙏🏻
Dia 1358 morando a bordo. 11 de março de 2020. Invernando em Monastir, Tunísia.

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Vida a bordo, amamos muito!!!

Chegar em um novo país pelo mar é algo incrível, você entra por um lado diferente daquele que a grande maioria das pessoas vê, seja via aeroporto ou rodovias. Você não passa pela via normal, faz um grande atalho e geralmente chega num lugar interessante.
Depois de chegar, encaminhar a papelada, por o barco em ordem… É hora de descer para conhecer seu novo quintal. Mas antes disso já procuramos ler algo na internet a respeito da história do lugar… E os países do velho mundo onde já passamos são riquíssimos de história pois são habitados há vários séculos… E o primeiro contato é algo sensacional.

Na Croácia, onde compramos o barco em março de 2018,  tivemos a oportunidade de conhecer o país de norte a sul, ficamos admirados com sua infraestrutura rodoviária, sua logística entre continente e ilhas  e ao velejar e conhecer algumas de suas ilhas maravilhosas descobrimos paisagens incríveis e trazemos conosco imagens inesquecíveis.

Montenegro foi uma surpresa, pequeno e rodeado de montanhas enormes e baías protegidas, adoramos o litoral desse país. Peculiar e acolhedor. Subimos montanhas como só víamos em filmes, ancoramos junto de grandes navios de passageiros, foi um verão muito quente e uma experiencia maravilhosa.  Nos surpreendemos com tantas igrejas católicas, muitas, uma ao lado da outra em vários locais que passamos. Povo diferente e país ainda em recuperação de seu desmembramento da antiga Ioguslávia.

Na Grécia chegamos com muitas expectativas, lugares lindos, comida mediterrânea e também ventos e correntes fortes. Tivemos nossa primeira experiência com o furacão Zorba, momento em que arrumamos o barco e saímos para um hotel, mas felizmente sua força chegou em Mikonos de forma mais amena. Conhecemos Athenas e muitas outras ilhas, vimos um casamento grego em Kytinos, com direito a quebra de pratos e nos deliciamos com os pistaches de Aegina. Fomos e voltamos pelo canal de Corinto e adoramos Corfu.

Chegamos na Itália para passarmos o inverno de 2019 e aproveitamos para passear bastante em terra e conhecer a Costa Amalfitana, Pompeia e Herculano, que ainda não conhecíamos. Comida maravilhosa… o paraíso da pizza, das massas, queijos e vinhos.

Nossa primeira experiencia invernando na Europa e tivemos a felicidade de ficar na marina de Roccella Ionica, na Calábria e lá passar um ótimo tempo fazendo muitos e inesquecíveis amigos do mar, além de contar com o sttaf absolutamente simpático e competente da marina.

Neste período que estávamos na Itália, fomos para o Brasil por quase 5 meses e o  barco ficou na marina.

Chegamos na Tunísia em novembro de 2019 e encontramos um grupo ótimo de velejadores residentes de inverno, americanos, alemães, canadenses, australianos, ingleses, franceses… Fizemos juntos viagens a lugares próximos e conhecemos um pouco desta cultura tão interessante dos Árabes. Nossa primeira vez em um país de religião muçulmana, porém já mais ocidentalizado e amigável.

Deste tempo que passamos em diversos países, sempre há algo que sentimos em deixar… mas logo encontramos outra coisa inesperada que acaba preenchendo aquela falta e assim é a vida de país em país… Descobrindo novas coisas, deixando alguns hábitos para trás e criando outros novos. Aprender é a questão mais presente todos os dias, às vezes aprendendo com os outros, às vezes com novas experiências e assim a bagagem fica cada vez maior e cada vez mais rica.

Somos uma tripulação bem feliz realizando o que planejamos e temos a Bella, nossa Yorshaire de cinco anos, é uma alegria, conquista toda a vizinhança. Ela adora ficar o tempo todo no cockpit, controlando todos os que passam em frente do barco e quanto está dentro do barco, sempre seguindo o Renato pedindo colinho, uma fofura, super querida e além de tudo ainda é a nossa pequena guardiã… Ninguém se aproxima do barco sem que ela nos avise primeiro, tanto de dia quanto a noite  ela está sempre alerta.  Felizmente para nós, ela não gosta de água e assim toma sempre o maior cuidado para não escorregar e cair no mar.

https://youtu.be/hpBLh8V5oHA

É isso. Essa água salgada faz a nossa vida ficar doce!  Namastê 🙏🏻

Dia 1358 morando a bordo, 11 de março de 2020. Invernando em Monastir Tunísia.

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Feira de tecidos ao ar livre, demais!!!

Já comentei sobre isso e grande parte das velejadores tem máquina de costura a bordo. É super útil para fazer as diversas capas que são necessárias em um veleiro.  Já fiz várias capas aqui, roda de leme, catracas, balsa salva-vidas pois quanto maior a proteção para os equipamentos, melhor será sua conservação. Diferente dos países que passamos, Croácia, Montenegro, Grécia e Itália… Onde não tinhamos muita opção de ir a uma loja escolher e achar algo com bom preço… Aqui há grande oferta de tecidos, tanto de produção local como vindos da Turquia. Ótimos tecidos, a bom preço e o melhor lugar aqui por perto é a cidade de Ksar Hellal, que possuiu uma inacreditável feira de tecidos ao ar livre, como se fosse uma feira de frutas, só que tem tecidos para todas as finalidades, inclusive tecidos finos para roupas de festa, decoração e tudo que imaginar.

A feira é bem grande, os rolos de tecidos ficam expostos e é possível andar entre eles, uma verdadeira diversão. Adoro passar o dia na feira e entrar nas lojas para ver os enfeites, fitas, rendas e muitos acessórios para costura, pois as roupas típicas tunisianas geralmente são mais enfeitadas e destacam-se os bordados.

Bem diferente das roupas ocidentais. Sempre é muito divertido ir a grande feira de tecidos junto com as amigas velejadoras, trocamos  ideias, escolhemos juntas os tecidos… Na última ida a feira, antes do isolamento em função do Corona Vírus, tive a companhia da Caroline, minha amiga canadense. Pura diversão, amo!!! Namastê 🙏🏻

Dia 1.336,  18 de fevereiro de 2020. Morando a bordo na Tunísia, inverno 2020.

 

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Tunísia 🇹🇳, um lugar para conhecer.

Ontem o Google homenageou  a Tunísia, colocando sua bandeira na logo.

20 de março é comemorada a data de independência da Tunísia do protetorado da França.
Chegamos aqui sabendo muito pouco sobre este curioso país que tem nos surpreendido a cada dia.

Compartilho este texto que trás um olhar positivo com certeza resultante de sua transição democrática, após a onda de manifestacoes revolucionárias,  que ocorreram no Oriente Médio e no Norte da África entre 2010 e 2012, conhecium

da mundialmente como Primavera Árabe.

TUNÍSIA, OÁSIS DE SERENIDADE

Uma viagem a Tunísia é uma viagem por uma história de mais de três mil anos. As pegadas de fenícios, cartaginenses, romanos, bizantinos, turcos ou espanhóis, vão aparecendo conforme se percorrem as diferentes zonas do país. Nesses passeios se descobre também um povo hospitaleiro.
De raízes berberes, os tunisianos sempre souberam que uma xícara de chá reconforta e alivia ao viajante mais cansado, procedente do deserto ou de qualquer outra zona do mundo.
Mas não é sua história e hospitalidade o que caracteriza a Tunísia pois, embora possa parecer uma miragem, o país oferece também excelentes praias de areias brancas e águas transparentes, clima moderado, verdes vales cheios de flores, encantadores oásis com refrescantes palmeiras, douradas dunas, deliciosos dátiles, cativador artesanato ou travessias por um incomensurável deserto no qual podem-se ouvir a voz do silencio.
Entre os souks barulhentos de suas cidades, onde abundam fios tanto para criar tapetes como para tecer amizades, também se cinzela com precisão o bronze igualmente que se cria e molda uma rica vida cultural. As inumeráveis mesquitas disseminadas por todo o país, centros da vida religiosa com seus minaretes que se erguem dominando o vasto horizonte, escondem rincões de recolhimento nos que se concentra o espírito de todo um povo.
Quando o aroma do jasmim e da flor de limão envolve os entretenidos cafés, entre uma festa de cores, os sentidos do visitante são vítimas de uma mágica miragem. Mas as inconfundíveis paisagens, as notas da música malouf, a sedução de suas tradições, o vapor dos banhos hammam e a grandeza de seu passado e presente, confirmam que o que se vive não é uma ilusão ótica. Aqui, as miragens já não existem, o fantástico converte-se em realidade.
E embora as dunas se movam de um lugar a outro, no grande Erg Oriental, a essência da Tunísia, oásis de serenidade, permanece sempre inalterável.
Fonte: https://www.portalsaofrancisco.com.br/amp

Inverno 2020. Morando a bordo em Monastir, Norte da África.

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