Conhecendo ítaca, terra de Odisseu, Grécia 🇬🇷

Saímos da ilha de Kefalonia e seguimos a nordeste para a ilha de Ítaca, na sua capital Vathy, famosa mundialmente como a casa de Odisseu, da Odisséia de Homero. Ítaca simboliza o retorno ao refúgio, a descoberta e a realização.
A chegada em Ítaca é belíssima, passando entre elevadas montanhas (que nos lembraram a paisagem de Montenegro) e chegando a uma fechada baía em forma de U e com pier no entorno de toda a orla, onde atracam principalmente veleiros de charter, aqui em grande número e também há um espaço diferenciado para atracação de grandes iates de luxo.
A baía é bem movimentada e a pequena cidade oferece muitos bares e restauranes, alguns bem típicos e com ótima comida e lojas de souvenirs com artesanato local.
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Aqui reencontramos amigos queridos, a Trixi e o Ditmar, um casal de alemães na casa dos 60 e poucos anos, velejando e aproveitando muito a vida. Nós os conhecemos em Monastir e por lá fizemos muitos churrascos juntos. Até porque o Ditmar é o que chamamos de: bom gourmet,  aprecia muito uma boa comida.
Maravilhoso reencontrá-los aqui e desfrutar também da doce companhia da Caroline e dos amigos Karina e Andy. No mar as amizades são muito espontâneas e naturais e a cada ancoragem cresce o numero de amigos e é realmente gostoso reencontrar com eles de tempos em tempos, muito embora, estamos sempre conectados através das mídias sociais.
Tivemos um dia de praia muito gostoso, praia de seixo rolado, sem areia e com um visual incrível. Fomos a pé, sobe morro, desce morro, denovo… mas foi muito legal passar pelas casas ao longo da estrada, ver praticamente todos os quintais com a varanda coberta por parreirais de uva ao invés de telhas e tivemos o privilégio de ganhar cachos de uva, colhidos da varanda de uma casa quando paramos para apreciar o parreiral.
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Nestes lugares com muita história, frequentemente nos pegamos imaginando como eram as coisas, que pessoas já andaram pelos mesmos caminhos e lugares que estamos agora. Ítaca tem uma história riquíssima por ser a terra natal de Odisseu, personagem do poema épico: A Odisséia, de Homero.

Trata-se de um poema elaborado ao longo de séculos de tradição oral, tendo tido sua forma fixada por escrito, provavelmente no fim do século VIII a.C. e conta que quando Odisseu partiu para dias gloriosos em Tróia, sua amada esposa, Penélope, foi deixada sozinha e despertou involuntariamente a vontade dos homens por uma linda rainha. Em pouco tempo, o palácio estava cheio de pretendentes odiosos que flertavam com a rainha persistentemente. Além disso, fizeram Penélope prometer que se casaria com um deles. Para mantê-los afastados, ela teve uma ideia: prometeu um casamento com o melhor deles quando tivesse acabado de tecer uma mortalha. Então, ela passava o dia tecendo e a noite desfiando. Assim fazendo, ela conseguiu ficar longe dos pretendentes por 20 anos inteiros, até que Odisseu voltasse para Ítaca.

odisseiaJá Odisseu, após a derrota dos troianos, iniciou uma viagem de dez anos de volta para Ítaca onde a sua mulher o esperava com uma fidelidade obstinada, apesar da demora. Essa viagem mereceu a criação por Homero do poema épico Odisseia, na qual são narradas as aventuras e desventuras de Odisseu e sua tripulação desde que deixam Tróia, algumas causadas por eles e outras devido à intervenção dos deuses. Um de seus mais famosos ardis de Odisseu foi a estratégia da construção de um cavalo de madeira, que permitiu a entrada dos exércitos gregos na cidade de Tróia.
A Guerra de Troia foi, de acordo com a mitologia grega, um grande conflito bélico entre os aqueus das cidade-estados da Grécia e Tróial, possivelmente ocorrendo entre 1 300 a.C. e 1 200 a.C. (fim da Idade do Bronze no Mediterrâneo).

Dia 19 de agosto de 2021. Morando a borda da SV Pharea, Ítaca, Peloponeso, Grécia.

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Argostoli, cidade reconstruída. Grécia.

Estamos de volta a Grécia e agora no Peloponeso, a linda região oeste que tem uma peculiaridade, constantes terremotos resultantes de atividade tectônica por isso nos deparamos com antigas cidades, mas com cara de novas. A cidade de Argostoli, onde estamos, assim como muitas outras desta região, sofreram com um forte terremoto em 1953 e a cidade precisou ser praticamente reconstruída.
As casas de estilo Veneziano, com telhados impecáveis, pintura nova, muitas flores pelas ruas e praças fazem dela um lugar único. Argostoli ao ser reconstruída instituiu calçadão em várias vias e hoje este grande espaço de circulação oferece bares, lojas e restaurantes aos turistas que chegam em navios de cruzeiros, ferry boats ou avião.
Ancoramos na baía em frente a cidade que também tem uma pequena marina e um longo pier público. Nesta ancoragem estávamos com muitos amigos vindos da Túnisia, o Tartuga, o Sweetíe, Caffe Latte e Red Roo e ainda tivemos a companhia de nossa amiga Caroline, do veleiro Zebulon, que veio passar uns dias conosco e assim desfrutamos bons momentos com nossos amigos.
Passear pela cidade é uma ótima forma de conhecer um pouco mais o lugar, ver onde fica o mercado, o posto de combustível, as lojas de náutica e é claro parar para um chopp gelado. O arranjo da cidade é um charme, os bares e restaurantes muito bem decorados, mesas ao ar livre e muito artesanato local.
Na baía onde estamos ancorados tem tartarugas marinhas e a cidade oferece muitos itens de artesanato reverenciando as tartugas que passeiam pela baía e pela manhã vão até o pier ganhar peixes frescos dos barcos de pesca que estão retornando da pesca noturna.
O calor estava intenso e tivemos um dia de praia, após atravessar toda a cidade, finalmente chegamos numa linda praia de seixos rolados. Valeu a pena o esforço. Permanecemos quase dez dias aqui ancorados, saíamos as vezes para um passeio de bote e para entrar no mar, pois aqui como é fundo de baía a água não é muito clara, tem um tom esverdeado. Neste tempo aproveitamos a facilidade do pier e nos abastecemos de água mineral e também enchemos os tanques do veleiro.
Os piers públicos na Grécia são realmente fantásticos, pode-se usar para deixar o bote, se estiver ancorado, ou então se atracar na marina pública a taxa é menos de 10 Euros por dia, o que é bem baixa comparado ao preço de uma marina normal, que pode variar de 40 a mais de 100 Euros por dia. Pagamos a taxa mensal para navegarmos aqui (para nosso barco cerca de 100 Euros) mas contamos com acesso em todas as cidades das ilhas e do continente. Isso é super importante também para os passeios com a Bella, muito fácil atracar o bote no pier e sair para a caminhada com ela. Nos sete países que já velejamos só aqui temos estas facilidades. Mais uma estrelinha para a Grécia! Os dias estão cada vez mais quentes mas como estamos ancorados, abrimos todas as gaiútas do barco e temos boa ventilação. Aliás, desde que saímos da África, em 19 de abril, nunca mais ficamos em marinas, passamos esse tempo todo em Malta, na Itália e agora aqui, só jogando ancora e curtindo essa sensação incrível de liberdade, que o barco nos proporciona.
Em função do Covid 19, aqui como em Malta e na Itália, não carimbaram nosso passaporte, ou seja, é como se não estivéssemos aqui.
Os amigos estão começando a levantar âncora e amanhã será nossa vez, vamos conhecer a Ilha de Itaka ao leste da Ilha onde estamos agora. Nosso roteiro? ir de lugar em lugar, evitar lugares muito cheios e empregar nosso tempo conhecendo esta linda região, sem pressa! Além disso o básico para este tempo que estamos atravessando durante a pandemia, nos cuidarmos. Namastê!

09 de agosto de 2021. Morando a bordo da Pharea em Kefalonia, Grécia.

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Travessia mar Jônico, da Itália 🇮🇹 para a Grécia 🇬🇷.

20210913_202639Como nossos planos para este verão incluem conhecer a Turquia, levantamos ancora de Taormina, Itália e aproamos o barco para a Ilha de Kefalonia, na Grécia. Já fizemos essa travessia do mar Jônico em 2018, mas com lugares de partida e chegada diferentes. Na época saímos de Corfu, na Grécia e cruzamos para Rochella Iônica, na Itália.
Fizemos três previsões de saída e a ideia era de velejarmos o máximo possível, com ventos entre 12 e 17 knots, mas infelizmente o vento não se confirmou e assim precisamos motorar a maior parte do percurso de 49 horas.
Estávamos com lua nova e tudo estava escuro, na primeira noite nos encantamos com a beleza do céu e das estrelas. Dava para ver perfeitamente a Via Láctea, e tanto eu como o Renato vimos muitas estrelas cadentes, enquanto nos revezávamos nos turnos da noite. Fazia muito tempo que não via um céu assim, negro e ao mesmo tempo coberto de estrelas. O Renato também observou a trajetória de vários satélites, que aparecem como um bolinha de brilho estável em trajetória retilínea. Pena que na segunda noite o céu não estava tão visível como na primeira.
Durante o dia colocamos uma linha de mão com isca artificial para atum, que é muito comum nesta área e realmente vimos ao longo da esteira do barco, mais ou menos uns 50 metros atrás, um grande atum pulando da água e se desvencilhando da isca, que acabou cortando nas suas investidas. Por um lado foi bom, porque o atum era enorme, creio que mais de um metro, e seria complicado lidar com ele, já que não somos o que se pode chamar de “pescadores”. Nem consigo imaginar o susto da Bella com um peixe daquele tamanho pulando no cockpit. 
Tivemos uma travessia bem tranquila e quando de madrugada estávamos nos aproximando da ilha de Kefalonia, não conseguíamos decifrar de longe uma grande quantidade de luzes vermelhas, em diferentes planos, o que descobrimos mais tarde serem as torres eólicas no cume das montanhas de Kefalonia. Mas a verdade é que a noite, às vezes as luzes, os grandes navios, as nuvens e mesmo as porções de terra se delineiam de diferentes formas em diferentes ângulos. Nem sempre é o que pensamos ser a primeira vista!
Chegamos na Grécia! Desta vez na região do Peloponeso, é muito mais verde, não tem as casas brancas com aberturas azuis, como na região das Ilhas Cyclades, mas tem lindas paisagens e cidadelas para explorarmos. Namastê 🙏🏻
Dias 07 e 08 de agosto de 2021. Travessia de Taormina, Itália 🇮🇹 até Argostoli, Grécia, 🇬🇷, mar Jônico.
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Taormina, Vulcão Etna em erupção e muita história. Itália 🇮🇹

Em 01 de agosto levantamos âncora rumo a Taormina, 10 horas de velejada rumo ao nordeste da Sicília, a maior ilha do Mediterrâneo, a “bola chutada pela bota”.
Já estivemos aqui de carro em março de 2019, quando os amigos Lili e Pádua vieram nos visitar. Era inverno e a paisagem lindíssima também.
A Sicília foi considerada o celeiro da Itália continental graças ao seu rico solo vulcânico, e a ilha viu o surgimento da Cosa Nostra, não só uma instituição criminosa que ultrapassou continentes, mas também uma organização social cujas origens explicam muito a história, a geografia, a alma da ilha.
É interessante saber que a máfia nunca esteve presente no nordeste siciliano, onde fica Taormina, apesar de sua presença influente até hoje no lado oeste, onde estão Palermo e Corleone.
Taormina foi ponto de parada do Grand Tour, viagens que duravam meses e viraram moda entre ricos e nobres, principalmente ingleses e nórdicos, dos séculos 17 ao 19, e passavam, da França à Italia, pelas principais cidades e regiões que formaram culturalmente o mundo ocidental (fonte: Simone.com.br).
A cidade tem hoje cerca de 11 mil habitantes, localizada no alto de uma colina, dividida por estreitas ruelas onde ficam também os hotéis, restaurantes e pontos de contemplação voltados para o vulcão Etna.
Ancoramos em frente à baía de Naxos, a cidade que fica à beira mar, abaixo de Taormina e nos presenteou com um lindo por do sol.
Na ancoragem muitos super iates de luxo, barcos rápidos de passeio, escunas, mas mesmo assim passamos uma semana bem tranquila por lá e o que é melhor, na companhia do Beyond, que já tínhamos encontrado em Malta, em Siracusa agora aqui! Na chegada nos receberam com um carreteiro muito saboroso! Continue lendo →
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Deixando Malta🇲🇹, rumo à Siracusa, Itália 🇮🇹

 Quando chegamos em Malta há mais de 90 dias atrás, não sabíamos como seriam as entradas e saídas das fronteiras em função do Covid, mas agora que já estamos vacinados e com o certificado de vacinação, tudo ficou mais fácil e estamos mais confiantes em seguir viagem.
Preparamos o barco, o Renato abasteceu com água e combustível, eu deixei pronto algo para comermos no caminho e assim levantamos ancora.
A travessia de Malta para a Itália foi muito boa, velejamos a maior parte do tempo com ventos não muito fortes, nos revezamos em turnos e novamente pegamos uma sacola plástica no caminho antes de chegar em Porto Palo (Itália). O Renato mergulhou e cortou a sacola enrolada no hélice. Quando sentimos a rotação do motor diminuir e vibrar, nos olhamos e dissemos: Oh não! Acho que pegamos um plástico na rabeta novamente 🙄.
Chegamos em Siracusa dia 25 de julho, aproveitamos para vir nesta data para reencontrar os amigos do Amazônia, do Beyond e do Bossa Nova, dos amigos Werner e Tânia, que compraram o barco este ano e estavam em Siracusa se organizando e esperando janela de tempo para prosseguir. Também conhecemos o veleiro Manas, do Fábio e da Vivi, que tem duas filhas e estão morando a bordo.
Novamente foi uma alegria encontrá-los aqui. O Renato fez aniversário dia 27 e fizemos um churrasco com todos os amigos. Estava ótimo e muito animado.
Esta foi a terceira vez que estivemos em Siracusa e foi a melhor experiência no tocante a conhecer a cidade. A primeira vez viemos no inverno, frio e chuva com os amigos Lili e Padua, foi bom mas a cidade estava pacata. Na segunda vez, paramos a caminho da Tunísia e chovia muito e agora… Dias de sol e calor intenso.
Aliás, não vemos chuva desde março, quando estávamos na Tunísia, nos mais de três meses em Malta não choveu nenhum dia e sentimos muita falta de chuva para manter o barco “doce”. Externamente usamos a água do sereno que fica no convés e de manhã, bem cedinho antes do sol realmente esquentar, limpamos todo o convés usando essa “água” que se acumulou durante a noite. Não é como jogar água, mas dá para manter um nível de limpeza. A brisa e os sprays de água que pegamos quando estamos velejando trazem muito sal para o convés e se não limpar vai acumulando, sendo possível até formar crostas em volta das ferragens. A rede que temos no entorno do barco, que era branca, agora está marrom e só  vai limpar quando finalmente pegarmos uma boa chuvarada.
Siracusa está agitada, com muitos turistas e o que estranhamos foi a falta de cuidado em relação ao Covid. Aqui só  é obrigatório o uso de máscara em espaços internos (lojas, supermercados, etc) e vimos também, na mesma ancoragem que estávamos, um navio de passageiros da MSC, lotado de pessoas, além de vários ônibus de excursão no centro e pontos turísticos.
Ou seja muita gente andando junto, nos bares e restaurantes… Isso nos assustou pois em Malta todos, sem exceção, usavam máscara o tempo todo. Vendo esse comportamento em Siracusa, pensamos que o Covid pode voltar a crescer por aqui.
Ancoramos na baia de Siracusa, deixávamos o bote no pier, ao lato da Guarda de Finanças e caminhamos pela cidade, comemos o famoso Panini do Boderi, fomos à feira e visitamos os pontos turísticos mais centrais.
Foram os dias mais quentes que passamos até agora, dias com sensação térmica de 48 graus e na baia onde estávamos ancorados a água é turva e não achamos apropriada para banho… Foram dias difíceis em função do calor, sempre torcendo por uma brisa mais fresca.
Da mesma forma como ocorreu em Malta, se repetiu na Itália a questão da entrada no país. Em nenhum dos países carimbaram nosso passaporte, nos sentimos como se estivéssemos no limbo, de alguma forma. Por outro lado, nos é conveniente, pois caso contrário só poderíamos estar dentro da União Europeia, segundo o Tratado de Shengen, durante três meses. Agora já estamos a quatro meses e ainda queremos passar na Grécia, então não podemos reclamar.
Aproveitamos para nos abastecer no mercado, com os deliciosos queijos e salames daqui e de vinho é claro 🍷🍷🍷. Próximo destino: Taormina. Namastê 🙏🏻
31 de julho de 2021. Morando a bordo na Itália 🇮🇹 mar Mediterrâneo.
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