Este janeiro foi bem melhor que o anterior

O mês de janeiro foi ótimo em relação ao tempo. Diferentemente do ano passado, que pegamos até neve aqui em Marmaris, este ano a temperatura está mais alta em torno de 6 graus centígrados e choveu menos, o que faz uma grande diferença, quando se vive a bordo.

O Renato mantém seu diário de bordo atualizado e diariamente comparamos a temperatura com a do ano passado e felizmente estamos tendo um inverno bem mais quente. Supõem-se que janeiro, fevereiro e março sejam os meses mais frios do inverno, porém até agora a temperatura mais baixa dentro do barco foi de 13 graus Celsius, subindo para 16 ou 18 durante o dia. Os dias têm sido ensolarados mas quando o sol se põe podemos sentir no ato a diferença da temperatura que segue esfriando durante a noite (foto Karina SV Tartuga).

Nos chamou atenção o fato de que no ano passado estávamos em apenas três barcos passando o inverno na baía de Marmaris, mas este ano a configuração mudou totalmente, estamos em cerca de vinte barcos passando o inverno ancorados aqui. Esse aumento ocorreu por vários motivos, entre eles o aumento do preço das marinas, que já não são nada baratas por aqui, a questão da guerra entre Rússia e Ucrânia, o que trouxe muitos barcos com tripulação russa e também o aumento de velejadores ingleses que após o Brexit, perderam a possibilidade de permanecer mais de três meses nos países que fazem parte do Tratado de Schengen. Todos estes fatores contribuíram para o aumento de barcos por aqui e ter um clima mais quente está agradando a todos.

É final de janeiro e ainda há pessoas que entram no mar diariamente, os locais e alguns turistas nadam na praia junto ao calçadão e o pessoal dos barcos nadam entre os veleiros o que para nós é impensável, pois água já está por volta de 14 Graus Celsius. Para nós é incrível ver a resistência ao frio que as pessoas do hemisfério norte tem.

Acho que todos concordam que dias claros, quentes e ensolarados nos fazem sentir melhor, mais ativos e felizes, mais dispostos para fazer um churrasco na popa do barco com os amigos e espero que a temperatura continue mais alta para que possamos aproveitar nossa vida aqui na costa turca, que tem uma temperatura mais elevada que o interior e a regiao Norte do país, onde já nevou neste ano. Namastê 🙏🏻🇹🇷

31 de janeiro de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Marmaris, Turquia. 🇹🇷

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Ancorados com ventos de mais de 110 quilometros/hora

No mês de janeiro já tivemos três situações de ventos fortes, e quando temos esse tipo de previsão, que geralmente é de entrada de vento sul, sudoeste e variantes, mudamos de ancoragem, saindo da baía em frente à cidade e ancorando um pouco mais atrás, cerca de duas milhas, onde fica mais protegido.
Normalmente os ventos tem entrado com mais força do que consta na previsão e por isso, nessas situações, tomamos todas as providências para deixar o barco pronto, recolhendo o bimini, motor do bote, às vezes o bote também e checando tudo externa e internamente para não ficar nada solto.

Mesmo estando preparados é sempre um momento de tensão que se acentua quando o vento forte e a tempestade ocorrem durante a noite, pois perdemos a visibilidade do que está acontecendo no entorno. Quando ocorre durante o dia é possível acompanhar todos os movimentos e ver como estão se comportando as coisas que ficam no cockpit e no convés, como os cabos, defensas e equipamentos e parece que temos maior controle sobre o evento que está ocorrendo.

Pois bem, no dia 26 encaramos um vento, que passou dos 110 quilômetros por hora, nos movemos muito na ancoragem, de um lado para o outro, conforme as rajadas de vento que duraram muitas horas. O vento começou de tarde por volta das 5 horas e se manteve em torno de 30 knots constantes e rajadas de mais de 40, aumentando durante a noite e no dia seguinte tivemos rajadas de mais de 60 knots, diminuindo somente a tarde por volta das 2 horas.

Bem, o Renato virou a noite, ficando por um bom tempo lá fora no cockpit, acompanhando o movimento do nosso barco e dos outros barcos próximos, e na madrugada até o meio dia do dia seguinte foi uma loucura a força do vento que pegamos. Para ter uma ideia, a Escala Beaufort, que trata da força do vento, vai de 0 a 12 e o vento que tivemos foi de força 11, apenas 1 força a menos do que os ventos classificados como furacão.

Apesar de ter guardado tudo, ainda assim abriu a porta do armário e as roupas foram jogadas para fora, na geladeira cada movimento brusco da rajada dava para ouvir os produtos se movimentando, assim como nos outros armários com copos e louças… o cockpit ficou molhado com a água do mar que entrava quando as rajadas eram muito fortes e o barco adernava muito, permitindo que a água entrasse pelo costado.

O Renato ficou o tempo todo observando em alerta e o mar estava literalmente branco, com a espuma das ondas, com muito spray de água levantada pelo vento e viu também dois mini tornados descendo da montanha próxima e chegando no mar e levantando a água que subiu como um funil e sua força adernou os barcos e virou os botes, inclusive o nosso que ficou leve sem o motor, que havíamos subido para o cockpit.

Foi uma loucura, a Bella estava assustada com o barulho das rajadas e da água batendo no casco, foi realmente intenso e nestes 5 anos de Mediterrâneo, foi a primeira vez que pegamos uma situação assim. Depois durante a tarde ainda veio uma tempestade com granizo, o que foi bom para lavar o convés de toda a água salgada que havia entrado.

Eu já comentei sobre isso anteriormente, usamos aplicativos específicos de previsão de tempo, mas consultamos o guia Imray, Turkish Waters & Cyprus Pilot, versão impressa, edição de 2009 que temos no barco e acredite, novamente os alertas dos ventos mais fortes, como das outras duas situações que já passamos neste mês, estavam lá, previstas a mais de 14 anos. Isso é muito intrigante, com tantas mudanças de clima, relevo, aquecimento e tudo mais e ele continua sendo um ótimo balizador, isso é incrível.

Depois do vento e da tempestade, abriu o sol, o mar se acalmou e ninguém poderia dizer que nas 24 horas anteriores o bicho pegou por aqui. Agora só agradecer ao meu Capitão Renato, que é dedicado, incansável e que cuida da gente e da Pharea da melhor maneira possível e agora já podemos dizer: É… É verdade, já enfrentamos ventos de 60 knots! Namastê 🙏🏻🇹🇷

27 de janeiro de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Marmaris, Turquia. 🇹🇷

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Achados no fundo do mar 🇹🇷

Dias atrás estávamos levantando âncora, na baía em frente à cidade de Marmaris, e ouvi o Renato lá fora tendo que forçar o guincho repetidas vezes. Sai para ver o que estava acontecendo e ele disse: – Você não vai acreditar no que “fisgamos” com nossa corrente! Olhei e vi nossa corrente subindo uma enorme âncora de almirantado, daquelas que eram muito usadas antigamente em grandes embarcações. Devia ter entre 75 a 100 Kilos.

Impossível saber há quanto tempo ela estava ali, afundada, deteriorando no fundo da baía e mais instigante ainda saber quando ela foi usada, se foi perdida, se a embarcação foi naufragada numa das inúmeras guerras e conflitos, que também ao longo da história sempre estiveram presentes nesta região.

O Renato então avaliou a situação de como nos desvencilharmos dela, porém, de forma que fosse possível tirá-la desta área, que tecnicamente, é a área de ancoragem.

Com a ajuda do Andy, do veleiro Tartuga, que segurou o bote na posição necessária, o Renato envolveu a âncora com um cabo preso no cunho do convés e aos poucos eu fui acionando o guincho para a subida da corrente até que o cabo passou a ser a sustentação da âncora, e assim o Renato conseguiu ir retirando a corrente do entorno da velha âncora. Pois bem, agora ela estava pendurada com um cabo na proa, ufa!

A opção mais segura que o Renato avaliou foi jogá-la de volta ao fundo do mar, não tínhamos como levá-la em terra e assim navegamos uma milha além da área de ancoragem, isto para evitar que outro barco viesse a fisga-la novamente, fomos bem devagar, 2 knots, e chegando lá, devolvemos ao mar o que ele havia nos trazido e nos colocamos a pensar no número sem fim de coisas submersas neste mar.

A região onde é hoje a Turquia tem uma especial particularidade, a de que seu território foi habitado ininterruptamente por quase sempre, desde os primórdios da humanidade.

Muitas e muitas sangrentas batalhas aconteceram por aqui e os ataques às cidades da Costa geralmente chegavam de navios que por vezes eram afundados, naufragados é isso tudo jaz em algum lugar no fundo do mar.
Já tivemos a oportunidade de ver ruínas e remanescentes de muitas civilizações que passaram por aqui, muita coisa foi perdida mas ainda há muito o que se ver, quer nos inúmeros museus ou mesmo a céu aberto, nos centros das cidades ou em ruínas espalhadas pelas montanhas íngremes daqui.

Há também uma imensa quantidade de cidades e vilas submersas em decorrência de terremotos causados pela movimentação das placas tectônicas que acabaram por alterar o nível do mar ficando algumas cidades suscetíveis a inundação. Quando estivemos em Kekova, visitamos a cidade afundada onde é possível ver as fundações e à disposição das construções da época.

Aliás a Turquia e também a Grécia continuam a descobrir artefatos e às vezes vilas inteiras que ainda estavam guardando seus segredos, que agora passam a ser compartilhados nos inúmeros museus abertos à visitação.

Namastê 🙏🏻🇹🇷

10 de janeiro de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Marmaris, Turquia. 🇹🇷

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Nossos planos para 2023 🎯

2022 foi nosso ano na Turquia. Chegamos aqui em setembro 2021 para passar o inverno mas acabamos ficando e agora passaremos o inverno de 2023 também e sairemos em meados de maio rumo a Marrocos.

Nesse caminho velejaremos pela Grécia, Itália, França, Espanha e por fim chegaremos a Marrocos, estando pertinho de Portugal, que queremos muito conhecer. São muitos lugares para explorar e sentir um pouco da essência de cada um deles.

2023 promete ser um ano movimentado e com muita água passando pela quilha da Pharea.

Para ter sempre em mente que a vida é breve e que devemos aproveitá-la, segue a letra de uma música que acho linda na voz da Mercedes Sosa.

El Tiempo Pasa

El tiempo pasa y se nos va la vida

y lo que pasa ya no vuelve más

hay que seguir mirando hacia adelante

nunca hay que quedarse a mirar atrás

El tiempo pasa y se nos va la vida

hay que vivirla con felicidad

hay que alejar todas las amarguras que la vida es una y pronto se nos va

Hay que se va, que se va va la vida

hay que se va, que se va el amor

hay que se va, que se va todo…

Que lo es natural

las tristezas y las penas nunca fueron buenas hacen mucho mal

El tiempo pasa y se nos va la vida

y lo que pasa ya no vuelve más

hay que seguir mirando hacia adelante

nunca hay que quedarse a mirar atrás

El tiempo pasa y se nos va la vida

hay que vivirla con felicidad

hay que alejar todas las amarguras que la vida es una y pronto se nos va

Hay que se va, que se va que se va la vida

hay que se va, que se va que se va el amor

hay que se va, que se va…

todo es natural

Namastê 🙏🏻🇹🇷

02 de janeiro de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Marmaris, Turquia. 🇹🇷

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Mais um Natal 🌲 na Turquia 🇹🇷

A vida a bordo traz uma calmaria, talvez pela falta de ansiedade vivida antes, quando natal era sinônimo de correria, de muitas compras, de muitos afazeres para que enfim tudo fosse perfeito.

Agora a vida passa mais lentamente e sem picos de grande ansiedade. Nossa rotina acontece no barco, que é a nossa casa, e além disso usamos nosso tempo para caminhar, conhecer os lugares ao redor de onde estamos ancorados e “viver” dentro do viés cultural de onde nos encontramos.

Diferentemente do último dezembro, em 2021, que estávamos em apenas três veleiros ancorados em frente à cidade de Marmaris, neste ano tem quase vinte embarcações ancoradas aqui. Muitos barcos com russos a bordo e também canadenses, ingleses, ucranianos, siberianos e outras nacionalidades.

Geralmente nos cumprimentamos no pier, onde deixamos o bote quando vamos para a cidade.

Neste ano a temperatura está bem melhor que o ano passado quando estávamos com 6 graus celsius e agora estamos com 14 graus, bem mais quente e estamos tendo umas duas semanas sem chuva, ou seja, dá para sair todos os dias para caminhar, uma maravilha.

A cidade está enfeitada com luzes nas ruas principais e nas lojas encontramos alguns enfeites de natal, porém nada exagerado pois estamos num país de maioria muçulmana e assim a comemoração que haverá aqui é somente a de ano novo. Procurei muito um panetone para comprar mas não encontrei, mas não desisti, farei meu próprio panetone, vamos ver se vai dar certo?!Nós celebramos o natal no barco e convidamos os amigos do veleiro Tartuga, a Karina e o Andy, para cear conosco.

Arrumamos a mesa com motivos natalinos, instalamos algumas lâmpadas coloridas, preparamos a ceia no forno garantindo assim que o barco ficasse aquecido e confortável.

Nos recordamos dos natais anteriores, o primeiro fora do Brasil foi na Itália, em 2018, em Rochella Iônica, foi uma festa linda com o salão decorado, mesa arrumada “à italiana”, música ao vivo com alguns velejadores, com direito a dança e muitos drinques.

No seguinte, em 2019, estávamos na África, havíamos tido um ano difícil com a perda da mãe do Renato e não saímos para comemorar o natal. Em 2020 continuávamos em Monastir e celebramos com amigos do ❤️ no barco da Caroline e do Dany, amigos canadenses e na companhia da Karina e do Andy também. O Dany preparou uma torta recheada com carne realmente deliciosa, típica da região onde nasceu no Canadá e que espero que quando nos encontrarmos novamente ele repita a receita!

Em 2021 já na Turquia, nos reunimos com os amigos no catamarã da Shannon e Tony, casal de americanos que conhecemos em Monastir, também estavam outros amigos do Red Roo e do Caffe Latte e tivemos um agradável jantar celebrando com os amigos.

E agora a pergunta que fiz ao Renato: – onde estaremos no próximo natal? – Não sei, me respondeu, – mas acho que em algum lugar do Mediterrâneo em direção a Gibraltar ⛵🌎💞🐾.É, já estamos por aqui há alguns anos e no próximo vamos aproar rumo à Gibraltar e conhecer lugares incríveis pelo caminho!

Neste mês comemoramos também o aniversário da Bella, nossa marinheirinha mascote, ela completou oito anos e está uma fofura, ela é muito querida e às vezes até fala com a gente 😄😄😄 verdade!!!

E agora, semana de fim de ano, muito a agradecer pelos lugares que conhecemos, pelas pessoas que encontramos, pelas visitas que recebemos e por estarmos bem, no nosso ritmo, levando a vida como optamos levar. Namastê!

25 de dezembro de 2022. Morando a bordo do veleiro Pharea, na Turquia 🇹🇷.

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