Comida turca: uma delícia!

Andar pela cidade e sentir o cheiro de carne grelhada é fantástico. Os turcos tem uma cozinha maravilhosa, muita carne, peixe, legumes e iogurte fazem com que os pratos agradem a todos.

Sao muitos pratos rápidos com uma base similar a uma pizza bem fininha, que pode ser um Pide ou Pizza Turca com recheio de carne moída de carneiro, ovos e com sabor delicioso.

O kebab é o mais tradicional, prato com carne que pode ser preparado de várias maneiras, com diferentes acompanhamentos e tipos de carne. Pode ser no espeto, tipo kafta, ou como almondegas achatadinhas ou ainda cortada em lascas finas.

O pão está presente em todas as refeições e é delicioso, fininho com casquinha dos dois lados e há tambem outros pães como o italiano e até um que lembra o nosso pão francês. O café da manhã é fantástico, pães, chá (feito em uma chaleira de dois andares), vários tipos de queijo, geleias, ovos, folhados de espinafre, guslume (como uma panqueca de massa fininha recheada com carne ou espinafre e queijo), além é claro do pepino, tomate e pimenta doce, que são comidos crus e são muito apreciados por eles. Não oferecem leite nem frios como presunto ou similares.

Usualmente tomam o chá no café da manhã e depois seguem tomando chá e café turco ao longo do dia, que aliás é bem saboroso. Feito de forma diferente. Mistura-se o pó de café (que é moído bem fino) na agua fria, aquece e serve. Para tomar precisa esperar o pó decantar, pois não é filtrado… e acredite, é bem saboroso!

Há uma bebida chamada Ayran, à base de iogurte, líquida e salgada que também faz parte de seus costumes consumi-la junto aos salgados ou pela manhã.

Eles consomem um arroz tipo Bulgur, mais escuro, como se fosse o integral ou um grão de trigo e tem um sabor delicioso.

A carne mais utilizada é a de cordeiro, depois gado e depois frango, como país muçulmano não oferta carne de porco e seus derivados. O preço é elevado, sendo a carne de gado a mais cara.

No mercado encontramos muitas frutas e verduras, mas o melhor é comprar diretamente na feira, onde há grande oferta e tudo é muito fresco e de ótima qualidade a um preço maravilhosamente melhor do que na Europa. Toda a semana experimentamos algo diferente, o aspargo do mar, o espinafre, que é bem diferente do nosso, a cenoura roxa, da cor da beterraba, e assim vamos conhecendo novos sabores.

Aqui a produção de nozes é bem significativa e há grande oferta de todos os tipos de nozes, amêndoas e frutas secas… Sensacional poder experimentar tudo isso e mais os temperos e chás que tem uma quantidade incrível de sabores.

Os doces também são ótimos, muitos com base de massa folhada recheados com nozes e pistache e outros a base de gergelim, mesmo sem usarem o nosso gostoso leite condensado, os doces aqui são saborosos e irresistíveis.

As bebidas alcóolicas tem preço elevado, já sabíamos disso, por ser um país com maioria muçulmana. A bebida tradicional é o Raki, que diluído em água fica com uma cor esbranquiçada (como o Ouzo da Grécia, feito com anis) e também há um produção de vinho, herdada dos gregos que ocuparam esta área em tempos remotos.

Com todas essas opções não estamos com nenhuma dificuldade em manter uma alimentação saudável e balanceada a bordo da Pharea. Muito bom estar aqui na Turquia e experimentar seus sabores, creio que sairemos daqui mais gordinhos 😍 Namastê 🙏🏻🇹🇷

05 de novembro de 2021. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Yalikavak, Turquia 🇹🇷

(Post n° 400)

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Desafio de passar o inverno na âncora 🇹🇷

Passamos um inverno na Itália e dois na Tunísia aproveitando as facilidades das marinas, mas este ano estamos planejando ficar somente ancorados. Temos amigos alemães, americanos e portugueses que fizeram isso no ano passado e pelo fato de a Turquia ter uma longa e recortada costa litorânea, acreditamos que será possível encontrarmos ancoragens seguras nas diversas condições de tempo.

Sabemos que aqui será mais frio que na Tunísia, mas vamos ver o quanto suportamos e como isso vai se dar e em precisando, é claro, podemos recorrer a uma marina daqui.

A Turquia no seu desenvolvimento náutico, primou por ter boas marinas, num padrão bastante elevado que privilegia todo o seu entorno e oferece inúmeras facilidades, assim é correto deduzir que há um preço a pagar por isso, muito embora para nós cruzeiristas, não nos interessem todas essas conveniências.
Com certeza teremos um inverno desafiador. Até agora temos ido até a marina a cada quinze dias para esvaziar o Holding Tank e para nos abastecermos de água, pensamos que no auge do inverno não precisaremos desta assiduidade, devido às condições mais difíceis de tempo, mas tudo isso iremos vivenciar na prática.

Desafios nos enriquecem e nos fazem superar ideias e costumes e vivendo a bordo sabemos que não há como seguirmos uma rotina, pois quem decide nossos passos são as condições climáticas, ventos nos movem e algumas vezes os mesmos ventos nos param, essa dualidade da natureza não é discutível e sim aceitável.

O fato é que, estamos aqui vivendo a bordo em diferentes lugares, nos deliciando com paisagens maravilhosas e únicas e isso para nós não tem preço! Isso reflete a troca que fizemos, mudamos de grandes problemas que requeriam nossa dedicação quase que em tempo integral, para pequenos problemas, como por exemplo… Puxa, esqueci que hoje é domingo… O que vou fazer para nosso almoço?!
Há tempos atrás não imaginava quão simples a vida pode ser… Namastê 🙏🏻

30 de Outubro de 2021. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Yalikavak, Turquia. 🇹🇷

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Bordando os países por onde passamos (manualidades)

Sabe quando você quer carregar um pouquinho com você de todos os lugares por onde passou? Achei um jeito de ter com a gente uma lembrança dos países por onde velejamos. Há tempos estava pensando em ter algo assim que remetesse a esses lugares e até temos uma coleção de copinhos de “shot” que compramos em cada país que passamos, mas não era bem isso que estava a procura.

Fui com minha amiga Karina numa loja de armarinhos e vi que tinham pequenos bastidores e aí tive a ideia de fazer a bandeira de cada país que velejamos em ponto cruz para colocar na parede atrás da mesa de navegação. Aprovei a ideia com o Comandante, voltei na loja comprei os bastidores e comecei a aprender essa técnica super bacana chamada ponto cruz.

Aprendi que é possível fazer praticamente tudo em ponto cruz, inclusive tem apps para baixar que facilitam muito o trabalho.
Comecei com a bandeira do Brasil, ondemoramos a bordo por dois anos e a medida de pesquisava achei bem interessante a história de cada uma das bandeiras dos países que estivemos e diferentemente do que pensei as bandeiras não são estáticas, elas vão se adequando através dos fatos marcantes pelos quais passam os países ao longo dos tempo. O Brasil por exemplo continha na bandeira inicial 21 estrelas, depois passou para 23 e hoje tem 27 estrelas que representam os estados e o distrito federal.
Depois da bandeira do Brasil, onde se iniciou nossa história, fui avançando e bordando as bandeiras da Croácia, de Montenegro, da Grécia, da Itália, da Tunísia, de Malta e finalmente da Turquia.
Bem, é claro que tenho bastidores sobressalentes, já pensando na bandeira da França, quando formos para Córsega, na bandeira da Espanha, de Gibraltar, de Marrocos e Portugal…

Bem como disse estou aprendendo o ponto cruz e confesso que o avesso nao ficou “perfeito” como me sugeriu minha querida amiga Claudia Portela, mas sabemos que a prática leva a perfeição!

Desejo mesmo que falte parede para colocar todos os países pelos quais passaremos pois ainda há um mundo a conhecer! De certa forma, ser cruzeirista é ser como uma tartaruga, que leva consigo sua casa e sua proteção para todos os lugares. Só a agradecer. Namastê 🙏🏻🇹🇷

25 de outubro de 2021. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Yalikavak, Turquia. 🇹🇷

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Olho Turco ou Nazar Boncuk

Ao andar pelas ruas aqui da Turquia, nos deparamos com o “olho” nas portas, na calçada e em vários lugares pregando bons presságios e contra o mau-olhado.

Este amuleto surgiu a milhares de anos e teve sua forma alterada inúmeras vezes, porém o conceito continua o mesmo, combater o mau-olhado, que vem da crença de que alguém que obtém um grande sucesso ou reconhecimento também atrai a inveja daqueles ao seu redor e essa inveja, por sua vez, se manifesta como uma maldição que acaba com a boa sorte.

A crença abrange diversas culturas e gerações desde 3.300 a.c. quando foi encontrado na Mesopotâmia e de lá para cá continua atual e é usado em casas, acessórios pessoais, portas e janelas de casas e comércios, barcos, estampado em aviões, roupas e souvenirs.

Segundo estudiosos, a versão de vidro, como conhecemos hoje, teria origem no uso da argila acetinada egípcia, cheia de óxidos, que quando aquecidos, ganham a tonalidade azul. Os estudos levam a crer que os vários Olhos de Hórus, escavados no Egito, podem ser vistos como os principais antecessores do olho turco moderno.

Passear em Bodrum e Yalikavak e se deparar repetidamente com este amuleto por todos os lugares, reflete o quanto e como pessoas acreditam nele.

O que nos surpreendeu é que conhecíamos como “Olho Grego” mas conhecendo agora um pouco da história entendemos sua presença em vários países. Lembro de Marsaxlokk, em Malta, onde todos os barcos de pescadores tinham na proa o “Olho de Hórus”, ou seja, este é o terceiro país onde vimos isto e aqui de forma contundente.

Isso nos remete a pensar que o importante é termos bons sentimentos, estarmos em harmonia com todos os que nos cercam e com a natureza, onde é o nosso habitat agora, pois somos

cruzeiristas, moramos a bordo de um veleiro, andamos com a força do vento e dormimos serenamente (as vezes nem tanto) sobre as águas do mar, todos os dias, faça chuva ou sol, frio ou calor, vento ou calmaria, seja ancorados em frente a uma cidade ou a uma ilha deserta, seja de manhã, a tarde ou a noite! Não vislumbro outro lugar senão este para estar. Namastê 🙏🏻🇹🇷

10 de Outubro de 2021. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Bodrum, Turquia. 🇹🇷

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Barbearia na Turquia, ótimo serviço!

Depois de tanto tempo cortando o cabelo do Renato (o meu cabelo e o pêlo da Bella) em função do Covid 19, aqui na Turquia o Renato se libertou e foi a uma barbearia. Há muitas delas, umas próximas às outras, pois aqui os homens geralmente usam barba e bigode e tem o hábito de mantê-la na barbearia com um bom corte. Pois bem, encontramos uma delas, o Renato sentou na cadeira, explicou como queria (em inglês) e o barbeiro começou a cortar com uma prática invejável deslizando rapidamente a tesoura pelo cabelo do Renato.

Corte feito, passou a fazer a barba. Primeiro cortou com a máquina, depois passou um pincel bem farto de espuma, seguido do uso de uma navalha, como há muito não víamos. Ir ao barbeiro aqui é um ritual, inclui massagem, cremes e locão pós-barba e o toque final fica por conta de uma longa haste de madeira com algodão nas duas pontas que o barbeiro as acende com fogo e passa pela entrada do ouvido e junto à entrada do nariz para queimar os pelos grandes e indesejáveis que teimam em nascer por ali. Quando estávamos ainda na Tunísia, havia lido que os muçulmanos não descuidam dos cuidados com a barba e pelos pelo corpo, conforme recomenda o Alcorão. O visual ficou super moderno, com um topete bem sinalizado e na verdade creio que não ficou como o Renato gostaria, mas de qualquer forma curtimos esta ida na barbearia e nos rendeu muitas risadas.

Já tínhamos percebido que as pessoas achavam que o Renato era Turco, no restaurante ou no táxi por exemplo, mas creio que é o seu biotipo, barba, nariz alongado e porte atlético, mas sempre que perguntam ele responde: No, sorry, I’m Brazilian! Namastê!

Dia 04 de outubro de 2021. Morando a bordo da SV Pharea em Bodrum, Turquia 🇹🇷
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