Navegando pela França 🇫🇷

Chegamos em Córsega dia 08 de julho, após 8 horas de navegação com vento suficiente para fazer as velas trabalharem para nós.

Ancoramos em Porto Vecchio, no sul da Córsega, na baía próxima a marina, numa agradável, limpa e organizada cidade, que mantém o centro antigo bem conservado e dispõe de micro ônibus elétrico gratuito para atender a população e os turistas… uma maravilha.

Nos surpreendeu o fato de que o nome das cidades, das ruas, dos bares e restaurantes são na grande maioria das vezes italianos… mas isso se deve ao fato de que em 1768 a Córsega passou ao domínio francês através do Tratado de Versalles, porém andando por aqui nota-se que a influência italiana é latente (foto http://www.viaggemozione.com).

A ilha é linda, com altas cadeias de montanhas chegando a 2.700 metros de altitude, e muito muito mais verde do que a Sardenha.

As praias são, em sua maioria, de areia branca e água turquesa, faz muito calor, o que estamos adorando… uma preparação para o nosso próximo verão no Caribe.

No barco fizemos uma cobertura de cor clara para sobrepor ao bimini e proteger do sol, também mantemos o barco todo aberto para ventilar e as refeições passaram a ser no cockpit que é mais fresco e onde passamos a maior parte do tempo.

Os dias estão longos e o sol se põe as 21 horas, dá tempo de fazer exercícios, passear com a Bella, andar na praia, mergulhar, descansar e aproveitar para fazer pequenas manutenções e deixar o barco em ordem.

Passamos um mês fantástico na companhia dos amigos brasileiros do veleiro Beyond, o Fernando, a Cibele, a Isabella e a Sandy.

Compartilhamos ótimos momentos juntos, nos churrascos deliciosos com picanha da melhor qualidade (achada pelo Fernando), nas idas ao mercado, nos passeios pelas praias e cidades que passamos e na viagem que fizemos até Ajaccio, explorando a cidade onde nasceu Napoleão Bonaparte.

No caminho atravessamos a Ilha de Sudeste para Sudoeste e passamos por inúmeros antigos povoados espalhados pela cadeia de montanhas existente em toda a área central da ilha. Vimos as árvores que produzem a cortiça e muitos objetos a venda feitos a partir deste material.

Nos divertimos muito com a familia Beyond, sempre atenciosos, prestativos e incansáveis para nos deixar sempre a vontade num ambiente leve e harmonioso. Só a agradecer este tempo muito especial que compartilharmos e por todos os mimos recebidos!

Fizemos várias ancoragens em belíssimas praias, a maioria protegida e sinalizando a aplicação de multa se entrar nas áreas protegidas de dunas, se pegar conchinhas, areia ou, em algumas delas, se estiver com cão na praia (não gostamos dessa última, mas sempre respeitamos). A água é cristalina com tom azulado, fazendo as ancoragens ficarem magníficas.

Passamos por Bonifácio, sul da Córsega, e deu vontade de parar para conhecer a cidade, construída sobre uma grande falésia e o visual é simplesmente lindo!

Fizemos caminhada para subir até uma antiga ruína, uma torre de vigilância, que já vimos inumeras por aqui! Valeu a pena o visual lindo de toda a baía.

Em Roccapina, nossa última ancoragem na Córsega, nos despedimos do Sv Beyond, eles partiram para Olbia e nós para Stintino, no norte da Sardenha e caminho para nosso próximo destino, as Ilhas Baleares, Espanha!

Namastê 🙏🏻

20 de julho de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea na Córsega, França 🇫🇷

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Enfim na Sardenha, Itália 🇮🇹

Navegamos 45 horas, foram 280 milhas náuticas e tivemos um problema no alternador (equipamento que carrega as baterias com a energia do motor), então tínhamos somente energia produzida pelos painéis solares e Renato decidiu não usar o piloto automático durante a noite em seu turno e assim foi navegando até nossa chegada na Ilha da Sardenha ao amanhecer.

Nossa primeira parada foi em Cala Liberotto, no Golfo Orosei, uma linda praia, aliás o ponto forte da Sardenha, para nós turistas, são as lindas praias de areia branca e fina, algumas bem extensas e com água cor de esmeralda, claríssima!Descemos com o bote e o deixamos na areia e fomos caminhar para esticar as pernas, depois dos dois dias de navegação.

A praia estava movimentada e havia um grande e equipado estacionamento para motorhome e consequentemente muitas pessoas aproveitando a praia.

Nos dias seguintes navegamos em direção ao norte, paramos em algumas lindas ancoragens e conhecemos duas cidades maiores: Olbia e Golfo Aranci.

Em Olbia deixamos o Flávio, que estava nos visitando e pegou um vôo de retorno ao Brasil e também nos encontramos com o Sv Beyond, dos amigos Fernando, Cibele e Isabela, que têm a Sandy, uma linda Shitzu do tamanho da Bella.

Esse encontro já estava programado desde 2021, quando nos conhecemos velejando em Malta. Eles são daqueles casais que cativam pelo acolhimento e pelo bom astral sempre presente. Combinamos de passar juntos esta temporada que estaremos aqui na Sardenha e seguiremos juntos também para a ilha francesa de Córsega, que fica ao norte daqui.

Aqui também nos reencontramos com o Sv Imagine2, os americanos Paul e Lori e com o Sv Mister Blue, dos portugueses Mário e Alessandra, que tem uma linda Cocker chamada Cacau e que estivemos juntos na Grécia e na Turquia. Então, e com tantos falando a língua portuguesa, foi pura diversão!

A Sardenha é a segunda maior ilha do Mediterrâneo (Sicília é a primeira), com 24 mil km2 e cerca de 2 milhões de habitantes. Tem 8 cidades principais, 2 universidades, 3 aeroportos internacionais, a economia gira em torno do setor primário (pecuária, agricultura, pesca e extração de minérios), secundário (indústrias de transformação) e o terciário (turismo).

A ilha produz o famoso queijo Pecorino Sardo, feito com leite de ovelha, que abastece os EUA e o Canadá, produz bons vinhos DOC (Denominação de Origem Controlada), produz desde 1912 a cerveja Ichnusa, tipo larger aromatizada com lúpulo que desde 1986 passou a integrar a holandesa Heineken, a ilha responde por 75% do granito italiano, produz mais eletricidade que consome, através de fontes termoelétrica movida a carvão e energia eólica.

Já o turismo se desenvolve através de um vasto setor hoteleiro distribuído em toda a ilha, principalmente em seu entorno.

A ilha fica a 465 km de Roma e pode ser acessada com vôos curtos vindos da Itália continemtal, França, Espanha, Reino Unido e Alemanha, também há ferry boats que operam entre Itália, França e Espanha e há muitas embarcações.

É um ótimo lugar para velejadores com boas ancoragens, há muitos iates de luxo em toda a costa e o que vimos também em todas as ancoragens, foram os infláveis ou pequenas lanchas atracadas em poitas próximas da praia, que são alugadas por dia e as pessoas que alugam procuram um lugar e jogam ancora e passam o dia aproveitando o sol e a água, nos chamou a atenção que praticamente todas não possuem nenhum tipo de cobertura para se proteger do sol.

Com a chegada do verão e a água do mar mais quente, o Renato tem aproveitado para mergulhar e mannter limpo o casco do veleiro.

Nós estamos curtindo muito conhecer essa ilha tão antiga (os sinais de presença humana mais antigos são de 500.000 anos, no entanto, supõe-se que o povoamento de forma estável ocorreu cerca de 6.000 a.C.) e ao mesmo tempo super desenvolvida, preservando o meio ambiente, através de áreas de preservação e parques e mantendo sua forte identidade cultural, através da gastronomia, dos vinhos, da música e da dança sarda.

Sem dúvida um bom lugar para conhecer e se demorar o suficiente para entrar nessa atmosfera tranquila de belíssimas paisagens e bons ancoradouros.

Mas agora, nosso próximo destino nos aguarda, levantaremos âncora e seguiremos rumo a ilha francesa 🇫🇷 Córsega!

Namastê 🙏🏻

07 de julho de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea na Sardena, Itália 🇮🇹

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Lipari, tipicamente italiana 🇮🇹

Saimos de Vulcano e mudamos de ancoragem para abastecer de água e combustível. O posto de abastecimento é bem interessante, funciona em cima de um reforçado pier sendo fácil de atracar, desde que não tenha swel, como lembrou o Renato, pois como ele é alto, pode não ser tão fácil como agora com tempo bom.

A vista da cidade é bonita, há construções bem antigas, um castelo, igrejas e ruas cheias de charme… impossível não fotografar para levar com a gente essa lembrança.

Como temos que chegar próximo a Olbia, norte da Sardenha até dia 16, pois o Flávio vai pegar o vôo lá de volta ao Brasil, o Renato precisou refazer nossa rota, excluindo a ida para Palermo, na Sicília, pois teremos que aproveitar uma janela de tempo bom e rumar direto para a Sardenha.

Uau… depois que saímos de Xania, não temos ficado muito tempo em cada ancoragem… seguimos conforme as condições de vento e o ritmo tá bem acelerado… acho que o Flávio vai precisar “descansar” das férias depois que chegar no Brasil 🤣🤣🤣.

Na volta da cidade ancoramos um pouco mais afastados e no fim do dia saímos de bote para apreciar a paisagem, formações rochosas dobradas e rochas como torres, despontando do mar, algumas janelas feitas na rocha pelo desgaste do tempo, lindíssimo!

Voltamos e novamente preparamos o barco para a travessia nos dias seguintes, pouco menos de 300 milhas náuticas até a Sardenha!

A Bella já esta sentindo os dias mais quentes e adora tirar uma sonequinha para descansar…

A vida no mar não segue calendário, não faz diferença que dia da semana é, nem sempre chegamos ou vamos ao lugar planejado… é um constante replanejar, se adaptar e viver literalmente “conforme a maré”. Simplificando, velejando temos total liberdade e o que realmente consideramos são as condições do tempo para nos mantermos seguros e aptos para nos lançarmos rumo a novos lugares, pois ainda há tanto a se ver…

Namastê 🙏🏻

9 de junho de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Ilha Lipari, itália 🇮🇹

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Vulcão em atividade, Ilhas Eólias, Itália 🇮🇹

O dia começou com uma navegada de 7 horas, de Scilla até a Ilha Vulcano, mas com direito a bolo de aniversário e café no cockpit, para celebrar o aniversário do amigo Flávio Studart que esta navegando conosco deste Creta, Grécia 🇬🇷. Para chegar em tempo de comemorar o aniversario com um jantar, saímos da cama cedinho para navegar rumo a Vulcano.

Vulcano é uma das sete Ilhas Eólias, um arquipélago italiano na província de Messina, ao norte da Sicília que é composto pelas ilhas: Vulcano, Salina, Lipari, Panarea, Alicudi e Filicudi.

A ilha tem 21 km2 de área, altitude máxima de 501 metros acima do nível do mar, e contém várias caldeiras vulcânicas, incluindo um dos quatro vulcões ativos na Itália que não são submarinos. Curtimos a velejada e ancoramos numa baía protegida já com vários outros barcos ancorados proporcionando uma vista belíssima da baía. Saimos com o bote e o deixamos no pier na lateral da praia, vimos pela primeira vez uma praia com areia escura, bem preta, de origem vulcânica. Caminhamos em direção ao centrinho, onde acontece o vai e vem dos ferry boats, e vimos uma área próxima com aviso de cuidado para não inalar gases tóxicos. Vimos uma piscina natural de lama para tomar banho, havendo, segundo as informações, efeitos terapêuticos, como por exemplo para tratar de artrite. Porém… o cheiro de enxofre é fortíssimo nesta área e o banho de lama ainda não estava aberto.

Nesta caminhada estávamos também procurando por um restaurante, para comemorarmos o aniversário do Flávio, pois muitos ainda não estão abertos para a temporada de verão mas fizemos uma ótima escolha, ambiente agradável, comida gostosa com toque indiano, trazido pelo simpático dono do pequeno e agradável restaurante. Salute! 🎂🍾🥂

Dia seguinte nos preparamos para fazer a trilha que contorna a boca do Vulcão… foram uns 5 km para chegar ao topo numa altitude de pouco mais de 500 metros através de uma trilha em forma de zigue-zag… ufa! Deu para cansar mas a vista valeu a pena e foi bem interessante observar os gases se desprendendo das laterais do vulcão! O Flávio fez fotos incríveis e a Lori do Sv Imagine2 nos acompanhou nesta aventura, adoramos!

Os gases expelidos são tóxicos e bem no topo, conforme a direção do vento, dá para sentir quando o gás é inalado e em seguida vem a tosse, como nós, vimos várias outras pessoas tossindo no mesmo ponto. Dependendo da direção do vento pode ser fechada a visitação, a fim de evitar acidentes ao inalar o gás tóxico.

Uau… Muito interessante ver o Vulcão expelindo gases, há monitoramento contínuo e na cidade placas indicando áreas de encontro e áreas de retirada de pessoas, caso haja algum evento maior.

Noutra ocasião em 2021, estávamos em Taormina e vimos o Etna em erupção… jorrando lava vermelho incandecente… também visitamos Pompéia e Herculano em 2019 e pudemos ver o estrago feito naquelas cidades pela erupção do Vesúvio, devastador.

Parabéns amigo Flávio 🎂🍾🥂 Aniversariar é estar presente, poder realizar sonhos, é ter uma história em construção, por isso comemoramos! Que venha mais um ano com muita saúde, amor, tempo livre e que não falte a vontade de fazer tudo aquilo que te faz feliz!

Namastê 🙏🏻

08 de junho de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Ilha Vulcano, Itália 🇮🇹n

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Cruzando o Estreito de Messina, Itália 🇮🇹

Hoje vamos navegar em direção ao Estreito do mar Mediterrâneo que estabelece a comunicação entre o mar Tirreno e o mar Jónico e separa a Calábria, na Itália continental da Sicília, denominado Estreito de Messina. O estreito tem 32 quilometros de comprimento e 3,3 quilometros na sua menor largura e 15 no seu ponto mais largo.

Atualmente há um ferry boat que liga a Calábria a Sicília, e é interessante saber que foi aprovado projeto de lei para construir uma ponte no Estreito de Messina. Essa iniciativa tem sido debatida há décadas com a promessa de que será a maior ponte estaiada do mundo (3,2 quilômetros), um motor de crescimento para o sul da Itália, além de uma importante atração turística e ainda será a mais bela, verde e segura ponte de vão único do mundo, certificada pelos maiores engenheiros das melhores universidades, porém a aprovação do projeto ainda gera protestos de grupos que acham que o montante deveria ser investido em ações mais urgentes em benefício da população. Essa não é a primeira tentativa de fazer a ponte e se for realmente iniciada, o prazo de execução previsto é de 6 anos.

Para cruzarmos o Estreito aguardamos uma boa previsão de tempo e pudemos sentir a força das correntes marítimas contra no começo do canal e depois mudando a nosso favor. O canal estava bem movimentado, havendo várias outras embarcações em movimento, como navios e ferry boats.

Quando estávamos saindo do Estreito avistamos quatro diferentes barcos, equipados com uma alta torre, com cerca de 90 pés de altura (onde 2 pescadores faziam a observação de peixes) e uma passarela avançando da proa do barco cerca de duas vezes o comprimento do barco (por onde o pescador caminha se posicionando para o arpoamento). O que vimos são os legítimos barcos de pesca de peixe espada, que tem sua temporada de pesca de maio a setembro. O peixe-espada é capturado com o auxílio dos arpões especiais lançados por esses barcos chamados de “Feluccas”. O peixe-espada dorme perto da superfície da água, o que facilita sua localização de cima da torre. Esta foi a primeira vez que vimos este tipo de embarcação e nos chamou muito a atenção!

Algumas rotas de navegação como o Canal do Corinto, na Grécia, o Estreito de Bósforo na Turquia, o Canal de Suez, no Egito, quer naturais ou construídas pelo homem, agregam valor por se constituirem em um atalho para a navegação, reduzindo distancias, facilitando o transporte de pessoas ou cargas e cada um deles tem suas especificidades.

Depois do Estreito rumamos para a baía de Scila para pernoitarmos abrigados. Namastê 🙏🏻

05 de junho de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Estreito de Messina, Itália 🇮🇹

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