330 milhas depois: Taormina, Itália 🇮🇹

330 milhas vencidas e estamos novamente em Taormina, Itália 🇮🇹. A travessia foi ótima, conseguimos velejar boa parte do tempo e seguimos sempre no mesmo rumo. Nos revezamos nos turnos de 3 horas e foi tranquilo para cozinhar, mantendo nossas 3 refeições diárias.

Cuidamos da Bella mantendo-a na guia e nunca sozinha durante todas as 55 horas de navegação, pois o barulho das ondas no casco ou mesmo o barulho do vento a deixa assustada. E é claro, sentimos a falta do Sv Tartuga que não nos acompanhou desta vez.

Chegamos um pouco cansados mas logo avistamos o veleiro Imagine2, dos amigos Paul e Lori (ele austríaco e ela americana), nós estávamos juntos na Turquia e saímos antes que eles para irmos a Creta, mas agora já nos encontramos novamente. Ancoramos na baía em frente a cidade, eles vieram a bordo dar as boas vindas e depois saímos para passear pela cidade e almoçar. Almoçar o que? Pizza 🇮🇹

Na manhã seguinte, pegamos o ônibus e fomos mostrar a cidade velha de Taormina e o Castelo ao Flávio, que adorou o cenário e fez muitas fotos e videos legais. A cidade estava lotada de turistas e havia uma rua principal com calçadão e muitas lojas de grife e restaurantes ao longo dela.

Q

Quando voltamos do passeio tivemos uma surpresa maravilhosa, o Bert, um amigo alemão que conhecemos em Rochella Ionica e que sempre mantivemos contato ancorou bem próximo e veio nos cumprimentar. Fizemos um churrasco no dia seguinte, chamamos os amigos para colocar a conversa em dia e ficamos reunidos até bem tarde.

No dia seguinte levantamos ancora rumo ao Estreito de Messina.

Encontros e reencontros novamente, muito bom rever amigos e sair levando já uma pontinha de saudade!

Namastê 🙏🏻

05 de junho de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Taormina, Itália 🇮🇹

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Novamente em Pylos 🇬🇷 e reencontrando amigos

A Grécia é mesmo um arranjo de ilhas muito interessante, cada uma das regiões com suas particularidades e identidade própria! Esta região do Peloponese é muito linda a cheia de cidadelas charmosas que sabem cativar os turistas!

Tivemos a alegria de reencontrar o Josef, um amigo alemão que conhecemos em Rochella Ionica, em 2018 e que estava por perto e veio nos ver! Fomos para um café para colocar a conversa em dia e passamos dias muito agradáveis na sua companhia.

Também comemoramos meu aniversário num jantar com os amigos Andy e Karina, Noel e Sevgi e o Josef. Foi muito especial para mim compartilhar este momento com eles e marcou também nossa despedida da Grécia.

Entre o conserto do bimini, algumas idas a cidade, ainda tiramos tempo para uma subida nas ruinas de um castelo medieval que é caminho para uma praia lindíssima atrás de nossa ancoragem… foi uma boa caminhada e nos divertimos muito no caminho.

O Flávio registrou tudo, fez lindas fotos e videos e tomou banho de mar… achando que a água já não está tão fria.

Novamente preparamos o barco para seguir viagem no dia seguinte, quer dizer, é necessário guardar todos os objetos de maneira que nada fique solto, ou balançando ou que possa cair com o balanço do barco, que as vezes caturra muito, dependendo das ondas.

Especialmente desta vez, levantamos ancora com o coração partido, pois nossos amigos do SV Tartuga, o Andy e a Karina, não estarão navegando conosco, resolveram vender o barco e voltar para terra. Só a agradecer pelos tantos bons momentos que desfrutamos juntos, pela amizade, pela ajuda, por tantas coisas legais que fizemos nestes 3 últimos anos! É uma despedida mas sabemos que nos reencontraremos novamente em algum lugar do mundo, que já não nos parece mais assim tão grande!

Também nos despedimos do amigo Josef e ficamos felizes por vê-lo tão bem!

Fechamos nosso mês na Grécia e agora nosso rumo é a Itália, 320 milhas, 55 horas de navegação que serão mais fáceis com um tripulante a mais para dividir os turnos. A previsão do tempo está boa e teremos boas condições para abrir velas e deixar o vento nos levar. Navegamos na Grécia em 2018, em 2021 e agora em 2023 encerramos nossa navegação nesta parte do Mediterrâneo e seguimos novamente para a Itália e depois conheceremos as ancoragens da França, Espanha, Gibraltar, Marrocos e Portugal!

Neste ano ainda faremos muitas novas ancoragens e que sejam boas e protegidas para que possamos estar seguros e fazendo o que gostamos…. viver no mar!!!

Namastê 🙏🏻

31 de maio de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Pylos, Grécia 🇬🇷

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No caminho dos fortes ventos gregos 🇬🇷

Aproveitamos uma janela de tempo bom para sair de Xania e navegar rumo ao Peloponeso, nosso último destino na Grécia. No caminho, apesar de termos previsão de tempo com rajadas de vento de 18 knots, pegamos 50 knots e nosso bimini (cobertura do cockpit) levantou estourando o ziper frontal. Deu trabalho para segurá-lo com o vento entrando, porém rapidamente o Flávio, (nosso amigo que está a bordo) colocou para dentro do salão e ficamos todos surpresos com esse vento fora da previsão. Porém, como o Renato sempre diz: “previsão é previsao”. Após navegarmos 36 milhas, paramos em Koroni para descansar e no dia seguinte aproveitamos para descer e explorar essa pequena cidade que conserva alguns sitios medievais.

Subimos para andar nas ruínas do castelo fortificado, passamos por uma singela igrejinha e apreciamos a linda vista para o mar e o Flávio fez as fotos, que ficaram ótimas!

Depois sentamos para uma cerveja e nos encontramos com o Andy e a Karina do veleiro Tartuga para almoçarmos juntos.

A tarde quando retornamos ao barco o Renato se inspirou, pegou uma sobra de sombrite bege que tínhamos e costurou um novo bimini em menos de uma hora. Eu e o Flávio ajudamos a segurar a armação e ele foi costurando sobre a estrutura de inox e ficou muito bom! Demos os parabéns pela ótima ideia e pela agilidade e habilidade com que fez o bimini provisório!

Estávamos novamente protegidos contra o sol para seguirmos nossa navegada até Pylos. Na manhã seguinte levantamos âncora e saímos cedo para fazer as 25 milhas até nossa proxima parada. Ao chegarnos em Pylos, totalizamos 490 milhas desde que saímos da Turquia, no começo de maio, até chegarmos aqui em nosso último destino na Grécia antes de cruzarmos o mar Adriático rumo a Itália. Por estes dias esperávamos encontrar a tripulação do veleiro Strega, a Paula, o Fernando e o Chopinho, mas quem os encontrou foram nossos amigos americanos e nós partimos tristes sem vê-los pois estavam mais para o norte, em Argostoli.

A vida no mar é assim, os amigos vem e vão e sempre acabamos por nos encontrar em alguma ancoragem, em algum dos sete mares, até lá!

Namastê 🙏🏻

27 de maio de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea no Peloponeso, Grécia 🇬🇷

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Xania, a mais linda cidade de Creta 🇬🇷

Creta continua nos surpreendendo e agora conhecemos Xania, considerada a cidade mais bonita de Creta, com um lindo farol veneziano, datado do século XV, que dá um charme todo especial a baía, que apesar de ter sido bombardeada na Segunda Guerra Mundial, teve muitos dos seus edifícios restaurados e hoje abrigam bares e restaurantes em toda a orla.

O verão ainda não começou mas já há muitos turistas por aqui que chegam de ferry boat ou em grandes navios de passageiros, enchem a cidade e suas ruelas estreitas cheias de lojinhas de souvenirs, com coisas interessantes para ver, como as peças de cerâmica que replicam utensílios antigos e trazem as cores da Grécia… o azul e o branco.

Atracamos na marina pública de Xania, que tem um custo diário bem acessível e desfrutamos das facilidades como água doce para lavar o barco, abastecer de diesel com um pequeno caminhão tanque que vem até o pier da marina, fazer lavanderia, passear pela cidade, ir na feira, ver os pontos turísticos e apreciar a vista linda que temos aqui na marina.

Durante o dia passam lindas carruagens, com adestrados cavalos com andar bem elegante, carregando turistas para la e para cá.

Aqui fomos encontrados pelo casal brasileiro Alexandre e Ana, que passeavam pela marina, viram nossa bandeira brasileira, fizeram contato conosco e tivemos um encontro muito agradável na Pharea.

Também encontramos um jovem casal, com o pai e a mãe, que estavam a bordo de um navio de cruzeiro e nos identificaram quando estávamos falando português em frente ao barco e o Renato encontrou ainda um terceiro casal do Brasil… incrível encontrar aqui em Creta tantos brasileiros… foi muito legal!

Aqui também recebemos o amigo Flávio que veio ficar a bordo por alguns dias.

Conhecemos outras pessoas que estavam atracadas na marina, um Esloveno que nos ajudou na atracagem quando chegamos e que tem um drone submarino super legal, medindo uns 50 centímetros com duas pinças que podem carregar até 10 quilos e checar a âncora e o fundo do barco… muito legal!

Também conhecemos um casal de portugueses num lindo veleiro Amel de 55 pés.

Aproveitamos muito estes dias em Xania na companhia no SV Tartuga e nos preparamos para seguir nossa navegada, saindo de Creta rumo ao Peloponeso.

Namastê 🙏🏻

24 de maio de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Creta, Grécia 🇬🇷

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Espinalonga, uma história para não se repetir, Creta 🇬🇷

Após conhecermos Ágios Nikolaos e desfrutarmos da cidade, levantamos ancora e rumamos para Elounda, a próxima cidade na Ilha de Creta e assim ficamos abrigados do swel que estava balançando muito o barco.

Uma linda baía, com uma longa avenida à beira mar, entrecortada por bares, restaurantes e lojas de souvenirs.

Andamos por toda a sua extensão e fizemos uma trilha, com algumas ruínas pelo caminho e chegamos a pé no lado oposto de onde estávamos ancorados e apreciamos uma vista bem bonita da baía.

Também exploramos as ruas da cidade na companhia dos amigos do SV Tartuga e tivemos um adorável jantar de despedida da Ana e do Duchan, novos amigos da Eslováquia que deixaram saudade.

Em nosso último dia na cidade, percorremos alguns lugares de carro, junto com os amigos do SV Tartuga e vimos cenários paradisíacos, praias belíssimas de areia clara e mar azul, adoramos rodar com eles e conhecer um pouco mais de Creta.

Mas a relevante história deste lugar diz respeito à Ilha de Espinalonga, que passamos por ela ao entrarmos na baía. Essa ilha, hoje aberta à visitação, possui várias habitações, é toda fortificada e possui um passado sombrio. A começar que nem sempre fôra uma ilha. Os venezianos, em 1526, destruíram parte da península de Elounda para criá-la e a fortificaram para salvaguardar o Porto primeiramente, depois os ataques de piratas e dos turcos e em 1903, tornou-se uma comunidade de leprosos, atingindo um número de cerca de 400 habitantes, chegando a mil durante o surto da doença.

A Hanseníase, como também é conhecida, é uma infecção bacteriana que afeta os nervos, o trato respiratório, a pele, os olhos do paciente e causa deformação, especialmente no rosto e membros. Apesar da lepra em si não ser letal, ela pode em última análise, causar a morte devido a somatória de outros fatores. No início do século 19, pouco se sabia a respeito e muitos equívocos foram cometidos, acreditava-se que era hereditaria, logo ficou provado ser infecciosa, e os pacientes vindos de toda a Grécia, foram imediatamente enviados para isolamento na ilha Espinalonga, que à época, não tinha infra-estrutura e condições adequadas de higiene, as pessoas eram enviadas lá para esperar pela morte. Aponta-se que mesmo os médicos não tinham um conhecimento profundo sobre a doença e em decorrência disso, muitas pessoas eram diagnosticadas erroneamente e mantidas presas de Espinalonga. Só em março de 1936, com a chegada de Epaminondas Remountakis, um jovem estudante também diagnosticado com lepra, as coisas começaram a evoluir a partir da criação da Irmandade do Doente de Espinalonga, com objetivo de melhorar as condições de vida na Ilha. Ruas foram abertas, as casas foram caiadas pela primeira vez, foi criado um serviço público de limpeza e também foi construído um teatro, depois houve a doação de um gerador e música clássica podia ser ouvida pelas ruas e com isso a chegada da energia elétrica iluminando as ruas. O número de pacientes na ilha começou a diminuir em 1948 devido a descoberta dos primeiros remédios contra a lepra, em 1957 os últimos pacientes foram transferidos para um hospital em Atenas e o ultimo habitante deixou a ilha em 1962. Livros e filmes retratam este período e hoje é o segundo mais visitado sítio arqueológico de Creta. Consta que na entrada da ilha, uma inscrição recomenda que você não deixe a esperança para trás, enquanto na entrada do cemitério, uma pequena placa pede respeito pelas almas que nunca conseguiram escapar de Espinalonga. Nas palavras de Remountakis, “Andando nas ruas de Espinalonga, pare e segure a respiração, você vai ouvir o eco de uma mãe ferida, de uma irmã, ou o suspiro de um homem, deixe as lágrimas gotejarem de seus olhos, e você vai testemunhar o brilho de milhões de lágrimas que regaram esta estrada antes de você estar aqui …”

A história tem essa capacidade incrível de nos informar e nos sensibilizar, as vezes muito positivamente e em outras nos fazendo conhecer tempos mais difíceis e por vezes cruéis.

Namastê 🙏🏻

15 de maio de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Creta, Grécia 🇬🇷

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