Tetouan, a cidade mais hispana do Marrocos 🇲🇦

Locamos um carro para rodar rumo ao sudeste de Marrocos, para conhecer o deserto do Saara, com os amigos Paul e Lori e também nos acompanharam o casal Gül e Bob, que navegam em um catamarã. Foram quase 1.000 km e fizemos um roteiro de 5 dias contemplando algumas cidades indicadas para “turistar”.

Algo interessante para visitar são as Medinas, que nada mais é que a cidade antiga, toda murada e com vários grandes portões para a entrada e saída dos moradores que ainda vivem lá e dos turistas e pessoas que vão visitar a Medina que também é o centro comercial “desse velho mundo”.

Se perder pelas centenas de ruelas estreitas, cheias de vendedores, pequenos locais com comida de rua, com produtos em couro, relíquias de bronze, tapetes tecidos a mão, roupas típicas de cores vibrantes e bordadas a mão, podendo se deparar as vezes com um burro, cachorros, gatos ou galinhas, pois há espaço para tudo.

Confesso que não é o passeio preferido do Renato, mas ele me acompanha pois eu adoro ver esse burburinho!

São ruas muito coloridas, enfeitadas e as portas de entrada das casas, coloridas e feitas artesanalmente com elementos que indicam proteção, trazem um charme todo especial e tudo isso torna o passeio imperdível.

Nas Medinas você encontrará um povo simples, muitos sentados no chão oferecendo seus produtos, os pães são expostos sem proteção, os doces típicos geralmente atraem abelhas ao seu redor, as crianças brincam sem nenhuma preocupação, se vê passar um homem carregando pequenos copos e um bule de chá, que é a bebida mais consumida por aqui.

Nossa primeira parada foi na cidade de Tetouan ou filha de “Granada”, é uma cidade de arquitetura hispano-mourisca. A sua Medina está inscrita como Património Mundial pela UNESCO. É a antiga capital do protetorado espanhol de Marrocos, e atualmente a residência de verão do Monarca Mohamed VI .

É a cidade de Marrocos com mais características andaluzas e fica próxima de Celta, cidade espanhola no continente africano.

Passeamos pela cidade começando é claro, pela Medina, que nos pareceu menor e mais calma do que as que já conhecemos e com muitos produtos diretos do produtor, como vegetais, grãos, especiarias, frutos secos, tâmaras, uma infinidade de doces muito apetitosos, roupas tradicionais e algumas ofereciam roupas, sandálias e chinelos de couro.

Passamos por uma rua com concentração de marceneiros, produzindo moveis e objetos e depois por outra rua mais organizada, somente com joalherias… curioso saber que aqui ainda reina o costumes de oferecer ouro quando se participa de um casamento.

Há também um bairro judeu, e segundo dados de 2014, eles representam 1/5 da população total que é de 350 mil pessoas.

Numa das ruelas estreitas e abarrotadas de coisas a venda, encontramos um Curtume ou Tanaria de peles de ovelha, gado e camelo. São diversos tanques, cada qual com uma função. As peles chegam salgadas, o sal é usado como conservante da pele, já que após retirada ela só dura 6 horas.

No curtume é feita a dessalga e uma série de outras etapas para a limpeza da pele com produtos minerais, como o cal, e também com cocô de pombos (desses que vimos nas ruas). Também o cheiro forte do enxofre usado numa das etapas deixa o ar pesado e mal cheiroso.

Porém todos querem conhecer como é feito este processo milenar, manual, do tratamento da pele até ficar pronta e disponível aos artesãos ou para a indústria. Eles mantém essa tradição passada de pai para filho.

Saindo por uma das 7 portas da Medina, andamos pelo centro da cidade onde há a bela Igreja de Nossa Senhora da Vitória e o Castelo Real, com os guardas protegendo0 toda a área.

Nos encantamos com o visual das casas todas “emendadas” e pintadas de branco, cobrindo a montanha, sem duvida um lindo cenário.

Tetouan foi a primeira cidase de nossa rota rumo ao deserto, a proxima paradas será em Chefchaouen.

Para quem gosta de viajar e mergulhar em diferentes culturas, o Marrocos é um destino super interessante, você pode ir direto a Casablanca e de lá conhecer as principais cidades como Marraquexe, Rabat (que é a capital do país), Fes e ir para Mergouza para conhecer o deserto e passar a noite numa tenda. Há muitas empresas de turismos om pacotes incríveis, vale a pena checar.

Namastê 🙏🏻

11 de outubro de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Tetouan, Marrocos 🇲🇦

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Marrocos 🇲🇦, mergulho numa diferente cultura!

Aguardamos o horário de abertura do posto de combustível em Gibraltar e às 9 horas levantamos âncora da baía de La Linea e fomos abastecer de diesel, aproveitando o preço um pouco mais barato em Gibraltar (1,23 Euros/litro).

Saindo da baía, abrimos a vela mestra e logo pudemos ver no outro lado da costa, Argélia e Marrocos. Entramos no Estreito de Gibraltar para cruzá-lo, o vento soprava de popa, o mar estava alto e com corrente forte a favor, vento e corrente nos empurrando, atingimos 10.8 knots… 4 knots mais que nossa velocidade média.

Após fazermos 32 milhas náuticas chegamos em Tanger, onde havíamos reservado marina por alguns dias.

Atracamos no pier da imigração, o vento estava forte, aguardamos a chegada do responsável, depois fizemos o check-in na imigração e na marina. Seguimos todo o protocolo e ficamos no barco esperando os oficiais que vieram fazer uma breve vistoria, tudo estava certo e fomos atracar em nossa vaga na marina. Tanger nos surpreendeu já de chegada pela infraestrutura que encontramos na área portuária, que reúne a marina, os órgãos oficiais, alguns serviços, lojas e restaurantes.

Também oferece um custo ótimo, a última marina que paramos, em Aguadulce, custou cerca de 49 euros a diária e aqui somente 13 euros.

No mesmo dia saímos andar pela cidade e comprar chip para o celular para nos conectarmos, algo que fizemos em cada país que chegamos!

Depois fomos conhecer a Medina, cidade antiga que concentra o comércio de especiarias, roupas de couro, artesanato, tapetes tecidos a mão e ima variedade de longas túnicas, para várias ocasiões (de lã, para enfrentar o frio do inverno, umas mais leves usadas no dia a dia por homens e mulheres e algumas com brilhos e bordados), me encantei com os típicos e lindos chinelos em couro ou de tecido bordado, muito usado pelos locais e vendidos aos turistas atraídos por tantas cores e modelos.

No almoço experimentamos alguns pratos típicos bem saborosos, como o Tajine, assado em um prato de cerâmica com tampa em forma de cone, com várias opções: vegetariano, com frango ou carne vermelha. O Cuzcuz Marroquino também é muito bom…. cozido a vapor e com as mesmas opções do Tajine. A culinária deles é bem temperada, não é picante e as porções são bem servidas… quase tudo acompanha pão. Os marroquinos costumam partir o pão com a mão e mergulhá-lo no prato e às vezes nem usam os talheres durante a refeição.

O governo investiu para criar uma linda e longa avenida beira-mar, com diferentes espaços de lazer, com 6 vias para carros e estacionamento subterrâneo acompanhando toda a grande avenida que engloba também a marina.

A cidade é limpa, há muitas pessoas trabalhando para recolher o lixo das ruas, podar as plantas e manter os jardins e áreas verdes. Percebemos que há uma atenção voltada para o turista e um cuidado para que não sejam importunados por insistentes vendedores de souvenirs.

Na marina os marinheiros são gentis e atenciosos e além do árabe, interagem em inglês, francês ou espanhol.

A região de Marrocos é habitada desde a Pré-história por populações berberes, o país conheceu povoamentos de fenícios, cartagineses, romanos, vândalos, bizantinos antes de ser islamizado pelos árabes. No ano 788 foi instituído o primeiro estado marroquino que se manteve lutando ao longo do tempo contra o domínio estrangeiro. Porém no início do século XX, Grã Bretanha, França, Alemanha e Espanha competiram entre si para dominar o Marrocos, uma das poucas partes remanescentes do continente fora do alcance colonial. Com a ocupação de Marrocos pela França e Espanha o descontentamento pela ocupação estrangeira durou 40 anos, até a recuperação de sua independência em 1956.

Conhecendo um pouco da história pudemos entender a influência francesa e espanhola em Marrocos. Não só pelo uso dessas línguas, mas também vendo as cidades todas brancas, que fazem nos sentir como se estivéssemos andando por uma cidade da Espanha.

Andar e se perder pelas estreitas e coloridas ruas da medina, sentir no ar o incenso que se espalha, conhecer os itens típicos usados aqui, ouvir o chamado da Mesquita para a prece diária, sentir o frescor dos vegetais vendidos pelos berberes, que vivem próximos das montanhas, ver o comércio fluir numa linguagem rápida e insistente, contemplar as diversas formas de expressar a arte e se perder nas cores presentes no “souk”, é algo enriquecedor e instigante, no sentido de parar para entender esse modo de vida tradicional que permanece paralelo ao desenvolvimento moderno.

Nas ruas vimos o novo e o tradicional andando juntos. Senti que as mulheres tem mais liberdade mesmo sendo um país muçulmano, observei inúmeras mulheres sentadas nos parques, restaurantes, casas de chá… simplesmente desfrutando uma boa companhia ou mesmo em família, o que não víamos em Monastir, Tunísia, por exemplo.

Gostamos de conhecer Marrocos e sua cultura, muito embora o país passe por uma crise de água e a fome ainda é preocupante e se multiplica no interior do país. Tanger nos surpreendeu positivamente, sendo este mais um lugarzinho para nossa bagagem de boas lembranças.

Namastê 🙏🏻

05 de outubro de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Tanger, Marrocos 🇲🇦

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Pharea saindo do Mediterrâneo !

O coração estava batendo mais forte, essa foi nossa última ancoragem no Mediterrâneo! Após 26 horas de navegação, saindo de Aguadulce, chegamos em La Linea de la Concepcion, cidade espanhola ao lado de Gibraltar.

A baía onde ancoramos tem a “The rock”, símbolo de Gibraltar ao fundo. Já a cidade espanhola de La Linea, com quem faz fronteira não é turística, o que vimos foram navios de cruzeiros pararem diariamente em Gibraltar para o desembarque dos passageiros, interessados em conhecer este pequeno pedacinho do Reino Unido.

Aqui fechamos este ciclo, estamos em nosso sexto ano de Mediterrâneo e o destino agora ir seguindo até o Caribe, ainda passaremos por Marrocos, Ilhas Canárias, talvez Cabo Verde e assim fugir dos frios invernos europeus!

Nossos amigos americanos, Paul e Lori, estavam nos esperando em La linea, para depois seguirmos juntos para Marrocos e Canárias.

Passamos bastante tempo juntos e o Paul reforçou nosso bimini e trocou os ziperes, que tiveram uma avaria num ventão que pegamos na Grécia. Ficou perfeito, só a agradecer pela atenção e pela disposição em dedicar horas de trabalho em sua potente máquina de costura “Sailrite”.

Também reencontramos o Bob e a Gül, que conhecemos na Turquia e que estão também se preparando para cruzar o Atlântico rumo ao Caribe.

Fizemos novamente um estoque de mantimentos e bebidas, aproveitando o melhor preço e ficaram ainda algumas coisas para pegar em Tanger, Marrocos, como azeite de oliva, azeitonas, grãos e cereais. Todos nos avisaram da dificuldade de encontrar alguns produtos nas pequenas ilhas do Caribe.

Nos emocionamos pensando em todos os lugares que passamos, foram muitas lindas ancoragens, momentos inesquecíveis que construímos juntos em cada lugar que passamos.

Guardamos na lembrança os tons de verde e azul do mar, e de quando passavamos por altas profundidades, víamos a explosão de um azul intenso e fascinante!

Da mesmo forma foram tantos nascer e pôr-do-sol e da lua, tantas estrelas cadentes nos fizeram sorrir durante os turnos da noite. Tantas montanhas imponentes nos abrigaram dos ventos fortes.

Admiramos cada capítulo da História destes lugares, que tivemos o prazer de contemplar, de imaginar o modo de vida dos povos desbravadores.

Também sentimos tristeza ao andar por Herculano e Pompéia, onde todos tiveram suas vidas ceifadas pelas cinzas e gazes do Vesúvio. Levou-nos a reflexão os tantos refugiados que vimos chegar em terra, depois de se lançarem ao mar em barcos inapropriados, sabendo que poderiam não chegar mas a vontade de construir uma vida melhor os impulsionou para esta loucura, sem garantias ou segurança.

Nos impressionamos com o tratamento dado aos entes queridos, guardando seus corpos em tumbas feitas de pedra ou escavadas nas rochas, onde ficariam seguros aguardando o dia da reencarnação.

Ouvimos, cantamos e dançamos com diferentes músicas, diferentes ritmos.

Fizemos muitos amigos de vela, que como nós, estão interessados numa vida desatribulada e rica em liberdade.

Vimos, pelos olhos dos lugares que estivemos, formas diferentes de ver o mundo e de construir uma sociedade.

Vimos muitas pessoas gentis e outras nem tanto.

Nos satisfizemos nos deliciando com as diferentes comidas e incorporando em nossa rotina algumas dessas novas receitas.

Nos encantamos em ver o cultivo das oliveiras e a produção de azeite, que é a principal característica da saudável dieta mediterrânea.

Interagimos com os locais, criando laços de amizade e mostrando nosso respeito pelas tradições e diferenças culturais.

Sentimos também que todos buscam o mesmo, a realização pessoal, profissional e familiar, são muitos os caminhos para se realizar, cabe encontrar aquele que melhor você se adapta.

As pessoas tem necessidades diferentes e alguns, como nós velejadores, optam por seguir de forma mais livre.

Vimos também que há espaço para tudo, para grandes obras, grandes criações e projetos, porém, o tempo continua a ser um limitador, por isso precisamos viver o presente e nele construir nossa melhor história.

Só a agradecer pela vida tão boa que temos, ela é simples, as vezes restritiva, mas em compensação temos um mundo a descobrir!

Namastê 🙏🏻

30 de setembro de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em La Linea de la Concepcion, Espanha 🇪🇸

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Quando tudo volta a ficar certo novamente 💖🇪🇸

Navegamos de Garrucha para Aguadulce, novamente uma pernada de cerca de 100 km e levamos 10 horas para fazer este percurso, nas últimas 3 horas não só o vento estava contra como também a corrente e ondas de 1,5 metros, fazendo com que a velejada fosse muito desconfortável.

Enfim, chegamos na Marina de Aguadulce e fomos orientados a atracar no pier do posto de combustível e aguardar o vento acalmar para depois nos movermos para a vaga onde ficaríamos.

Pela primeira vez ficamos na vaga número 1, das 450 disponibilizadas na Marina.

Na manhã seguinte, conforme combinado o Yussef, profissional que trabalha com inox, chegou para dar uma olhada no serviço a ser feito. Nossa urgência era que fizesse o serviço em poucos dias pois não gostaríamos de ficar muito tempo na marina e ele nos surpreendeu entregando o pulpito em três dias, mas a previsão do tempo não nos permitiu partir e acabamos ficando uma semana na Marina. A instalação ficou perfeita, já ficou colocada a luz de navegação de proa (cuja fiação corre dentro do tubo de inox), ele também recuperou o lançador de âncora, que tinha ficado bem danificado.

Agora tínhamos que reinstalar as linhas de dynema (cabo flexível de altíssima resistência) no guarda-mancebo e a rede no entorno do barco, foi trabalhoso refazer mas o resultado foi bom!

Aproveitamos a água doce para lavar todo o barco, várias vezes, tentando tirar o pó que havíamos pego na tempestade quando ainda estávamos em Torrevieja. Também lavamos os dois tanques de água e tudo mais que precisava ser lavado. Usamos a lavanderia próxima da marina e zeramos toda a roupa suja, ufa! Foram dias de bastante trabalho… o Renato tinha uma lista enorme de coisas a fazer… mas deu conta de tudo durante a semana que estivemos por lá.

Eu e a Bella aproveitamos para ir a “peluqueria” cortar o cabelo e o pêlo dela ficou bem baixinho, mais fresco para enfrentar o calor.

E ainda sobrou um dia para irmos para Almería, cidade há 30 minutos de distância, onde compramos o zíper para recolocar no bimini, e fomos surpreendidos por uma cidade muito rica culturalmente e com sítios arqueológicos incríveis, onde investimos o restante de nosso tempo para conhecer.

Visitamos o Museu de Arte Doña Pakyta, com a exposição de obras de artistas locais entre 1880-1970.

Depois subimos para conhecer o Conjunto Monumental La Alcazaba de Almeria.

Uma fortaleza no alto da colina, onde a cidade cresceu ao seu redor. Realmente “monumental”, grandioso! Um dos mais impressionantes conjuntos defensivos da era medieval de al-Andalus.

Sua morfologia atual resulta de inúmeras modificações que ocorreram ao longo dos séculos e das diferentes ocupações. La Alcazaba divide-se em tres partes, as duas primeiras de origem islâmica e a terceira de origem católica.

O que mais nos impressionou foram as diversas fontes de água que perpassam por toda a Alcazaba, em diferentes níveis e permeando as escadarias os jardins e os cômodos das construções que compõem todo esse conjunto, valeu muito conhecer e entender um pouco mais da história da região de Andaluzia.

Ma um dia cheio de alegria, conhecendo novos lugares e aprendendo um pouco mais da história que construiu nossos dias atuais.

Namastê 🙏🏻

25 de setembro de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Aguadulce, Almeria, Espanha 🇪🇸

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Navegando pela Costa da Espanha 🇪🇸

Saindo de Cartagena navegamos até Garrucha, cerca de 100 km, o mar estava bem mexido com ondas laterais o tempo todo, deixando a velejada bem desconfortável até que finalmente alcançamos o porto de Garrucha, onde paramos para pernoitar. Junto ao porto há uma marina, porém para o vento sudoeste que estava entrando, ela era desabrigada e o swell levantava ondas dentro da baía.

Atracamos o barco “along side” no píer com a ajuda de um marinheiro, prendemos os cabos de bombordo junto ao pier e mais outros dois de proa e de popa a boreste para manter o barco afastado do píer, evitando que o barco fosse empurrado contra o pier. Estávamos devidamente atracados, porém, com o barco pulando ondas parecia estarmos montados num touro bravo. Checamos todos os cabos e decidimos dar uma volta na marina e pela pequena cidade, esperando que o tempo melhorasse um pouco para voltarmos para o barco.

Quando passamos o dia navegando, ansiamos por esticar as pernas e andar um pouco, inclusive a Bella, que fica esperando pela hora do seu passeio diário em terra.

Quando retornamos do passeio o vento havia acalmado um pouco e descansamos para seguir velejando na manhã seguinte, pois o Renato havia agendado a visita do profissional que vai fazer o pulpito de proa, para o dia seguinte a nossa chegada em Aguadulce (20/09).

Agora estamos prestes a completar nosso tempo por aqui, este é o nosso sexto ano navegando ao redor do Mediterrâneo, iniciamos na Croácia em março de 2018, depois seguimos para Montenegro, Grécia, Itália, Tunísia, Malta, Turquia, França e agora Eapanha.

Desde que saímos das Ilhas Baleares em direção a costa da Espanha temos navegado sempre com muito swell entrando de través (pela lateral do barco) e muitas vezes com corrente contra. O fato é que a costa da Espanha tem uma configuração geográfica mais reta, com poucas reentrâncias que formam as baías mais abrigadas. Apesar de toda a costa ser pontilhada por inúmeras cidades, umas bem próximas das outras, não há baías abrigadas para ancoragem e tambem não são todas as cidades que tem marina para parar e as que tem, o preço é elevado.

Sentimos falta das inúmeras e boas ancoragem que desfrutamos na costa sudoeste da Turquia. As vezes eram suficientes apenas 20 minutos para nos movermos e ancorarmos abrigados das mudanças da direção dos ventos.

Saudades também das marinas públicas da Grécia que tem preço super acessivel, mas agora, nessa pernada de saída do Mediterrâneo, o rumo é sempre para oeste e vamos nos adaptando e cumprindo, na medida do possível, o calendário que nos propomos para cruzar o Oceano Atlântico no final deste ano.

Namastê 🙏🏻

19 de setembro de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Garrucha, Espanha 🇪🇸

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