Tenerife, lá vamos nós!

Em função da previsão do tempo, o Renato definiu que era hora de irmos para a próxima ilha, Tenerife, e novamente buscamos abrigo numa ancoragem no sul da ilha, na Praia de Los Cristianos.

Lá não há pier para colocar o bote, precisamos sempre colocá-lo na praia e puxá-lo bem para cima, pois a variação de maré chega a quase 2 metros. Isso nos lembra de Antonina, quando deixávamos o Relax numa poita e as vezes, dependendo da amplitude da maré, não havia como sair do pier da marina e chegar até o veleiro, tínhamos que esperar.

A praia em frente a ancoragem é cheia e a cidade bastante turística, bares e restaurantes sempre com movimento e um comércio bem forte com lojas de várias marcas e produtos de grife.

Todos os dias saíamos para andar pela cidade, tem um calçadão imenso na beira mar, que chega até praia vizinha de Las Américas, que é bastante procurada pelos surfistas e praticantes de esportes aquáticos.

No tempo que estivemos lá, o Renato aproveitou para trocar as baterias, foi trabalhoso levar as velhas e pegar as novas, com o bote na areia da praia, mas o vendedor foi bem gentil e disponibilizou um ajudante que as levou no carrinho até o bote. E o Bobby também deu uma força e em dois dias já estavam instaladas!

Em Los Cristianos conhecemos a Berthi e o Karl, um casal de alemães que estavam com problemas para ancorar na baía onde estávamos e o Renato percebeu e foi ver se precisavam de ajuda. Eles estavam sem a ancora principal que haviam cortado a corrente e deixado no local da ancoragem anterior, por estarem com problemas no guincho.

O Paul e o Bobby se juntaram ao Renato ajudaram a resgatar a ancora e a consertar o guincho. Após os trabalhos eles convidaram todos nós para jantar na cidade, como forma de agradecimento e foi muito bacana conhecê-los!

A ilha tem muitas atrações e nosso grande passeio em Tenerife (tene=montanha, ife=branca) foi visitar o Parque Nacional Teide, nome dado a área no entorno do vulcão Teide, ponto mais alto de toda a Espanha, com 3.718 metros de altura.

Fomos de carona com a Gül e o Bobby e nos encantamos já no caminho, passando por pequenas e charmosas cidadezinhas, por florestas de pinheiros e a medida que íamos subindo éramos presenteados com lindas paisagens uma mistura de mar, encostas, montanhas e vales.

Todo o Parque Nacional de Teide é belíssimo e guarda o que resultou das lavas vulcânicas, responsáveis pela criação do relevo atual. Uma parte tem aspecto bem lunar, além de rochas em vários e interessantes formatos, como desenhos esculpidos cuidadosamente pelo tempo.

O acesso ao pico do Teide é feito por teleférico e depois mais uma subida a pé até a cratera do vulcão… mas desta vez optamos por fazer um piquenique aos pés do Teide, contemplando e aproveitando o momento com os amigos.

Mesmo estando maravilhados com o Teide, que o vimos nevado há poucos dias atrás, no caminho de volta passamos por várias encostas, penhascos e vales incrivelmente verdes, um dos lugares mais lindos que já estivemos.

Lá paramos para um café e visitamos um pequeno museu e me chamou a atenção o jardim externo reunindo várias plantas endógenas das Canárias… lindas e bem diferentes! Há uma quantidade incrível dessas plantas que se adaptaram ao clima daqui e são como uma marca registrada da flora Canária.

Tivemos ótimos dias em Los Cristianos, até que o swell ficou muito desconfortável e assim aproveitamos para seguir rumo a ilha de La Gomera, umas 27 milhas náuticas nos separam de lá!

Namastê 🙏🏻

16 de novembro de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Tenerife, Ilhas Canárias 🇪🇸

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Gran Canária, um país em miniatura.

Seguimos para Gran Canária uma ilha linda com uma diversidade incrível de montanhas, picos nevados, penhascos, praias, cidades e povo hospitaleiro (conheça mais clicando neste link), buscamos áreas mais abrigadas no sul da Ilha e ancoramos próximos da marina na companhia de outros barcos. Lá nos reencontramos com os amigos Paul e Lori, do veleiro Imagine2 e o Bobby e a Gül, do catamarã MBR.

A marina próxima da ancoragem foi super amigável, pudemos deixar o bote no píer todas as vezes que fomos para a cidade, sem nos preocuparmos com nada e sem molhar os pés na areia, o que acontece quando precisamos deixar o bote na areia da praia para ir até a cidade.

A cidade é bem turística, muitos resorts e hotéis espalhados na beira mar mas estávamos distantes da cidade, assim fomos até o centro uma vez de bike elétrica, que os amigos Paul e Lori nos emprestaram, outra vez fomos andando com os amigos Bobby e Gül e também usamos o transporte coletivo, que liga todas as cidades da Ilha.

No centrinho tem um lindo farol na beira da praia, que desde 1890 auxilía as embarcações que passam por aqui, além de inúmeras lojas de grife, restaurantes e um calçadão imenso que acaba numa área desértica de preservação com três quilômetros de dunas. Nos lembramos do deserto do Saara e ja que estavamos lá, aproveitamos para subir e descer as dunas.

Visitamos a principal cidade da ilha, Las Palmas, pois o Renato precisava pegar o equipamento da Garmin, que usaremos na travessia do Atlântico para podermos nos comunicar via satélite.

Uma velaria, onde se costuram as velas!

Vimos grandes estufas para cultivo de hortifruti, demoramos para entender o que eram aquelas eatruturas imensas. Nos lembrou da Turquia, onde havia também muitas estufas e além disso, muitas torres eólicas nas montanhas e próximas do mar.

Las Palmas é grande e agitada. A marina de lá fica na cidade, tem praias e uma beira mar bem legal que a medida que vamos andando dá para ouvir os vários sotaques que soam por aqui… alemães, suíços, suecos, dinamarqueses, ingleses entre outros, e é claro, o espanhol… falado as vezes tão rápido que não dá para entender…

Sentamos para tomar uma cãna (como é chamado a cerveja por aqui) e sangria (vinho com frutas muito consumido também) acompanhado de ótimos bocaditos (mini sanduichinhos com todo tipo de recheio que pensar… queijos, carnes, vegetais, molhos e muito mais).

Nesta ida a Las Palmas encontramos o Nestor, nosso amigo Canário (como chamam os nascidos aqui). Tivemos um dia bem intenso, contemplamos o caminho de ida e volta até Las Palmas e curtimos a cidade perambulando e explorando o lugar.

Neste tempo que ancoramos aqui em Passito Blanco, a Bella estava no paraíso, passeando todos os dias nos arredores da marina, onde há condomínios super limpos, jardins e passeios revestidos de grama sintética, todos bem cuidados e organizados e ainda com alguma sombra para se proteger do calor e do sol forte. Realmente ter um píer para desembarcar faz toda a diferença!

Queríamos muito conhecer mais uma ancoragem na ilha e rumamos para uma baía cercada de grandes resorts próximo da cidade de Argueniquim… montanhas ao fundo e gigantescos hotéis na beira do mar, com algumas praias e rochedos.

Fomos de carona no bote do Paul e da Lori até a marina de Arguineguím e visitamos algumas lojas náuticas onde o Renato encontrou vários materiais que estava precisando e também para ter de reserva, o que é recomendável, pois na hora que for necessário, certamente estaremos na água e não na cidade para comprar.

Desde que chegamos no arquipélago das Ilhas Canárias, nos impressionamos com o número de turistas nas ilhas… de janeiro a janeiro tudo funciona num ritmo constante para atender a demanda de tantos turistas, além das belezas naturais, o clima de verão o ano inteiro é um chamariz para os europeus que enfrentam invernos muito frios e com neve. Mas o interessante aqui, é que tudo é calmo e organizado, os grandes resorts são espalhados pela costa, a grande maioria das cidades são pequenas e com um ar provinciano, o que tem nos encantado em todas as ilhas do arquipelago, estamos amando as Canárias 💖🇪🇸.

Namastê 🙏🏻

14 de novembro de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Gran Canária, Espanha 🇪🇸

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Mais uma ilha incrível das Canárias, Forteventura!

Estar no arquipelago das Canárias, com suas diversas ilhas, nos impulsiona a seguir em frente para conhecer cada uma delas.

Buscamos sempre as ancoragens protegidas do vento norte/nordeste, que é mais frequente nesta época, mantendo-nos ao sul das ilhas, onde se forma uma área abrigada atrás das montanhas, a cor azul da imagem abaixo.

Fizemos duas ancoragens em Fuerteventura. A primeira somente para passar a noite e pegamos um swell (ondulação do mar) que nos deixou bem desconfortaveis e nem descemos em terra, mas a segunda ancoragem, em Morro Jable, foi bem melhor e paramos próximo da marina e em frente a cidade.

Fomos de bote até a Marina e o Renato pediu autorização para deixá-lo lá, enquanto conhecíamos a cidade. Andamos entre estreitas ruelas até chegar no centro, onde novamente encontramos uma cidade cheia de turistas europeus, muitas famílias com crianças e um vai e vem de pessoas nas lojas, restaurantes e na praia.

Passamos pelo centro antigo, onde tem uma igreja e algumas casas e no restante do caminho, andamos por um calçadão na beira da praia, passando por inúmeros hotéis e grandes resorts.

A praia é linda e a faixa de areia bem larga, aqui é comum ver as mulheres fazendo topless e há também muitas praias de nudismo, muito embora nos impacte, é culturalmente normal isso por aqui. Desde a Croácia, não tínhamos presenciados estes hábitos tão fortemente.

Perambulamos pela cidade e almoçamos num restaurante a beira da praia, curtindo a vista e a brisa do mar.

Nosso amigo Nestor comentou que as Canárias recebem muitos alemães, dinamarqueses, irlandeses, ingleses, franceses e é claro espanhóis, vindos do continente, e é fácil entender o porquê, os vôos da europa para cá ficam entre 2 e cinco horas, o que torna este lugar ainda mais interessante por suas peculiaridades e proximidade com os países europeus.

Já observamos o Etna, na Itália, soltando lava e também visitamos Vulcano, onde há um grande vulcão que expele gases, mas aqui está se revelando um dos lugares mais lindos que estivemos, não só pela configuração vulcânica, que construiu aqui um cenário fascinante, como pela infra-estrutura voltada ao turismo, já que as Canárias respondem por quase 20% do turismo espanhol.

Uma delícia acordar e sair andar pelas lindas cidades, apreciar a natureza do entorno, se impressionar com a limpeza e organização das cidades e se sentir completamente seguro, sem medo de assaltos, de golpes e de tantas outras situações de desreipeito e violência que vimos nas notícias do Brasil diariamente.

Nossa próxima ancoragem será na terceira ilha, a famosa Gran Canárias e antes disso o Renato limpou o casco do veleiro aproveitando a transparencia água do mar e a temperatura.

E lá vamos nós, explorar mais e mais este arquipélago!

Namastê 🙏🏻

29 de outubro de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Fuerteventura, Ilhas Canárias, Espanha 🇪🇸

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Lanzarote, experiência única! Ilhas Canárias 🇪🇸

Nossa primeira ancoragem no arquipelago das Canárias foi em Lanzarote, a ilha mais ao Norte e a primeira vista, nos surpreendemos com a paisagem vulcânica, seu aspecto lunar, árido, aparentemente sem vegetação ou vida animal.

A ilha é formada por uma cadeia de vulcões, um ao lado do outro e abaixo deles vemos as vilas e cidades nos vales e na costa, que se destacam na paisagem cinza e negra, por suas casa todas pintadas de branco.

Existem inúmeras cidades em toda a costa de Lanzarote, umas maiores outras menores, porém todas elas extremamente limpas, organizadas, arborizadas com palmeiras, as estradas e passeios bem cuidados e nos pareceu que a maior parte dos imóveis é para aluguel aos turistas (AIRBNB), isso sem falar do gigantesco número de hotéis e resorts que oferecem todo o conforto e a infraestrutura necessária. As Canárias são um ponto turístico muito visitado pelos europeus e em 2022 foram 12 milhões e 300 mil turistas, que aproveitaram suas praias com o clima de verão o ano todo.

Em Lanzarote, na Marina de Rubicon, encontramos com o Nestor, nascido em Gran Canária, velejador, skipper e havíamos tido contato com ele no Brasil, na época que moramos a bordo, entre Angra e Paraty.

Foi maravilhoso encontrá-lo e desfrutamos de toda sua hospitalidade, ele nos levou passear por toda a ilha e nos mostrou os pontos interessantes e as vistas mais incríveis.

Além disso levou o Renato ao seu dentista e depois nos levou para fazer a imigração, pois já estávamos há alguns dias aqui e não havíamos carimbado nosso passaporte dando entrada.

Começamos o tour com os compromissos e depois ficamos liberados somente para passear.

Fomos até La Geria, região de cultivo de uva, totalmente diferente de tudo o que já havíamos visto.

As videiras crescem num terreno aparentemente inóspito, porém como a cobertura do terreno é de Picón (algo como um cascalho preto, mas é leve e poroso, derivado das cinzas vulcânicas) ele atua como reserva de umidade das raras chuvas e do orvalho, e evita a erosão dos terrenos, além de possuir uma grande quantidade de minerais importantes ao cultivo das videiras, ajudando a manter a sanidade da planta e ainda, a sua coloração escura absorve mais radiação, o que ajuda a concentrar mais açúcares da fase da maturação.

Não só o solo é diferente como a plantação em si. São feitos grandes círculos, colocadas rochas ao redor fazendo uma proteção contra os ventos Alísios que sopram da África, e no centro é plantada a videira, a uma profundidade de menos se um metro. A paisagem é surreal, os círculos começam na beira da estrada e sobem a montanha formando um desenho fascinante. Tivemos o prazer de degustar alguns vinhos produzidos em Lanzarote e são realmente muito bons, destaque para os brancos, que são a maioria.

Nestor nos falou do grande incentivo ao esporte, sendo as cidades bem receptivas e oferecendo inclusive, serviços voltados ao ciclismo e mountain bike. A ilha é conhecida também pela realização de triatlon (prova tripla: correr, pedalar e nadar) e por duas edições anuais do Ironman (março e maio). Aproveitando sua posição e vento constante, a ilha recebe também praticantes de windsurf e kitesurf tendo intensa vida náutica.

As ilhas Canárias recebem os velejadores que farão as várias travessias, incluindo a ARC e a Corrida Transatlântica RORC. É também onde se provisiona os barcos que vão cruzar o atlântico, como é o nosso caso.

Em nosso tour visitamos também uma Salina e vimos os vários tanques de evaporação da água, de onde ao final é extraído o sal marinho. É claro que não resisti e comprei um pacote de sal, e o Renato tem utilizado no churrasco e é super saboroso, diferente do refinado que compramos no mercado. Acima da salina há um mirante para contemplar o pôr do sol e também ver os flamingos, porém eles já haviam migrado e assim não pudemos vê-los.

Fomos até a cidade de Teguise, chamada de Villa, que foi a antiga capital de Lanzarote. Hoje é um centro histórico preservado que recebe muitos turistas.

A história conta que no dia 1 de setembro de 1730, as bocas do vulcão Timanfaya, em Lanzarote, abriram-se para vomitar lava durante seis anos e assim: enterrou onze municípios, levantou montanhas onde era impensável e criou uma linha de fendas com quilómetros de comprimento que devastou quase metade da ilha.

Pois bem, passamos onde é hoje o Parque Nacional de Timanfaya e toda a paisagem impressiona, os vulcões ao fundo, as formações rochosas imponentes com cores que variam entre preto, cinza e vermelho escuro e a preservação das áreas de lavas vulcânicas, que cobriram as vilas e que a nós parece um campo arado somente de rochas enrugadas e agudas, sendo impossivel caminhar sobre elas.

Em resumo, quando chegamos aqui pensávamos erroneamente que era um solo totalmente árido e inóspito e depois de vermos muitas espécies de cactos pelas ruas e nos jardins das casas, conhecemos o sistema bem sucedido do plantio de uvas para a produção de vinhos.

Quanto a organização e limpeza das cidades, a cada uma que passávamos isso somente se confirmava. O ambiente urbano é muito agradável e o branco das casas traz um ar de limpeza e paz. Nos jardins o Picón preto ou vermelho faz a cobertura perfeita embelezando e diminuido as áreas impermeabilizadas.

Bella se protegendo do sol!

O astral do povo espanhol é alegre e acolhedor. Sempre encontramos onde deixar o bote quando vamos para a terra; quando passam cumprimentam com um “buenos dias” acompanhado de um sorriso.

Eles tem o costume de sentar-se no bar para desfrutar dos inúmeros tipos de “tapas” (como eles chamam os petiscos de bar), acompanhado de um chopp a um preço justo. Já nos restaurantes a melhor pedida são os frutos do mar. Peixes frescos, lulas, polvos e camarões, tudo uma delicia.

E ainda para compensar, já nos sentimos em clima de verão, temperatura em torno dos 26 e água do mar 23 graus Celsius. Agora, muito feliz por estar conhecendo tudo isso, a natureza incrível que tem por aqui e só esperando as melhores condições para fazer nossa travessia do Atlântico.

Namastê ✌

26 de outubro de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Lanzarote, Ilhas Canárias, Espanha 🇪🇸

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5 dias de travessia para as Ilhas Canárias, Atlântico 🇪🇸

Confesso que eu estava ansiosa por essa travessia. Sair de Marrocos, deixar o Mediterrâneo, navegar no Oceano Atlântico e descer até o arquipélago das Ilhas Canárias (rota usada pelos navegadores para chegar ao Caribe), tudo isso em 5 dias no mar e mais de 580 milhas náuticas a vencer. Já o Renato estava muito animado, durante nossa viagem ao Marrocos, estava estudando os diferentes apps de previsão do tempo, planejando o melhor local de chegada e interagindo com os amigos Portela e Prieto para os up date quanto eventuais mudancas significativas na previsão do tempo.

Mesmo morando a bordo tanto tempo e tendo navegado entre tantos países da Europa, África e Ásia, o que ocorre é que nesses locais é possível fazer pernadas curtas, de um lugar ao outro e navegar direto por no máximo 2 noites. O Renato me disse: “No terceiro dia você se acostuma a nova rotina” e foi o que aconteceu. Ele que já cruzou o Atlântico, do Rio de Janeiro a Cape Town, na África do Sul, em 33 dias, falou por experiência própria!

Estabelecemos alguns horários para nos revezarmos durante a noite e durante o dia ficamos juntos no cockpit envolvidos com a navegação, alimentação e com a Bellinha, que preferiu ficar o tempo todo no cockpit, usando a guia de segurança.

Quando não se vê terra, somente o mar ao seu redor é como se a vida desacelerasse, o veleiro vira nosso mundo e toda a nossa atenção está depositada nele.

Nos deslocamos com a força do vento. Quando abrimos as velas, ajustamos os ângulos, definimos o rumo e deixamos o vento nos levar. Porém nem sempre há vento suficiente ou na direção necessária para nos levar, então ligamos o motor e ele juntamente com as velas nos empurram em frente. Nosso barco tem pouco mais de 12 metros de comprimento, pesa 11 toneladas.

O silêncio da navegada era cortado pelo barulho do vento, das ondas e pelo rádio VHF. Há um canal para chamada e depois é escolhido outro canal para se ter a conversa propriamente dita. Na primeira noite fomos abordados por um grande navio de pesca que nos chamou avisando de suas condições restritas de manobra, possivelmente estava em operação de pesca, pedindo que desviassemos dele e assim o fizemos. Uma tarde o céu fechou, parecia haver uma formação de chuva e o Renato contatou via rádio com um navio de carga, que estava próximo, que nos atualizou sobre as condições de tempo. Interagimos durante todo o percurso com nossos amigos Paul e Lori que estão fazendo a travessia também.

Temos o AIS que nos mostra todas as embarcações que estão navegando na área, trazendo algumas informações sobre cada uma delas, como nome, tipo de barco e rumo, dentre outras, o que nos permitiu ter um panorama da área que estávamos navegando. Porém, algumas embarcações não possuíam ou não estavam com o AIS ligado (acontece geralmente com barcos de pesca sem autorização ou em área proibida), por isso foi necessário que um de nós dois ficasse de vigília.

Durante todo o percurso vimos muitas gaivotas, golfinhos acompanhando o barco, cardumes de atum e pequenos pássaros, tipo Pardais, que paravam no barco, saiam e voltavam. Creio que as aves usam os barcos e navios como ponto de apoio, ao se deslocarem de um local para o outro em longas distancias.

Os dias se passaram lentamente, o frio que sentimos em La Linea, há dias atrás foi substituído pelo ar mais quente, estamos indo para uma latitude mais próxima do Equador, nos afastando do frio característico do hemisfério norte, onde passamos 5 invernos.

A expectativa aos poucos foi se concretizando, nossa travessia do Atlântico já comecou, essa foi a primeira pernada e até final de janeiro próximo, pretendemos estar do outro lado do Atlântico.

Brindamos à nossa chegada na ilha vulcânica de Lanzarote, pertencente ao Arquipélago das Ilhas Canárias. Nos próximos dias vamos explorar e saber o que tem para vermos por aqui!

Namastê 🙏🏻

16 de outubro de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea, travessia para as Ilhas Canárias 🇪🇸

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