Lanzarote, experiência única! Ilhas Canárias 🇪🇸

Nossa primeira ancoragem no arquipelago das Canárias foi em Lanzarote, a ilha mais ao Norte e a primeira vista, nos surpreendemos com a paisagem vulcânica, seu aspecto lunar, árido, aparentemente sem vegetação ou vida animal.

A ilha é formada por uma cadeia de vulcões, um ao lado do outro e abaixo deles vemos as vilas e cidades nos vales e na costa, que se destacam na paisagem cinza e negra, por suas casa todas pintadas de branco.

Existem inúmeras cidades em toda a costa de Lanzarote, umas maiores outras menores, porém todas elas extremamente limpas, organizadas, arborizadas com palmeiras, as estradas e passeios bem cuidados e nos pareceu que a maior parte dos imóveis é para aluguel aos turistas (AIRBNB), isso sem falar do gigantesco número de hotéis e resorts que oferecem todo o conforto e a infraestrutura necessária. As Canárias são um ponto turístico muito visitado pelos europeus e em 2022 foram 12 milhões e 300 mil turistas, que aproveitaram suas praias com o clima de verão o ano todo.

Em Lanzarote, na Marina de Rubicon, encontramos com o Nestor, nascido em Gran Canária, velejador, skipper e havíamos tido contato com ele no Brasil, na época que moramos a bordo, entre Angra e Paraty.

Foi maravilhoso encontrá-lo e desfrutamos de toda sua hospitalidade, ele nos levou passear por toda a ilha e nos mostrou os pontos interessantes e as vistas mais incríveis.

Além disso levou o Renato ao seu dentista e depois nos levou para fazer a imigração, pois já estávamos há alguns dias aqui e não havíamos carimbado nosso passaporte dando entrada.

Começamos o tour com os compromissos e depois ficamos liberados somente para passear.

Fomos até La Geria, região de cultivo de uva, totalmente diferente de tudo o que já havíamos visto.

As videiras crescem num terreno aparentemente inóspito, porém como a cobertura do terreno é de Picón (algo como um cascalho preto, mas é leve e poroso, derivado das cinzas vulcânicas) ele atua como reserva de umidade das raras chuvas e do orvalho, e evita a erosão dos terrenos, além de possuir uma grande quantidade de minerais importantes ao cultivo das videiras, ajudando a manter a sanidade da planta e ainda, a sua coloração escura absorve mais radiação, o que ajuda a concentrar mais açúcares da fase da maturação.

Não só o solo é diferente como a plantação em si. São feitos grandes círculos, colocadas rochas ao redor fazendo uma proteção contra os ventos Alísios que sopram da África, e no centro é plantada a videira, a uma profundidade de menos se um metro. A paisagem é surreal, os círculos começam na beira da estrada e sobem a montanha formando um desenho fascinante. Tivemos o prazer de degustar alguns vinhos produzidos em Lanzarote e são realmente muito bons, destaque para os brancos, que são a maioria.

Nestor nos falou do grande incentivo ao esporte, sendo as cidades bem receptivas e oferecendo inclusive, serviços voltados ao ciclismo e mountain bike. A ilha é conhecida também pela realização de triatlon (prova tripla: correr, pedalar e nadar) e por duas edições anuais do Ironman (março e maio). Aproveitando sua posição e vento constante, a ilha recebe também praticantes de windsurf e kitesurf tendo intensa vida náutica.

As ilhas Canárias recebem os velejadores que farão as várias travessias, incluindo a ARC e a Corrida Transatlântica RORC. É também onde se provisiona os barcos que vão cruzar o atlântico, como é o nosso caso.

Em nosso tour visitamos também uma Salina e vimos os vários tanques de evaporação da água, de onde ao final é extraído o sal marinho. É claro que não resisti e comprei um pacote de sal, e o Renato tem utilizado no churrasco e é super saboroso, diferente do refinado que compramos no mercado. Acima da salina há um mirante para contemplar o pôr do sol e também ver os flamingos, porém eles já haviam migrado e assim não pudemos vê-los.

Fomos até a cidade de Teguise, chamada de Villa, que foi a antiga capital de Lanzarote. Hoje é um centro histórico preservado que recebe muitos turistas.

A história conta que no dia 1 de setembro de 1730, as bocas do vulcão Timanfaya, em Lanzarote, abriram-se para vomitar lava durante seis anos e assim: enterrou onze municípios, levantou montanhas onde era impensável e criou uma linha de fendas com quilómetros de comprimento que devastou quase metade da ilha.

Pois bem, passamos onde é hoje o Parque Nacional de Timanfaya e toda a paisagem impressiona, os vulcões ao fundo, as formações rochosas imponentes com cores que variam entre preto, cinza e vermelho escuro e a preservação das áreas de lavas vulcânicas, que cobriram as vilas e que a nós parece um campo arado somente de rochas enrugadas e agudas, sendo impossivel caminhar sobre elas.

Em resumo, quando chegamos aqui pensávamos erroneamente que era um solo totalmente árido e inóspito e depois de vermos muitas espécies de cactos pelas ruas e nos jardins das casas, conhecemos o sistema bem sucedido do plantio de uvas para a produção de vinhos.

Quanto a organização e limpeza das cidades, a cada uma que passávamos isso somente se confirmava. O ambiente urbano é muito agradável e o branco das casas traz um ar de limpeza e paz. Nos jardins o Picón preto ou vermelho faz a cobertura perfeita embelezando e diminuido as áreas impermeabilizadas.

Bella se protegendo do sol!

O astral do povo espanhol é alegre e acolhedor. Sempre encontramos onde deixar o bote quando vamos para a terra; quando passam cumprimentam com um “buenos dias” acompanhado de um sorriso.

Eles tem o costume de sentar-se no bar para desfrutar dos inúmeros tipos de “tapas” (como eles chamam os petiscos de bar), acompanhado de um chopp a um preço justo. Já nos restaurantes a melhor pedida são os frutos do mar. Peixes frescos, lulas, polvos e camarões, tudo uma delicia.

E ainda para compensar, já nos sentimos em clima de verão, temperatura em torno dos 26 e água do mar 23 graus Celsius. Agora, muito feliz por estar conhecendo tudo isso, a natureza incrível que tem por aqui e só esperando as melhores condições para fazer nossa travessia do Atlântico.

Namastê ✌

26 de outubro de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Lanzarote, Ilhas Canárias, Espanha 🇪🇸

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5 dias de travessia para as Ilhas Canárias, Atlântico 🇪🇸

Confesso que eu estava ansiosa por essa travessia. Sair de Marrocos, deixar o Mediterrâneo, navegar no Oceano Atlântico e descer até o arquipélago das Ilhas Canárias (rota usada pelos navegadores para chegar ao Caribe), tudo isso em 5 dias no mar e mais de 580 milhas náuticas a vencer. Já o Renato estava muito animado, durante nossa viagem ao Marrocos, estava estudando os diferentes apps de previsão do tempo, planejando o melhor local de chegada e interagindo com os amigos Portela e Prieto para os up date quanto eventuais mudancas significativas na previsão do tempo.

Mesmo morando a bordo tanto tempo e tendo navegado entre tantos países da Europa, África e Ásia, o que ocorre é que nesses locais é possível fazer pernadas curtas, de um lugar ao outro e navegar direto por no máximo 2 noites. O Renato me disse: “No terceiro dia você se acostuma a nova rotina” e foi o que aconteceu. Ele que já cruzou o Atlântico, do Rio de Janeiro a Cape Town, na África do Sul, em 33 dias, falou por experiência própria!

Estabelecemos alguns horários para nos revezarmos durante a noite e durante o dia ficamos juntos no cockpit envolvidos com a navegação, alimentação e com a Bellinha, que preferiu ficar o tempo todo no cockpit, usando a guia de segurança.

Quando não se vê terra, somente o mar ao seu redor é como se a vida desacelerasse, o veleiro vira nosso mundo e toda a nossa atenção está depositada nele.

Nos deslocamos com a força do vento. Quando abrimos as velas, ajustamos os ângulos, definimos o rumo e deixamos o vento nos levar. Porém nem sempre há vento suficiente ou na direção necessária para nos levar, então ligamos o motor e ele juntamente com as velas nos empurram em frente. Nosso barco tem pouco mais de 12 metros de comprimento, pesa 11 toneladas.

O silêncio da navegada era cortado pelo barulho do vento, das ondas e pelo rádio VHF. Há um canal para chamada e depois é escolhido outro canal para se ter a conversa propriamente dita. Na primeira noite fomos abordados por um grande navio de pesca que nos chamou avisando de suas condições restritas de manobra, possivelmente estava em operação de pesca, pedindo que desviassemos dele e assim o fizemos. Uma tarde o céu fechou, parecia haver uma formação de chuva e o Renato contatou via rádio com um navio de carga, que estava próximo, que nos atualizou sobre as condições de tempo. Interagimos durante todo o percurso com nossos amigos Paul e Lori que estão fazendo a travessia também.

Temos o AIS que nos mostra todas as embarcações que estão navegando na área, trazendo algumas informações sobre cada uma delas, como nome, tipo de barco e rumo, dentre outras, o que nos permitiu ter um panorama da área que estávamos navegando. Porém, algumas embarcações não possuíam ou não estavam com o AIS ligado (acontece geralmente com barcos de pesca sem autorização ou em área proibida), por isso foi necessário que um de nós dois ficasse de vigília.

Durante todo o percurso vimos muitas gaivotas, golfinhos acompanhando o barco, cardumes de atum e pequenos pássaros, tipo Pardais, que paravam no barco, saiam e voltavam. Creio que as aves usam os barcos e navios como ponto de apoio, ao se deslocarem de um local para o outro em longas distancias.

Os dias se passaram lentamente, o frio que sentimos em La Linea, há dias atrás foi substituído pelo ar mais quente, estamos indo para uma latitude mais próxima do Equador, nos afastando do frio característico do hemisfério norte, onde passamos 5 invernos.

A expectativa aos poucos foi se concretizando, nossa travessia do Atlântico já comecou, essa foi a primeira pernada e até final de janeiro próximo, pretendemos estar do outro lado do Atlântico.

Brindamos à nossa chegada na ilha vulcânica de Lanzarote, pertencente ao Arquipélago das Ilhas Canárias. Nos próximos dias vamos explorar e saber o que tem para vermos por aqui!

Namastê 🙏🏻

16 de outubro de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea, travessia para as Ilhas Canárias 🇪🇸

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No Deserto do Saara, Marrocos 🇲🇦

Chegamos ao nosso destino de viagem pelo interior do Marrocos: o Deserto do Saara. Ele se estende por dez países (Argélia, Chade, Egito, Líbia, Mali, Marrocos, Mauritânia, Níger, Tunísia e Sudão), e alcança outros três (Etiópia, Djibuti e Somália), onde recebe denominações locais.

É o maior deserto quente do mundo, localizado no Norte da África, com área total de 9 065 000 km², sendo sua área equiparável à da Europa (10 400 000 km²).

No deserto vivem basicamente beduínos e tuaregues. Os beduínos são nômades que vieram para o local há quase 1.500 anos. Os tuaregues são semi-nômades que se definem como homens livres.

Vimos muitos rebanhos de caprinos, as cabras sobem as montanhas em busca de alimentos, fornecem carne e leite. Já os camelos e os dromedários do sexo masculino são mantidos para os passeios no deserto e para transporte de cargas, enquanto as fêmeas produzem o leite, que é apreciado por aqui.

No caminho que fizemos, vimos muitos vales e montanhas compondo uma paisagem singular, e observamos o modo de vida dos nômades, que vivem nos campos longe da cidade, em casas improvisadas com restos de materiais e que junto há também o espaço para os animais (cabras) se abrigarem.

Nos chamou a atenção o Vale das Tâmaras, com mais de 30 km de extensão, sendo todo o vale coberto pelas palmeiras que produzem as tâmaras, o principal fruto seco da região. Um cenário incrível e verde contrastando com o clima seco e árido.

Passamos por várias represas com o nível de água bem baixo e algumas pessoas ao longo da estrada nos pediam água, balançando as garrafas vazias, uma pena que não tínhamos água para compartilhar.

Chegamos em Merzouga, uma pequena cidade cujo quintal é o Saara. Havíamos feito a reserva pela internet, fizemos o check in, colocamos uma roupa confortáve o guia fez nosso translado até os camelos, que estavam sentados à sombra nos esperando.

Amarramos o turbante na cabeça para nos protegermos do sol e da areia levantada pelo vento.

Subimos nos camelos, um a um, em uma fileira de 5 camelos que são guiados por um tutor. Os camelos são bem altos, calmos e tem um andar elegante, sempre com a cabeça bem erguida olhando para a frente. O meu era cinza e o chamei de Sebastian!

A Bella foi na mochila comigo e o Renato levou a outra mochila com nossas coisas para passar a noite. Ela latiu algumas vezes quando o camelo que estava atrás se aproximava um pouco, provavelmente estava achando estranho tudo isso!

Andamos pela alaranjada areia do deserto por quase duas horas, no passo sincronizado dos camelos, admirando as dunas que se mostram uma após a outra num desenho mágico! No horizonte podíamos ver uma longa cadeia de montanhas rochosas e o guia nos disse que lá já era a Argélia, o país vizinho.

Ao longe vimos algumas tendas, quadradas e grandes, arrumadas em formato de “U”, e a medida que nos aproximamos pudemos ver os tapetes nas portas das tendas e uma área central do acampamento com vários espaços. Mesas para o chá, roda para o o fogo de chão e bancos para sentar e descansar. É incrível ver este cenário todo arrumado no meio do deserto, com tudo que voce pode precisar!

Descemos na frente do acampamento e fomos recebidos por um sorridente marroquino que nos levou até nossa tenda. Tapete na entrada e por dentro de toda a tenda, camas bem feitas e cheirosas, a estrutura é feita com uma armação de madeira e uma cobertura com material tipo vinil, bem resistente. Por dentro as paredes são forrafas com tecido e há duas janelas, além da porta com fechadura. Fantástica a infraestrutura!

Depois de nos acomodarmos em nossa tenda, nos reunimos na área comum para um chá, mais tarde tivemos um jantar tradicional onde foi servido o Tajine (prato típico cozido no forno em panela de barro) e por fim nos levaram ao acampamento vizinho onde havia um grande circulo murado, com lugar para sentar na parte interna e lá curtimos a música tocada e cantada pelos berberes, envolta da fogueira. O Renato logo pegou o ritmo e tocou um tipo de tambor.

Andamos pelas dunas quando anoiteceu e o céu estava estrelado e a Via Láctea estava bem visível, um show! O dia foi longo e dormimos muito bem em nossa espaçosa tenda privativa.

Acordamos para o café da manhã e depois fizemos o caminho de volta até a cidade com os mesmos camelos do dia anterior. Na metade do caminho um dos amigos resolveu seguir a pé e abandonou seu camelo pois para ele estava desconfortável, principalmente quando o camelo sobe ou desce as dunas e há uma grande inclinação nesses movimentos.

O visual é encantador, viamos outros grupos de camelos vindos de outros acampamentos que apareciam e desapareciam conforme a altura das dunas por onde íamos passando.

Foi realmente sensacional, uma experiência diferente de tudo que já fizemos. Pegamos a melhor época para visitar o deserto, os meses de setembro e outubro são os mais indicados, pois de dia não é tão quente e a noite não é tão frio (pegamos entre 28 e 16 graus).

A viagem pelas cidades de Marrocos, compartilhada com nossos amigos, o acampamento no deserto, andar de camelo e visitar as medinas, foi sem dúvida algo que não esqueceremos como também, a hospitalidade dos marroquinos!

Bellinha tirando um cochilo!

Namastê 🙏🏻

11 de outubro de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Merzouga, Deserto do Saara, Marrocos 🇲🇦

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Cidade Imperial, Fez, Marrocos 🇲🇦

Em nosso mergulho por algumas cidades marroquinas, conhecemos Fez, no nordeste do Marrocos, considerada a capital cultural do país, onde, no mês de maio, as praças e vielas são invadidas pelo Festival de Música Sacra Mundial e onde funciona a mais antiga universidade do mundo, a Universidade al Quaraouiyine, criada no ano 859.

A cidade se destaca pela muralha da Medina, com arquitetura merínida medieval, pelos mercados animados e pela atmosfera do Velho Mundo.

Fez irradia uma aura singular, chamada de cidade Imperial, depositária de treze séculos de história marroquina com um passado de prestígio e onde vivem cerca de 1.300.000 habitantes, divididos em três partes principais e distintas: Fez el Bali (Fez-a-Velha), Fez Aljadide (Fez-a-Nova) ou Ville Nouvelle (cidade nova) e o Méchouar. A primeira é a Medina, classificada como Património Mundial pela UNESCO desde 1981; a segunda foi projetada e construída pelos franceses durante o período colonial; a terceira é constituída pelo complexo do palácio real.

Entramos na Medina pelo portão Bab Boujloud, uma das principais portas de entrada e mergulhamos num mundo de cores, aromas e um vai e vem frenético de pessoas interessadas em ver e absorver tantas cores, formas e costumes diferentes.

A Medina é simplesmente gigante, possui mais de 9 mil ruelas estreitas onde há residencias, hotéis e vários outros tipos de hospedagem, bares, restaurantes, um comércio intenso de produtos naturais, artesanais, há também guetos específicos que trabalham com madeira, ouro, tecelagem, entre outros… e não é dificil se deparar com o trânsito de animais pelas ruas da Medina, onde impera uma atmosfera de curiosidade e de perplexidade frente ao grande bazar, onde se pode achar qualquer coisa que procure. Os vendedores nos chamam para entrar na loja e ver seus produtos, o preço dado sempre é mais alto do que o valor final da venda e eles gostam de negociar. A primeira pergunta é: De onde você é? Ao responder que somos do Brasil, abrem um sorriso e dizem: futebol!

Dentro da Medina visitamos o famoso Curtume de Fez, onde são tratadas as peles dos animais, como já vimos em Chefchaouen, porém bem maior aqui.

Passeamos ao redor dos muros medievais que cercam a Medina, rodeado de jardins onde as famílias passeiam e levam as crianças para brincar ao ar livre.

Aqui se desfruta de um ambiente mais calmo e tranquilo, diferente do ritmo acelerado dentro da Medina, lotada de turistas e de locais.

Apreciamos a comida marroquina, com nossos companheiros de viagem, num pequeno restaurante local.

Foi muito interessante presenciar tudo isso e imaginar que todo esse movimento se repete dia após dia, sem descanso e sempre tendo pessoas, como nós, interessadas em conhecer um pouco mais desse instigante país africano.

Namastê 🙏🏻

09 de outubro de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Fez, Marrocos 🇲🇦

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Visitando Chefchaouen, a cidade azul, Marrocos 🇲🇦

Em nossa viagem rumo ao deserto do Saara, nossa segunda parada foi em Chefchaouen ou “Chaouen” como era originalmente chamada até a independência de Marrocos em 1956. Ela foi fundada no século XV, exatamente em 1471, pelos berberes. Escolheram um impressionante território rodeado pelas montanhas do Rif, onde se refugiaram os mouros e judeus expulsos de Espanha pelos Reis Católicos. Vale destacar que era considerada “cidade santa” e até 1920 era destino proibido para estrangeiros que não professassem a religião muçulmana. Hoje, porém, é um dos centros turísticos de Marrocos. É chamada de Cidade Azul devido ao grande número de casas pintadas dessa cor. Dizem que tudo começou com a ideia de afastar insetos, que supostamente não gostavam da cor azul e que também esta cor era usada para diferenciar as casas dos judeos, ja que a cor verde era a preferida pelos muçulmanos.

Paramos para visitar a Medina, nos pareceu maior e mais movimentada que a de Tetouan. Nos perdemos andando sem direção e somente ao sabor da curiosidade que nos guiava a cada nova ruela estreita que entrávamos.

O comércio está na veia deles, independente do produto que tenham para lhe oferecer, que pode ser especiarias; o óleo de Argan extraído na hora; as bancas de frutos secos com deliciosas tâmaras com nozes; as queijarias onde se vende o queijo fresco jben e os corantes naturais.

Há muitas lojas de tapetes e a cidade é conhecida também pelas tecelagens que trabalham com lã, produzindo cobertores, tapetes e roupas pesadas para enfrentar o inverno rigoroso.

Curioso ver que a ideia do azul está arraigada na população. Além das casas, ruas e escadarias em azul, há muitos lugares acolhedores para posar para uma linda foto, um vídeo e eles fazem isso para você por algum dinheiro.

A noite saímos para jantar com dois casais de amigos Paul e Lori, Bob e Gül, e fomos num lugar bem típico, no caminho para o restaurante passamos por um labirinto de casas azuis e pequenos comércios, o restaurante fica no alto de um vale com um riacho passando embaixo, comida e ambiente muito legal!

Namastê 🙏🏻

07 de outubro de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Chefchaouen, Marrocos 🇲🇦

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