Velejando de Roccella Ionica para Siracusa, Sicília, Itália 🇮🇹

Segunda-feira (18) dia de finalmente deixarmos Roccella Ionica. Chegamos aqui na Itália 🇮🇹 em 12/11/18, sim a mais de um ano. Passamos o inverno, no verão fomos para o Brasil 🇧🇷 e retornamos para cá em meados de setembro, ficando mais dois meses por conta do problema que tivemos com o motor. Mas como tudo passa… passou!!!
A expectativa do Comandante é sair hoje no meio da manhã, dando um tempo para que as ondas que quebram no canal de saída da marina baixem um pouco.  Nossos amigos também estão na expectativa e monitorando o tempo, pois há mais de 20 dias não dá uma janela contínua para que possamos sair rumo a Tunísia 🇹🇳.
O Comandante traçou três rotas possíveis…
Opção 1 – 7 dias: Roccella Ionica – Bova, Bova – Siracusa, Siracusa – Porto Palo, Porto Palo – Ragusa, Ragusa – Licata, Licata- Ilha Panteleria, Ilha Panteleria – Monastir, Tunisia 🇹🇳;
Opção 2 – 5 dias: Roccella Ionica – Siracusa, Siracusa – Ragusa, Ragusa – Licata, Licata – Panteleria, Panteleria – Monastir, Tunísia 🇹🇳;
Opção 3 – 3 dias: Roccella Ionica – Siracusa, Siracusa – Licata, Licata Monastir, Tunísia 🇹🇳;
Ok, chegou a hora de partir. O Renato deu saída na Guarda Costeira, soltou as amarras e às 10 horas zarpamos, dia ensolarado, canal de saída da marina com ondas menores e nós nos sentindo muito felizes… velejando após mais de um ano. Muita coisa passando pela cabeça, muita expectativa por uma boa viagem, por um bom desempenho da Pharea e uma vontade imensa de seguir adiante.
Para essa perna preparei sanduíches e risoto pré-pronto, se tiver condições de cozinhar… para beber Pepsi, Red Bull e chá. O mar estava um pouco batido no começo mas foi alisando e fizemos uma boa viagem.

A noite estava linda… a lua 🌙 iluminando o mar e o céu cravejado de estrelas… fizemos turnos de três horas, mas sabe como é o Comandante mesmo de folga do turno continuava sempre alerta… um olho fechado e outro aberto kkk.
Chegamos em Siracusa, Sul da Sicília, perto das 7 horas da manhã e o Renato chamou a Guarda Costeira para orientação quanto a ancoragem na baía. Ficamos pasmos… eles pediram que aguardássemos e depois nos chamaram no rádio informando as coordenadas onde deveríamos ancorar… isso foi inédito, pela primeira vez a orientação veio em forma de coordenadas kkk. Chegamos e ancoramos no lugar definido pela Guarda Costeira, em 37g3.428 N e 15g50.589’E, cerca de uma milha de Siracusa, visual belíssimo da cidade velha. Colocamos nosso novo bote na água e partimos para a cidade…. perambulamos pelas ruas, revisitamos os alguns lugares que conhecemos com a Lili e o Pádua, quando nos visitaram este ano, fizemos feira e fomos na Guarda Costeira.

O Renato falou com eles que gostaríamos de dar saída da Itália… mas como só sairíamos no dia seguinte, pediram para voltar no fim da tarde para carimbar o passaporte. Retornamos para o barco e a chuva que constava na previsão chegou e chegou forte… não parava e não teve outro jeito ao fim do dia senão colocar capa de chuva e encarar a ida até a imigração… uma milha de bote com chuva não é o melhor programa… mas encaramos, chegamos lá… carimbamos o passaporte e estávamos prontos para sair do país na manhã seguinte. Noite de muita expectativa com a travessia do Mediterrâneo… enfim aqui e prontos para zarpar. Só a agradecer. Namastê 🙏🏼.

1247 dias, 18 e 19 de novembro de 2019, deixando Roccella Ionica rumo a Siracusa, Sicília, Itália 🇮🇹.

Publicado em #svphareanaItalia🇮🇹 | 2 Comentários

Longo tempo de espera 🇮🇹

Nosso último mês na Itália 🇮🇹 foi um tempo de espera. Queríamos sair o quanto antes para pegar um bom tempo para a travessia até a Tunísia 🇹🇳, mas as coisas foram se enrolando e até acharmos uma mecânica para a retirada e conserto do motor… foi um longo caminho, que acabou se prolongando ainda mais pelo não cumprimento do prazo de entrega do serviço. Bem o motor teve um problema com o sistema de exaustão, o que acabou ocasionando o retorno de algumas gotas de água salgada para o quarto cilindro, e como o motor ficou sem funcionar por quatro meses, o quarto cilindro acabou travando com o sal da água.
Durante este tempo de espera o Teixeira aproveitou para ir até Barcelona, uma cidade da Espanha 🇪🇸 conhecida pelo seu acervo histórico e cultural, muito presente na arquitetura através das obras de Gaudí, grande arquiteto espanhol e é claro que também foi conhecer o Camp Nou, estádio de futebol do Barça.
Nós ficamos na Marina até a subida do barco e depois precisamos locar uma casa em Roccella para ficarmos durante os serviços.

O Renato diariamente ía até a marina acompanhar os serviços e eu e o Teixeira aproveitávamos para ir á feira, preparar comidinhas italianas e toda manhã o Teixeira passeava com a Bella.
Final de tarde quando o Renato voltava, íamos passar na cidade, tomar um sorvete ou comer um doce numa patisserie maravilhosa daqui.

Durante nossos passeios, no caminho começamos a sentir um forte cheiro… não sabíamos o que era… depois descobrimos que no quarteirão onde estávamos havia uma casa que “macinava” as olivas para a produção do azeite…. e aquele era o cheiro produzido durante o processo da prensa da azeitona.
Voltando ao barco… Enquanto o motor foi para a retifica foi feita a pintura do fundo, depois a colocação do motor e finalmente a Pharea retornou para a água.

Ainda foram alguns dias de trabalho com a ajuda o amigo Joseph até realmente ficar tudo pronto e várias horas de motor para testar se tudo estava realmente ok.
Recebemos a visita dos amigos italianos Daniela e Ilario e ganhamos um litro de azeite, extra virgem e orgânico, produzido pela família da Daniela, muito delicioso, de coloração dourada… tudo fica muito bom com ele… uma delícia 😋.
O Renato estava ansioso para zarpar e acompanhava a previsão do tempo full time,mas não dava janela suficientemente grande para sairmos. Neste interim o Teixeira resolveu retornar daqui da Itália 🇮🇹, pois queria chegar no Brasil até fim de novembro e também com a demora nem daria tempo para fazer um tour na Tunísia 🇹🇳, pois já teria que voltar. Foram ótimos dias que passamos juntos, conhecemos muitas coisas, muitos sabores e ficamos felizes por ele ter ficado este tempo com a gente. É claro que o Renato não ficou satisfeito pois o novo tripulante não chegou a velejar kkk.
Foram semanas e semanas de tempo ruim, muito vento, janelas curtas e na última semana ventos de até 60 knots, com chuva e vento contínuos durante mais de 24 horas. Várias cidades italianas de norte a sul sofreram com a chuva. Veneza decretou estado de calamidade, com água alta de 1,90 metros. Licata, na Sicília, teve suas ruas lavadas pela tempestade, carregando carros e árvores. Aqui em Roccella à beira mar onde nunca havíamos visto nenhum lixo, amanheceu com a Praia incrivelmente suja e na marina a maré, que chegou a subir a murada do pier trouxe muito lixo e foi depositando no molhe. Junto com outros velejadores fizemos a limpeza de um dos lados da marina e recolhemos mais de 10 sacos depois lixo, em sua grande maioria plástico e isopor.
Começamos as despedidas dos amigos de antes e dos novos amigos desta temporada, pessoas especiais que nos trouxeram bons momentos e a alegria do convívio nos churrascos e nos encontros. Aqui uma breve poesia feita pela Sara, que retrata este sentimento.
O Renato continua repassando seu check list e deixando tudo pronto para sairmos. Já guardamos as bikes em uma das cabines de popa, preparamos os suprimentos de cozinha, guardei todos os objetos soltos e tudo que possa quebrar durante a travessia… estamos prontos…
Finalmente chegou a janela de tempo, domingo (17), mas além da previsão de chuva (que não seria problema) o mar está agitado com ondas de 2,5 metros lá fora e para sair da marina o canal está bem assoreado e as ondas quebram de través. Na segunda será mais favorável, pegaremos tempo melhor. Que assim seja! Namastê 🙏🏼

1246 dias, de 07 de outubro a 17 de novembro de 2019, morando a bordo em Roccella Ionica, Calábria, Itália 🇮🇹.

Publicado em #svphareanaItalia🇮🇹 | 1 Comentário

R❤ma com Am❤r! 🇮🇹

Em nossa programação, tínhamos mais um dia para ir até Nápoles, mas… de repente mudamos nosso rumo. Que tal irmos para Roma? Nós três concordamos na hora e abrimos mão de conhecer Nápoles para rever Roma.
A capital da Itália é uma cidade cosmopolita, com quase 3 milhões de habitantes e quase 3.000 anos de arte, arquitetura e cultura acumulados e grande parte está à mostra em suas praças e ruas.
Passamos pelas Ruínas do Fórum Romano e do Coliseu que dão ideia do poder do antigo Império Romano.
Fomos rever a Piazza Navona, grande praça aberta e com várias fontes e onde também se concentram bares e restaurantes, que dão um charme especial à praça. Aproveitamos para almoçar por lá e a sugestão de Teixeira foi uma pasta à moda Caccio e Pepe, um dos preferidos do Renato e o Teixeira optou por uma pasta al mare. A Bella foi super bem recebida e até ganhou um potinho com água fresca do garçom do restaurante 😃!

Depois fomos para a Fontana di Trevi, que está revitalizada e onde os turistas disputam sua melhor foto para recordar. Seguimos a pé até o Vaticano, pois de carro é impossível… quando chegamos rodamos até achar um estacionamento para deixá-lo. Já era meio da tarde e a praça do Vaticano estava tranquila mas ainda com fila enorme para visitar a Basílica de São Pedro. Queríamos apenas rever o lugar que, estivemos nesta mesma data, em 2015, com a Áurea e com os amigos Simone e Herbert. Ocasião que visitamos a Basílica e o Museu do Vaticano, que abriga obras-primas como os afrescos da Capela Sistina de Michelângelo.
Roma é uma das mais antigas cidades continuamente ocupadas na Europa e é conhecida como “A Cidade Eterna”, uma ideia expressa por poetas escritores da Roma Antiga. E, realmente… andando por suas ruas temos a sensação de que ela sempre esteve e estará aqui… mostrando muito poder, crueldade e arte.
Fim de tarde e já satisfeitos, pegamos o carro o retornamos para nossa base em Sperone. Passamos um ótimo dia… pois não é sempre que podemos pegar o carro e “almoçar em R❤ma”. Namastê!

Publicado em #svphareanaItalia🇮🇹 | Deixe um comentário

Costa Amalfitana… imperdível 🇮🇹❤

A Itália é mesmo repleta de atrações, nosso passeio pela região da Campanhia, foi motivado pela vontade de conhecermos a Costa Amalfitana, um trecho de 50 km, de Salerno a Sorrento que mais parece um galeria de arte a céu aberto, com seus quadros rodeando suas íngremes encostas.
O caminho segue a costa, tendo abaixo o mar de um azul incrível e ao longo dos penhascos pontinhos coloridos que ao nos aproximarmos vamos vendo as casas e suas formas, pois  de longe parecem que estão sobrepostas umas as outras…
Como é um destino popular de férias, as cidades ainda estavam com muitos turistas e o transito, como disse minha sobrinha Raquel, que dia desses passou por aqui… “é insano”. O trecho é de mão dupla e muito estreito e vai serpenteando os penhascos da costa acidentada. Vimos que a frota de veículos que circula é, em sua grande maioria, de carros compactos (tipo Smart, Mini, Panda…) e raramente vimos algum que não esteja amassado ou arranhado. A preocupação com a lataria e estado de conservação do veiculo com certeza não é prioridade aqui…
Avançando pela costa, do alto vimos as embarcações a vela e a motor curtindo o dia ensolarado, ah! que saudade estamos de navegar neste mar tão convidativo! O desenho formado pelo relevo acidentado forma diversas pequenas praias, com acesso através de longas escadarias e são bastante frequentadas.
No caminho, algumas cidades bem turísticas… lindas e cheias de charme como Maiori, Amalfi e Positano, outras menores e ainda algumas vilas de pescadores.
Já tinha ouvido falar da Costa Amalfitana e visto fotos, mas estar aqui foi um grande presente, não dá para traduzir a beleza desta longa extensão de estrada, toda recortada, com casas coloridas ou em tons pastéis, de repente um castelo medieval, uma encosta íngreme repleta de pés de limão, uma praia paradisíaca, um fiorde, mar azul e aquele bom astral dos italianos do sul. A Bella seguiu viagem conosco e curtiu o visual também…
Para completar o trajeto, seguimos até Sorrento, cidade costeira no sudoeste da Itália, voltada para a baía de Nápoles. Localizada no topo de uma falésia a cidade é conhecida pela vista de grandes extensões de água, inclusive com vista para a grande cidade de Nápoles e por ser a “cidade das sereias”.  A origem deste apelido se deve ao poeta Homero, que na Odisséia indica Sorrento como a terra onde Ulisses encontra as sereias, as quais tentam atraí-lo com seu canto, para a ilha Li Galli (uma das ilhas que ficam de frente para Sorrento). Almoçamos por lá e depois perambulamos pela Piazza Tasso, uma praça repleta de cafés e restaurantes com comida local. O centro histórico é um labirinto de becos estreitos que abriga lojas de souvenirs e olhando para o alto das ruelas, os incontáveis varais com a roupa exposta, de acordo com o costume do povo daqui.
Resumindo… Se você tem vontade de conhecer a Costa Amalfitana, não deixe para depois, é maravilhosa, de resto só ter atenção em ter um ótimo motorista com você, pois o transito é bastante “nervoso” kkk. Namastê!

Dia 1201 morando a bordo. Dia 04 de outubro de 2019. Costa Amalfitana, Campanhia, Itália.

Publicado em #svphareanaItalia🇮🇹 | 5 Comentários

Salerno, Itália 🇮🇹❤

Nossa visita a Salerno foi interrompida por uma forte chuva mas acredito que conseguimos ver dois de seus grandes destaques, além de poder sentir o ar de cidade portuária e ver o arranjo da cidade.

 

Visitamos o Duomo de Salerno, uma das catedrais mais lindas que vimos, construída no século XI, tendo passado por várias reformas e ainda conservando uma cripta onde dizem estar sepultado São Mateus.

         

A cripta é simplesmente fantástica, as pinturas e mosaicos e a cor dourada impressiona por sua beleza e harmonia, infelizmente as fotos não reproduzem a beleza deste lugar.
Seguimos para o Jardim Minerva, um local super importante para a história da medicina. O local onde fica o Giardino della Minerva, “viridarium”, era de propriedade da família Silvatico, desde o século XII ao XIV, e Matteo Silvatico criou um jardim que se tornou o precursor de todos os futuros jardins botânicos da Europa.
De extraordinário valor cultural, foi berço da “teoria umorale”, baseada nos estudos das plantas cultivadas no jardim, que eram usadas para produzir os ingredientes ativos empregados para fins terapêuticos (foto a esquerda).
Matteo Silvatico se dedicou ao cultivo e ensino sobre essas plantas aos estudantes da Faculdade de Medicina, fornecendo seus nomes, finalidade e características.
Durante uma escavação arqueológica recente, o jardim medieval foi encontrado a uma profundidade de cerca de dois metros abaixo do nível atual do solo e em 2000, o Conselho Municipal, utilizando recursos do programa Urbano Europeu, restaurou os jardins e abriu para visitação, mostrando elementos interessantes, que remontam aos séculos XVII e XVIII. Um dos mais atraentes é o longo lance de degraus, marcado por pilares cruciformes, que sustentam uma pérgola de madeira.
Ficamos surpresos com a teoria umorale, elaborada por Galeno, médico grego,  por volta do ano 216 d.C., e de saber como num simples jardim foi produzido tanto conhecimento a ponto de a Faculdade de Medicina de Salerno ter sido a primeira e mais importante instituição médica da Europa, na Idade Média, e a precursora das universidades modernas.

Maravilhoso estar aqui, conhecer este local e sua história, ver as sementes de tudo o que ainda é produzido aqui. Só a agradecer. Namastê!

Dia 1.200 morando a bordo. Salerno, Itália, dia 03 de outubro de 2019.

Publicado em #svphareanaItalia🇮🇹 | Deixe um comentário