Sem velejar… vamos passear pela Tunísia 🇹🇳

Em Monastir é super fácil se deslocar para as inúmeras pequenas cidades próximas daqui… Em todas elas há algo interessante para conhecer. Hoje cedo o Paul, nosso vizinho de píer, nos chamou avisando que uma de nossas bikes tinha “mergulhado”, como a água é bem clara dava para ver ela lá embaixo com os peixinhos na volta. O Renato jogou a âncora do bote e retirou a bike, que talvez tenha caído com o vento ou algum esbarrão… Depois desta função logo cedo fomos pegar o metrô para Sousse, com os vizinhos velejadores Lori e Paul (EUA). A ideia era perambular pela Medina, pelo mercado de hortifruti, onde se encontra de tudo e os produtos são frescos e a preço bem acessível e o Paul também falou das lojas de doces, biscoitos típicos super gostosos, feitos geralmente com farinha de amêndoa, nozes, amendoim… O Renato e Paul também queriam procurar uma loja de produtos náuticos, mas andamos bastante e não encontramos. Passamos por vários hotéis à beira mar, alguns em manutenção e alguns de alto padrão super bonitos, acreditamos que no verão deve bombar por aqui, pois tem praia na cidade e a água é bem limpa.

Andando pelas ruelas estreitas dentro da Medina (antiga cidade murada onde hoje existem os souks (mercados, pequenas lojas, artesãos…) um senhor cumprimentou o Renato e começaram a conversar e ele nos conduziu por algumas ruelas estreitas e contou a histórias das mesquitas, das diferentes portas e da cultura Árabe.

Depois quando fomos ao mercado de hortifruti, logo na entrada, ficamos impressionados de ver exposto a cabeça de dois bois no balcão… Já vimos várias cabeças de carneiro expostas em outros açougues, mas de boi foi a primeira vez. Aliás “todas” as partes do animal estão à venda. Dentro do mercado frutas e legumes em grande quantidade, além de peixes e os donos das bancas falam alto para chamar a atenção e vender seu produto.

De volta às ruelas da Medina acompanhamos o vaivém constante dos residentes, turistas, comerciantes, ambulantes e vimos muitas barracas de lanche típico rápido, “street food”, são bem apetitosos e enormes… Os lanches são feitos com pães redondos ou massas mais finas, tipo panquecas e dentro vai muita pimenta “harissa”, verduras cruas e carne vermelha ou frango. Passamos por uma lojinha e vi um rapaz cortando romãs e fazendo suco… Claro que quiz entrar e provar. Eu tomei suco de romã pela primeira vez e é uma delícia, a ideia de fazer suco é excelente pois aqui há uma grande produção.

Há também por todos os lugares, muitos gatos, você percebe um e quando olha novamente já vê vários outros. Os muçulmanos aceitam os gatos e quase não vimos cachorros de locais… Os que vimos geralmente são de estrangeiros.

O passeio foi bem divertido, olhamos lojas com roupas típicas, bugigangas, cerâmicas muito bonitas de produção local e artefatos feitos com madeira de oliveiras, já que a Tunisia é grande exportador de azeite de oliva.
Em Sousse há também um grande Porto e uma Marina praticamente com a mesma estrutura da de Monastir mas de tamanho menor. As marinas constituem um importante ponto turístico da cidade, geralmente são rodeadas de hotéis e restaurantes, e tem pessoas circulando, fotografando ou nos cafés o dia todo. É um arranjo interessante e bem diferente das que estivemos até agora na Europa. Em outra oportunidade visitamos a Marina e almoçamos em um dos restaurantes, preço justo e bebida alcoólica no cardápio, o que geralmente não acontece, as bebidas alcoólicas devem ser pedidas diretamente ao garçom e ele informará se tem disponível ou não.
Na cidade tem mercado Carrefour e lembro da minha amiga Claudia Portela, que em seu livro “Bravo, três anos, três oceanos”, relata a alegria de chegar num lugar desconhecido e encontrar um Carrefour 😍😍😍. Nada de especial com a marca mas… A gente sabe que lá encontraremos alguns produtos que gostamos e usamos e que não encontramos nos mercados locais!
Assim é a vida por aqui… Às vezes encontramos algo, noutras vezes abrimos, importante é mantermos um equilíbrio positivo e aproveitar o que cada lugar pode nos mostrar ou oferecer, penso que é relevante estar atendo a isto! Namastê 🙏🏻

Dia 1278, 20 de dezembro de 2019. Morando a bordo, inverno no norte da África, Monastir, Tunísia 🇹🇳

Publicado em #svphareanaTunisia🇹🇳 | 4 Comentários

Aqui também tem Coliseu romano, El Jem, Tunísia 🇹🇳

Hoje nos juntamos a outros casais de velejadores que estão na mesma marina que nós e fomos conhecer a cidade de El Jem, conhecida por abrigar um segundo Coliseu, isso mesmo, uma réplica muito bem conservada do Coliseu de Roma. Foi construído pelos romanos na período que dominaram este território. Compramos o ticket com direito a entrar no Coliseu e visitar um Museu de Mosaicos.
O Coliseu é fascinante, sua estrutura está mantida e é possível andar no subterrâneo onde ficavam os gladiadores e as feras e também andar pelas galerias e arquibancadas onde ficavam os observadores. Soubemos que acontece um importante festival de música e ficamos imaginando a maravilha que deve ser a realização de um grande show neste espaço. Quando visitamos Athenas, vimos o anfiteatro onde o Yanni gravou um show, que gostamos muito.
A pequena cidade se espalha ao redor do Coliseu e vimos as pessoas vestidas com roupas típicas em sua maioria, ou seja, mulheres com véu e homens com um longo casaco até os pés e com grande capuz. Seguimos e visitamos o Museu de Mosaicos, ficamos pasmos, de boca aberta com os mosaicos que encontramos lá. Paredes inteiras com mosaicos que mais pareciam tapetes de tantos detalhes, cores e formas. Muitos mosaicos preservados em sua totalidade, alguns com partes quebradas… Mas foi magnífico poder observar e registrar um pouco desta atividade cultural que os romanos deixaram por aqui.
Almoçamos um lanche típico daqui, pedido na beira da calçada e montado rapidamente pelo atendente, um pão tipo pita com frango assado, molhos apimentados e batatas fritas… Bem gostoso.
Saímos de Monastir com uma Van e na volta resolvemos pegar o trem… Bem barato o ticket, mas pensa num trem sujo com muita poeira… Depois descemos em Sousse e pegamos o metrô até Monastir. O metrô é bem legal e igualmente barato e dá pra dizer que é bem limpo. Já conhecíamos o Coliseu de Roma mas foi ótimo ver o Coliseu daqui, um pouco menor, acho que para 30 mil pessoas, mas sem filas, sem empurra empurra, sem stress e podendo circular por toda a área, valeu o passeio.
Isto é uma das coisas que adoro na vida de morar a bordo. A facilidade de estar em tantos lugares, inclusive em lugares que nunca nem havia imaginado conhecer e simplesmente desfrutar o que o lugar tem a oferecer, tendo surpresas tão agradáveis como a de hoje, a visita a um Coliseu Romano é a um Museu de Mosaicos realmente incrível. viva a vida a bordo. Namastê 🙏🏻

Dia 1270, 12 de dezembro de 2019. Morando a bordo, inverno no norte da África, Monastir, Tunísia 🇹🇳

Publicado em #svphareanaTunisia🇹🇳 | 2 Comentários

Conhecendo uma Cidade Sagrada, Kairouan, Tunísia 🇹🇳

Conhecemos um casal de brasileiros que moram em Tunis, capital da Tunísia e que gentilmente nos levaram conhecer a cidade de Kairouan, distante 73 quilômetros de onde estamos, Monastir.
Kairouan foi construída pelos árabes por volta do ano 675 e foi a primeira base árabe no norte da África. Desde o período medieval é conhecida como centro da fé Islâmica e considerada a quarta cidade sagrada do Islã, atrás de Meca, Medina e Jerusalém. Ela desempenha o papel de capital espiritual do Magrebe, a “cidade das cinquenta mesquitas” e acumula mais de treze séculos de cultura islâmica.
O destaque é a Grande Mesquita, patrimônio arquitetônico juntamente com a Almedina, ou Medina.
A Grande Mesquita tem suas portas talhadas de madeira com arabescos de estuque e internamente abriga 400 colunas de mármore e inscrições fenícias, romanas e árabes. A cidade recebe muitos visitantes por ser considerada uma cidade sagrada e tal é sua importância que dizem que: “cinco idas para Kairouan equivale a uma ida a Meca”.
A Medina é toda murada, uma verdadeira fortaleza com grandes portões de entrada e abriga o comércio local, os chamados souks, com suas centenas de lojas distribuídas pelas estreitas ruelas, que desenham um verdadeiro labirinto dentro das muralhas da Medina. Vimos vários tecelões produzindo mantas, pashiminas e tapetes, tal qual se fazia a séculos atrás… Parece que o tempo não avançou e muitas coisas são feitas de forma rústica e rudimentar. Passamos por um antigo poço que é uma atração turística pois há um camelo que gira a roda para puxar a água do poço e as pessoas em visita esperam para beber a água da cidade sagrada.
Na Medina e fora dela encontram-se várias lojas dos famosos tapetes produzidos com lã pura. Cada tamanho tem um nome específico e um tapete pode demorar meses para ficar pronto. Muitas famílias fabricam o mesmo desenho no tapete há anos, tradição passada através das gerações. Os tapetes são mesmo belíssimos e os vendedores os mostram como se fosse um troféu, demonstrando respeito e orgulho pelo trabalho agregado em cada tapete.

No lado da Medina vimos um grande cemitério muçulmano, com todos os túmulos de cor branca e soubemos que aquele grande cemitério pertencia a uma só família, cujo marido tinha cem mulheres, quase não dá para acreditar, né?! Vestígios da época em que um homem podia casar com quantas mulheres pudesse sustentar. Hoje não é mais assim, vale a monogamia.
Gostamos muito de conhecer este lugar, muito interessante e com certeza um lugar para voltar e explorar ainda mais. Obrigada Tânia e Weber pelo dia maravilhoso que passamos na companhia de vocês! Namastê 🇹🇳

Dia 1265, 07 de dezembro de 2019. Morando a bordo, inverno no norte da África, Monastir, Tunísia 🇹🇳

Publicado em #svphareanaTunisia🇹🇳 | 2 Comentários

Conhecendo as Medinas, lugares especiais e cheios de tradição 🇹🇳

Muitas coisas diferentes e curiosas aqui, um outro arranjo de cidade, muitas mesquitas, nada de igrejas católicas, já que estamos num país onde 99 por cento são muçulmanos. Quero falar das Medinas, as antigas cidades criadas a partir do século VII pelos árabes. Elas estão presentes em muitas cidades da Tunísia 🇹🇳 e correspondem às áreas onde estavam localizadas as cidades antigas, o perímetro é todo murado e tem vários e grandes portões de entrada. A Medina tem vida própria com todo o tipo de comércio, formal e informal, é também centro financeiro, muitas pessoas moram em seu interior, tem opções de hospedagem tipo Airbnb, muitos cafés, sendo a grande maioria frequentado somente por homens e também tem restaurantes que servem “plate d’Jour” e li que em algumas Medinas não é permitida a entrada de veículos. Não raro pôde-se olhar para uma das pequenas portas e ver a fabricação de biscoitos, a moagem de nozes, pistaches e também ver o trabalho de um tecelão, tecendo como há séculos atrás…. Produzindo pashiminas, cobertores, mantas e até tapetes.
Na Medina de Monastir, onde estamos, o vai e vem é constantes e é possível perder-se entre as ruelas estreitas e as pequenas lojas que vendem artesanato, especiarias, verduras e legumes e há também supermercado, do tipo que conhecemos e um grande mercado com peixes, camarões, lulas, polvos e muito atum fresco a um preço acessível. Aqui o consumo é grande de peixes e frutos do mar, carne de ovelha, de onde tiram a lã para o tear e carne vermelha, esta última com consumo mais restrito devido ao preço ser mais elevado. Apreciam também a carne de camelo e de cavalo e é claro, porco nem pensar.
No caminho dentro da Medina passamos por homens que usam uma longa túnica branca e turbante na cabeça, outros com uma grande capa que vai até os pés e com capuz, chamada de Abaia, outros com um pequeno chapéu de cor bordo, chamado de Tarbush e outros homens vestidos à moda ocidental. As mulheres usam muito tecido. Longos vestidos, chamados de hajam, véus cobrindo a cabeça e mais um manto sobre o corpo e as senhoras de idade são bem tradicionais. As mais jovens usam maquiagem e lenço na cabeça combinando com a saia longa ou com a calça jeans.
Fomos orientados que nas compras na Medina deve-se negociar e conceder este prazer ao vendedor, que espera por isso. Às vezes pode-se oferecer 50% do valor e aí vai subindo conforme a negociação até atingir um valor justo para as partes. O Renato já negociou um bela tábua de carne feita de Oliveira e um tapete e teve sucesso.
Próximo da Medina existem outras construções antigas com significado cultural e a cidade moderna se espalha a partir dela.
A limpeza nas Medinas é algo que deixa a desejar, as pessoas aqui ainda jogam seu lixo no chão e cada vez mais eu penso que o plástico precisa ter um substituto….Outro hábito que nos causa uma má impressão é o fato da pouca higiene. No comércio, por exemplo, os pães são distribuídos em vários postinhos de venda e colocados em cestos. A pessoa vai escolher um e aperta vários antes de escolher o seu. Já vi também um senhor que pegou o pão e colocou o dinheiro em cima… Fui comprar cravo-da-índia e o vendedor colocou a mão no pote e foi pegando a quantidade que eu queria… Já na Itália aconteceu algo contrário, fui pegar legumes com a mão e fui alertada que deveria colocar uma luva descartável, disponibilizada pelo mercado, se quisesse eu mesma pegar os legumes… Diferenças culturais.
Num passeio pelas ruelas estreitas e cheias de portinhas dá para gastar um bom tempo apreciando o movimento, imaginando a engrenagem dessas antigas cidades muradas e também se maravilhar com as portas trabalhadas, que chamam a atenção de quem passa por elas e voltar par casa com um fecho de tâmaras, uma das saborosas e comuns especiarias daqui! Namastê 🇹🇳

Dia 1260, dia 02 de dezembro de 2019. Morando a bordo, inverno no norte da África, Monastir, Tunísia

Publicado em #svphareanaTunisia🇹🇳 | Deixe um comentário

Portas trabalhadas, uma tradição tunisiana 🇹🇳

Na sexta (22), logo que atracamos no píer chegou um catamarã com um casal de americanos super simpáticos, a Shannon e o Tony. Conversamos um pouco e soubemos que vieram da Sicília e também vão passar o inverno aqui.
Na terça-feira o Renato estava ocupado com o barco e eu fui com o casal para uma cidade aqui próxima, chamada Sousse.

Caminhamos até uma estação onde há vans para todos os destinos próximos. Assim compartilhamos a van com outras pessoas e fomos para Sousse. A ideia era dar uma volta por lá e ir nos mercados ver se havia produtos diferentes, como me disse a Shannon…. “Abacate para mim é como tomate para um italiano”, mas infelizmente lá também não encontramos, nem mesmo no Carrefour, que geralmente tem bastante variedade de produtos importados. Mas além de passarmos um ótimo e divertido dia, fiquei fascinada com as portas das casas. As portas de entrada tem um papel importante na arquitetura tunisiana. Elas são trabalhadas com adornos e cores fortes, enchem os olhos, espantam mal olhado e é o cartão de visita da casa.
Impossível clicar apenas uma ou duas…. Pois elas diferem muito e cada uma traz suas características, suas peculiaridades, assim tenho várias para mostrar e todas clicadas na Medina… que falarei delas no próximo post. Namastê 🙏🏻

Tempo de crescer

O tempo foi passando
Sem querer mudando
Minha forma de ver…
Hoje me engrandece a alma
Uma bela paisagem
Ou uma música a tocar…
As coisas que tive
O jeito que fui
Já não lembro mais…
Agora sei
Cada dia sou diferente
Pois sou o hoje e o ontem
E me pergunto
Amanhã… Como serei?

Dia 1253. 26 de novembro de 2019. Morando a bordo, inverno no norte da África, Monastir, Tunísia 🇹🇳

Publicado em #svphareanaTunisia🇹🇳 | 2 Comentários