No Deserto do Saara, Marrocos 🇲🇦

Chegamos ao nosso destino de viagem pelo interior do Marrocos: o Deserto do Saara. Ele se estende por dez países (Argélia, Chade, Egito, Líbia, Mali, Marrocos, Mauritânia, Níger, Tunísia e Sudão), e alcança outros três (Etiópia, Djibuti e Somália), onde recebe denominações locais.

É o maior deserto quente do mundo, localizado no Norte da África, com área total de 9 065 000 km², sendo sua área equiparável à da Europa (10 400 000 km²).

No deserto vivem basicamente beduínos e tuaregues. Os beduínos são nômades que vieram para o local há quase 1.500 anos. Os tuaregues são semi-nômades que se definem como homens livres.

Vimos muitos rebanhos de caprinos, as cabras sobem as montanhas em busca de alimentos, fornecem carne e leite. Já os camelos e os dromedários do sexo masculino são mantidos para os passeios no deserto e para transporte de cargas, enquanto as fêmeas produzem o leite, que é apreciado por aqui.

No caminho que fizemos, vimos muitos vales e montanhas compondo uma paisagem singular, e observamos o modo de vida dos nômades, que vivem nos campos longe da cidade, em casas improvisadas com restos de materiais e que junto há também o espaço para os animais (cabras) se abrigarem.

Nos chamou a atenção o Vale das Tâmaras, com mais de 30 km de extensão, sendo todo o vale coberto pelas palmeiras que produzem as tâmaras, o principal fruto seco da região. Um cenário incrível e verde contrastando com o clima seco e árido.

Passamos por várias represas com o nível de água bem baixo e algumas pessoas ao longo da estrada nos pediam água, balançando as garrafas vazias, uma pena que não tínhamos água para compartilhar.

Chegamos em Merzouga, uma pequena cidade cujo quintal é o Saara. Havíamos feito a reserva pela internet, fizemos o check in, colocamos uma roupa confortáve o guia fez nosso translado até os camelos, que estavam sentados à sombra nos esperando.

Amarramos o turbante na cabeça para nos protegermos do sol e da areia levantada pelo vento.

Subimos nos camelos, um a um, em uma fileira de 5 camelos que são guiados por um tutor. Os camelos são bem altos, calmos e tem um andar elegante, sempre com a cabeça bem erguida olhando para a frente. O meu era cinza e o chamei de Sebastian!

A Bella foi na mochila comigo e o Renato levou a outra mochila com nossas coisas para passar a noite. Ela latiu algumas vezes quando o camelo que estava atrás se aproximava um pouco, provavelmente estava achando estranho tudo isso!

Andamos pela alaranjada areia do deserto por quase duas horas, no passo sincronizado dos camelos, admirando as dunas que se mostram uma após a outra num desenho mágico! No horizonte podíamos ver uma longa cadeia de montanhas rochosas e o guia nos disse que lá já era a Argélia, o país vizinho.

Ao longe vimos algumas tendas, quadradas e grandes, arrumadas em formato de “U”, e a medida que nos aproximamos pudemos ver os tapetes nas portas das tendas e uma área central do acampamento com vários espaços. Mesas para o chá, roda para o o fogo de chão e bancos para sentar e descansar. É incrível ver este cenário todo arrumado no meio do deserto, com tudo que voce pode precisar!

Descemos na frente do acampamento e fomos recebidos por um sorridente marroquino que nos levou até nossa tenda. Tapete na entrada e por dentro de toda a tenda, camas bem feitas e cheirosas, a estrutura é feita com uma armação de madeira e uma cobertura com material tipo vinil, bem resistente. Por dentro as paredes são forrafas com tecido e há duas janelas, além da porta com fechadura. Fantástica a infraestrutura!

Depois de nos acomodarmos em nossa tenda, nos reunimos na área comum para um chá, mais tarde tivemos um jantar tradicional onde foi servido o Tajine (prato típico cozido no forno em panela de barro) e por fim nos levaram ao acampamento vizinho onde havia um grande circulo murado, com lugar para sentar na parte interna e lá curtimos a música tocada e cantada pelos berberes, envolta da fogueira. O Renato logo pegou o ritmo e tocou um tipo de tambor.

Andamos pelas dunas quando anoiteceu e o céu estava estrelado e a Via Láctea estava bem visível, um show! O dia foi longo e dormimos muito bem em nossa espaçosa tenda privativa.

Acordamos para o café da manhã e depois fizemos o caminho de volta até a cidade com os mesmos camelos do dia anterior. Na metade do caminho um dos amigos resolveu seguir a pé e abandonou seu camelo pois para ele estava desconfortável, principalmente quando o camelo sobe ou desce as dunas e há uma grande inclinação nesses movimentos.

O visual é encantador, viamos outros grupos de camelos vindos de outros acampamentos que apareciam e desapareciam conforme a altura das dunas por onde íamos passando.

Foi realmente sensacional, uma experiência diferente de tudo que já fizemos. Pegamos a melhor época para visitar o deserto, os meses de setembro e outubro são os mais indicados, pois de dia não é tão quente e a noite não é tão frio (pegamos entre 28 e 16 graus).

A viagem pelas cidades de Marrocos, compartilhada com nossos amigos, o acampamento no deserto, andar de camelo e visitar as medinas, foi sem dúvida algo que não esqueceremos como também, a hospitalidade dos marroquinos!

Bellinha tirando um cochilo!

Namastê 🙏🏻

11 de outubro de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Merzouga, Deserto do Saara, Marrocos 🇲🇦

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About Sailing Vessel Pharea

Eu, meu marido Renato Teixeira e a Bella, nossa Yorkshire, moramos a bordo e estamos conhecendo muitos lugares dando volta ao mundo em um veleiro. Namastê 🙏🏼
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1 Response to No Deserto do Saara, Marrocos 🇲🇦

  1. Avatar de Luciane Luciane disse:

    Obrigada, por compartilhar esta maravilhosa viagem . Falei para Claudia que também quero fazer . Bjos

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