Podcast – Phareando… Vida a bordo

Hoje o post começa diferente, agora estamos em terra e não mais no mar… mas tudo tem seu tempo!

Enquanto isso, seguimos em frente e o coração, por vezes, ainda no mar… por isso, para manter vivas tantas memórias, queremos compartilhar nosso Podcast com você… que é nossa companhia há tanto tempo!

Agora você pode ouvir nosso Podcast, episódio novo toda a terça, pode acessar aqui ou direto no Spotify, durante seu trajeto!

https://open.spotify.com/episode/1Q4e7JN1AM0mdB7bZpmeAD?si=S1IjhFIiQBSV-W1RdiC4Zw

Espero que você curta e siga com a gente… vamos falar dos lugares por onde passamos, das coisas que vimos, levando você junto com a gente nessa navegada!

Um grande abraço, saúde e bons ventos!

Namastê!

24 de junho de 2025. Morando em Curitiba mas com o coração no mar!

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Seguindo em frente!

A saudade das coisas boas que vivemos sempre bate a porta, saudades da vida livre, leve e solta, dos lugares e pessoas que cruzaram nosso caminho, e de muitas delas que passaram a fazer parte da nossa vida.

Mas a vida segue e vamos nos adaptando, e nada como um dia atrás do outro para as coisas irem se encaixando e transformando o ontem no hoje.

Bem, 2024 foi um ano difícil, que começou com um grande susto e aos poucos digerimos isso e mergulhamos juntos, Renato e eu, no meu tratamento, como disse minha irmã Odete: “Esse é o maior projeto de sua vida, curar-se!” E foi isso que aconteceu.

Realizamos as diferentes fases do tratamento, que iniciou com a Imunoterapia (aumentando minhas células de defesa), junto a ela fiz os ciclos de quimioterapia vermelha (que atacam as células cancerígenas e infelizmente as boas também) ambas a cada 21 dias, depois passei para a quimioterapia branca, foram 12 ciclos semanais, creio que foi a fase mais difícil do tratamento, que encerrou final de outubro.

Em janeiro fiz a cirurgia para a retirada do tumor na mama e a biópsia do material retirado acusou que obtive resposta completa ao tratamento.

Esta foi a melhor notícia que recebemos! Assim 2025 começa com boas notícias, renovando nosso ânimo e trazendo conforto ao coração, por sairmos vitoriosos dessa batalha.

Em função dessa mudança toda, o Renato voltou ao mercado de trabalho (continua fazendo seu churrasco de final de semana), nós voltamos a morar em Curitiba e o barco ficou, desde maio de 2024, em Trinidad Tobago, no Caribe.

A Pharea está a venda, pois ainda tenho que completar o tratamento com a Imunoterapia e depois disso fazer acompanhamento com exames laboratoriais, até ser liberada em definitivo, o que vai levar algum tempo.

Dói no coração deixar nosso barco e colocá-lo a venda, porém com certeza ele vai realizar o sonho de outras pessoas, da mesma forma que realizou o nosso.

Neste tempo aprendemos tantas coisas, vivemos diferentes emoções, contamos com os familiares e amigos maravilhosos que nos ajudaram muito a atravessar esse tempo ruim que tivemos e por isso agradecemos!Cada gesto, cada atitude, cada palavra amiga que tornou essa jornada mais leve… obrigada a todos vocês pela atenção e carinho que dispensam a família Pharea.

Namastê 🙏🏻

Renato, Caci & Bella.

17 de março de 2025. Morando em Curitiba, Paraná, Brasil

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Quando a mudança de planos chega, sem avisar. Adeus Caribe.

Retornamos à charmosa Sainte Anne, ancoramos na baía, próximo ao pier público com a sensação que estávamos no caminho de volta, que já não daria mais para seguir rumo ao norte do arco do Caribe, pois, se aproximava a temporada de furacões.

O que nos manteve presos mais de dois meses em Martinique, foi a espera pelos resultados dos exames que havia começado a fazer ainda em fevereiro e o tempo foi passando e a temporada de furacões se aproximando.

Acabamos ficando especialistas em planejar e replanejar os planos. Lembro que quando chegamos queríamos subir de Grenada até o norte do arco do Caribe, mas tivemos que reformular os planos. Aqui se faz necessário ponderar que a navegação é sempre de leste para oeste, em função dos ventos frequentes que sopram no Atlântico e por isso também não iremos para as ilhas ABC (Aruba, Bonaire e Curação) este ano, pois seria difícil retornar para o arco, a rota partindo de ABC seria seguir em direção ao Panamá.

Desta forma, por enquanto o plano era ficar em Grenada e Trinidad e Tobago até novembro e depois retomar a subida do arco.

Além disso havíamos recebido alerta das agências que monitoram o clima e informaram que a temporada de furacões será mais intensa este ano, motivo pelo qual estamos cautelosos (até por que é a nossa primeira vez por aqui) em nos manter seguros, pois já vimos muitos veleiros afundados e avariados por aqui praticamente em todas as ancoragens que fizemos.

Bem o estudo de tantas possibilidades e com tantas variáveis a considerar, uma vez que se trata das forças da natureza, acabou se resumindo a uma outra questão, o resultado dos meus exames chegaram através de um telefonema, que nos informou: “Olha, infelizmente não tenho boas notícias para vocês”.

O mundo rodou por um instante e agora realmente tínhamos um problema que requeria não só decisões, mas urgência. O resultado da biópsia diagnosticou Câncer de Mama. Teria que operar? Qual era o tratamento? onde? eram questões que tínhamos que encarar e aí entrava uma série de outras questões relativas ao estilźo de vida que estávamos levando… onde deixar o barco, quais as possibilidades, quais os custos e inúmeras outras questões.

Na manhã seguinte decidimos que eu voltaria no primeiro vôo que encontrássemos e que o Renato seguiria com o barco em direção ao sul em busca de uma marina onde pudesse deixar o barco uma temporada.

Foram dias muito difíceis, estar doente, embora me sentido bem fisicamente, voltar para a terra, já que há 8 anos somos do mar… eram grandes barreiras a serem derrubadas e o medo do desconhecido era o que nos aguardava do outro lado e além dele a dúvida: voltarei? Estarei aqui novamente?

Assim, no dia 28 de abril nos despedimos ainda fragilizados e incertos no tocante aos próximos passos, tanto eu indo encarar de frente o tratamento, quanto o Renato, pelo fato de não poder me acompanhar e precisar navegar rumo ao sul para arrumar um lugar seguro para deixar a Pharea, ele foi neste momento, literalmente, “tocar o barco”. Embarquei para o Brasil, trazendo comigo a Bellinha, com o coração em mil pedaços, deixando para trás a vida que tanto amava, minha casinha itinerante e me separando, ainda que somente por alguns dias, do homem que é a minha fortaleza, meu recanto e meu encanto, o Renato!

Namastê 🙏🏻

28 de abril de 2024. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Martinique 🇫🇷 Caribe.

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Um lugarzinho especial que nos lembrou de Paraty, RJ 🇧🇷

Passando para contar um pouco das nossas atividades nestes quase 2 meses em Martinica. Como aqui foi o lugar com mais infraestrutura que passamos desde que chegamos ao Caribe, é natural que ficássemos mais tempo por aqui e também pelo fato de que muitos amigos estão aqui também. Neste tempo estou aproveitando para fazer os exames anuais preventivos e também por isso acabamos nos demorando, esperando pelos resultados.Mudamos para uma ancoragem em Trois Illêts, um fundo de baía, com águas paradas, que nos lembrou das ancoragens na Ilha da Cotia, Paraty, RJ. Tivemos noites de sono incríveis, sem acordar a noite e curtimos demais esta calmaria, que não havíamos encontrado desde que chegamos aqui. Na ancoragem 4 barcos brasileiros: o Bruno (Speranza), o Léo e a Veronica (Max), o Aires e a Carol (Naboa) e o Hamilton e a Gal (Hórus) e nossos amigos Ana e John (The Dream).Outra coisa fantástica é que o pier de desembarque, onde deixávamos o bote, era dentro de um parque de preservação de mangue, onde víamos com frequência crianças em aulas de campo, encontros de etnias, além de ter um bosque incrível para caminhada, na sombra, o que era ótimo no calor que estava fazendo.Visitamos uma “poterie“, que produz obras em argila, com lindas peças em exposição, visitamos museus sobre a história local, fortemente arraigada na questão da escravatura, fizemos caminhadas, piqueniques com os amigos no cair da tarde, foi muito especial o tempo que passamos juntos aqui.Aqui, como a baía era mais calma, decidimos comprar o material para fazer a capa do bote novo. Acordávamos mais cedo, antes do vento, para baixar o bote da targa e fazer o molde com material plástico, confesso que não foi fácil, mas enfim com o molde feito, usamos uma mesa do parque para cortar o tecido e poder iniciar a costura.Também trabalhei no dog house do Speranza, substituimos o vinil transparente e fizemos alguns reforços.Desta ancoragem também íamos para a capital da ilha, chamada de Fort de France.Uma cidade com um pequeno centro histórico, representado pelos antigos casarões dos proprietários das grandes plantações de cana, que ainda hoje produzem um sem número se “Rums” a partir da fermentação e destilação da cana de açúcar e que mesmo tendo se passados alguns séculos, o Caribe ainda hoje é conhecido pela produção do Rum (Foto: Fazenda de cana-de-açúcar).Para além do centrinho a cidade se espalha pela orla e através das inúmeras montanhas que compõem a área, as vezes formando longos eixos norte/sul, com a área de serviços e comércio distribuídas ao longo das mesmas, e que trazem para si um tráfego acelerado e nervoso. Com certeza sair da paz da ancoragem, pegar um ou mais ônibus para ir a capital, estava longe de ser um bom programa.O melhor era acordar cedo, tomar café no cockpit vendo o sol levantar, sair para uma caminhada no parque ou na pequena Trois Îllets e passar o dia na paz e tranquilidade.E também parar na Patisserie para experimentar os lindos e saborosos doces franceses e os pães irresistíveis.Porém, numa linda manhã veio a guarda costeira e pediu que todos mudassemos de ancoragem… assim levantamos âncora e fomos para a baía de Anse a Ane, poucas milhas ao sul de onde estávamos, onde ficamos por mais uns dias e depois seguimos um pouco mais ao sul e voltamos para nossa primeira ancoragem em Martinique: a grande baía de Sainte Anne.Namastê 🙏🏻11 de abril de 2024. Morando a bordo do veleiro SV Pharea na Martinique 🇫🇷 Caribe.

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Em Martinica 🇫🇷, cercados de amigos!

Estamos em Martinica, território ultramarino da França, ancorados em Sainte Anne, no lado sudoeste da Ilha e ao lado de Le Marin, onde fica a marina e o centro comercial náutico, com praticamente tudo o que se pode precisar tanto em produtos como serviços náuticos.

Foto: Wikipédia

Os franceses tem uma grande tradição náutica, um segmento bastante desenvolvido, tanto em número de estaleiros como Jenneau, Beneteau, Amel, Lagoon, Fountaine Pajot, entre outros, com produção de monocascos e catamarãs em larga escala, como na oferta de produtos e serviços.

Na marina de Le Marin, vimos alguns piers destinados somente a barcos de charter, grandes catamarãs que são alugados com o skipper, responsável pela condução da embarcação durante o período de charter. A vida náutica se mostra intensa por aqui. As ancoragens de Sainte Anne e Le Marin se juntam, formando uma imensa área de ancoragem com aproximadamente 1.000 barcos.

Foto: Wikipédia

Explorando a baía encontramos inúmeros barcos danificados pelos furações que passam anualmente por aqui.

Alguns afundados, outros parecendo abandonados, outros avariados e amarrados todos juntos, alguns sem mastro… dá uma tristeza ver os barcos assim e isso já mostra que aqui não é um bom lugar para se estar durante a temporada de furações, que vai de junho a novembro.

Tivemos a alegria de reencontrar os brasileiros Bruno (Speranza), a Veronica e o Leco (Max), a Carol e o Ayres (Naboa).

Fizemos novas amizades conhecemos a Dani e o Marcelo (Dany), que receberam o Flávio a bordo. A Silvia e o Jean (MabrukRio), e rapidamente o German e a Ivani (Tedesco) e ainda Recebemos a visita de amigos canadenses.

Nunca havíamos encontrado com tantos brasileiros antes, um pessoal bem bacana que subiu a costa brasileira e chegou ao Caribe.

Reencontramos os amigos que conhecemos na Tunísia a Yolene e o Jean (Caffee Latte), a Lori e o Paul (Image2) e os amigos da Turquia Gül e Bobbie (MBR).

Aqui também conhecemos a Ligia e o João (Kaia), um casal português muito querido que moram em Cape Town e que estão em sua terceira volta so mundo, quem nos apresentou foi a Ana (The Dream), nossa amiga portuguesa. Confesso que, com tantos amigos, foram muitos e bons happy hours.

As cidades são pequenas vilas, mas há bons supermercados, encontramos tudo o que precisamos, e nos deliciamos com os muitos tipos de queijos, o que já era de se esperar estando na França, sem falar da famosa e irresistível baguete, ou seja, há um comércio local e infraestrutura bem melhor que nas ilhas anteriores.

Aproveitamos muito a ancoragem em Sainte Anne, fomos a praia vários dias com os amigos, fizemos algumas trilhas passando por várias outras prainhas, inclusive uma de nudismo.

Armadilha usada para pegar caranguejo.

Também fizemos piquinique na praia, saímos para tomar os drinks típicos daqui, o Rum Punch e o Ti Punch e conhecemos alguns restaurantes legais como o Mango Bay, com cardápio de cozinha internacional.

Aqui compramos um bote novo. O Renato escolheu um modelo com fundo em “V”, de alumínio, com dois lockers e tanque de combustível interno, muito bom, agora quase não temos mais respingos de água salgada.

Nosso bote anterior estava bom, mas aqui as distâncias são maiores e um bote com fundo em “V” faz toda a diferença para não se molhar.

Anunciamos o bote antigo num grupo do facebook de velejadores daqui e em meia hora já estava vendido.

Enfim, começamos a curtir um pouco mais o Caribe, esperamos encontrar ancoragens paradisíacas, como aquelas das propagandas, com águas claras, lugares seguros e boas condições de mergulho.

Namastê 🙏🏻

11 de março de 2024. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Martinique 🇫🇷.

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