4 anos velejando fora do Brasil 🇧🇷

Em março comemoramos quatro anos de vida a bordo fora do Brasil 🇧🇷. Estamos na Turquia 🇹🇷 como residentes temporários por um ano, passamos o inverno aqui ancorados e agora está começando a esquentar e vamos conhecer novos lugares ao sul.

É inacreditável como nossa vida mudou desde 2016, quando decidimos parar a vida em terra e viver a bordo. Saímos de Antonina (PR) e passamos dois anos vivendo entre Angra dos Reis e Paraty (RJ) e essa primeira experiência de vida a bordo nos cativou e nos levou a sair do país para comprar um barco fora e velejar a partir deste ponto. Compramos nosso veleiro na Croácia, em 2018, o que nos permitiu passarmos todos esses anos no Mediterrâneo. A princípio seria somente um ano e cruzaríamos o Oceano Atlântico rumo ao Caribe, mas aos poucos fomos conhecendo mais e mais países e a vontade de se demorar em cada um deles nos fez ir ficando. Além do quê, nosso objetivo é morar a bordo, então não temos pressa para chegar a outros lugares, podendo assim nos demorarmos o quanto quisermos.

Clique no video abaixo para conhecer o caminho que percorremos nestes anos saindo da Croácia e seguindo para Montenegro, Grécia, Itália, Tunísia (África), Malta e Turquia (Ásia) onde estamos agora.

A vida a bordo traz muita tranquilidade e descomplicação, os problemas se resumem as coisas do dia a dia e raramente existem problemas que nos tiram o sono. É claro que, por outro lado, estamos sempre atentos às previsões meteorológicas e buscando estar abrigados o máximo possível para enfrentar o mau tempo. As vezes não tem como ficar abrigados cem por cento e nestas horas só resta enfrentar e esperar passar.

Ao contrário do que muitos pensam a vida a bordo é cheia de amizades que conhecemos nas ancoragens ou Marinas, pessoas incríveis de países que nunca sequer imaginamos conhecer e neste tempo todo tivemos muitos amigos a volta e um casal em especial, do veleiro Tartuga, que combinamos em seguir viagem juntos em alguns trechos, desde que saímos da Tunísia, em abril de 2021.

A grande maioria de velejadores que conhecemos são casais, muitos com mais idade do que nós e alguns com filhos ou animais de estimação e aqui aproveito para falar da nossa Yorkshire Bella, que tem sido uma companhia fantástica e uma ótima guardiã. Ela é alegre e carinhosa, e sempre está atrás do Renato pedindo colo.

Do nosso país 🇧🇷 sentimos saudades da família, dos amigos e por vezes da boa comida. Por outro lado conhecer outros países é maravilhoso, quer geograficamente, culturalmente, poder sentir as diferentes tradições, religiões e comportamentos… tudo isso é enriquecedor e fica ainda mais atraente por nos deslocarmos com o barco, ou seja, com a nossa casa que tem tudo o que precisamos. Além de conhecer novos lugares, nosso dia a dia se resume basicamente nas tarefas de manutenção, reposição de suprimentos e planejamento para onde ir, quando ir e quando seguir viagem, porém sem um calendário impondo datas, até por que quem vive no mar se desloca quando o tempo está favorável e não simplesmente quando quer.

Agora a primavera acabou de chegar e vamos fazer os planos para curtir o verão e a vida aqui na Turquia 🇹🇷, passeando por novos lugares, mergulhando quando água estiver mais quente, perambulando pelos inúmeros bazares e feiras e é claro saboreando a comida daqui, que é deliciosa! Namastê 🙏🏻🇹🇷

31 de março de 2022. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Marmaris, Turquia. 🇹🇷

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Conhecendo o Marmaris National Park 🇹🇷

Visitamos uma das marinas daqui, a Marmaris Yacht Marina, junto com os amigos dos barcos Sweetie e Tartuga. A Marina tem boa infraestrutura e um pátio de serviços enorme, abriga inúmeros mega iates.

Uma das coisas que chamou a nossa atenção foi a estrutura que montam para fazer os reparos e pintura de alguns grandes barcos, que consiste em levantar uma estrutura no entorno da embarcação, como se fosse um grande angar e assim trabalham internamente totalmente livre das intempéries como chuvas e vento.

Aproveitamos para almoçar no restaurante onde os trabalhadores almoçam e nos juntamos aos amigos do barco Red Roo (que está invernando na Marina) e nos surpreendemos com a boa comida e ambiente, em nossa bandeja tínhamos sopa, purê de batatas, salada, osso buco de peru com grão de bico, ainda pão e chá quente a vontade.

Achamos super bacana eles manterem este restaurante com preço bem acessível às pessoas que trabalham no pátio de reparo das embarcações. Lembro que no pátio da marina onde estávamos na Tunísia, por muitas vezes víamos os trabalhadores do pátio almoçar nada além de um pão com Harissa (pimenta forte e muito popular) e sentados nas sombras das embarcações que estavam levantadas.

Mas além do passeio pela Marina fomos andar pelo Marmaris National Park, que fica logo após a Marina e conhecemos uma linda caverna com muita estalactite e estalagmite e com um visual incrível.

Depois passamos por duas criações de abelhas (a Turquia é um grande produtor de mel) e seguimos andando até a parte mais elevada da montanha que nos presenteou com a vista do mar aberto indo em direção ao sul.

O passeio foi ótimo, tivemos um dia incrível e realmente estávamos precisando sair um pouco, nos aquecer caminhando e curtir os sons e cheiros da mata. Namastê 🙏🏻🇹🇷

23 de março o de 2022. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Marmaris, Turquia. 🇹🇷

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“Pare o mundo que eu quero descer…”

Essa frase cantada por Raul Seixas reflete uma vontade de não vivenciar o duro momento atual…

Neste ano que estamos na Turquia planejavamos navegar em direção ao norte, passando pelo canal de Dardanelles até o Mar Negro e assim conhecer Istanbul, uma das mais importantes cidades do mundo e depois descer toda a grande costa da Turquia em direção ao sul no verão, quando os ventos são favoráveis para fazer este itinerário. Porém a guerra que se instalou na Ucrânia torna esta ideia impraticável por enquanto.

Acompanhamos com tristeza a situação do povo Ucraniano e é inaceitável que neste século uma guerra assim ainda aconteça. Temos novamente alguém tão terrível, nos lembrando horrores como nos tempos do Hitler, impondo o poder bélico e tirando a vida de milhares de jovens, de ambos os lados.

Os Ucranianos estão vivendo uma devastação em seus direitos e o povo Russo sendo alimentado com uma versão totalmente fora da realidade dos fatos. Junto com toda a perda, a dor, a tristeza e a destruição resultante da guerra, se espalham os impactos econômicos que elevam os preços em todo o mundo, fazendo com que paguemos mais caro por tudo que consumimos. Assim, vamos refazer os planos, esperar novamente o reagendamento da visita dos familiares, que tentam nos visitar desde quando o Covid 19 chegou em 2020 e esperar para que a Russia pare com essa insanidade de não respeitar a soberania e atacar a Ucrania.

Por hora nós continuamos ancorados em Marmaris, numa baía protegida, mas o frio ainda é intenso e todo tempo penso nos soldados lutando com temperaturas abaixo de zero, nas famílias que precisam deixar suas casas, no corte de água e energia dificultando a sobrevivência e no longo caminho que precisam andar para chegar à fronteira, levando crianças e idosos e deixando parte da família para trás. Externamos todo o nosso horror a este desgoverno Russo que envergonha a humanidade, tentando destruir uma nação, fragilizando as pessoas e matando tantos inocentes.

Por um mundo sem guerra. Namastê 🙏🏻🇹🇷

05 de março de 2022. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Marmaris, Turquia. 🇹🇷

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Ventos fortes na ancoragem, Turquia 🇹🇷

Tivemos uma semana de muito vento por aqui. Mesmo tendo mudado de ancoragem para estarmos mais protegidos, o vento foi contínuo e as rajadas próximas de 55 knots, mais de 100 quilometros por hora.

Todos os outros barcos também vieram para esta ancoragem para se proteger e o que tivemos foi um vento que entrou de todos os quadrantes, o que tornou impossível estar totalmente protegidos. Ancoramos para ficarmos protegidos dos ventos que viriam de sul e sudoeste e assim quando o vento começou a rodar já era noite e as rajadas com mais de 40 knots, o Renato precisou reposicionar o barco e fizemos isto encarando a chuva forte e o vento que adernava o barco e dificultava para subir a corrente da âncora, sem falar da escuridão e das chicotadas de água trazidas pelo vento.

O Renato tem um conhecimento técnico e prático incrível, sabe dar as respostas certas nas manobras necessárias para manter o barco nas condições difíceis de ventos fortes mas para mim foi uma experiência e tanto. Quando estava na proa recolhendo a corrente para reancorar o visual era assustador, via os outros barcos rodando com o vento, mudando de posição rapidamente e havia um barco amarrado a uma poita que quando a rajada pegava de través (na lateral) dava para ver o fundo do casco de tanto que adernava.

Precisamos reancorar três vezes até finalmente nos sentirmos seguros. Mas em meio aquela chuva e ventania e com o esforço do guincho, decorrente da dificuldade de manter a proa do barco alinhada com o vento, devido as fortes rajadas, a peça que direciona a corrente para descer na caixa de ancora se soltou, tornando mais difícil a operação, pois as vezes a corrente não descia e eu precisava ficar num movimento de vai e vem para poder fazê-la descer. Agora relatando fica bem mais fácil, mas, naquela hora, com chuva e o vento que não dava trégua nos empurrando, o Renato precisou deixar o leme e vir até a proa para identificar o que havia acontecido e me orientar como proceder. Enquanto estávamos reancorando o barco, o bote de apoio que estava amarrado na popa, virou duas vezes, ficando com o motor embaixo da água. O trabalho para desvirar o bote cheio de água e com as rajadas de vento foi exaustivo.

Esta foi minha experiência mais assustadora, mais do que uma noite que passamos ancorados numa pequena enseada na Croácia, cuidando para que o vento não nos arremessasse contra as rochas. O lado bom dessa noite aterrorrizante é que agora me sinto muito mais experiente e menos assustada e vi que ao contrario do que pensava, consigo manter a calma e me manter segura para ajudar o Renato a realizar os procedimentos necessários.

Ficamos na ancoragem quase uma semana, como a chuva era constante não saímos do barco e depois com a previsão indicando a mudança de vento, voltamos para a ancoragem em frente a cidade de Marmaris, ficando mais alguns dias sem sair em função do vento. Felizmente tínhamos suprimento para todos estes dias e achamos algumas atividades para fazer dentro do barco. Eu costurando algumas coisas o Renato fazendo algumas manutenções e assim passamos até podermos sair e ir pra terra.

Nestes dias ficamos muito tristes acompanhando os acontecimentos decorrentes do efeito “la ninã” em vários estados do Brasil, começando pelas chuvas na Bahia e avançando para outros estados. A quantidade de chuva foi surpreendente e evidência que ainda há muito a ser feito para realocar a população para áreas sem risco. Esperamos que haja vontade política para efetivar as ações necessárias quanto à população que está nas áreas de risco. Namastê 🙏🏻🇹🇷

20 de fevereiro de 2022. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Marmaris, Turquia. 🇹🇷

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Ancorados com neve na Turquia 🇹🇷

Neste inverno aqui na Turquia estamos experimentando novas descobertas e agora, pela primeira vez, desde que moramos a bordo, temos neve ao redor das montanhas que protegem a baía de Marmaris.

A previsão era de 13 cm de neve e quando acordarmos, às 9 horas da manhã, vimos um visual incrível, as montanhas delineadas lindamente pela cor branca da neve.

Creio que estamos passando pelos dias mais frios deste inverno. A temperatura interna no barco chegou a cair a 3 graus celsius e externamente com certeza ficou negativa.

A medida para encarar o frio é nos agasalharmos muito bem, com várias camadas de roupa e o uso de touca, luvas e cachecol tornou-se rotineiro para nos mantermos aquecidos e protegidos do frio. Durante o dia a bebida preferida é o chá quentinho e quando estamos em terra na cidade, vimos que todos nos bares e cafés, buscam por algo quente para beber também e aqui o chá ou café turco são as melhores opções.

A neve durou alguns dias nas montanhas e desfrutamos de uma vista incrível, além de uma sensação diferente de “Uau… estamos passando o inverno ancorados e com neve…” com certeza esse inverno está nos deixando mais experientes e resistentes ao frio, ao vento, as tempestades e estamos felizes por nos mantermos seguros e protegidos. A Pharea, nossa casa itinerante está ótima, o Renato não descuida das manutenções de rotina, temos acesso a água e combustível na marina próxima de onde estamos ancorados. Nos dias em que não há sol suficiente para carregar as baterias através dos painéis solares, o Renato liga o motor, por cerca de uma hora e assim já temos água quente nas torneiras e para o banho.

Temos mantido roupas na Bella neste período todo e diariamente ela fica pegando sol em seu lugar favorito embaixo do doghouse, onde fica abrigada do vento e nos parece que não está sendo difícil para ela encarar este tempo mais frio.

E assim vamos passando o inverno por aqui, esperando ansiosos pela chegada do verão, minha estação do ano preferida!Namastê 🙏🏻🇹🇷

25 de janeiro de 2022. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Marmaris, Turquia. 🇹🇷

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