Chegamos na Costa da Espanha 🇪🇸

Levantamos âncora às 07:30 da manhã rumo a Costa Continental da Espanha. Depois de 50 milhas passamos por Ibiza a terceira ilha do Arquipelago de Baleares e cruzamos o meridiano de valor zero, também chamado de MERIDIANO DE GREENWICH, que divide o planeta em duas regiões: Leste à direta e Oeste, à esquerda. Esse meridiano que une os pólos norte e sul atravessa oito países: Reino Unido, França, Espanha, Argélia, Mali, Burkina Fasso, Togo e Gana. Numa velejada com mar calmo e pouco vento, seguimos motorando.

Anoiteceu e a lua cheia iluminou o mar com seu reflexo, mesmo com ela, vi duas estrelas cadentes. Depois, umas 40 milhas em frente já enxergamos a costa da Espanha, as luzes das cidades e os adoráveis faróis fazendo a sinalização ao longo da costa. Entre meia noite e uma da manhã aumentou o tráfego de navios, foram 9, passando 7 por boreste (a nossa direita) e 2 por bombordo (a nossa esquerda). Pela manhã, lá pelas 6 horas passamos por vários grandes barcos de pesca que estavam saindo para sua jornada.

Velejar em noites assim é fantástico, a brisa quente trazida pelo vento, as luzes que vão se definindo a medida que nos aproximamos e a sensação única proporcionada por um veleiro, a liberdade de ser um pontinho no oceano e sem pressa chegar ao destino, depois conhecê-lo e deixá-lo levando um pouquinho de cada lugar na bagagem de lembranças.

Chegamos em Torrevieja, passamos o molhe (barreira construída com pedras ou concreto para conter a arrebentação das ondas) e entramos numa baía super protegida e ancoramos entre uma doca de transporte de sal e a Marina.

Nossa intenção em vir direto das Baleares para cá foi em função dos próximos ventos previstos para o fim de semana, principalmente em Ibiza e aqui também, mas a ancoragem aqui é bem protegida e não tem espaço suficiente para levantar ondas, o que é ótimo!

Chegamos na sexta e no sábado e domingo ventou direto com rajadas de mais de 80 km/h. Ficamos bem, fechamos o bimini (capotaria externa do cockpit) e o Renato passou a noite acordado monitorando nossa posição em relação ao vento. Os outros barcos que estavam na ancoragem quando chegamos, saíram, uns foram para a Marina e outros mudaram de ancoragem para mais perto do mole.

Ficamos bem e novamente os fortes ventos se foram. Saímos para conhecer a cidade, que é bem turística, tem um calçadão em toda a orla, praia, e os paredões de edifícios todos emendados uns aos outros.

Na semana que ficamos aqui o Renato aproveitou a boa ancoragem para iniciar os reparos necessários em decorrência dos danos causados pelo barco que bateu em nós em Maiorca. Tínhamos muito trabalho a fazer…

– A estação de vento no topo do mastro quebrou e o Renato subiu no mastro para retirá-la, consertou e depois subiu novamente para fixá-la. ✔

– A luz de navegação foi destruída e o Renato precisou comprar uma nova e então refez a instalação e colocou um lâmpada provisória, porém precisará substituí-la por uma maior, que não encontrou na loja aqui. ✔

– Os reparos na fibra da proa. Tínhamos todo o material e foram muitas horas de trabalho do Renato, dentro do bote e no sol escaldante, para refazer as diversas camadas com epóxi. ✔

– A retirada do adesivo do nome do barco na lateral de bombordo, que foi totalmente riscado pelo outro barco e iniciou os reparos mais superficiais na lateral do casco. ✔

Foi uma semana de muito trabalho e ainda tivemos 2 dias de vento forte e 4 com o vento trazendo a poeira do deserto do Saara que encobriu o barco de um pó cor de chocolate impregnando o barco todo. Em outras ocasiões já havíamos pego esse tipo de vento, na Croácia, na Tunísia… mas aqui foi muito mais intenso… tivemos que lavar todo o barco, os cabos, a capotaria, as partes de inox… ou seja tudo… No dia seguinte acordamos e o barco estava sujo novamente e nos próximos dias continuamos limpando e limpando.

Próximos da cidade tem dois grandes lagos de extração de sal, explorados desde a Idade Média e aqui na ancoragem há uma doca com uma longa esteira rolante que leva o sal trazido por caminhões até o pier, onde será carregado em navios e transportado. Aproveitamos para visitar o Museu do Sal e do Mar e pudemos conhecer um pouco mais da cultura local, das ferramentas utilizadas, dos tipos de barcos usados para a pesca na região e dos costumes locais, foi bem legal!

Uau, por indicação de nossa amiga americana Lori, fomos ao Mercadona… um grande supermercado, com tudo o que se pode precisar, frutas, verduras, queijos, embutidos, patas de presunto cru, peixes e crustáceos, carnes e pães maravilhosos. Também os preços bem melhores… desde que deixamos a Itália, navegando pelas ilhas no centro do mediterrâneo só vimos os preços aumentarem… Então aproveitamos para refazer nosso estoque, pois há tempos não íamos a um mercado bom assim… o último que fomos neste padrão foi na Corsega, França.

Agora nossa maior preocupação é a substituição do púlpito de proa (inox que protege a proa do barco) que também foi destruído pelo barco que nos bateu. O Renato conseguiu uma indicação com o Pietro, um grande amigo e velejador que também está navegando pela Europa para fazer o serviço em Aguadulce, região de Almeria e então é hora de seguirmos para lá, levaremos uns 4 dias para chegar a tempo de ficarmos na Marina, antes do mau tampo que a previsão está mostrando para a próxima semana.

Nestes últimos dias temos acompanhando nos noticiários tantas pessoas enfrentado queimadas, inundações, secas, calor excessivo, a longa guerra da Russia contra a Ucrânia, os conflitos étnicos/políticos na África, o crescente número de refugiados e tudo isso envolve muitas vidas, pessoas perdendo seus lares e muitos a própria vida… e lançando um olhar para tudo isso, nos conforta poder viver a vida que escolhemos, com tanta paz e liberdade e felizmente já “digerimos” e deixamos para traz a lembrança do incidente que sofremos em Maiorca e seguimos para deixar a Pharea em ordem novamente e continuar nossa jornada, que nos levará até o Caribe nos próximos meses.

Vida que segue!

Namastê 🙏🏻

Dia 10 de setembro de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Torrevieja, Espanha 🇪🇸

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Sabe como são feitas as pérolas de Maiorca?

Na ida a Palma de Maiorca visitei o Museu da Pérola pois estava muito interessada em saber como elas eram criadas. Confesso que já tive um colar de Pérolas de Maiorca e que achava que elas eram iniciadas de modo artificial, como nas fazendas aquáticas de pérola, mas aqui descobri que não é nada disso e que elas são feitas a anos e por isso são tão conhecidas.

O alemão Eduard Heusc, em 1890, criou o processo de fabricação das “Pérolas de Majorca”. Seu objetivo era recriar as pérolas com perfeição, a ponto de poder se confundir com as naturais, pois naquela época só existiam as naturais e eram mais caras que diamantes. Sua intenção era criar um produto mais acessível e ele escolheu Maiorca para iniciar o desenvolvimentos do projeto. Aqui ele encontrou bons sopradores de Opalina (uma espécie de vidro), bons artesãos, designers e contou com a habilidade e delicadeza de mulheres, contratadas para “enfileirar” as pérolas nos cordões.

A pérola é iniciada com um núcleo de Opalina que depois recebe cerca de 30 banhos de um líquido resultante da fusão de escamas de peixe e o interior da casca do mexilhão, entre outros, até atingir o tamanho e a resistência necessaria. Essa é uma parte do segredo dessas pérolas, seu processo é guardado a sete chaves em Maiorca!

Junto ao museu há uma loja lindíssima com tudo o que podemos imaginar de brincos, broches, anéis, gargantilhas, colares, piercing, pulseiras e muito mais feitos com pérolas brancas, pretas ou coloridas dando a certeza de que seu criador alcançou a perfeição que buscava e também tornou mais acessível seu preço!

E de verdade, as pérolas são atemporais, trazem simplicidade, graça e glamour a qualquer look!

Realmente amei essa visita e fui graças ao Renato que descobriu para mim 💖

Namastê 🙏🏻

24 de agosto de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Maiorca, Espanha 🇪🇸

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Maiorca, a ilha dos famosos!

Deixamos Menorca e navegamos por 7 horas até Maiorca, a segunda ilha do Arquipélago das Baleares. Estávamos ansiosos para conhecer e explorar essa ilha, uma das mais famosas do mundo, conhecida por sua beleza natural, águas cristalinas e por receber muitas celebridades.

Ao nos aproximarmos da ilha, foi fascinante contemplar as altas escarpas rochosas da face noroeste, incrível observar os extratos rochosos formando desenhos incríveis, modelados pelo tempo.

Nossa primeira ancoragem foi em Pollença, entramos no canal e rumamos para o fundo da grande baía para ancorarmos. Havia centenas de barcos ancorados, muitos barcos de passeio para turistas e uma atividade náutica expressiva.

Pegamos nosso bote e fomos para a cidade, adoramos ver que havia um pier público destinado aos botes e assim pudemos explorar a cidade sem pressa ou preocupação.

A cidade cresceu da orla até o pé da cordilheira e tem um charme incrível salientado pela arquitetura de lindas casas, uma longa beira-mar e praia junto a cidade, em frente a bares e restaurantes.

Em nossa caminhada, como é de costume, aproveitamos para checar onde descartar o lixo, onde é o mercado, se tem feira livre, quais os pontos turísticos para visitar e onde é o posto de combustível.

Resolvemos também saborear o prato típico daqui, a Paella e estava muito “rica” como dizem os espanhóis!

Levantamos âncora e seguimos por mais 3 horas até Tuent e paramos em frente a uma linda praia. No caminho escarpas altíssimas e majestosas, uma das mais lindas que já vimos. As cores variavam entre o vermelho, o ocre, o amarelo e o branco formando um conjunto único. As rochas muito antigas e desgastadas pela ação do tempo apresentavam pontas como lanças distribuídas diagonalmente pela escarpa, um verdadeiro show da natureza.

De Tuent rumamos para Santa Ponsa e ancoramos na baía rodeada de grandes resorts, praia cheia de guarda-sóis e espreguiçadeira, uma cidade bem turística.

Novamente havia um pier público para deixarmos o bote e saímos perambular pela cidade e numa pequena feira de rua encontramos o que aqui é muito popular as patas de “jamón serrano”.

Nesta ancoragem encontramos dois barcos amigos. O Ditmar e a Trixi, um casal super querido de alemães que conhecemos e passamos o inverno juntos na Tunísia, Norte da África e depois os encontramos novamente em Malta e na Grécia. E a Bárbara e o Wolf, casal austríaco que conhecemos quando invernamos na Itália. Curtimos muito revê-los e passamos um tempo juntos para matar a saudade.

Gostaríamos de conhecer a famosa Palma de Maiorca, porém achamos conveniente irmos de ônibus pois lá pode-se ancorar na baía em frente a cidade, porém não tem onde deixar o bote para ir em terra e há uma grande marina que aceita somente barcos maiores que o nosso. Pegamos o onibus pela manhã, curtimos o visual no caminho e nos encantamos com a verdadeiramente bela Palma de Maiorca.

Palma de Maiorca, uma cidade milenar, datada de 123 a.C, nos encantou ao.mesmo tempo que nos lembrou de várias grandes cidades que já estivemos Corfu, Paris, Valeta, Buenos Aires… a cidade é incrível, tem ruas arborizadas com árvores centenárias, igrejas cheias de arte, ruas estreitas, calçadões, museus e cafés espalhados por toda a cidade e uma atmosfera alegre e cativante.

Descobrimos também praças e jardins espalhados pela cidade, alguns recantos para sentar e descansar, achamos interessante passear pela fortaleza e contemplar parte da cidade vista la de cima e adoramos caminhar nas ruas e praças arborizadas fugindo do calor escaldante.

Sentamos para tomar uma cerveja no calçadão e nos chamou atenção a diferença de preço em sentar dentro ou fora do restaurante. Se sentar fora você paga um pouco mais por desfrutar da vista e do ambiente externo! Sim, já havíamos lido que alguns restaurantes na Espanha já não aceitam reserva só para drinks ou dão preferencia para mesas ocupadas com 2 ou mais pessoas e nada de “rachar” o prato.

O velho e o novo compartilham o espaço da cidade de forma harmoniosa. De um lado a cidade velha, o porto e os prédios históricos e do outro um sistema avançado e interligado de ônibus, trem e metro e uma área enorme aterrada aumentando consideravelmente o espaço entre a antiga catedral e o mar, oferecendo um espaço para caminhadas, exercícios ao ar livre e contemplação.

Adoramos o passeio em Palma de Maiorca e nos surpreendemos com sua beleza e complexidade. Valeu!!!

Namastê 🙏🏻

31 de agosto de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Maiorca, Espanha 🇪🇸

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Explorando Menorca, Ilhas Baleares, Espanha 🇪🇸

Nosso incidente ocorreu em Maiorca, mas antes disso, nossa primeira vez em águas espanholas foi em Menorca, a primeira das 4 ilhas do arquipélago de Baleares.

A travessia da Sardenha para Menorca foi bem tranquila, esperamos 3 semanas para parar o vento norte/noroeste que entrou forte no Golfo de Lion, e agora navegamos praticamente sem vento por 31 horas. O mar estava com um azul incrível, característico das altas profundidades, chegamos 2.800 metros, mas o ponto forte foi durante os turnos da noite observando uma chuva de meteoros… vimos dezenas deles cruzando o céu que estava negro pois era Lua nova. O Renato viu o salto de uma grande raia e vimos varias tartarugas marinhas durante o dia e quando ficavam próximas do veleiro mergulhavam rapidamente.

Nossa primeira ancoragem foi em Maó, uma das principais cidades da ilha que abriga uma base militar fantástica, construída pelos ingleses no séc. XIX e hoje aberta a visitação, sendo sem dúvida uma das coisas mais impressionantes que já vimos.

O forte é imenso, ocupa o topo de um braço da Ilha e além das inúmeras construções de defesa, muitas subterraneas, alojamentos, hospitais, conservam ainda os canhões em posição de ataque.

Canhões com 17 metros de comprimento e um verdadeiro laboratório subterrâneo de onde os projéteis eram preparados para o lançamento. Ironicamente esse robusto sistema de defesa nunca precisou ser utilizado, mas segue imponente e atraí visitantes de vários países.

A cidade se define através de sua atividade náutica intensa, barcos de passeio, esportes aquáticos e várias marinas espalhadas pela grande baía que adentra cerca de 6 quilometros, proporcionando uma paisagem única e um movimento contínuo com o vai e vem de embarcações.

No entorno de toda a baía há casas históricas e recentes pintadas de uma única cor, o branco, conferindo uma identidade local.

Toda a orla tem calçadão rodeado de bares e restaurantes e a cidade antiga no alto pode ser acessada por elevadores panorâmicos ou pelas escadarias espalhadas no seu entorno.

A arquitetura do centro histórico cria grandes “paredes” nos quarteirões uma vez que as construções são todas emendadas umas as outras. Explorando as ruelas nos chamou a atenção a limpeza das ruas, nos divertimos ouvindo fragmentos de conversas dos espanhóis locais e andamos até nos cansar e nos darmos por satisfeitos em conhecer esta antiga cidade, cujo nome Maó, foi atribuído em 230 a.C

Saindo de Maó ancoramos numa linda praia cercada por resorts e muitos turistas tomando sol na praia, nadando na área delimitada para natação e brincado na água com pedalinhos e stand up na versão família, ou seja, 2 a 4 pessoas na mesma prancha e familias inteiras se divertindo nos pedalinhos com escorregador. Nesta praia, pela primeira vez recebemos a visita de um barco que fiscaliza a Poseidonia, um tipo de grama no fundo do mar, importante para a proteção e reprodução das espécies marinhas. O fiscal mergulhou um cone na água cristalina e conferiu se nossa âncora estava unhada na areia ou na Poseidonia e como estava na areia, não tivemos problemas.

No dia seguinte levantamos ancora e seguimos para a próxima ancoragem, na grande baía de Fornellus, ao norte da ilha de Menorca, com centenas de barcos ancorados e um cidade toda pintada de branco novamente, onde passamos dois dias abrigados na baía.

Na foto acima, barcos tradicionais de pesca da lagosta.

Havia dois piers públicos para colocar o bote e ir a cidade e o Renato comprou diesel (ao preço de 2,35 Euros ao litro 😱) e carne para um churrasco a bordo. Um daqueles dias, era quarta feira mas parecia ser domingo!

Saindo de Fornellus ancoramos em uma bela baía, sem construções, bem abrigada dos ventos que estavam soprando, vindos do sul e a idéia era aproveitar a praia e o mar e lá mergulhei e vi dezenas de raias e linguados no fundo, nadando entre a Poseidonia e se escodendo na areia, foi fantástico! Tudo isso sob nosso barco, incrivel!!!

Hora de deixar a primeira ilha e seguir para Maiorca, nosso próximo destino e já encantados com esse pedacinho da Espanha 🇪🇸.

Namastê 🙏🏻

18 de agosto de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Menorca, Espanha 🇪🇸

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Incidente em Maiorca, Espanha 🇪🇸 ventos com força de furacão.

Me peguei pensando na diferença entre acidente e incidente e o que sofremos foi o segundo. Apesar de ambos serem um acontecimento inesperado, o primeiro tem maior proporção e pode ser irreversível, enquando que o segundo pode ser reparado.

Na vida diária no mar há muitas questões de segurança envolvidas e sempre estamos atentos a isso, porém ocorrem os imprevistos e neste caso não estava sob nosso controle, um veleiro garrou (a sua âncora arrastou no fundo do mar) e veio de encontro a Pharea em meio a uma tormenta com ventos fortes e rajadas de mais de 120 km/h.

Estávamos cientes dos fortes ventos que alcançariam Maiorca naquele domingo, havia alertas nos aplicativos de previsão de tempo e nos noticiários.

Estávamos na baía de Santa Ponsa, em Maiorca, havia muitos outros barcos ancorados, mas todos com boa distância de giro e tudo ia bem até que um barco de bandeira inglesa, chamado Curlew (foto), começou a ser empurrado pelo vento e engatou na corrente da nossa âncora e isso em meio a ondas de 2,5 metros de altura.

Então começou um sobe e desce desencontrado dos barcos e as ferragens da popa do Curlew se engataram no nosso pulpito de proa (armação de inox que protege a proa do barco) e a destruiu deixando o inox todo retorcido além de vários danos à fibra do costado de bombordo e proa.

Muito provável que o mastro do Curlew tenha batido no nosso, pois a estação de vento no topo do nosso mastro quebrou e o suporte da antena de rádios estava torto. Quando o Curlew desengatou da nossa proa veio para a popa e quase danificou nossa targa onde ficam os painéis solares, o bote de apoio e seu motor.

Uau foram uns 15 minutos de horror. O casal do barco Curlew estava dentro do barco, não tinham visto que o barco estava arrastando a âncora, quando o barco se aproximou o Renato bateu na janela do barco para chamá-los e quando saíram ficaram paralisados com a cena do barco deles batendo no nosso.

O Renato tentava afastar mas era um barco (foto) com cerca de 20 toneladas, a tempestade estava em seu auge, não dava para manter os olhos abertos e Renato gritava para o homem: ligue o motor, você está destruindo o meu barco e o homem ficou parado até que finalmente ligou o motor, e se desvencilhou da proa e veio para a nossa popa e por fim sua corrente começou a passar embaixo do nosso barco e poderia ter arrancado nosso leme e se caso nossa ancora não estivesse bem unhada, o que estava, pois suportou os dois barcos por 15 minutos, poderíamos ter ido para cima de outros barcos.

A temperatura mudou completamente e em poucos minutos estávamos com roupas de tempo que usamos no inverno.

O veleiro Curlew após tudo isso, simplesmente fugiu da baía e nós ficamos profundamente chateados com essa postura que demonstrou tudo o que um velejador não é. Sua atitude foi horrivel, uma falta de empatia e de consideração com o outro, uma postura que nos deixou irritados e sem muito a fazer. No AIS, eletrônico onde podemos localizar as embarcações, não os localizamos, com certeza desligaram para ficar na surdina.

A tempestade foi muito forte e tudo ocorreu entre às 11 e meio-dia, espaço em que infelizmente vimos outros barcos em apuros. Alguns outros garraram, outros tiveram as velas abertas e rasgadas pelo vento, muitos barcos tentando levantar âncora e sair e os nossos amigos alemães Ditmar e Trixi, que estavam ancorados mais próximos da praia tiveram seu barco encalhado na areia, em segundos como disse o Ditmar.

Na manhã seguinte estávamos no barco e vimos um cordão humano de banhistas e outras pessoas na praia envolta do veleiro do Ditmar, um Jenneau, de 34 pés, e todos começaram a fazer um “olé” e todas essas mãos juntas conseguiram desencalhar o veleiro e colocá-lo novamente na água. Foi emocionante ver tanta solidariedade.

Na ancoragem o balanço continuava insuportável e nos mudamos para outra local a cerca de 4 km e quem encontramos lá? O veleiro Curlew que bateu na Pharea. Circulamos o veleiro dele o Renato falou que tínhamos que conversar e o cara simplesmente se esquivou.

Antes do almoço colocamos o bote na água e o Renato foi falar com o capitão do Curlew, que simplesmente se enfiou dentro do barco e não saiu para conversar… gritou lá de dentro que a gente se virasse, que acionassemos nosso seguro ou chamassemos a polícia.

A comunidade náutica é geralmente unida, solidária e prestativa, mas como em todos os lugares e setores, há também a classe dos “pilantras” e acabamos de sentir na pele que eles existem nos dois hemisférios! Na segunda-feira, dia 28, um dia após esse grande mau tempo que assolou vários lugares, vimos alguns vídeos nas mídias sociais dos estragos em terra e no mar.

O Majorca Daily Bulletin informou o número de registros, chegando próximo de 400 ocorrencias em função da forte tempestade e dos ventos com força de furacão, que ocorrem durante uma hora levando também ao cancelamento de vôos e paralisação do transporte via trem e metrô.

Bem, além do corpo dolorido e de vários hematomas estamos bem e o Capitão já começou a verificar todos os danos e planejar como faremos para deixar a Pharea em ordem novamente. Vamos abortar a ida a Ibiza e Formentera e seguiremos direto para a costa da Espanha pois no fim de semana tem previsão de mais ventos fortes na região. Abaixo um lindo entardecer na baía onde sofremos o incidente.

Namastê 🙏🏻

28 de agosto de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Maiorca, Espanha 🇪🇸

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