5 dias de travessia para as Ilhas Canárias, Atlântico 🇪🇸

Confesso que eu estava ansiosa por essa travessia. Sair de Marrocos, deixar o Mediterrâneo, navegar no Oceano Atlântico e descer até o arquipélago das Ilhas Canárias (rota usada pelos navegadores para chegar ao Caribe), tudo isso em 5 dias no mar e mais de 580 milhas náuticas a vencer. Já o Renato estava muito animado, durante nossa viagem ao Marrocos, estava estudando os diferentes apps de previsão do tempo, planejando o melhor local de chegada e interagindo com os amigos Portela e Prieto para os up date quanto eventuais mudancas significativas na previsão do tempo.

Mesmo morando a bordo tanto tempo e tendo navegado entre tantos países da Europa, África e Ásia, o que ocorre é que nesses locais é possível fazer pernadas curtas, de um lugar ao outro e navegar direto por no máximo 2 noites. O Renato me disse: “No terceiro dia você se acostuma a nova rotina” e foi o que aconteceu. Ele que já cruzou o Atlântico, do Rio de Janeiro a Cape Town, na África do Sul, em 33 dias, falou por experiência própria!

Estabelecemos alguns horários para nos revezarmos durante a noite e durante o dia ficamos juntos no cockpit envolvidos com a navegação, alimentação e com a Bellinha, que preferiu ficar o tempo todo no cockpit, usando a guia de segurança.

Quando não se vê terra, somente o mar ao seu redor é como se a vida desacelerasse, o veleiro vira nosso mundo e toda a nossa atenção está depositada nele.

Nos deslocamos com a força do vento. Quando abrimos as velas, ajustamos os ângulos, definimos o rumo e deixamos o vento nos levar. Porém nem sempre há vento suficiente ou na direção necessária para nos levar, então ligamos o motor e ele juntamente com as velas nos empurram em frente. Nosso barco tem pouco mais de 12 metros de comprimento, pesa 11 toneladas.

O silêncio da navegada era cortado pelo barulho do vento, das ondas e pelo rádio VHF. Há um canal para chamada e depois é escolhido outro canal para se ter a conversa propriamente dita. Na primeira noite fomos abordados por um grande navio de pesca que nos chamou avisando de suas condições restritas de manobra, possivelmente estava em operação de pesca, pedindo que desviassemos dele e assim o fizemos. Uma tarde o céu fechou, parecia haver uma formação de chuva e o Renato contatou via rádio com um navio de carga, que estava próximo, que nos atualizou sobre as condições de tempo. Interagimos durante todo o percurso com nossos amigos Paul e Lori que estão fazendo a travessia também.

Temos o AIS que nos mostra todas as embarcações que estão navegando na área, trazendo algumas informações sobre cada uma delas, como nome, tipo de barco e rumo, dentre outras, o que nos permitiu ter um panorama da área que estávamos navegando. Porém, algumas embarcações não possuíam ou não estavam com o AIS ligado (acontece geralmente com barcos de pesca sem autorização ou em área proibida), por isso foi necessário que um de nós dois ficasse de vigília.

Durante todo o percurso vimos muitas gaivotas, golfinhos acompanhando o barco, cardumes de atum e pequenos pássaros, tipo Pardais, que paravam no barco, saiam e voltavam. Creio que as aves usam os barcos e navios como ponto de apoio, ao se deslocarem de um local para o outro em longas distancias.

Os dias se passaram lentamente, o frio que sentimos em La Linea, há dias atrás foi substituído pelo ar mais quente, estamos indo para uma latitude mais próxima do Equador, nos afastando do frio característico do hemisfério norte, onde passamos 5 invernos.

A expectativa aos poucos foi se concretizando, nossa travessia do Atlântico já comecou, essa foi a primeira pernada e até final de janeiro próximo, pretendemos estar do outro lado do Atlântico.

Brindamos à nossa chegada na ilha vulcânica de Lanzarote, pertencente ao Arquipélago das Ilhas Canárias. Nos próximos dias vamos explorar e saber o que tem para vermos por aqui!

Namastê 🙏🏻

16 de outubro de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea, travessia para as Ilhas Canárias 🇪🇸

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About Sailing Vessel Pharea

Eu, meu marido Renato Teixeira e a Bella, nossa Yorkshire, moramos a bordo e estamos conhecendo muitos lugares dando volta ao mundo em um veleiro. Namastê 🙏🏼
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