Aguardamos o horário de abertura do posto de combustível em Gibraltar e às 9 horas levantamos âncora da baía de La Linea e fomos abastecer de diesel, aproveitando o preço um pouco mais barato em Gibraltar (1,23 Euros/litro).



Saindo da baía, abrimos a vela mestra e logo pudemos ver no outro lado da costa, Argélia e Marrocos. Entramos no Estreito de Gibraltar para cruzá-lo, o vento soprava de popa, o mar estava alto e com corrente forte a favor, vento e corrente nos empurrando, atingimos 10.8 knots… 4 knots mais que nossa velocidade média.
Após fazermos 32 milhas náuticas chegamos em Tanger, onde havíamos reservado marina por alguns dias.

Atracamos no pier da imigração, o vento estava forte, aguardamos a chegada do responsável, depois fizemos o check-in na imigração e na marina. Seguimos todo o protocolo e ficamos no barco esperando os oficiais que vieram fazer uma breve vistoria, tudo estava certo e fomos atracar em nossa vaga na marina. Tanger nos surpreendeu já de chegada pela infraestrutura que encontramos na área portuária, que reúne a marina, os órgãos oficiais, alguns serviços, lojas e restaurantes.

Também oferece um custo ótimo, a última marina que paramos, em Aguadulce, custou cerca de 49 euros a diária e aqui somente 13 euros.



No mesmo dia saímos andar pela cidade e comprar chip para o celular para nos conectarmos, algo que fizemos em cada país que chegamos!

Depois fomos conhecer a Medina, cidade antiga que concentra o comércio de especiarias, roupas de couro, artesanato, tapetes tecidos a mão e ima variedade de longas túnicas, para várias ocasiões (de lã, para enfrentar o frio do inverno, umas mais leves usadas no dia a dia por homens e mulheres e algumas com brilhos e bordados), me encantei com os típicos e lindos chinelos em couro ou de tecido bordado, muito usado pelos locais e vendidos aos turistas atraídos por tantas cores e modelos.




No almoço experimentamos alguns pratos típicos bem saborosos, como o Tajine, assado em um prato de cerâmica com tampa em forma de cone, com várias opções: vegetariano, com frango ou carne vermelha. O Cuzcuz Marroquino também é muito bom…. cozido a vapor e com as mesmas opções do Tajine. A culinária deles é bem temperada, não é picante e as porções são bem servidas… quase tudo acompanha pão. Os marroquinos costumam partir o pão com a mão e mergulhá-lo no prato e às vezes nem usam os talheres durante a refeição.

O governo investiu para criar uma linda e longa avenida beira-mar, com diferentes espaços de lazer, com 6 vias para carros e estacionamento subterrâneo acompanhando toda a grande avenida que engloba também a marina.

A cidade é limpa, há muitas pessoas trabalhando para recolher o lixo das ruas, podar as plantas e manter os jardins e áreas verdes. Percebemos que há uma atenção voltada para o turista e um cuidado para que não sejam importunados por insistentes vendedores de souvenirs.
Na marina os marinheiros são gentis e atenciosos e além do árabe, interagem em inglês, francês ou espanhol.


A região de Marrocos é habitada desde a Pré-história por populações berberes, o país conheceu povoamentos de fenícios, cartagineses, romanos, vândalos, bizantinos antes de ser islamizado pelos árabes. No ano 788 foi instituído o primeiro estado marroquino que se manteve lutando ao longo do tempo contra o domínio estrangeiro. Porém no início do século XX, Grã Bretanha, França, Alemanha e Espanha competiram entre si para dominar o Marrocos, uma das poucas partes remanescentes do continente fora do alcance colonial. Com a ocupação de Marrocos pela França e Espanha o descontentamento pela ocupação estrangeira durou 40 anos, até a recuperação de sua independência em 1956.
Conhecendo um pouco da história pudemos entender a influência francesa e espanhola em Marrocos. Não só pelo uso dessas línguas, mas também vendo as cidades todas brancas, que fazem nos sentir como se estivéssemos andando por uma cidade da Espanha.


Andar e se perder pelas estreitas e coloridas ruas da medina, sentir no ar o incenso que se espalha, conhecer os itens típicos usados aqui, ouvir o chamado da Mesquita para a prece diária, sentir o frescor dos vegetais vendidos pelos berberes, que vivem próximos das montanhas, ver o comércio fluir numa linguagem rápida e insistente, contemplar as diversas formas de expressar a arte e se perder nas cores presentes no “souk”, é algo enriquecedor e instigante, no sentido de parar para entender esse modo de vida tradicional que permanece paralelo ao desenvolvimento moderno.



Nas ruas vimos o novo e o tradicional andando juntos. Senti que as mulheres tem mais liberdade mesmo sendo um país muçulmano, observei inúmeras mulheres sentadas nos parques, restaurantes, casas de chá… simplesmente desfrutando uma boa companhia ou mesmo em família, o que não víamos em Monastir, Tunísia, por exemplo.


Gostamos de conhecer Marrocos e sua cultura, muito embora o país passe por uma crise de água e a fome ainda é preocupante e se multiplica no interior do país. Tanger nos surpreendeu positivamente, sendo este mais um lugarzinho para nossa bagagem de boas lembranças.
Namastê 🙏🏻
05 de outubro de 2023. Morando a bordo do veleiro SV Pharea em Tanger, Marrocos 🇲🇦
Maravilhoso lugar.
Bons ventos queridos!!
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